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quinta-feira, 4 de julho de 2013

O LUGAR ONDE TUDO TERMINA - THE PLACE BEYOND THE PINES


NOTA: 9.
- Se você pilota como um raio, vai se arrebentar como um trovão.

O filme começa e vamos acompanhando um homem cheio de tatuagens que vai andando no meio de uma multidão dentro de um circo. Ele entra em uma tenda, sobe na sua moto e começa a fazer seu número num daqueles globo da morte, onde três motociclistas ficam dando voltas em uma jaula em formato de uma esfera. A cena nos diz duas coisas sobre o personagem e filme. Sobre o personagem, já sabemos de cara que é uma pessoa que não tem medo da morte. Sobre o filme, mostra que o diretor faz uma abertura ambiciosa no estilo Orson Welles, e que talvez devamos esperar a mesma ambição.
Claro que não se trata de um filme que fale sobre o circo. O tema central que permeia as histórias é a violência. Fala sobre a responsabilidade de um pai levada de uma maneira errada ás últimas consequências, e fala também de arrependimento. Eu digo "de maneira errada", mas talvez não seja. Foi a solução encontrada por um homem que é obrigado a sobreviver entre um pagamento e outro. Nos dias de hoje, muitos podem se relacionar com ele.
O filme é dividido em três partes. Na primeira, o motociclista Luke (Ryan Gosling) vive de cidade em cidade se apresentando no circo. Em uma das cidades, ele descobre que fez um filho com Romina (Eva Mendes) na última vez que passou por lá. Ele resolve se tornar um bom pai apesar de ela já ter a vida acertada com outro homem, e se junta a Robin (Ben Mendelsohn) para roubar bancos e prover para seu filho. Não demora muito para ter que encarar a lei.
A lei vem num homem chamado Avery (Bradley Cooper), que depois de cruzar com Luke se torna o protagonista da terceira história. Ele é tratado como um herói e se envolve algumas transações sujas por causa de um policial sujo (Ray Liotta). Em especial pelos conselhos do pai, ele consegue sair da confusão e se torna num proeminente homem com um alto cargo político. Corta para 15 anos mais tarde.
Que é quando entra a terceira história, protagonizada pelo filho de Luke que numa coincidência estuda e faz amizade com o filho de Avery. A vida de Luke e Avery não é muito diferente uma da outra. Eles amam suas mulheres e filhos, que tem a mesma idade. O que divide o destino desses dois, é a educação. São fatores externos que dividem a sina de cada um deles. Provavelmente seus filhos estão na direção para seguir o mesmo caminho de seus pais, e suas famílias seguindo apenas um ciclo.
Não acho que tenha no momento, dois atores mais em ascensão que Gosling e Cooper, mas ao contrário do que se possa pensar, este não é um filme que vai decolar mais a carreira deles. Eles estão acompanhados de um elenco secundário fantástico (em especial uma Eva Mendes entregando a melhor performance de sua carreira) e apenas realizam seus papéis para ajudar a contar uma grande história. Realizar um grande filme.
O diretor  Derek Cianfrance, que também dirigiu Namorados para sempre, entrega mais um ótimo filme. Seus atores entregam sempre atuações seguras em excelente papéis. E aqui ele entrega um filme bem mais ambicioso, ainda que não alcance a refinamento, que seu filme anterior. Não se importe com a duração do filme (140 minutos), porque o que temos nas telas vale cada minuto.

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

TUDO PELO PODER - THE IDES OF MARCH


NOTA: 8.
- Todos os repórteres te amam. Até mesmo os que te odeiam te amam.

