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segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

A BRANCA DE NEVE E O CAÇADOR- SNOW WHITE AND THE HUNSTMAN


NOTA: 8.
- Você era a única pura o suficiente para quebrar o espelho e me destruir, e também a única pura o suficiente para me salvar.

Houveram duas refilmagens da Branca de neve, e todas as duas se distanciando da inocência da história que conhecemos. Quer eu esteja falando do desenho animado da Disney ou mesmo do conto original dos irmãos Grimm, mas o outro filme ainda tentava manter um pouco da mágica e doçura do conto original. Não há nada doce nesse filme aqui. Apesar de termos praticamente todos os personagens da história original e sabermos como vai terminar (ou pelo menos como deve terminar), a viagem é quase totalmente original e muito boa de acompanhar.
E boa parte dessa jornada ser tão boa de acompanhar, é que há algo muito interessante na forma que o filme pega o tema e o trata de uma forma tão séria. A maioria desses contos, estão enraizadas no subconsciente de qualquer pessoa, e de repente aparece uma nova versão violenta e obscura para mudar os conceitos. Apesar de inocentes, esses contos tem um lado sombrio, então aqui se aproveita mais esse lado do que o lado mágico.
Um pouco mais velha do que de repente imaginaríamos uma Branca de Neve, temos Kristen Stewart interpretando a personagem título pela maior parte do filme. Depois da morte de seu pai, a malvada Rainha assassina (Chalize Theron) a deixa anos presa em uma cela no alto de uma torre, até que ela finalmente consegue sua fuga e tentar apagar os erros que vem acontecendo no reino desde a morte de seu pai.
O Caçador (Chris Hemsworth), é o herói convocado pela Rainha para caçar a Branca de Neve em uma floresta onde somente ele parece ter fugido com vida. Ele deve levar a menina de volta pro castelo, mas depois de encontrá-la ele fica tão impressionado que resolve mudar de lado, e começa a ajudar ao lado do príncipe William. Este conhece Branca desde a infância e parece muito apaixonado por ela, mas para seu azar não é seu nome que aparece no título.
Enquanto isso, a Rainha mantém seu governo de terror no reino. Com medo de perder sua beleza, o que ela considera sua maior fonte de poder, ela se "alimenta" da beleza de virgens para continuar jovem e bela. E claro que ela toma conselhos de um espelho na parede que, quando ouve o famoso provérbio, aparece em forma quase humana, lembrando um pouco o T1000 de O exterminador do futuro 2 quando está em transição de uma forma para a outra.
Outra coisa que não se esperaria em um filme como esse, é uma quantidade absurda de efeitos especiais, que dão vida vida à seres como trolls, corvos que se transformam em demônios para atacar, e até mesmo transforma atores conhecidos (Ian McShane, Bob Hoskins, Ray Winstone, Nick Frost, Eddie Marsan, Toby Jones e outros) em anões. Mais um pouco e eu acreditaria que a história se passa na Terra Média de Peter Jackson, lugar onde a trilogia do O Senhor dos Anéis tomou lugar.
Apesar de cair no óbvio de hoje e ter que mostrar inúmeras cenas de batalha e efeitos especiais de última linha, há uma história interessante aqui. Inclusive, um filme que permite que os personagens tenham mais profundidade que jamais tiveram antes. E mesmo para os interessados em efeitos especiais,  não há o que reclamar aqui. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

A INVENÇÃO DE HUGO CABRET - HUGO


NOTA: 10.
- O mundo é como uma grande máquina. Máquinas não vem com partes extras, sabe? Eles vem com a quantidade de peças necessárias. Então eu imaginei que se o mundo fosse uma grande máquina, eu não podia ser uma parte extra. Que deve haver um motivo para eu estar aqui.

