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quarta-feira, 17 de novembro de 2010

CORAÇÃO VALENTE


NOTA: 10.
- Lutem, e pode ser que morram. Corram, e vocês vão viver. Pelo menos por um tempo. E morrendo em suas camas, daqui há muitos anos, vocês vão querer trocar todos esses dias que tiveram por uma chance, só uma chance, de voltar aqui e dizer aos seus inimigos que eles podem tirar nossas vidas, mas não podem tirar nossa liberdade.

Há uma coisa muito interessante neste filme. Logo no início, é dito que algumas pessoas podem dizer que o que está para ser contado é mentira e que a história é escrita pelo lado vencedor. É assim que Mel Gibson (que também dirige) cria o clima do seu filme. Um filme que não conta a história de um homem, mas sim como ele se tornou um mito. Quer as coisas tenham acontecido assim ou não.
O filme conta a história do herói escocês William Wallace, que ficou conhecido como Braveheart, apelido que dá o nome original do filme. Segundo um antigo poema, ele unificou todos os clãs da Escócia numa campanha contra a Inglaterra vencendo inúmeras batalhas antes de ser traído, capturado, torturado e morto. Isso tudo por volta da década de 1300.
O filme vai além do que se sabe na realidade e extrapola todo uma parte da vida dele não conhecida. Depois da morte de seus pais, ele vai ser educado pelo seu tio Argyle (Brian Cox). Retornando muitos anos depois, ele pretende apenas cultivar a terra e criar uma família. O plano parece ir bem até um inglês matar sua esposa para forçá-lo e se expor. Aí começa a sua campanha contra o rei conhecido como Longshanks (Edward I). Wallace era um excelente estrategista militar, e talvez se não tivesse sido traído, poderia ter sido bem sucedido em sua campanha. Mas não dependia apenas de sucesso nas batalhas, dependia também de sucesso político. Essa foi sua desgraça.
E o filme está recheado de batalhas, que é o que a platéia mais irá se lembrar. E apesar de ser marinheiro de primeira viagem em cenas como essa, Gibson faz um excelente trabalho. As batalhas tem muitos e muitos homens a pé ou em cima de cavalos, e ainda assim fluem de forma quase brilhante ao invés de sair um amontoado confuso de pessoas.
E não é só nas batalhas que Gibson se sai bem, o filme como um todo se sai muito melhor do que se podia esperar. Isso porque como disse, é um filme que não conta a história, mas mitos. Ele cria um mundo ficcional baseado na realidade que se torna extremamente divertido de se assistir. Tanto que as "licenças poéticas" que ele toma passem tranquilamente, assim como as licenças históricas. Para se ter uma idéia, não há um fato histórico que indique que Edward II era homossexual, e ele somente se casou com Princesa Isabelle depois das mortes de Wallace e de seu pai, mas o mito aqui funciona melhor que a realidade.
Uma pena que depois desse filme, Gibson nunca mais tenha feito algo que chegue perto da qualidade desse trabalho. O resto da sua biografia como diretor é curta e somente com filmes sem muita expressão, que provavelmente fizeram mais barulho do que mereciam pelo seu nome do que pela qualidade de seu trabalho. Antes havia dirigido O homem sem face, depois deste foram apenas o espetáculo sádico de A paixão de Cristo e o também ultraviolento Apocalypto. Mas pelo menos aqui, ele se destaca.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O FIM DA ESCURIDÃO


NOTA: 7.
"É melhor você decidir se você prefere ficar pendurado na cruz, ou levando os pregos." Tom Craven

Um resumo rápido: é a volta de Mel Gibson como protagonista de um filme. Agora a versão mais longa. A última vez que apareceu na frente das câmeras foi no pouco visto Crimes de um detetive, filme lançado em 2003. De lá pra cá, trabalho só atrás das câmeras com A paixão de Cristo e Apocalypto. A sequência de Mel não estava boa. Apesar de ter obtido uma certa bilheteria, seus últimos trabalhos incluíam filmes de gosto pelo menos duvidosos como Sinais e Fomos heróis. De repente esse intervalo fez bem para sua carreira.
Agora ele volta no gênero que o consagrou: o policial (não esqueçam que Mad Max era um policial, sem esquecer de Martin Riggs da série Máquina mortífera). Thomas Craven é um policial de Boston, honesto e solitário. O único amor que lhe resta é sua filha, que vem lhe visitar de repente. Desde sua chegada ela está vomitando bastante, e quando piora resolvem ir para um hospital. Quando estão saindo, um homem de capuz simplesmente grita Craven e atira nela. Todos acreditam que Tom era o alvo, mas ele próprio não está tão certo disso.
Investigando o caso, Craven é levado para uma empresa particular chamada Northmoor, onde sua filha trabalhava, presidida por um homem um tanto quanto sinistro chamado Jack Bennet (Danny Houston). Claro que há algo de errado com a companhia. As investigações de Craven são para satisfação pessoal. Ele não quer levar os culpados a justiça, ele quer justiça à moda antiga. Ele quer o assassino de sua filha morto. E se tiver que ir contra toda aquela empresa para isso, que seja. É a velha história de um homem sem nada a perder.
Ao final parece que o maior rebuliço do filme realmente era a volta de Gibson. Mais envelhecido do que a maioria se lembra, mas ele está lá com sua presença de sempre que lhe valeu o título de astro. Não surpreendentemente ele é ofuscado nas telas por dois ótimos atores. Um é o já citado Danny Houston. Mas quem realmente rouba a cena é Ray Winstone (Beowolf). Ele faz um daqueles papéis enigmáticos que não sabemos quem é, o que faz ou como ele sabe tanto sobre tanta coisa. E o faz maravilhosamente. De qualquer forma Gibson está de volta e ainda esse ano aparecerá no novo filme de jodie Foster. E mais estão a caminho.

