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quinta-feira, 4 de julho de 2013

O LUGAR ONDE TUDO TERMINA - THE PLACE BEYOND THE PINES


NOTA: 9.
- Se você pilota como um raio, vai se arrebentar como um trovão.

O filme começa e vamos acompanhando um homem cheio de tatuagens que vai andando no meio de uma multidão dentro de um circo. Ele entra em uma tenda, sobe na sua moto e começa a fazer seu número num daqueles globo da morte, onde três motociclistas ficam dando voltas em uma jaula em formato de uma esfera. A cena nos diz duas coisas sobre o personagem e filme. Sobre o personagem, já sabemos de cara que é uma pessoa que não tem medo da morte. Sobre o filme, mostra que o diretor faz uma abertura ambiciosa no estilo Orson Welles, e que talvez devamos esperar a mesma ambição.
Claro que não se trata de um filme que fale sobre o circo. O tema central que permeia as histórias é a violência. Fala sobre a responsabilidade de um pai levada de uma maneira errada ás últimas consequências, e fala também de arrependimento. Eu digo "de maneira errada", mas talvez não seja. Foi a solução encontrada por um homem que é obrigado a sobreviver entre um pagamento e outro. Nos dias de hoje, muitos podem se relacionar com ele.
O filme é dividido em três partes. Na primeira, o motociclista Luke (Ryan Gosling) vive de cidade em cidade se apresentando no circo. Em uma das cidades, ele descobre que fez um filho com Romina (Eva Mendes) na última vez que passou por lá. Ele resolve se tornar um bom pai apesar de ela já ter a vida acertada com outro homem, e se junta a Robin (Ben Mendelsohn) para roubar bancos e prover para seu filho. Não demora muito para ter que encarar a lei.
A lei vem num homem chamado Avery (Bradley Cooper), que depois de cruzar com Luke se torna o protagonista da terceira história. Ele é tratado como um herói e se envolve algumas transações sujas por causa de um policial sujo (Ray Liotta). Em especial pelos conselhos do pai, ele consegue sair da confusão e se torna num proeminente homem com um alto cargo político. Corta para 15 anos mais tarde.
Que é quando entra a terceira história, protagonizada pelo filho de Luke que numa coincidência estuda e faz amizade com o filho de Avery. A vida de Luke e Avery não é muito diferente uma da outra. Eles amam suas mulheres e filhos, que tem a mesma idade. O que divide o destino desses dois, é a educação. São fatores externos que dividem a sina de cada um deles. Provavelmente seus filhos estão na direção para seguir o mesmo caminho de seus pais, e suas famílias seguindo apenas um ciclo.
Não acho que tenha no momento, dois atores mais em ascensão que Gosling e Cooper, mas ao contrário do que se possa pensar, este não é um filme que vai decolar mais a carreira deles. Eles estão acompanhados de um elenco secundário fantástico (em especial uma Eva Mendes entregando a melhor performance de sua carreira) e apenas realizam seus papéis para ajudar a contar uma grande história. Realizar um grande filme.
O diretor  Derek Cianfrance, que também dirigiu Namorados para sempre, entrega mais um ótimo filme. Seus atores entregam sempre atuações seguras em excelente papéis. E aqui ele entrega um filme bem mais ambicioso, ainda que não alcance a refinamento, que seu filme anterior. Não se importe com a duração do filme (140 minutos), porque o que temos nas telas vale cada minuto.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SE BEBER NÃO CASE PARTE III - THE HANGOVER PART III


NOTA: 2.
- Tudo acaba essa noite.