Este filme tem uma temática infantil, sim. Mas não se enganem. O filme é uma mera desculpa (com o perdão da palavra) para que o diretor Martin Scorcese, conhecido como um dos grandes cinéfilos do cinema, escrevesse uma carta de amor à sétima arte. É um filme como nenhum outro que o diretor tenha feito, mas ainda assim é o que parece mais próximo ao coração dele. À sua paixão.
Vou além disso. Scorcese, que sempre apareceu um pouco avesso à novas tecnologias no cinema fez o filme com o melhor uso do 3D que vi até agora. Por mais estranho que parece, Hugo parece apresentar o futuro da tecnologia, e ela pertence à Scorcese. E logo num filme sobre um homem que inventou os efeitos especiais.
Ao contrário de filmes que costumamos ver dele, aqui acompanhamos a história de um órfão (Hugo, interpretado por Asa Butterfield) que vive em uma estação de trem parisiense. Seu pai, que trabalhava em um museu e morreu num acidente, consertava relógios e outros objetos mecânicos. Talento que o garoto aprendeu e usa para manter os relógios da estação funcionando, trabalho que é do seu tio que quase nunca vemos. Ele diz que enquanto os relógios estiverem funcionando, ninguém notará que está ali sozinho.
Antes de morrer, seu pai (Jude Law) estava tentando consertar um autômato que encontrou no museu em que trabalhava. Pai e filho trabalhavam nas horas vagas procurando peças que servissem, mas o acidente aconteceu antes que completassem o serviço. Além disso, há uma chave em formato de coração essencial para fazer com que funcione. O menino continua tentando encontrar as peças necessárias na esperança que o autômato tenha uma mensagem do seu pai enquanto foge do inspetor da estação (Sacha Baron Cohen), se escondendo por passagens estranhas e roubando alimentos para viver (ele prefere isso a ser tratado como um órfão).
Sua vida na estação fica mais complicada depois que um velho (Ben Kingsley) dono de uma loja de artigos de mágica na estação. O velho é na verdade George Melies, um dos pioneiros do cinema de ficção e inventor do autômato, mas Hugo não sabe disso.
O filme tem duas partes distintas. A primeira é sobre Hugo e sua vida na estação. Dessa mesma forma, conhecemos quase todos os personagens que precisamos conhecer no filme, pois praticamente estão todos lá. É a segunda parte parte que deve encantar qualquer amante do cinema, através de flashbacks que traçam a carreira de Melies (que qualquer pessoa deve reconhecer seu filme mais famoso, A viagem para a Lua). Scorcese já havia feito documentários sobre a história do cinema (que também virou um livro), e agora usa todo o seu conhecimento para fazer este filme. Em especial para recriar os filmes de Melies.
Assim como O artista contava uma parte do cinema, a transição do cinema mudo para o falado, Scorcese celebra o nascimento do cinema ao mesmo tempo que praticamente pede uma preservação dos filmes antigos (uma causa do diretor). Há muitas cenas emocionantes no filme, especialmente pela busca de Hugo e sua amiga (uma menina criada por Melies interpretada por Chloe Grace Moretz) em fazer com que o velho não se esqueça de seu passado. Uma obra prima apaixonada pelo cinema em todos os sentidos.

domingo, 18 de setembro de 2011

RANGO

NOTA: 9.
- Fiquem na escola, comam seus vegetais e queimem todos os livros que não sejam Shakespeare.