O candidato Morris, interpretado por George Clooney, realmente só pode ser fictício. Quando lhe perguntam de religião, ele diz que sua crença é na Constituição dos EUA. Ele é a favor de criar mais empregos e é contra a guerra. É um político liberal que permanece com sua aura tranquila enquanto inflama as multidões com seus discursos. O fato de ser interpretado pelo astro somente o deixa mais interessante. Na teoria poderia conseguir muitos votos. 
Ao mesmo tempo, independente se o candidato é republicano ou democrata, me encontrei em dificuldades de conectar os discursos do político, sempre vagos e abertos a discussões, com o mundo que ele supostamente tenta retratar. Morris baseia toda a sua campanha em ideais que vão depois se esvaindo conforme a história vai sendo contada. A luta comente parece ser desigual porque praticamente não vemos seu adversário quase nunca.
Por trás da campanha de Morris, temos o personagem principal da nossa história, Stephen Meyers (Ryan Gosling). Ele trabalha diretamente para Paul Zara (Philip Seymour Hoffman), gerente da campanha. Contra eles está o outro gerente, Tom Duffy (Paul Giamatti). Talvez por ser baseado em uma peça de teatro, Clooney (que também dirige o filme) deve ter feito questão de se cercar de um elenco capaz de passar credibilidade em qualquer circunstâncias e diálogos.
Meyers tenta ser um idealista de verdade no meio de um universo extremamente cínico. Todas essas pessoas escolheram a mentira como meio de sobrevivência. Não sei o quanto ele acredita em seu candidato ou se ele simplesmente acredita em si mesmo o suficiente para fazer de Morris ideal para o cargo, ainda que na sua cabeça. É durante o momento de maior tensão da campanha que ele acaba se envolvendo com uma estagiária, Molly (Evan Rachel Wood) e mantém uma estranha relação profissional com uma jornalista interpretada por Marisa Tomei.
Apesar de um grande melodrama sobre quem vai conseguir o apoio de um senador, o filme não consegue transmitir a gravidade necessária que a história necessita. E ainda, não acrescenta em nada ao já conhecido mundo da política. Sim, os políticos mentem, os repórteres nem sempre tem acesso à verdadeira história e as mulheres não são tratadas com respeito por homens poderosos. Se isso parece novidade, talvez vá achar um filme mais interessante do que eu.
Claro que isso também não quer dizer que se trata de um filme sem atrativos. Clooney consegue extrair ótimas interpretações e já está acostumado a tratar de filmes que falam de homens sob pressão. Ele também dá informações em quantidade suficiente para manter o interesse, mas infelizmente eu acabei esperando por um pouco mais. É como quando ouve um político. Você ouve e espera que ele cumpra, mas infelizmente isso quase nunca acontece.

sexta-feira, 2 de março de 2012

DRIVE


NOTA: 9.
- Se eu dirigir para você, terá seu dinheiro. Você me diz onde começamos, onde vamos e onde vamos depois. Eu te dou cinco minutos quando chegarmos lá. Qualquer coisa que acontecer nesses cinco minutos, eu sou seu. Nâo importa o que aconteça. Qualquer minuto antes ou depois e você está por conta própria. Eu não carrego uma arma. Eu dirijo. 