Quando o primeiro filme foi lançado, se transformou num sucesso instantâneo. O sucesso não foi por acaso, foi a melhor comédia daquele ano e de alguns outros anos, e transformou Bradley Cooper em um astro (indicado as Oscar esse ano). Com esse sucesso todo, era apenas questão de tempo que fizessem uma continuação. E o fizeram. O segundo filme foi lançado e apesar de não fazer feio nas bilheterias foi muito criticado, em especial por contar exatamente a mesma história do primeiro. Para fechar a trilogia (apesar de não haver motivo nenhum para ser uma trilogia), a terceira parte resolveu apostar numa proposta diferente. E realmente, é tão diferente dos dois primeiros que sequer chega a parecer uma comédia.
Lançado em 2009, o primeiro vinha com uma restrição de idade (somente para maiores de 18 anos) e contava com Mike Tyson, um tigre, uma prostituta, um bebê.... e um mafioso chinês chamado Chow para surpreender o mundo inteiro e faturar mais de quatro vezes seu orçamento somente nos EUA. Os anos se passaram e o grupo original volta para onde tudo começou. Para o nosso azar, toda a graça que fizeram no primeiro filme não voltou com eles.
O filme começa com uma rebelião em uma prisão, que nos revela que Chow (Ken Jeong) aproveita o momento para realizar sua fuga. Mas o que coloca o bando junto novamente, é uma intervenção para Alan, que na abertura causa um acidente com muitas mortes e que resulta na morte de uma girafa (numa cena de péssimo gosto). No meio do caminho, eles são abordados por um mafioso (John Goodman), de quem Chow roubou muito dinheiro, que sequestra Doug. Sua proposta é simples, devido a troca de cartas entre Alan e Chow, eles devem encontrá-lo e entregá-lo junto com o dinheiro roubado para terem Doug de volta. O que nos faz ter muito mais Chow que temos nos outros filmes. O veredicto é que ele é engraçado, mas aparentemente apenas em pequenas doses.
Galifianakis passou de total desconhecido para se transformar num astro da comédia. Eram deles os melhores momentos do primeiro filme. E aqui isso não mudou muito. Ele continua tendo as melhores piadas, a diferença é a escassez com que elas acontecem. Ainda há certa graça de ver um homem de 42 anos que continua agindo como o pior dos adolescentes que já se viu em um filme, mas a piada repetida perde força. Com um roteiro que não entregue piadas diferentes do que já vimos anteriormente, ela perde ainda mais força.
Já o resto do elenco principal não parece ter muita função. Stu (Ed Helms) continua gritando como uma mulher nas horas de tensão e somente isso. Phil (Cooper) aparece no filme só pra ser o colírio nos olhos femininos (com exceção de uma cena no telhado de um hotel em Vegas). A melhor metáfora para o filme, é Chow: extremamente irritante e que faz tudo por dinheiro. Se você assistiu o trailer deste filme, já viu o que ele tinha de melhor pra mostrar. O resto não vale a pena.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O LADO BOM DA VIDA - SILVER LININGS PLAYBOOK


NOTA: 9,5.
- Sabe. Por um tempo eu achei que você era a melhor coisa que aconteceu comigo. Agora estou começando a achar que é a pior. Eu lamento ter te conhecido.

Depois de um tempo afastado da direção de filmes, David O. Russel volta ao trabalho em boa forma. Depois de sua indicação em 2011 por O vencedor, ele é novamente indicado esse ano por este filme. Pessoalmente, não gostei muito do filme anterior, mas aqui ele acerta em praticamente tudo, em especial pra mim por ter personagens principais realmente interessantes e que prendem a atenção do espectador desde o início até o fim.
Acompanhamos principalmente os altos e baixo do personagem interpretado por um (indicado ao Oscar) Bradley Cooper muito inspirado. Talvez não seja o suficiente para lhe render uma estatueta, já que concorre com nomes de peso que também estão muito inspirados, mas ele está bem o suficiente para mostrar que seu sucesso não ocorreu por acaso. Seu personagem é Pat Soletano Jr., que acaba de sair de uma instituição mental depois de um violento incidente envolvendo sua esposa e o amante dela. Decidido a recuperar sua vida, e a ex-esposa, ele entra numa disciplinada rotina de treinamento para perder peso e de leitura.
Apesar de seu esforço, logo de cara dá pra perceber que ele não está bem, se é que um dia ele já esteve bem. Ter a esposa de volta se transforma em uma obsessão, e embora ele insista em dizer aos seus pais que tudo vai terminar bem nada parece indicar que isso realmente vá acontecer. Sua mãe parece ser uma pessoa sã e carinhosa com seu filho, mas o principal é que ela parece acostumada com o seu comportamento porque seu marido, Pat Sênior (Robert De Niro) também tem comportamento violento que o levou a ser banido dos estádios, e agora assiste os jogos do seu time na TV cercado de supertições e TOC com a posição dos (muitos) controles remotos.
Um amigo tem a ideia de o apresentar à Tiffany (Jennifer Lawrence, também indicada e no caminho para se tronar a melhor atriz da sua geração). Por que seu amigo acha que Pat pode se dar bem com ela? A resposta é fácil: ela é tão louca quanto o próprio Pat. Ela é uma jovem viúva que também tem sérios problemas mentais e que só pioraram depois da estúpida morte de seu marido, e somente não foi internada porque o destino não quis. Ainda assim ela é a única no filme que consegue entender este homem, e de alguma forma ele também consegue entendê-la. Mas principalmente, ele sente a necessidade de estar com ela porque ela ainda mantém contato com sua ex-mulher.
Ela, porém, não vai facilitar para ele. Ele quer que ela entregue uma carta e ela diz que pode fazer isso, mas ele deve participar de um concurso de dança que ela se inscreveu. Entre as cenas do relacionamento estranho que os dois desenvolvem, temos ainda um Robert De Niro mais inspirado que o normal (não tanto quanto no começo de sua carreira, mas ainda assim chamando bastante atenção) e um Chris Tucker hilário como sempre e que finalmente resolveu fazer um filme fora da sua franquia de A hora do rush.
Uma das coisas mais interessantes do filme é a relação entre pai e filho que De Niro interpreta com Cooper. Pat júnior não é o único com problemas para resolver, mas de alguma forma os dois, de maneira surpreendente, conseguem estreitar os laços e criar um entendimento através de jogos de futebol americano e o concurso de dança. Claro que em um determinado momento, o filme vai se render às convenções de roteiro, mas isso pouco importa porque é tudo tão bem feito que não pode ser nada além de ótimo filme.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

