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segunda-feira, 6 de maio de 2013

HOMEM DE FERRO 3 - IRON MAN 3


NOTA: 7.
- As coisas estão diferentes agora. Eu preciso proteger a única coisa que não consigo viver sem. Essa coisa é você.

Se você está lendo esta resenha e começa a ficar preocupado com a possibilidade de ler alguma coisa que estrague alguma surpresa do filme, pode ficar tranquilo. Não consigo imaginar nada que eu possa escrever que vá causar qualquer surpresa. Isso pelo simples fato de termos quase a mesma história contada pela terceira vez, alterando apenas o nome do vilão e acrescentando um desnecessário 3D que serve apenas para cansar os olhos.
Para não dizer que estamos na frente do mesmo filme, devo dizer que há uma mudança de tom em relação aos anteriores, dirigidos por Jon Favreau. Quem assume a direção é Shane Black, cuja carreira irregular tem roteiros de Máquina Mortífera, uma bobagem chamada Deu a louca nos monstros e pelo menos dois filmes ruins: Despertar de um pesadelo  e  O último grande herói. Na direção, tinha apenas Beijos e tiros, e chegou assumindo a franquia que já estava encaminhada e tentando mostrar estilo e mostrar uma marca. Só é uma pena que dificilmente os produtores deixem isso acontecer. Há uma narração característica e um humor diferenciado, mas pouco para realmente fazer a diferença.
O que ele consegue fazer de diferente mesmo é colocar um flashback no início do filme, que depois segue a velha fórmula de explosões, seguidas de mais explosões e efeitos especiais de primeira linha. O caos reina e o nosso herói aparece para limpar a sujeira e deixar o mundo mais seguro para todos. Os filmes de super-heróis estão começando a seguir uma tendência, e Shane Black acaba não deixando nenhuma de fora. O vilão da vez é Mandarim (Ben Kingsley). Um terrorista no melhor estilo Bin Laden que consegue ficar no ar de todas as emissoras de TV ao mesmo tempo para anunciar mais um ataque ao país ou realizar execuções ao vivo. 
Há cenas de ação interessantes e muito bem filmadas, o que não é nenhuma surpresa. A Marvel, porém, uniu todos os heróis de Os Vingadores em um mesmo universo. Eles co-existem agora. E somos apresentados a uma história que envolve a possível destruição do país, na morte do presidente e outros males, e nenhum outro herói sequer aparece? A única aparição é mostrada nas cenas pós-créditos, mostrando que o universo Marvel tem sua própria realidade, onde as coisas acontecem sem explicação e personagens só aparecem (ou deixam de aparecer) quando é conveniente.
Além do novo rosto de Kingsley, temos ainda a presença de Rebecca Hall (com sua competência usual) e Guy Pearce. E aqui entra um fato interessante: normalmente, um filme sobre este herói, acaba sendo palco para a atuação de Robert Downey Jr., mas de alguma forma ele parece ter sido engolido pelo personagem. Em cena, ele é amplamente ofuscado pelas interessantes performances de Kingsley e Pearce. Ainda há o interesse pelo personagem, mas os coadjuvantes acabam roubando a cena. 
Outro problema do filme, na minha opinião, é algo que aconteceu com o terceiro filme da franquia do Batman. Está certo que o Homem de Ferro é Tony Stark, mas o nome do filme não é Tony Stark. Quando vamos pro cinema pra assistir Homem de Ferro, acho justo presumir que vou ver o homem com a armadura em ação, e o que o filme mais oferece é Tony Stark. E, infelizmente, ele nem é o personagem mais interessante do filme. Serve de entretenimento, mas poderia ter ido além.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

MARGIN CALL - O DIA ANTES DO FIM


NOTA: 9.
- Existem três maneiras de se fazer em negócios: seja o primeiro, seja mais inteligente ou trapaceie. 