Ryan Gosling é um ator que constrói personagens muito interessantes, e aqui ele empresta seu talento para contruir um dos personagens de ação mais interessantes do ano. Ele não tem nome, todos o conhecem apenas como o "Piloto". Sem outro nome ou outra vida. Isso é o que ele faz. Logo na primeira cena, o vemos dirigindo um carro de fuga de um roubo. Ele foge da polícia não usando apenas velocidade e habilidade, mas astúcia ao explorar as ruas e enganar a polícia. Quando não faz isso, ele é dublê de atores em filmes onde realiza capotagens em carros. Seus empregos não apresentam conflito. Ele é um piloto.
Seu personagem me lembra muito o clássico personagem sem nome dos filmes de Sergio Leone interpretado por Clint Eastwood. O "Piloto" não tem familiares, passado ou mesmo demonstra muitas emoções. Talvez alguma coisa tenha acontecido em seu passado e o deixado do jeito que é, mas isso não é algo que descobriremos.
Talvez isso o qualificasse para ser um herói sem importância num filme de ação medíocre com muitas explosões, efeitos especiais e perseguições (claro), mas Drive é mais um exercício de estilo e emoções que podem estar escondidas do que um filme de ação tradicional. E ele funciona porque talvez não se esforce para responder questões. O "Piloto" lembra um personagem da antiga Hollywood, como um detetive noir como os que Bogart interpretava.
Ele mora num apartamento há um tempo mas somente conhece sua vizinha quando a encontra no elevador. Ela é Irene (Carey Mulligan), mãe de um garoto conhecido como Benicio, que atrai a afeição do "Piloto". Talvez por nenhum dos dois aparentarem ser do tipo efusivo. Eles se aproximam mas uma semana depois o marido de Irene é libertado da cadeia. Ao contrário do que possamos pensar, Standart (o marido) não se vê com ciúme ou incomodado com a presença do rapaz.
O problema é que Standart está devendo dinheiro para umas pessoas que o espancam e ameaçam de machucar sua mulher e filho a menos que ele participe de um roubo. Preocupado com a segurança dos dois, nosso herói decide participar do roubo dirigindo o carro de escape para ter certeza que nada aconteça. Ele sequer aceita parte do dinheiro do roubo, ele quer apenas que ninguém saia ferido durante a operação. É isso que vai nos levar até o resto do filme.
O filme é dirigido pelo diretor Nicolas Winding Refn, o mesmo que realizou Bronson. Ao contrário do que fez com seu filme anterior, onde ele se preocupava em contar os mínimos detalhes de seu personagem título, aqui ele tenta contar o mínimo. Assim como as pessoas ligadas a eles, incluindo seu "mentor", Shannon que costumava ser dublê, e uma dupla de mafiosos que vão patrocinar sua ida às corridas de Stock Car (interpretados por Ron Pearlman e Albert Brooks).
Mencionei efeitos especiais antes, mas não acho que esse filme tenha algum. Se tem, foi muito bem feito, pois não consegui identificar uma cena que o tenha usado. Acho mesmo que as cenas foram filmadas à moda antiga. Todas as cenas de perseguição do filme parecem possíveis de serem realizadas no mundo real, e não apenas nas telas do cinema. Outra parte do filme funciona pelo talento de Ryan Gosling, que só sabe criar personagens realmente poderosos. Em um filme, ele até mesmo me fez acreditar que estava em uma relação com uma boneca inflável (daquelas sexuais). Ele é desses atores capazes de fazer qualquer coisa. A combinação faz deste um bom filme que vale a pena ser visto nos cinemas.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS - ALL GOOD THINGS



NOTA: 8,5.
- Ela nunca vai ser como nós.
- Eu sei. Isso não é ótimo?