Hoje, filmes de animação parecem estar em crise de criatividade. Com exceção dos filmes da Pixar e da Dreamworks Animation, a maior parte dos filmes estão muito mais inclinados a nos decepcionar do que realmente agradar as platéias de adultos ou crianças. Sendo que alguns deles não agradam sequer crianças (o que diminui a probabilidade de agradar os adultos na maioria das vezes). Por isso é uma grata surpresa ver um filme que não seja dessas produtoras que seja realmente bom, não subestima a inteligência da sua platéia e pode agradar sim adultos e crianças.
Isso o faz parecer um filme estranho. Mas é importante frisar que não é um filme que parece estranho, ele é realmente estranho por opção. Ou para parecer menos pejorativo, excêntrico. Ao contrário de filmes como Meu malvado favorito e Megamente, que usam vilões adoráveis para fugir do lugar comum dos desenhos animados, este usa um lagarto não apenas estranho na aparência, mas também no seu modo de ser. Um personagem no mínimo inusitado em filmes desse tipo.
Isso não parece ser tão surpreendente assim se formos imaginar que o diretor Gore Verbinski (dos 3 primeiros filmes da franquia Piratas do Caribe) já tinha seguido a mesma linha com Johnny Depp para fazer do pirata afetado Jack Sparrow a figura central do seu filme. E é Depp que não faz o filme sair totalmente dos eixos quando o filme abandona a sua fórmula para seguir o velho estilo de animações com cenas de ação para agradar a garotada.
Depp é o lagarto sem nome e sem amigos que vive preso em um aquário onde só conta com sua imaginação para se divertitir sozinho. Usando um boneco sem cabeça e um brinquedo de peixe, ele monta um teatro onde é o herói. Para seu azar ou não, um acidente faz com que ele se separe de seus donos e fique perdido  no meio do deserto. Encontrando com outros bichos, ele começa a criar um personagem que é destemido e heróico, assim como fazia nas suas encenações. Para ele melhor assim, já que dessa vez tem uma platéia.
Um feliz acidente faz com que sua história pareça realmente verossímel para o resto das pessoas da cidade, que pedem para que ele seja o xerife do lugar. A cidade passa por uma grande crise pela falta de água, e caberá ao pequeno e estranho lagarto tentar resolver o problema de todos. A questão é se o personagem que ele criou pode ser o suficiente para ajudar as pessoas ou não.
O filme é uma grande homenagem aos filmes de faroeste, um gênero que eu gosto muito. Talvez por isso eu tenha gostado tanto dele. Ele segue os mesmos princípios básicos que acompanham as histórias clássicas do gênero: um homem novo e misterioso chega na cidade, enfrenta o valentão do local para depois ter sua coragem testada.
Seguindo o padrão das novas animações, Rango é também uma maravilha para os olhos. Apesar de apresentar personagens que podem parecer pouco vistosos para o público, ná há como negar que são todos maravilhosamente animados. Cada escama, cada detalhe dos olhos é um espetáculo à parte. Além do roteiro, a animação ajuda a imprimir personalidade a todos os personagens. Cada um deles tem suas características muito bem definidas e que podemos identificar só de olhar para eles.
Para minha surpresa, o filme foi lançado apenas na versão do 2D, indo também contra a corrente que se segue hoje em dia que praticamente obriga toda e qualquer animação a ser lançada na versão 3D. Como os que acompanham o blog devem saber, eu não sou muito fã dessa tecnologia que me obriga a assistir um filme de óculos. Então o que diria para fazerem é assistir esse filme com o bom e velho 2D (que não tem perda da qualidade de cor e de imagem) e curtir uma história inesperada e interessante.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O FIM DA ESCURIDÃO


NOTA: 7.
"É melhor você decidir se você prefere ficar pendurado na cruz, ou levando os pregos." Tom Craven

Um resumo rápido: é a volta de Mel Gibson como protagonista de um filme. Agora a versão mais longa. A última vez que apareceu na frente das câmeras foi no pouco visto Crimes de um detetive, filme lançado em 2003. De lá pra cá, trabalho só atrás das câmeras com A paixão de Cristo e Apocalypto. A sequência de Mel não estava boa. Apesar de ter obtido uma certa bilheteria, seus últimos trabalhos incluíam filmes de gosto pelo menos duvidosos como Sinais e Fomos heróis. De repente esse intervalo fez bem para sua carreira.
Agora ele volta no gênero que o consagrou: o policial (não esqueçam que Mad Max era um policial, sem esquecer de Martin Riggs da série Máquina mortífera). Thomas Craven é um policial de Boston, honesto e solitário. O único amor que lhe resta é sua filha, que vem lhe visitar de repente. Desde sua chegada ela está vomitando bastante, e quando piora resolvem ir para um hospital. Quando estão saindo, um homem de capuz simplesmente grita Craven e atira nela. Todos acreditam que Tom era o alvo, mas ele próprio não está tão certo disso.
Investigando o caso, Craven é levado para uma empresa particular chamada Northmoor, onde sua filha trabalhava, presidida por um homem um tanto quanto sinistro chamado Jack Bennet (Danny Houston). Claro que há algo de errado com a companhia. As investigações de Craven são para satisfação pessoal. Ele não quer levar os culpados a justiça, ele quer justiça à moda antiga. Ele quer o assassino de sua filha morto. E se tiver que ir contra toda aquela empresa para isso, que seja. É a velha história de um homem sem nada a perder.
Ao final parece que o maior rebuliço do filme realmente era a volta de Gibson. Mais envelhecido do que a maioria se lembra, mas ele está lá com sua presença de sempre que lhe valeu o título de astro. Não surpreendentemente ele é ofuscado nas telas por dois ótimos atores. Um é o já citado Danny Houston. Mas quem realmente rouba a cena é Ray Winstone (Beowolf). Ele faz um daqueles papéis enigmáticos que não sabemos quem é, o que faz ou como ele sabe tanto sobre tanta coisa. E o faz maravilhosamente. De qualquer forma Gibson está de volta e ainda esse ano aparecerá no novo filme de jodie Foster. E mais estão a caminho.