SE BEBER, NÃO CASE! PARTE II - THE HANGOVER PART II


NOTA: 5.
- Aconteceu de novo.

Se você é dessas pessoas que odeiam spoilers de filmes, aqui vai uma importante dica antes de assistir a esse filme: não veja o filme original. Simples assim. Isso pelo simples fato dos dois serem praticamente o mesmo filme rodados em países diferentes. Troque a perda de um dente por uma tatuagem facial, um tigre por um macaco, uma prostituta por uma striper e Las Vegas por Bankcok e teremos não uma continuação, mas sim uma refilmagem. 
Dessa vez, o casamento é de Stu que, depois de seu primeiro casamento em Las Vegas, dessa vez está se casando com uma jovem Tailandesa em uma cerimônia tradicional no país da moça junto com um sogro que o odeia. Depois do jantar, e um brinde do sogro que fere todos os códigos de civilidade, eles resolvem tomar UMA cerveja na beira da praia. Claro que as coisas não saem como planejado e eles acordam em uma pocilga de Bangkok e com o irmão da noiva desaparecido, com exceção do dedo dele que ficou dentro do quarto.
Aí o filme segue novamente o mesmo enredo do primeiro. Sem se lembrarem de nada do que aconteceu na noite anterior, eles seguem as poucas pistas que tem indo para lugares que somente os levam para novas pistas e que no final do filme se revelam totalmente inúteis. No final, eles poderiam ter resolvido totalmente a questão sem saírem do lugar. Não que esteja reclamando da estrutura, mas poderiam pelo menos ter mudado alguma coisa. Até a cena de Stu cantando as desgraças que passaram se repete, mas naquele esquema "sai piano entra violão".
O que eles seguem também, é o manual de sequências de Hollywood. E o manual diz que a continuação tem que ter "mais" que seu predecessor. Aqui, o que eles traduzem como "mais" é a escatologia. Tudo que tem de pervertido, fica ainda pior. E nas fotos que aparecem no final do filme (que original essa parte de colocar as fotos no final, não?) eles já não tem qualquer preocupação moral por menor que seja. 
Nunca visitei Bangkok, mas é difícil de acreditar que ela seja tão ruim quanto é mostrada no filme. Não tem nada que pareça perto de decente que faça com que qualquer pessoa tenha vontade de visitar. Parece ser um estranho "antiguia de viagem" que mostra os lugares para onde as pessoas conheçam os lugares onde não devem ir. Meu medo é que queiram fazer uma terceira parte no Rio de Janeiro. Vai saber o que será mostrado da cidade.
Para não dizer que só falei mal do filme, vale ressaltar que me fez rir em diversos momentos. Apesar de mesmo algumas piadas serem recicladas. Outra parte das risadas sai do fato dos realizadores acharem que ninguém vai ficar ofendido com nada mostrado no filme. Não que eu tenha ficado chocado, mas tem uma diferença entre não se preocupar com a censura e ofender a humanidade em geral. Ao contrário do que aconteceu no primeiro filme, não acho que essa continuação terá uma versão sem cortes. Quão pior o filme pode ficar afinal?

sexta-feira, 25 de março de 2011

SEM LIMITES


NOTA: 4.
- Sabe como dizem que só conseguimos acessar 20% do nosso cérebro? Se você pudesse ter total acesso a ele, o que você faria?