Este filme é baseado em fatos de uma história que não sabemos se é real ou não. Parece mais uma história estranha que lemos em revistas de fofoca sobre gente famosa ou mesmo em programas sensacionalistas. Podemos especular se são realmente culpados ou não, mas nunca saberemos o que realmente aconteceu. Apenas saber se foram culpados ou inocentados.
David Marks (Ryan Gosling) é um herdeiro de uma rica família nova-iorquina, família proprietária de inúmeros imóveis em uma famosa rua da cidade nos anos 1970. Acontece, que as propriedades eram alugadas para casas de strip tease, lojas de pornografia, "casas de massagem" e por aí vai. Também eram proprietários de um prédio, e é quando David teve que visitar um dos apartamentos é que se apaixonou pela sua inquilina, Katie (Kirsten Dunst). Eles se apaixonam e vão morar fora de NY, onde montam uma pequena loja de produtos saudáveis onde vivem felizes.
O patriarca da família é Sanford Marks (Frank Langella), um homem severo e grosso que comanda a família com pulso de ferro. É ele que "convence" David a voltar para NY e ajudar nos negócios da família. David parece no início do filme como se fosse quase um hippie. Aparentemente, ele poderia viver o resto da sua vida morando no interior com sua mulher. Mas algo muda quando ele se muda para Manhattan. Katie gosta do luxo, mas vive infeliz, e o amável hippie por quem se apaixonou desaparece.
O filme começa com o julgamento de David em 2003 (ainda interpretado por Gosling debaixo de uma pesada maquiagem). Ele está respondendo pelo desaparecimento de sua esposa que aconteceu quase 20 anos antes. Ele é um provável suspeito, mas como tem um forte álibi nunca foi indiciado. Sabendo disso, pode-se imaginar milhões de possibilidades para a transformação de seu personagem, como o pai o pressionando até que ele não aguenta mais ou coisa do tipo. A verdade é que o que acontece com David é muito mais sinistro e bizarro. E nada mais sobre isso eu vou contar.
Um dos pontos mais interessantes do filme é o casal vivido por Gosling e Dunst. Ela convence muito bem como a mulher apaixonada que descobre não saber quem seu marido realmente é. Seu marido vai sumindo numa transformação que não deixaria nada a dever pra Jekyl e Hide e ela simplesmente não sabe como agir. E Gosling mostra ser um ator de mão cheia apresentando um personagem com muitas nuances e esquisitices. Ambos funcionam muito bem.
O diretor Andrew Jarecki oferece uma possibilidade de solução do caso do desaparecimento de Katie e o álibi de David. Já eu, não consigo entender a mente de David Marks e não sei se Jarecki conseguiu entender. Como disse, não sabemos o que realmente aconteceu ou como o crime foi cometido, se é que um crime foi cometido. E acho que esse é o grande barato do filme, principalmente quando forem assistir e perceberem personagens chaves que fiz questão de nem mencionar aqui.

domingo, 28 de agosto de 2011

AMOR A TODA PROVA - CRAZY, STUPID, LOVE


NOTA: 8.
- Eu vou te ajudar a encontrar sua masculinidade. Tem alguma ideia de onde você pode ter perdido?

O que tem de interessante nesse filme, é que se trata de uma comédia romântica (ainda que não exagere nas piadas) bem inteligente com personagens que tem uma característica cada vez mais rara em filmes: são pessoas de "coração bom", como se costuma dizer. Dirigido por Glenn Ficarra e John Requa, a mesma dupla que dirigiu Jim Carrey em O golpista do ano, o filme é uma boa surpresa com um elenco de primeiríssima linha, que dão um apelo especial pelo filme.
Em especial Steve Carrel, que parece crescer mais nas telas de cinema a cada filme que realiza. Aqui ele é Cal, chefe de uma família aparentemente feliz. No restaurante, vemos diferentes pés debaixo de diferentes mesas. Todos os homens estão usando sapatos, até chegarmos nos pés dele com tênis. Sem modo de vestir também não é muito diferente, ele é claramente um relaxado. Quando ele diz pra sua mulher o que quer comer, ela diz que quer divórcio. Assim começa o filme.
Ele acaba indo para um bar afogar suas mágoas onde encontra o mulherengo Jacob (Ryan Gosling, que continua a surpreender pela versatilidade e talento), que fica com pena e resolve ajudar Cal a reencontrar sua masculinidade, seja lá onde ela a tenha perdido. Ele parece ser o homem certo para o trabalho, já que a cada noite ele sai com uma mulher diferente de sua escolha. Sua única rejeição acontece pelas mãos de Hannah (Emma Stone), o que não dura muito tempo.
Enquanto Cal tenta dar um novo rumo a sua vida, com novas roupas, sapatos e corte de cabelo, sua esposa Emily (Julianne Moore) continua se encontrando com colega de trabalho (Kevin Bacon) por quem parece estar trocando Cal. Ao mesmo tempo, seu filho se encontra cada vez mais apaixonado pela babá mais velha e que está obviamente apaixonada por Cal, que finalmente aprende a se dar bem em bares conseguindo sair com mulheres como Marisa Tomei (hilária).
Como se pode perceber, o filme tem um fluxo que vai seguindo e renovando o filme a cada momento. São diversos personagens e todos com uma função. Todos dando continuidade ao filme. As duas gerações, Cal e Jacob, porém, começam a trocar de papel. Cal consegue ir pro bar e sair com diversas mulheres, enquanto Jacob começa a ficar cada vez mais, e exclusivamente, próximo de Hannah. Ainda mais, ele faz o que parece não ser capaz: se apaixonar de verdade.
Se trata de um filme que prioriza seus personagens para contar uma história. Mesmo o personagem de Bacon, um aparente destruidor de lares, não é desprezível. Todos tem seus problemas e desejos. Estraga apenas saber que de alguma forma todos (e todos mesmo) os personagens vão se encontrar no final para o grande fechamento do filme. Apesar de seguir essa fórmula certinha, ainda assim é um filme que me agradou bastante. Seja pelos personagens ou pelos caminhos que eles seguem.