Eu não entendo muita coisa sobre o mundo dos negócios, mas depois de assistir a esse filme eu não deixei de pensar que não é impossível que a história representada aqui tenha realmente acontecido do jeito que aconteceu. Deve ser algo como os bons e velhos tempos de Wall Street, um divisor de águas. Em uma grande firma de investimento, desastrosas especulações estão levando a firma a falência. Aconteceu numa América que parecia mais próspera que nunca, firma depois de firma acabou fechando as portas.
O filme começa num dia em que a firma está despedindo cerca de 80% de seus funcionários. Um dos funcionários demitidos, é Eric (Stanley Tucci), um analista de riscos que, como seus colegas deviam ser, não percebiam qual frágeis eram os impérios em que trabalhavam. Mas diferente de seus colegas, ele percebeu o buraco que estavam afundando. Sem poder terminar suas análises, ele entrega o trabalho para um de seus protegidos e um dos remanescentes: Peter (Zachary Quinto).
Ele entrega os arquivos para Peter enquanto deixa o prédio com sua caixa de pertences. Seja lá o que for que esteja nos arquivos, deixa Peter tão perturbado que não apenas ele passa a noite toda trabalhando no projeto quanto sente a necessidade de ligar para seu amigo, que comemorava com outros remanescentes o fato de não terem sido demitidos, e também para seu supervisor no meio da madrugada. O que eles percebem é uma coisa que afeta não somente a firma mas como todo o mercado financeiro.
O supervisor, Will Emerson (Paul Bettany), só precisa do tempo de entender a situação que Peter lhe explica para perceber que ele precisa chamar seu chefe. E aí então que hierarquicamente chefe após chefe vão sendo chamados: Sam Rogers (Kevin Spacey), Sarah Robertson (Demi Moore), Jared Cohen (Simon Baker) e outros até chegar no chefe dos chefes, o CEO, John Tuld (Jeremy Irons). Não há como esperar o horário comercial, eles sabem que medidas sejam tomadas o mais rápido possível.
O que mais me interessou no filme, é que não é necessário saber coisa alguma da bolsa de valores ou sobre negócios para entender o que acontece durante o filme. Nesse sentido, Tuld é como qualquer um da plateia. Ele administra toda a corporação, mas isso não quer dizer que ele seja um grande entendido em todas as áreas. Quando lhe explicam a situação, ele pede que repitam sem termos técnicos. Quando ele entende, nós entendemos. A decisão de Tuld, eu deixo para a plateia ter como surpresa. Basta simplesmente dizer que não é correto e que vai mudar toda a história da Bolsa de Valores para sempre. 
O mais interessante é como os personagens reagem diante de uma situação. Por mais que levem em consideração as consequências, suas ações são para proteger as corporações. Esse é um dos problemas com o mundo corporativo, não se trata de qualquer outra coisa além de empresas que se preocupam em lucrar e se manterem em funcionamento para lucrar ainda mais. Tudo apoiado por um elenco ótimo que faz com que falas sobre negócios se tornem em diálogos interessantes para qualquer um. Uma aula de como uma história potencialmente inacessível para todos pode se tornar um filme interessante para quem se dispor a assistir.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

OS VINGADORES - THE AVENGERS


NOTA: 8,5.
- Havia uma ideia de juntar pessoas extraordinárias, de modo que, quando precisássemos, eles poderiam lutar as lutas que nunca conseguiríamos.

