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quarta-feira, 5 de junho de 2013

PERIGO POR ENCOMENDA - PREMIUM RUSH


NOTA: 9.
- Eu gosto de correr. Sem marchas. Sem freios. Não posso parar. Nem quero parar.

O trânsito de Nova York é um dos piores que se vê em filmes. Então não é de se admirar que existam empresas que fazem entregas de documentos e objetos usando bicicletas. De nenhum jeito isso pode ser considerado seguro. Se com motos, que são maiores, já temos inúmeros acidentes, é só imaginar como deve ser para bicicletas. Especialmente para os que gostam de andar na maior velocidade possível sem sequer ter freios.
O destemido entregador que faz isso é Wilee (Joseph Gordon-Levitt), que faz entregas não porque precisa do dinheiro para viver. Ele faz as entregas porque precisa da adrenalina. É mais que um trabalho, é um estilo de vida no qual ficou viciado. O "Premium Rush" do título original, se refere a um prêmio extra dado aos entregadores para uma entrega especial. Pode ser por ter que ser entregue num período menor de tempo, pela distância ou mesmo pelo horário. A verdade é que não interessa exatamente porquê, já que tudo acontece rápido demais para termos que nos importar com isso.
Pra ser mais sincero ainda, até mesmo os personagens não fazem tanta diferença assim. Nenhum deles é muito bem desenhado. A única coisa que sabemos é que não dá pra imaginá-los trabalhando em um escritório ou coisa do gênero. São todos viciados em adrenalina. Só podem ser viciados esperando uma dose extra sem ter que gastar dinheiro. E Wilee é o pior de todos.
Não bastasse os perigos que uma entrega comum pode fazer, esta atrai ainda mais problemas ao rapaz. O que ele deve entregar, é uma espécie de bilhete chinês que equivale a um cheque. Não que o objetivo do pagamento seja realmente importante, mas vou deixar em segredo para alguma surpresa. O que nos interessa saber, é que fora dos perigos do trânsito, Wilee deve também tomar cuidado com um policial corrupto, Bobby Monday (Michael Shannon), que está atrás do bilhete para pagar dívidas de jogo. 
Talvez fosse mais fácil simplesmente entregar o bilhete, mas ele simplesmente se interessa demais pela corrida. Uma vez que começa, quer terminá-la de qualquer jeito. E ele faz isso subindo em carros, rampas, passando por dentro de lojas e com diversas outras manobras perigosas. É praticamente impossível persegui-lo com um carro, e os que tentam fazer de bicicleta simplesmente não aguentam o ritmo.
Não é o caso de esperar qualquer profundidade de personagens ou mesmo da história. Esta é simples e atende o que se espera dele. Geralmente, os filmes de perseguição seguem sempre o mesmo roteiro. Não aqui. David Koepp (diretor de A janela secreta e roteirista de filmes como Missão impossível) consegue entregar algo diferente com muita imaginação e energia. Muito mais do que esperava ver em um filme como esse.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

LOOPER - ASSASSINOS DO FUTURO


NOTA: 8.
- Viagem no tempo ainda não foi inventando, mas em trinta anos vai ser. Instantaneamente será considerada ilegal e usada somente por organizações criminosas. Quando essas organizações precisam que alguém suma, eles mandam pro nosso tempo. 

Quando assistimos um filme sobre viagens no tempo, em geral você deixa todas as regras do mundo onde vive do lado de fora da sala de cinema. Aqui, há ainda um outro porém. O filme pede que além de acreditarmos nos saltos temporais, temos que acreditar também que Joseph Gordon-Levitt vai se transformar em Bruce Willis daqui há trinta anos. Acredite, essa é com certeza a parte mais difícil de acreditar no filme inteiro. No momento que você aceita isso, o resto do filme segue sem problemas.
Por isso é que você pode começar a ver o filme e demorar a reconhecer Grodon-Levitt. Pelo visto, os realizadores sentiram a necessidade de o transformar fisicamente para que de alguma forma a diferença não parecesse tão gritante. Naturalmente, nem mesmo ele poderia dizer que Willis poderia ser ele mesmo no futuro. O resultado fica um pouco estranho para o meu gosto. Antes, o diretor colocou os nada parecidos Adrien Brody e Mark Ruffalo como irmãos e nenhum dos dois usou maquiagem. O resultado foi melhor nesse caso pois não causa distração.
O filme se passa em 2044. Ainda não existe viagem do tempo nessa data, mas existe 30 anos depois disso. As viagens são (serão) usadas por organizações criminosas que mandam pessoas do futuro que precisam sumir. Assassinos como Joe (Levitt) esperam para que a pessoa apareça, mata e some com o corpo. Cada viajante volta com barras presas ao corpo, que servem de pagamento pelo trabalho executado. Até que Joe se vê diante dele mesmo mais velho, interpretado por Willis. Velho Joe coloca o novo Joe pra dormir e parte numa caçada. A menos que o novo Joe possa matá-lo, toda uma organização irá caçá-lo para que possam eliminar o problema. Tudo o que acontece com novo Joe, reflete no velho Joe.
Além de Joe(s), temos ainda um Jeff Daniels que comanda a caçada como líder da organização, e uma Emily Blunt que mora numa fazenda com o filho pequeno. Mãe e filho tem estranhos poderes e podem mover objetos, e a criança é um dos possíveis alvos do velho Joe em sua caçada. O filme é interessante apesar de tanta coisa que é jogada na tela. Apesar de em certos momentos ficar um pouco confuso e com excesso de personagens, Rian Johnson (roteirista e diretor) não deixa de lado o mais importante, que é contar a história. E faz isso com muito estilo.
O resultado poderia ser um pouco mais interessante se os personagens principais fossem mais interessantes (na tentativa de deixá-los intrigantes, eles acabaram ficando irritantes). É somente quando novo Joe se encontra com Sara (Blunt) na fazenda que o personagem ganha um pouco mais de profundidade, o que é interessante mas me faz sentir falta de momentos como esse em outros momentos do filme. Mas há muita energia e referências a antigos filmes, como o fato de Joe encontrar sua namorada num lugar de mesmo nome onde os protagonistas de Casablanca se encontraram. É um entretenimento com estilo e personalidade.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