quinta-feira, 9 de junho de 2011

NAMORADOS PARA SEMPRE


NOTA: 9.
- Eu não queria ser o pai de alguém, ou o marido de alguém, essa não era minha meta na vida. Mas de alguma forma era. Eu trabalho para que eu possa fazer isso.

Falar que casamento é uma coisa difícil é chover no molhado. Aqui acompanhamos as dificuldades de um casal durante o deles. A distribuidora esperou para lançar este filme no final de semana do dia dos namorados e colocou um título que pode induzir as pessoas que esta é uma linda história romântica. Não é. O casamento desses dois é uma coisa difícil, sim, e nem sempre é feito de belos momentos. Como grande parte das relações, eles também tem seus problemas.
O casal é Dean (Ryan Gosling) e Cindy (Michelle Williams). Eles tem uma casa onde moram com a filha, ela é uma enfermeira e ele pinta casas. Fazem apenas seis anos que estão casados e ela sequer consegue lembrar porque casou com ele, e ele não parece se importar com qualquer coisa que não seja ficar em casa com elas e beber ocasionalmente. Ele não é um alcoólatra e isso não é o grande problema do casamento deles, mas ele já não parece mais ser aquele jovem  promissor e romântico que costumava ser. Ele ficou parado no tempo e não tem mais ambições, o que a incomoda.
Posteriormente, entrecortando com as cenas do presente, vemos o início da relação dos dois. A mudança é facilmente perceptível pela mudança física dos dois, mais fácil ainda pela mudança de atitude deles. Dean era capaz de fazer grandes gestos românticos e ela costumava gostar disso. Não existe mais essa química entre os dois e eles parecem estarem juntos agora por força do hábito. A volta ao passado também serve para mostrar porquê certas coisas no filme acontecem durante o filme.
Na verdade, o filme vai e volta no tempo como se estivesse tentando descobrir o que pode ter dado errado no meio do caminho desses dois. Para ele a resposta pode ser que nada tenha dado errado, e ela não pode mais suportar isso.
Eles se conheceram em um asilo. Ela estava visitando sua vó e ele estava ajudando na mudança de um senhor para lá. Nenhum dos dois realmente pertencia àquele lugar. Era improvável que eles pudessem se conhecer em um lugar como este, então talvez seja improvável que duas pessoas que se conheceram dessa forma, possam se darem tão bem por muito tempo. Esses dois mal se conhecem. Toda a relação é prematura, até o casamento. 
Parece que o diretor e co-roteirista levou mais de uma década para levar o filme às telas. Ele declarou que o roteiro teve mais de 67 versões até chegar ao que ele usou para filmar. Se o que ele esperava era alcançar um roteiro que prendesse a atenção da platéia sem se preocupar com assuntos aos quais a platéia está acostumada (como doenças, dificuldades de criar um filho ou coisas do gênero), ele conseguiu. Esse é um filme diferente por tratar de um assunto que todos passamos, mas pouco falam.
Li alguns críticos reclamando que as razões dos problemas do casal não ficam claros o suficiente para o público. Você pode dizer com absoluta certeza de que sabe porque todos os seus relacionamentos acabaram? Simplesmente, ás vezes essas coisas acontecem. Talvez certas coisas não tenham uma resposta concreta. Ainda assim podem nos emocionar. Em especial pela interpretação do casal que é nada mais que soberba. Um belo trabalho que vale a pena ser visto.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A GAROTA IDEAL – LARS AND THE REAL GIRL