Geralmente, o que acontece em filmes de super-heróis é que eles não parecem existir além do seu próprio universo. Uma das armas da Marvel para dominar os cinemas, foi criar filmes de personagens em grande velocidade, e ao contrário do usual, esses heróis existem no mesmo tempo espaço que os demais, e pouco a pouco eles foram sendo encaixados nos filmes uns dos outros. Embora fossem tratados em filmes individuais, tudo era apenas uma estratégia para juntar os heróis em um único filme.
Muito esperado pelos fãs, se juntam Homem de Ferro (Robert Downey Jr), Thor (Chris Hemsworth), Capitão América (Chris Evans) e Hulk (Mark Rufallo, fazendo sua estreia como o herói) junto com outros dois que tiveram participações em alguns filmes desses heróis citados: Gavião Arqueiro (Jeremy Renner) e Viúva Negra (Scarlett Johansson). Todos tem poderes diferentes. O Hulk e o Homem de Ferro são pessoas muito inteligentes mas sem poderes, até um ficar zangado e o outro vestir uma (super) armadura. Thor é um semi-deus com um poderoso martelo e o Capitão tem força e habilidades ampliadas além de um escudo multi-uso. Um pouco deslocados estão a Viúva e o Gavião, que não tem super-poderes mas parecem estar em boa companhia.
A razão de todos eles se unirem é Loki (Tom Hiddleston), meio-irmão de Thor que fez um acordo com uma estranha raça alienígena que pretende aniquilar a vida na Terra. Eles se consideram tão superiores que sequer cogitam que podem estar cometendo uma atrocidade. Seria como culpar um humano por ter matado formigas ou algum outro inseto. Não chega a ser pessoal, o único motivo de escolherem a Terra é por causa de um cubo chamado Tesseract que está no nosso planeta. O acordo é que essa raça dá a Loki um exército e depois que tudo estiver dominado Loki será o governante do que restar. Tirando que o cubo funciona como uma porta para diferentes pontos do universo, não sabemos onde Loki vive, o que são esses estranhos alienígenas ou como suas máquinas funcionam, o que acaba estragando um pouco o final do filme.
Nick Fury (Samuel L. Jackson) une os heróis para lidar contra a ameaça, mas a união faz com que antigas rivalidades venham à tona. Eles só conseguem aprender o valor do trabalho de equipe depois de alguns discursos pouco inspirados sobre nobreza. E claro que isso somente acontece depois de muitas lutas entre eles. Tantas lutas que a partir de um certo momento comecei a sentir que já tinha passado o momento de se unirem e enfrentarem a verdadeira ameaça.
Uma pequena crítica que fazia aos filmes dos heróis em suas aventuras solo, é que os filmes não se arriscavam e faziam o feijão com arroz, entretinham com qualidade mas em alcançar a excelência. Era como se não quisessem arriscar que algum filme pudesse dar errado. Talvez tudo estivesse sendo guardado pra este filme, mas não senti ser realmente esse o caso. O que parece é que o filme é muito similar aos outros, a diferença é que nos dá muito mais do mesmo. 
Os fãs dos heróis vão adorar o filme. Ou como foi descrito por alguns: "terão orgasmos múltiplos". As cenas finais da batalha são repletas de cenas de ação e efeitos especiais que destroem metade da cidade de Nova York. Sem precisar contar as origens dos personagens, Joss Whedon (roteirista e diretor do filme) começa mostrando na dose correta o suficiente para conhecermos os personagens (levando em conta que ninguém tenha assistido aos outros filmes) e dirige o filme com energia e estilo, provavelmente entregando o que os fãs querem. Mas ainda ficou faltando um pouco para ir além. Certinho demais, a trama enfraquece um pouco o filme, assim como o final é um pouco frouxo, e, por nos negar conhecer o mínimo dos atacantes, acaba de maneira um pouco frouxa. Nada que vá estragar o prazer de assistir o filme, seja você fã ou não.
PS: As exibições também estão sendo feitas também em IMAX 3D. O 3D é convertido e não acrescenta nada ao filme. Além disso, há uma cena no meio dos créditos.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O TURISTA - THE TOURIST


NOTA: 3.
- É exatamente por isso que ela o escolheu. Para nos distrair.