Um dia eu li que apenas usamos uma pequena percentagem dos nosso cérebros. Muitos podem especular os benefícios de poder usar uma percentagem maior do cérebro. É o que faz o diretor Neil Burger neste filme interpretado por Bradley Cooper e com Robert De Niro.
Cooper interpreta Eddie Morra, um escritor de livros fracassado, desleixado e com poucas habilidades sociais, além de exagerar um pouco na bebida. Apesar de sua inaptidão, ele consegue um contrato para escrever um livro. A única coisa que não consegue fazer é realmente escrever o livro.
Até que ele cruza com o irmão de sua ex-mulher que lhe oferece uma coisa. Uma pílula que permite que ele use todo o seu cérebro. Ele fica inteligente o suficiente para saber que tem que limpar seu apartamento. Além disso, ele começa e termina de escrever seu livro, vence as partidas de poquer, fascina todas as pessoas que encontra e ainda por cima vira uma espécie de guru da nova era da bolsa de valores. Basicamente, de um fracassado ele passa a ser praticamente um rei.
Sua ascensão o leva até Carl Van Loon (Robert De Niro), um empreendedor e provavelmente um dos homens mais ricos do mundo. Ou pelo menos do filme. As coisas complicam um pouco por causa do problema do estoque das drogas estar acabando justo quando ele está para fechar um acordo com Van Loon. Além disso, ele deu um comprimido para um perigoso agiota que gostou de ficar inteligente e agora fica fazendo chantagem para conseguir mais comprimidos. Como seu fornecedor não tem condições de fornecer mais, ele tem que dar do seu próprio estoque.
O filme foca muito no fato de abrir novas áreas do cérebro fazendo que a pessoa, na verdade, lembre de tudo que viu, ouviu ou leu em sua vida. Desde sua infância. Não é sobre inteligência, é sobre memória. O que me confunde um pouco. Ele faz muito dinheiro na bolsa de valores, e se tudo que ele leu na bolsa estivesse errado? Ou ultrapassado? E se até mesmo fosse uma mentira? Ainda assim ele conseguiria ganhar dinheiro? E se for tudo sobre informação, uma pessoa tendo um acesso a um dos maiores banco de dados do mundo, o Google, não conseguiria o mesmo efeito?
Eddie fica viciado nos comprimidos. Ele até conta com a ajuda da namorada que o dispensou quando ele era um fracassado e que volta a ele agora que é um homem de sucesso. Ela deve ter seus motivos, mas fica um pouco estranho. Então basicamente fica focado nos vícios do personagem, coisa que já vimos milhares de vezes antes e esse não traz nada de novo. Se pelo menos focasse nas consequências na sociedade ao invés de apenas nele, talvez tivéssemos algo novo.
Ele também fica confuso por causa dos comprimidos, mas é tudo muito estranho no filme. Não sinto que ele fica realmente confuso, tudo que vejo na tela é uma sucessão de belos jogos de câmera e muitos efeitos especiais. Pra piorar, De Niro é extremamente mal aproveitado e a virada do seu personagem vem tarde demais para ter qualquer proveito. Acaba que o verdadeiro destaque é realmente Cooper, que consegue interpretar bem as duas fases do seu personagem.
Eu sou como Eddie Morra. Eu sei muita coisa sobre tudo, só esqueci a maior parte. O filme é como nosso cérebro, apenas aproveita uma percentagem muito pequena do seu potencial. Há até mesmo um subplot sobre assassinato que não leva o filme a lugar nenhum e que não tem sequer conclusão. Talvez um dia, o tema seja melhor aproveitado.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

ESQUADRÃO CLASSE A


NOTA: 4.
"Me dê um minuto eu sou bom. Me dê uma hora e sou ótimo. Me dê seis meses e sou invencível." Hannibal