OBS: Quando dava entrevista para divulgar o filme, Gibson foi parar em um programa onde o entrevistador insistia em falar sobre os problemas que ele teve no passado. Após pedir diversas vezes para mudar de assunto, Gibson não aguenta e o chama de asshole. A entrevista está disponível no Youtube. http://www.youtube.com/watch?v=43PAk--YsFo

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

INDIANA JONES E O REINO DA CAVEIRA DE CRISTAL


NOTA: 6.
- Para um velho, até que você não luta mal. Tem tipo o quê? 80?” 

Há um hiato de quase 19 anos entre este filme e o anterior da série. E infelizmente esse hiato é percebido na tela. Chego a dizer que o problema começa logo no título. Este novo parece um título de episódio de He-man.
Outro fato que se nota de cara é o envelhecimento do ator. Me lembra muito Sean Connery em A Liga Extraordinária, quando se vê claramente que o ator interpreta um personagem que não condiz com sua idade. Indiana Jones é capaz de proezas ainda mais inacreditáveis do que realizou nos longas anteriores. Podiam ter brincado um pouco mais com isso no filme.
Aqui, Indiana é capturado por Russos (pensei que iam ser deixados em paz com o fim da Guerra Fria) para recuperar um objeto no mesmo galpão superguardado onde foi deixada a Arca da Aliança no primeiro filme. O objeto em questão é a Caveira de Cristal do título.
Mas por que essa caveira é tão importante? Para descobrir Indiana passa pelos mesmos problemas de sempre: é capturado, escapa, é capturado de novo, escapa de novo, e por aí vai.
Dessa vez ele conta com a companhia de Mutt Williams, interpretado por Shia LaBeouf que não convence de forma nenhuma como herói de ação apesar de Spielberg querer empurrá-lo dessa forma. Um garoto irritante e nervoso que não faz que seja surpresa nenhuma ele ser filho do herói (com a personagem Marion, também do primeiro filme).
O que fez com que a série tivesse grande sucesso, era ver Indiana correndo atrás para desvendar grandes segredos da humanidade, aqui é só enfadonho o vir perseguir uma lenda obscura que, para fazer com que tenha um significado maior do que realmente merece, recebe uma explicação pra lá de estapafúrdia.
O filme até segue tentando recuperar a magia dos anteriores, com boas perseguições e cenas de ação, apesar de uma cena ridícula envolvendo formigas gigantes que comem pessoas. Mas não é de se espantar que o final do filme seja um festival efeitos especiais. Spielberg sempre se mostrou um devoto a elas: quase estragou o relançamento de E.T. substituindo o boneco do original por um ser digital; e não só isso, nos próprios Indianas anteriores ele usava em menor escala (hoje, acho que mais por necessidade que por escolha). Aqui ele erra de vez a mão.
Difícil acreditar que toda essa espera para fazer a continuação por não encontrar a “história certa” tenha acabado com o roteiro desse filme. Indiana tenta fazer jus a sua reputação, só podia ter esperado por uma história boa o suficiente para isso. Ás vezes, só carisma não basta.
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