Não é incomum assistir a filmes que misturem gêneros diferentes, e este é um desses casos. É uma mistura de comédia romântica com suspense e uma pitada de filmes de espiões. Esses ingredientes filmados da maneira certa podem render filmes que sejam ao menos divertidos. Seja qual for essa maneira certa de fazer, o diretor Florian Henckel Von Donnersmarck (do ótimo A vida dos outros)  não a encontra em momento algum do filme. A situação piora se considerarmos que ele escolheu lindas locações em Veneza e Paris.
Elise (Angelina Jolie) é uma misteriosa mulher que está em um café em Paris sendo vigiada por agentes secretos quando recebe um bilhete dizendo para entrar em um trem e fingir que ela conhece essa pessoa. Como vamos descobrir mais tarde, o autor do bilhete é um fugitivo que fez uma operação plástica para ficar irreconhecível e que é procurado tanto por esses agentes quanto pela máfia de quem roubou muito dinheiro. Até mesmo me pergunto se é tão fácil assim roubar da máfia, já que há sempre alguém em algum filme que já o fez.
O escolhido no trem é o professor de matemática Frank Tupelo (Johnny Depp). Ele é um homem pouco atrapalhado que se encontra metido em uma encrenca além do seu controle mas que mesmo assim está disposto a fazer de tudo para ajudar essa mulher que o meteu na maior confusão de sua vida. O interesse em ajudá-la, vem de uma paixão incontrolável que um começa a sentir pelo outro, mas essa paixão surge apenas do fato de serem os protagonistas do filme. Não há uma cena que possamos ver o surgimento dessa paixão, não há química entre os dois e não há dinamismo nas cenas.
Jolie interpreta sua personagem de maneira correta, mas sem muito brilho. Ela é uma mulher capaz de enganar todos os agentes que a estão seguindo, passar por uma estação de metrô lotada e ainda não amassar o seu vestido ou mesmo despentear o cabelo. A decepção fica por conta de Johnny Depp, que interpreta de maneira séria demais e totalmente fora do tom do filme. Pior ainda se considerarmos que o elenco secundário é composto de bons nomes e todos atuando de forma ótima, como Paul Bettany, por exemplo, que acaba se tornando o melhor personagem do filme.
Mesmo com tanto talento por trás das câmeras, o filme não consegue decolar em momento algum. Nem mesmo em seu desfecho com a já tradicional surpresa que faz com que o filme todo perca seu propósito. O diretor é um vencedor do Oscar de melhor filme em língua estrangeira. Os roteiristas também são dois vencedores da academia, um pelo roteiro de Os suspeitos e outra pelo roteiro de Assassinato em Gosford Park, baseado em um filme francês de sucesso. E mesmo com tudo isso, falta dinâmica nas cenas, mais senso de humor e diálogos que prendam a platéia. Falta diversão, o que é mais importante em um filme como esse.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A JOVEM RAINHA VICTORIA


NOTA: 8
"Você já se sentiu como uma peça de xadrez? Numa partida jogada contra sua vontade?" Victoria

Interessantemente, a história da rainha Victoria pode agradar e muito as platéias mais novas. Principalmente as meninas adolescentes. Talvez por isso tenham escolhido a atriz Emily Blunt para o papel, já que fisicamente elas em nada se parecem. Procure as fotos da verdadeira rainha e verá que a monarca real tem "proporções" bem mais robustas que a jovem atriz, vista como a outra assistente de Meryl Streep em O diabo veste Prada.
Deixe-me explicar porque disse sobre as platéias mais novas. Victoria é uma precursora dessa geração internet de hoje. Para sua sorte, ela deve escolher com quem vai casar. E ela que deve fazer o pedido de casamento. A sua escolha cai em Albert, com quem mantém contato através de cartas, tal como a garotada de hoje mantém contato através de e-mails e outras formas de contato pela internet.
Victoria é filha da Duquesa de Kent (Miranda Richardson), uma mulher, que para azar de Victoria, é fortemente influenciada por Sir john Conroy (Mark Strong). O desejo de Conroy é que o rei morra antes de Victoria completar 18 anos, e assim poder controlar a menina e o poder que ela possuirá. A menina porém, é forte e resiste sempre. Ela tem plena consciência do que ela será. Os esforços dos dois, somente faz com que cresça triste e isolada. "Acha que esquecerei do que está fazendo comigo, mãe?", ela diz.
A história foca mais no romance entre os dois. E o casal protagonista apresenta uma sintonia perfeita. Blunt, apesar de fisicamente diferente, interpreta com precisão a rainha. Sempre de forma melancólica, como se nem ao menos conhecesse o que é a felicidade. Rupert Friend faz uma química perfeita com ela, e ainda por cima, sabe o momento exato de dar espaço para deixá-la brilhar. A química é tanta que chega a ser tangível.
Você pode até se perguntar se não vai ser chato mais um filme de rainhas, até mesmo depois dos recentes Elizabeth's que fizeram. A resposta mais provável seria não. Essa rainha não se envolve com guerras ou questões com outros países. Seus problemas são existenciais. E uma bela história de amor. Nem que seja para apreciar o visual belíssimo do filme, ele faz valer a espiada que tinha dito.
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