Essa frase é uma das muitas barbaridades proferidas pelos personagens desse filme. E olhe que é Liam Neeson quem a profere. Bem, como se descobre ao final da sessão, tudo o mais no filme é ridículo, despropositado e com o objetivo de contar história nenhuma. O único interesse que o diretor Joe Carnahan (que teve um início promissor com Narc, mas se perdeu logo eu seu filme seguinte A última cartada) é agradar a platéia adolescente. Como ele disse: "Se você não gosta de um tanque voando, não gosta de um filme de férias." Então parece que eu não gosto de um filme de férias. Quero dizer, custa fazer um filme que tenha ação e substância como Guerra ao terror?
A "história" do filme consiste num esquadrão de fuzileiros que se encontra da maneira mais improvável possível. Começa no México, quando B.A. quase é roubado por Hannibal e juntos soltam Cara-de-Pau. Eles fogem com a ajuda de um maluco, Murdock, e formam o esquadrão do título. 8 anos depois e 80 missões bem sucedidas, eles são traídos e envolvidos numa conspiração que envolve placas de falsificação de dinheiro. Claro que o único modo de limpar o nome é achando os verdadeiros culpados.
Eu até poderia falar mais sobre a "história" do filme, mas se o diretor e seus co-roteiristas não se preocuparam com ela, não serei eu quem darei atenção a isso. Basta dizer que além dos principais, tem um agente da CIA chamado Lynch (assim como todos os outros agentes da CIA que também tem esse nome) e Sosa, uma agente do exército que só serve para mostrar uma mulher bonita em cena indicando que o protagonista não é gay.
O filme é uma recriação (ou deveria dizer massacre?) de uma série dos anos 80. Para a série, o plot era entretenimento suficiente para segurar a platéia. No cinema, com duas horas de duração, o filme parece uma tortura. Principalmente por apresentar os personagens mais desinteressantes possíveis, tornando quase impossível para mim de me identificar ou mesmo me importar com qualquer um deles. Se todos morressem com uma hora de filme, teria sido ainda melhor para mim. Carnahan diz que eu não sei gostar de um filme de verão? Bem, talvez ele pudesse aprender a fazer que fosse interessante. Ou mesmo relevante. Acredite, depois de meia hora, você já esqueceu tudo sobre o filme. E agradeça por isso acontecer.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

SE BEBER NÃO CASE


NOTA: 9.
- Agora lembre-se: o que acontece em Vegas fica em Vegas. Exceto herpes, essa merda acaba vindo com você.

Se o “merda” na frase acima te incomodou, não assista a esse filme. Se beber não case é uma comédia adulta e politicamente incorreta (como a maioria das melhores comédias são) até o último fio de cabelo. Então se quiser um humor permitido para menores, procure outro filme.
A parte de ser um humor adulto não é demérito em nenhum sentido. Na verdade faz que com que esse seja o filme mais engraçado desse ano até o momento. Te faz rir desde o primeiro minuto até o último. E duvido que algum filme que vá estrear possa superá-lo.
O filme abre com Phil dizendo para noiva que o casamento dela não vai acontecer. O noivo está sumido. “Fudemos tudo”, ele diz. Voltamos dois dias desse acontecimento. O noivo, Doug, está partindo para Las Vegas com seus dois padrinhos e seu cunhado para sua despedida de solteiro na "cidade do pecado".
Um dos padrinhos, Phil (Bradley Cooper), é um professor de colégio, casado e com um filho, que diz odiar sua vida. Stu (Ed Helms) é um dentista que diz a todos que é médico e é totalmente dominado pela mulher (megera) que o chifrou em uma festa num barco. Alan (Zach Galifianakis) é o irmão da noiva meio “lento” mentalmente que, judicialmente, não pode ficar muito perto de escolas, “Ele parece um Gremlin. Vem até com manual de instruções.”, um deles se refere a ele.
Dia seguinte da grande noite, eles acordam com o quarto totalmente destruído, uma criança chorando no armário, um tigre dentro do banheiro, um dente faltando, uma galinha e o noivo sumido. Já que não o acham em parte alguma, eles começam a refazer seu caminho através de pistas que encontram. Pra piorar a situação, quando o manobrista vai lhes entregar o carro, um Mercedes novinho do sogro do noivo, entrega uma viatura policial.
A busca pelo noivo, faz com que visitem uma Capela de Casamentos, apanhem de um efeminado mafioso chinês, entrem na casa de uma prostituta, façam uma parada no hospital e um encontro com Mike Tyson. Esse turismo durante um longo dia por Vegas à procura do noivo, faz com que aos poucos vão reconstituindo o que aconteceu na noite anterior. E observem que não usei a palavra relembrando.
O diretor Todd Philips tem na sua mão um filme recheado de situações absurdas com personagens bizarros. Claro que a ida para a “Cidade do Pecado” serve como uma terapia de choque para todos os personagens. E isso é o melhor do filme. Parece que seus filmes anteriores, Dia Incríveis e Caindo na Estrada, eram apenas o rascunho do que estava por vir.
No final só ficou uma pergunta: que diabo aquela galinha faz lá?