NOTA 8

Infelizmente, essa dica só vale pra algumas cidades que estão exibindo. São Paulo é uma cidade que está exibindo esse filme. Um bom filme com premissa e jeitão de filme independente. O filme traça um ponto de partida a partir da incapacidade de comunicação do personagem que, sem um rito de passagem da infância para a fase adulta, se encontra deslocado do resto do mundo. O personagem de Lars, não suporta ao menos ser tocado (para ele, o toque causa dor física).

Lars é um homem que vive numa cidade dessas de interior onde todos se conhecem. Após a morte do pai, seu irmão se muda para casa principal enquanto Lars vive num quarto do lado da garagem. Lars vive lá por opção. Sua já citada incapacidade de se relacionar com as pessoas, faz com que ele evite o contato até com a família. Mesmo sua cunhada que tanto insiste pela sua companhia, assim como no trabalho (mesmo com quem divide o mesmo cubículo).

É quando Lars arranja uma “namorada” pela internet, Bianca. Sua namorada é uma boneca de silicone usada com objetivos sexuais, por assim dizer. Até mesmo para tirar a boneca da caixa, ele obedece todo um ritual. Ele toma banho e se arruma para conhecer Bianca, que ele diz que por um acidente usa cadeira de rodas. O irmão sob o pretexto de se preocupar com a saúde da boneca, os leva ao hospital, onde a médica é também psicóloga. A médica convence a todos na cidade a lidar com Bianca como se fosse uma pessoa de verdade.

É graças a esse namoro, que Lars consegue se aproximar de ter uma virda normal, em contato com as outras pessoas. Ele começa a jantar coma família. Frequentar festas e até mesmo interagir com as pessoas do escritório. Bianca traz um novo mundo de convivência para Lars, fazendo com que ele descubra as pessoas que realmente gostam dele. Com boas atuações (em especial de Gosling, que faz o personagem mudar de forma imperceptível diante de nossos olhos) e um roteiro que explora bem a confusão mental de Lars e sua evolução, a única que coisa a se lamentar é que o filme esteja relegado a um público tão seleto.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

DIÁRIO DE UM PAIXÃO – THE NOTEBOOK


NOTA: 7,5.
Esse filme me surpreendeu. Não pela história principal, entre os jovens, mas é Gena Rowlands e James Garner que me surpreenderam.

O filme mostra um homem que visita uma mulher num asilo todos os dias, para ler para ela. Ele sempre lê a mesma história. A história sobre um casal que se apaixona. Ela é rica e ele é pobre, os pais não aprovam e a partir daí já sabe o resto, né? Pois é óbvio assim. Essa não é a beleza do filme.

A beleza é descobrir que o homem que lê é o personagem da história, e a mulher pra quem ele lê é a mocinha (em suas fases adolescentes, intrepretados por Rachel McAdams e Ryan Gosling). Ela tem uma doença que acaba com sua memória. Então ele lê para ela todo dia pra que ela possa se lembrar dele no final do dia.

Se isso não é romantismo, eu não sei mais o que pode ser. James Garner está simplesmente perfeito. Filme bem água com açúcar. Não é espetacular, mas vale a pena dar uma olhada...
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