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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

ARRASTE-ME PARA O INFERNO


NOTA: 8,5.
“Eu imploro a você e você me humilha?” Sra. Ganush.
É fácil associar o nome de Sam Raimi com a trilogia do Homem-Aranha. Bem, nem sempre o nome do diretor esteve associado a blockbusters. Raimi surgiu para o mundo cinematográfico com a pérola de terror, hoje Cult, Uma noite alucinante (Evil Dead). Então nada como descansar da franquia aracnídea voltando às suas origens.
Christine não é uma mulher diferente ou estranha. Ela trabalha em uma pequena firma de empréstimos (e não com feitiçaria) e está perto de uma promoção, mora numa casa e tem um namorado tão normal quanto ela. Nada que a qualifique como propensa a ter sua alma arrastada para o inferno.
Para ganhar a promoção, ela tem que mostrar que é capaz de tomar decisões difíceis. É então que surge na sua vida a velha cigana Sra. Ganush. Ela já teve duas prorrogações de seu empréstimo e procura conseguir uma terceira vez. Christine pode conseguir a prorrogação para ela, mas prefere negar para impressionar seu chefe. A velha orgulhosa não se dá por vencida e a amaldiçoa.
Visitando um vidente, mesmo a contragosto de seu cético namorado, ela descobre seu destino: Lamia, um espírito maligno do inferno, irá “visitá-la” por três dias e depois disso levará a alma de Christine para o inferno. A menos que ela tente apaziguar as coisas, mesmo que ela ache que não vá conseguir fazê-lo. “Você ficaria surpresa com as coisas que fará quando Lamia vier”, lhe avisa o vidente.
Não importa a aparência frágil de Christine, ela não vai para o inferno sem luta. E gritos. Se em filmes de terror eles são obrigatórios, Raimi fez sua escolha com sabedoria ao escalar Alison Lohman para o papel principal. E ela tem motivos para gritar. Lamia não pega leve, não é gentil e muito menos a segurará pela mão e a conduzirá tranquilamente.
Arraste-me para o inferno é um (bom) filme de terror. Dá bons sustos e algumas risadas (quem quer ficar tenso o filme inteiro?). Raimi mostra que não perdeu a mão para o terror, mesmo que diga que não gosta do gênero (estranho, não?). Além disso já promete uma quarta sequencia de Uma Noite Alucinante. Outra boa notícia para os fãs do gênero.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

PAYBACK STRAIGHT UP: THE DIRECTOR'S CUT


NOTA: 6.
Não vou re-comentar sobre o filme, vou apenas ressaltar algumas diferenças.

O acerto do diretor foi tirar a narração de Gibson, que explicava o óbvio. Isso dá uma melhorada no filme, mas só na parte em que os filmes são iguais. E as melhorias param por aí. O filme na versão do cinema, é muito melhor que essa versão do diretor. É um filme mais ágil e mantém um suspense. Essa versão, termina num óbvio tiroteio.

Outro grande erro é tentar humanizar o personagem de Mel Gibson. Neste tipo de filme, quanto mais escroto melhor. E nessa versão ele fica se justificando e tentando parecer mais bom moço do que realmente é. Onde Godard tinha acertado com seu “Acossado”, Helgeland aqui erra, nesse sentido. Ele dilui o personagem Porter em muita emoção, e enfraquece o personagem. Fiquem com a versão original, vão se divertir mais do que com essa...

domingo, 23 de novembro de 2008

O TROCO - PAYBACK


NOTA: 6,5.
O troco foi o filme de estréia na direção de Brian Helgeland. O roteirista tem uma carreira um tanto quanto eclética e irregular. De seus roteiros saíram filmes memoráveis, bons, esquecíveis e alguns tenebrosos. No terreno do terror, ele começou escrevendo o roteiro do quarto filme do Fred Krueger, continuou escrevendo roteiros para uma série baseada no filme “Sexta feira 13”, depois do (esquecível, e não lembro de ter visto nado sobre ele antes), “Highway to Hell”, ele dirigiu na TV um roteiro seu para “Os contos da cripta”.

Então sua fase terror acabou, e a policial começou com o irregular “Assassinos”, de Richard Donner. Ainda que fraco e irregular, ele começava a mostrar pra quê veio. Então Curtis Hanson o chamou pra escrever um roteiro baseado num livro. Do roteiro, saiu nada menos que “Los Angeles, cidade proibida”, que elevou a astro o ator Russel Crowel além de lhe dar o Oscar de melhor roteiro adaptado (concorreu também a melhor filme). No mesmo ano, repetiu a dobradinha com Donner em “Teoria da conspiração”, e dessa vez se saiu muito melhor e entregaram um bom filme de ação.

Aí veio a queda. Com seu trabalho ganhando status, o roteirista deve ter exagerado no caldo, o que “cometeu” o roteiro de “O mensageiro”, filme estrelado e dirigido por Kevin Costner (que com esse filme colocava o último prego no seu caixão como diretor). Escreveu e dirigiu “Coração de Cavaleiro”, um “épico pop” (existe isso?) com Heath Ledger. Apesar de ser bobo, continuou mostrando ser um roteirista muito além da média. Então ele voltou aos eixos. Seu próximo roteiro foi de “Dívida de sangue”, dirigido por Clint Eastwood. Um bom filme policial. Em 2003, dois trabalhos seus foram as telas. Escreveu e dirigiu o devorador de pecados (filme de “terror” esquecível) e (novamente) Eastwood dirigiu um roteiro seu em “Sobre menino e Lobos”. Aqui, o ponto mais alto de sua carreira (que lhe valeu outro Oscar e que comentarei em outra ocasião). Em 2004, escreveu o regular “Chamas da Vingança”.

Esse “O Troco” se encontra entre “O mensageiro” e “Coração de cavaleiro”. O problema que o filme dá impressão, é que poderia ser mais e melhor (dirigido, principalmente). E por aí vai.

Sendo assim, o classifico como um filme mediano. O roteiro está além de muita coisa que se vê no mercado. Se estivesse entregue nas mãos de um diretor competente (ou com mais nome, afinal ele lançou a versão do diretor que de repente pode ser melhor que o material que foi pro cinema) poderia ter sido um filmaço. Infelizmente, não foi. Querendo fazer uma homenagem aos policiais noir, a fotografia é escura e toda puxado pro azul, porém seus enquadramentos óbvios e pouco criativos subaproveitam a linda fotografia do filme. Junta-se isso a falta de suspense em certas e vê-se um subaproveitamento do roteiro.

Mel Gibson faz o que pode. Sabe que é um ator limitado, mas a construção de seus personagens são sempre boas (é difícil dizer que certo papel não é pra ele, não?). A combinação dos dois se saiu mediana, mas será que Eastwood ou Donner não poderiam fazer melhor? Ainda bem que ele não tentou dirigir “Sobre meninos e lobos”...
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