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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

ENTRE SEGREDOS E MENTIRAS - ALL GOOD THINGS



NOTA: 8,5.
- Ela nunca vai ser como nós.
- Eu sei. Isso não é ótimo?

Este filme é baseado em fatos de uma história que não sabemos se é real ou não. Parece mais uma história estranha que lemos em revistas de fofoca sobre gente famosa ou mesmo em programas sensacionalistas. Podemos especular se são realmente culpados ou não, mas nunca saberemos o que realmente aconteceu. Apenas saber se foram culpados ou inocentados.
David Marks (Ryan Gosling) é um herdeiro de uma rica família nova-iorquina, família proprietária de inúmeros imóveis em uma famosa rua da cidade nos anos 1970. Acontece, que as propriedades eram alugadas para casas de strip tease, lojas de pornografia, "casas de massagem" e por aí vai. Também eram proprietários de um prédio, e é quando David teve que visitar um dos apartamentos é que se apaixonou pela sua inquilina, Katie (Kirsten Dunst). Eles se apaixonam e vão morar fora de NY, onde montam uma pequena loja de produtos saudáveis onde vivem felizes.
O patriarca da família é Sanford Marks (Frank Langella), um homem severo e grosso que comanda a família com pulso de ferro. É ele que "convence" David a voltar para NY e ajudar nos negócios da família. David parece no início do filme como se fosse quase um hippie. Aparentemente, ele poderia viver o resto da sua vida morando no interior com sua mulher. Mas algo muda quando ele se muda para Manhattan. Katie gosta do luxo, mas vive infeliz, e o amável hippie por quem se apaixonou desaparece.
O filme começa com o julgamento de David em 2003 (ainda interpretado por Gosling debaixo de uma pesada maquiagem). Ele está respondendo pelo desaparecimento de sua esposa que aconteceu quase 20 anos antes. Ele é um provável suspeito, mas como tem um forte álibi nunca foi indiciado. Sabendo disso, pode-se imaginar milhões de possibilidades para a transformação de seu personagem, como o pai o pressionando até que ele não aguenta mais ou coisa do tipo. A verdade é que o que acontece com David é muito mais sinistro e bizarro. E nada mais sobre isso eu vou contar.
Um dos pontos mais interessantes do filme é o casal vivido por Gosling e Dunst. Ela convence muito bem como a mulher apaixonada que descobre não saber quem seu marido realmente é. Seu marido vai sumindo numa transformação que não deixaria nada a dever pra Jekyl e Hide e ela simplesmente não sabe como agir. E Gosling mostra ser um ator de mão cheia apresentando um personagem com muitas nuances e esquisitices. Ambos funcionam muito bem.
O diretor Andrew Jarecki oferece uma possibilidade de solução do caso do desaparecimento de Katie e o álibi de David. Já eu, não consigo entender a mente de David Marks e não sei se Jarecki conseguiu entender. Como disse, não sabemos o que realmente aconteceu ou como o crime foi cometido, se é que um crime foi cometido. E acho que esse é o grande barato do filme, principalmente quando forem assistir e perceberem personagens chaves que fiz questão de nem mencionar aqui.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

PAUL


NOTA: 6.
- Você é um alienígena.
- Para você, sim.

