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domingo, 8 de novembro de 2009

(500) DIAS COM ELA


NOTA: 9.

"O que se passa a seguir é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você, Jenny Beckman. Sua vadia." Nota do autor.

Tem uma coisa que sempre vejo acontecer quando alguém conta uma história, que é ver a pessoa voltar pra algum evento anterior do que está contando na hora. Algum detalhe que estava faltando e que se não for contado, vai acabar com a compreensão de tudo. Isso faz com que a história nem sempre seja contada na ordem correta dela.
Ao meu ver, a culpa é nossa. Não que tenhamos uma péssima memória ou porque a história esteja sendo esquecida. Acredito que seja por conta das coisas que lembramos. Nem sempre lembramos das coisas como elas são, e muitas vezes não na ordem cronologicamente certa, mas sim pelo que mais nos impactou. É mais ou menos assim com esse filme, onde logo no início, sabemos como vai terminar. Resta descobrirmos o "porquê".
Ele não começa com o casal se conhecendo e se apaixonando. Ele começa com o casal sentado num banco em uma praça. Para Tom esse talvez seja o evento mais importante que ele lembra. Só ao final do filme vamos saber o contexto dos dois. Até temos cartelas que indicam qual o dia que vamos ver a seguir, mas acredito que isso seja desnecessário. Um mero capricho para o espectador.
Tom (Joseph Gordon-Levitt) trabalha em uma firma de cartões. Sua carreira de arquiteto nunca decolou, e ele se satisfez com o emprego que paga suas contas. Um dia ele conhece Summer (Zooey Deschanel, e o motivo pro nome original do filme: (500) Days of Summer), a nova assistente de seu chefe. Ele se apaixona por ela instantaneamente. A contagem começa no momento em que ela a conhece.
Tom é totalmente previsível. Logo de cara fica claro que ela é mais do que ele pode ter. Já Summer é um total mistério. Até mesmo porque talvez o filme seja contado pelo ponto de vista dele. Só o que é facilmente visto de seu ponto de vista, é que ela é totalmente honesta com ele. Sempre. Tom é que insiste no relacionamento. E insiste em mais do que a moça oferece. Desde o início se percebe que é Tom que tenta lutar contra a realidade.
Tudo no filme funciona maravilhosamente bem: ele é leve e divertido de assistir, em várias partes é engraçado, o casal protagonista funciona bem e a trilha sonora é ótima (talvez por conta do diretor Marc Webb que estréia nesse filme em longa e vinha de uma carreira em videoclips). E ao mesmo tempo que é romântico, mantém um pé na realidade. Como o próprio Tom anuncia logo no início do filme, essa não é uma típica história de amor. Por isso que pode ser tão bom assistí-lo.

(500) Days of Summer. Ano: 2009. Duração: 95 minutos. Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel e Geoffrey Arend. Direção: Marc Webb; Roteiro: Scott Neustadter e Michale H. Weber; Música: Mychael Danna e Rob Simonsen; Fotografia: Eric Steelberg; Edição: Alan Edward Bell.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

SIM, SENHOR – YES MAN


NOTA: 7,5.

Este filme, é o novo filme de Jim Carrey, mas de um novo Jim Carrey.

Depois de passar uma temporada fazendo filmes mais sérios, Carrey parece ter evoluído como ator. Depois de mostrar que pode ser um ótimo ator em dramas, nessa comédia ele se despe quase inteiramente de suas caretas, caras e bocas, para entregar um personagem muito mais interessante. E eu digo quase, porque ainda em duas cenas, as caretas estão lá. Talvez por exigências dos produtores, talvez por um vício que não consegue largar. Mas não faz diferença. As cenas são curtas e mais parecem o ator fazendo uma caricatura dele mesmo.

Carrey faz Carl Allen, um homem que trabalha num banco e diz não para tudo. Chato, ele perdeu a mulher por conta disso e agora está ameaçado de perder os amigos, já que prefere ficar em casa vendo filme do que ir pra festa de noivado de um deles. É quando um antigo conhecido o convence a ir a uma palestra de SIM, e lá, o guru, Terence Stamp, o convence a dizer sim para qualquer situação que aparecer na vida dele. Ainda meio cético, logo de cara, dizer sim o faz conhecer Allison (Zooey Deschanel) e dizer não quase o faz ser devorado por um cachorro, então o homem começa a seguir a risca a doutrina e diz sim para qualquer coisa. Incluindo sair para brigar com um homem duas vezes maior do que ele.

O filme é muito engraçado. Não espere um filme que vá mudar sua vida. Apenas vá para o cinema com intenção de rir e não sairá decepcionado. Ter que dizer sempre sim pra tudo, faz com que ele caia em situações engraçadíssimas. Uma pena que no final, tenha que mostrar que dizer sim para tudo pode não ser bom e ficar em cima do muro, mas até lá, já morreu de rir. A melhor comédia de Carrey desde “Eu, eu mesmo e Irene”.
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