LINCOLN


NOTA: 10.
- Cada um de nós tornou possível que o outro fizesse coisas terríveis.

Estranho que os filmes  americanos, geralmente uma forma de arte bem democrática, não desenvolva melhor o seu próprio "histórico democrático". Normalmente, o que vemos são presidentes, que não existem,  transformados em verdadeiros heróis de ação, sábios impassivos ou até mesmo completos imbecis. Há ainda o caso do próprio Lincoln que anteriormente foi transformado em um caçador de vampiros capaz de usar um machado com extrema habilidade. Habilidade tamanha que poderia fazer diferença em batalha.
É assim e quase como uma regra, mas não podemos esquecer que toda regra tem suas exceções, e uma dessas exceções é este maravilhoso filme do diretor Steven Spielberg. O filme, a grosso modo, se trata do presidente tentando angariar a quantidade necessária de votos para aprovar a lei que aboliu a escravidão durante a Guerra de Secessão (também conhecida como Guerra Civil Americana). Claro que o filme aproveita esse episódio para descrever muito mais do que isso. O que o diretor faz, é mostrar a grandiosidade de um grande personagem e tudo que precisamos saber para entendê-lo (e quem sabe admirá-lo) sem precisar passar pela sua vida inteira. E como bônus, poucos filmes atentaram tanto para os detalhes que fazem parte da política.
Interpretado maravilhosamente por Daniel Day-Lewis, Lincoln é confiante, paciente e profundo conhecedor dos jogos políticos. Ele tem os pés no chão e faz o que acha necessário, desde que não manche sua ética, para atingir seus objetivos. Ele pode não apresentar grandes traquejos sociais, mas é muito inteligente, conhecedor da natureza humana e tem sempre uma história na ponta da língua que possa servir para convencer as pessoas de seu ponto de vista.
Aqui entra um dos trunfos do filme, que está ligado ao que eu disse sobre o filme se tratar sobre assuntos mais diversos do que aparenta. Lincoln considerava a escravidão um ato imoral contra um ser humano em uma época em que muitos sequer consideravam os escravos humanos, mas seu interesse ia além disso. Ele apressa a votação da 13ª Emenda (emenda que abolia a escravidão) porque sabia que se esperasse o final da guerra, ele não aprovaria depois; e também porque dessa forma ele iria reduzir a principal fonte de renda de seus inimigos. E dentro desse jogo político, entram os ótimos Tommy Lee Jones como o mais poderoso político abolicionista e David Strathairn como o secretário de estado.
Spielberg parece ter uma fixação pela guerra. Por isso que, mesmo que o filme tenha muitos campos de batalha sem mostrar batalha, ele não consegue evitar que o início do filme comece sangrento no meio de um lamaçal. Depois disso, o filme foca apenas na parte política de Washington, que é mostrada em cores com tons marrom na fotografia sempre sensacional de Janusz Kaminski, diretor de fotografia que há muitos anos faz parceria com o diretor.
Ao mesmo tempo, Day-Lewis parece ter uma fixação pelo Oscar. Seu Lincoln tem uma fala mansa que parece poder convencer qualquer pessoa. Sua expressão é cansada e envelhecida pelos anos de guerra que o consomem, e seu corpo curvado como se não tivesse mais condições de andar totalmente ereto. Ele não quer que ninguém mais morra nessa guerra. Ele sente pelas mortes e Day-Lewis encarna isso tudo perfeitamente e faz parecer fácil. E estamos falando do mesmo homem que já interpretou papéis díspares como o Açougueiro no filme de Scorcese e um "moicano". Talvez não haja nada que ele não possa fazer.
É uma aula de história, ainda que não pareça uma. Pelo menos nunca tive uma aula de história que tivesse me prendido tanto. Que tenha me deixado tão interessado. O filme termina tão logo o presidente é assassinado, mas nem acho que essa cena seja necessária. O filme poderia ter acabado com o fim da escravidão e da guerra, que é o verdadeiro legado de Lincoln. Talvez com a leitura em voz alta da Emenda (não ouso dizer que lê). Ele não entrou pra história porque foi assassinado, mas acho que se não houvesse essa cena grande parte da plateia poderia ficar decepcionada. De qualquer forma, é um filme para ser visto mesmo por quem não é fã de história. Para mim, é ainda mais gratificante assistir esse filme depois de ter assistido recentemente O nascimento de uma nação, pois assim posso desassociar a imagem do ex-presidente americano de um filme tão racista.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