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SIM, SENHOR – YES MAN


NOTA: 7,5.

Este filme, é o novo filme de Jim Carrey, mas de um novo Jim Carrey.

Depois de passar uma temporada fazendo filmes mais sérios, Carrey parece ter evoluído como ator. Depois de mostrar que pode ser um ótimo ator em dramas, nessa comédia ele se despe quase inteiramente de suas caretas, caras e bocas, para entregar um personagem muito mais interessante. E eu digo quase, porque ainda em duas cenas, as caretas estão lá. Talvez por exigências dos produtores, talvez por um vício que não consegue largar. Mas não faz diferença. As cenas são curtas e mais parecem o ator fazendo uma caricatura dele mesmo.

Carrey faz Carl Allen, um homem que trabalha num banco e diz não para tudo. Chato, ele perdeu a mulher por conta disso e agora está ameaçado de perder os amigos, já que prefere ficar em casa vendo filme do que ir pra festa de noivado de um deles. É quando um antigo conhecido o convence a ir a uma palestra de SIM, e lá, o guru, Terence Stamp, o convence a dizer sim para qualquer situação que aparecer na vida dele. Ainda meio cético, logo de cara, dizer sim o faz conhecer Allison (Zooey Deschanel) e dizer não quase o faz ser devorado por um cachorro, então o homem começa a seguir a risca a doutrina e diz sim para qualquer coisa. Incluindo sair para brigar com um homem duas vezes maior do que ele.

O filme é muito engraçado. Não espere um filme que vá mudar sua vida. Apenas vá para o cinema com intenção de rir e não sairá decepcionado. Ter que dizer sempre sim pra tudo, faz com que ele caia em situações engraçadíssimas. Uma pena que no final, tenha que mostrar que dizer sim para tudo pode não ser bom e ficar em cima do muro, mas até lá, já morreu de rir. A melhor comédia de Carrey desde “Eu, eu mesmo e Irene”.

domingo, 4 de janeiro de 2009

O ÚLTIMO TREM (THE MIDNIGHT MEAT TRAIN)


NOTA: 1.

Um filme totalmente dispensável.

Esse filme é um arremedo de roteiro com desculpa para mostrar cenas de sadismo, com mortes e mutilações e por aí vai. Um gênero que “O Albergue” popularizou e que infelizmente ainda perdura.

Acompanhamos a história do fotógrafo Leon que pretende expor fotos que tira da cidade. Quando as leva para uma importante expositora, essa o diz que deve procurar o lado mais sombrio da cidade, o que o faz sair de noite para tirar as fotos. Logo a primeira noite, ele evita o estupro de uma modelo que desaparece no dia seguinte. Seguindo uma pista absurda, ele começa a seguir um homem que pode ter a ver com o desaparecimento. E no processo ele vai enlouquecendo.

Esse fiapo de roteiro é o que faz o filme servir para decapitações, brigas de facas e até mesmo uma cabeça separada do corpo que pisca para a câmera. Quando vi o trailer, achei que a idéia do filme podia render uma história interessante, mas a premissa se perde num roteiro banal e ilógico que mistura crimes com criaturas de outro mundo que comem pessoas. O elenco inexpressivo ganha um destaque com Brooke Shields (precisando ler melhores roteiros) e Vinnie Jones como o assassino (esse diz apenas uma palavra em todo o filme).

Só para quem gosta de muito sangue.
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