OBS: Quando dava entrevista para divulgar o filme, Gibson foi parar em um programa onde o entrevistador insistia em falar sobre os problemas que ele teve no passado. Após pedir diversas vezes para mudar de assunto, Gibson não aguenta e o chama de asshole. A entrevista está disponível no Youtube. http://www.youtube.com/watch?v=43PAk--YsFo

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

PAYBACK STRAIGHT UP: THE DIRECTOR'S CUT


NOTA: 6.
Não vou re-comentar sobre o filme, vou apenas ressaltar algumas diferenças.

O acerto do diretor foi tirar a narração de Gibson, que explicava o óbvio. Isso dá uma melhorada no filme, mas só na parte em que os filmes são iguais. E as melhorias param por aí. O filme na versão do cinema, é muito melhor que essa versão do diretor. É um filme mais ágil e mantém um suspense. Essa versão, termina num óbvio tiroteio.

Outro grande erro é tentar humanizar o personagem de Mel Gibson. Neste tipo de filme, quanto mais escroto melhor. E nessa versão ele fica se justificando e tentando parecer mais bom moço do que realmente é. Onde Godard tinha acertado com seu “Acossado”, Helgeland aqui erra, nesse sentido. Ele dilui o personagem Porter em muita emoção, e enfraquece o personagem. Fiquem com a versão original, vão se divertir mais do que com essa...

domingo, 23 de novembro de 2008

O TROCO - PAYBACK


NOTA: 6,5.
O troco foi o filme de estréia na direção de Brian Helgeland. O roteirista tem uma carreira um tanto quanto eclética e irregular. De seus roteiros saíram filmes memoráveis, bons, esquecíveis e alguns tenebrosos. No terreno do terror, ele começou escrevendo o roteiro do quarto filme do Fred Krueger, continuou escrevendo roteiros para uma série baseada no filme “Sexta feira 13”, depois do (esquecível, e não lembro de ter visto nado sobre ele antes), “Highway to Hell”, ele dirigiu na TV um roteiro seu para “Os contos da cripta”.

Então sua fase terror acabou, e a policial começou com o irregular “Assassinos”, de Richard Donner. Ainda que fraco e irregular, ele começava a mostrar pra quê veio. Então Curtis Hanson o chamou pra escrever um roteiro baseado num livro. Do roteiro, saiu nada menos que “Los Angeles, cidade proibida”, que elevou a astro o ator Russel Crowel além de lhe dar o Oscar de melhor roteiro adaptado (concorreu também a melhor filme). No mesmo ano, repetiu a dobradinha com Donner em “Teoria da conspiração”, e dessa vez se saiu muito melhor e entregaram um bom filme de ação.

Aí veio a queda. Com seu trabalho ganhando status, o roteirista deve ter exagerado no caldo, o que “cometeu” o roteiro de “O mensageiro”, filme estrelado e dirigido por Kevin Costner (que com esse filme colocava o último prego no seu caixão como diretor). Escreveu e dirigiu “Coração de Cavaleiro”, um “épico pop” (existe isso?) com Heath Ledger. Apesar de ser bobo, continuou mostrando ser um roteirista muito além da média. Então ele voltou aos eixos. Seu próximo roteiro foi de “Dívida de sangue”, dirigido por Clint Eastwood. Um bom filme policial. Em 2003, dois trabalhos seus foram as telas. Escreveu e dirigiu o devorador de pecados (filme de “terror” esquecível) e (novamente) Eastwood dirigiu um roteiro seu em “Sobre menino e Lobos”. Aqui, o ponto mais alto de sua carreira (que lhe valeu outro Oscar e que comentarei em outra ocasião). Em 2004, escreveu o regular “Chamas da Vingança”.

Esse “O Troco” se encontra entre “O mensageiro” e “Coração de cavaleiro”. O problema que o filme dá impressão, é que poderia ser mais e melhor (dirigido, principalmente). E por aí vai.

Sendo assim, o classifico como um filme mediano. O roteiro está além de muita coisa que se vê no mercado. Se estivesse entregue nas mãos de um diretor competente (ou com mais nome, afinal ele lançou a versão do diretor que de repente pode ser melhor que o material que foi pro cinema) poderia ter sido um filmaço. Infelizmente, não foi. Querendo fazer uma homenagem aos policiais noir, a fotografia é escura e toda puxado pro azul, porém seus enquadramentos óbvios e pouco criativos subaproveitam a linda fotografia do filme. Junta-se isso a falta de suspense em certas e vê-se um subaproveitamento do roteiro.

Mel Gibson faz o que pode. Sabe que é um ator limitado, mas a construção de seus personagens são sempre boas (é difícil dizer que certo papel não é pra ele, não?). A combinação dos dois se saiu mediana, mas será que Eastwood ou Donner não poderiam fazer melhor? Ainda bem que ele não tentou dirigir “Sobre meninos e lobos”...
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