Este é um daqueles filmes que parece ter tudo para você gostar dele, mas de alguma forma ele começa perder seu rumo. O que o impede de se tornar um filme muito bom. Não sei dizer exatamente o que acabou  dando errado, mas com o passar do tempo o filme vai perdendo suas graças aos poucos para se tornar mais um filme burocrático de comédia.
A premissa é bem interessante. Dois nerds ingleses, Graeme e Clive (Simon Pegg e Nick Frost, a dupla de Chumbo grosso), vão aos EUA para visitar a Comic-con (o maior evento nerd do país) onde tiram fotos com personalidades famosas do mundo geek e conversam com seus autores favoritos. Na saída da feira, decidem alugar um trailer para passear pelo país visitando lugares como a área 51 entre outras coisas. Numa dessas visitas, eles acabam cruzando com um alienígena chamado Paul (Seth Rogen).
O início do filme é com certeza a melhor parte. As cenas dos dois andando na feira são inestimáveis junto com o início da odisseia. As cenas são essenciais para estabelecer como ambos são doces e sensíveis. Tanto, que chegam a ser confundidos como um casal homossexual. Até a chegada de Paul que não consegue dirigir um carro. Se eu fosse um ET e tivesse que encontrar alguém para me ajudar, acho que esses dois seriam a dupla ideal para poderem ajudar uma pessoa em apuros. Mesmo que não seja uma pessoa.
Na jornada, eles ainda encontram Ruth (Kristen Wiig, de Missão madrinha de casamento), uma mulher que cresceu com fortes preceitos religiosos e usa uma camisa de Jesus atirando em Darwin (enquanto embaixo aparece a frase "evolucione isso"). A existência de Paul vai contra tudo que ela acredita. Se ele existe, ela pode até mesmo xingar sem ficar esperando que sua alma vá para o inferno. Se é que o tal inferno realmente existe.
Como se espera de um filme que começa numa comic-con, o filme é uma ode ao mundo nerd de filmes e seriados. Alguns sutis e outros explícitos. Uma música de Star Wars tocada ao fundo ao entrarem num bar ao passo que em outra cena vemos Paul inspirando Spielberg em um filme.
O que realmente incomoda é um alienígena que, tirando a aparência física, é Seth Rogen. Não apenas na voz, mas na maneira de falar e até mesmo no conteúdo de seus diálogos. Isso torna Paul um ser pouco interessante. Ele não é um alien de verdade. Ele é praticamente todo humano. A graça de um filme com um alien, é a imprevisibilidade que eles podem ter. Paul não tem nada de imprevisível, ele é tão comum como qualquer humano. O filme tem suas graças, mas poderia ter ido mais longe.

domingo, 25 de setembro de 2011

MISSÃO MADRINHA DE CASAMENTO - BRIDESMAIDS


NOTA: 8.
- Isso é tão estranho. Eu realmente quero que você vá embora, mas não sei como te pedir isso sem parecer um babaca.

Este filme é uma comédia surpreendentemente engraçada com um elenco principal totalmente composto de mulheres. Alguns homens aparecem no filme, claro, mas nenhum tem muitos minutos em frente as câmeras ou ofusca alguma das mulheres. Este é um filme feito por mulheres (a atriz principal, Kristen Wiig escreveu o roteiro, apesar da direção ser de um homem), mas não para mulheres apenas (ao contrário de Sex and the city). É um filme para qualquer um que queira rir.
Como uma versão feminina de Se beber não case, o filme gira em torno de um casamento. Mas não é o casamento de Annie (Wiig) que está programado, é o de sua melhor amiga Lillian (Maya Rudolph). Annie é convidada para ser a madrinha do casamento da amiga, mas uma nova amiga de Lillian aparece para "atrapalhar" a vida de Annie. Isso porque Helen (Rose Byrne) é tudo que Annie não é. Ela tem dinheiro, é bonita e capaz de organizar o casamento com extremos bom gosto. A maior parte das decisões deveria caber a Annie, mas ela parece ser incapaz de fazer isso com competência.
E é muito fácil de descobrir porquê. Ela mal consegue manter sua vida em ordem. Divide o apartamento com duas pessoas muito estranhas que leem seu diário e vestem sua roupa, vive sem dinheiro depois de abrir falência ao tentar abrir um negócio e seus encontros se resumem a um homem que só se interessa em fazer sexo com ela e dispensá-la logo depois. Ela parece tão fadada ao fracasso, e em buscar por ele, que quando encontra um homem que é legal com ele, ela o dispensa.
Um dos grandes motivos que transformaram Se beber... em um sucesso, era uma mistura de humor politicamente incorreto com uma dose de escatologia na medida certa. Ver homens fazendo cenas como essa, não são incomuns. Mas ver mulheres fazendo é. E não sei porque é tão incomum essa situação, já que esse filme mostra que elas são totalmente capazes de fazer isso com tanta habilidade quanto o sexo oposto, em algumas situações até melhor. De qualquer forma, a surpresa de vê-las fazendo isso é o que torna parte da exibição maravilhosa.
Seria fácil fazer parecer o filme ser melhor do que realmente é, e por isso devo tomar um pouco de cuidado. Apesar de ser bem engraçado, o filme nunca se aventura para situações além do comum. Além disso, tirando Annie, não chegamos a conhecer realmente bem nenhuma das outras personagens que compõe o filme, o que é uma pena. Além dos rostos delas, não temos muito mais coisas para olhar no filme. Apesar de serem ótimos rostos, não parece suiciente.
Ainda assim é ótimo dar boas risadas sobre as desventuras de mulheres, mostrando que elas tem talento para fazer qualquer um rir tanto quanto qualquer outra pessoa, não importando o sexo. Talvez tudo que precisem seja apenas uma produção decente que lhes deem uma chance para provar isso. Aqui elas provaram. 
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