BATMAN: O CAVALEIRO DAS TREVAS RESSURGE - THE DARK KNIGHT RISES


NOTA: 9.
- Nós estávamos nisso juntos, e então você sumiu. Agora com essa maldade, Batman deve retornar.

Os dias dos filmes dos super-heróis convencionais ficaram para trás. Christopher Nolan elevou o gênero a um novo patamar com um filme que poderia se passar em um futuro apocalíptico ainda que não pareça muito diferente de algumas notícias que temos nos jornais dos dias de hoje. É nesta Gotham City ameaçada por um terrorismo que praticamente destrói a cidade inteira que Bruce Wayne deve sair da sua aposentaria e reclusão para retornar ao uniforme de Batman, que é provavelmente a única chance de derrotar esse terrível mal.
O resultado é um filme muito ambicioso para concluir a trilogia mas que infelizmente acaba não superando o filme anterior. Pra minha surpresa, este novo filme peca na falta de duas coisas que fizeram grande diferença antes: um pouco mais de humor e mais Batman. No segundo filme, o vilão Coringa, brilhantemente interpretado por Ledger, ainda que fosse um psicopata apresentava humor à trama, ao contrário do sempre sisudo Bane interpretado por Tom Hardy. Fora que a máscara que cobre sua boca tira grande parte de sua personalidade. E Batman parece um coadjuvante em seu próprio filme. Ainda que vejamos bastante Bruce Wayne durante a trama, o herói faz apenas algumas participações antes do clímax do filme.
Bane evoca um homicida que segundo nos é dito, é "mal puro". O problema é que é tão misterioso que fica difícil de saber o que realmente o motiva. O que tem de comum com o Coringa, são os planos meticulosamente planejados e que parecem à prova de falhas, mas que nunca parecem visar algum lucro. Apesar de ser o menos carismático dos novos vilões de Batman, ele deve igualar em tempo de aparição nas telas com Batman e Bruce Wayne juntos.
Ainda bem que o filme é grande o suficiente para introduzir um novo policial chamado Blake (Joseph Gordon-Levitt), dois interesses românticos para Wayne e bastante tempo para os ótimos regulares da série, como Lucius Fox (Morgan Freeman), Gordon (Gary Oldman) e em especial o mordomo Alfred (Michael Caine), extremamente eficaz nas cenas de maior emoção do filme e roubando a cena. Dos interesses românticos, temos a sempre enigmática Mulher Gato (Anne Hathaway) e Miranda Tate (Marion Cotillard), como uma milionário que tenta reerguer as empresas Wayne depois de um golpe de Bane.
A introdução de tantos personagens, porém, faz com que o filme acabe se alongando um pouco na primeira metade do filme, e me fez perguntar em certo momento o que cada personagem estava fazendo. Mas apesar de começar um pouco "lento", na verdade tudo é apenas uma preparação para o espetacular segundo ato do filme, que inclui a prisão onde Bane foi criado e uma guerra urbana para decidir o futuro de toda a cidade.
Apesar disso, é preciso enaltecer o trabalho feito pra essa trilogia. Não me lembro de outro caso em um super-herói tenha alcançado três ótimos filmes, já que geralmente no terceiro as coisas parecem dar errado por alguma razão. Aqui temos um filme sombrio e pesado que vai ao limite do que um herói parece ser capaz de suportar. Como disse, pode não ser tão bom quanto o filme anterior (que é, para mim, o melhor filme de super-herói já realizado), mas com certeza é um final maravilhoso e bastante tenso para uma trilogia fantástica.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

50% - 50/50



NOTA: 9,5.
- Tá vendo? Isso é besteira. Todo mundo fica me dizendo desde o início: "você vai ficar bem" ou "tudo vai ficar bem". Isso só piora tudo. Só piora que ninguém vire pra mim e diga: "Sinto muito mas você vai morrer".

É comum termos filmes com pessoas doentes, seja com câncer ou outro tipo de doença. O problema é que pessoas jovens não deveriam ficar doentes e morrerem. Claro que é triste para qualquer pessoa nessa condição, mas deve ser especialmente difícil quando você tem seus 20 e poucos anos com uma vida inteira pela frente e descobre que tem um tipo de câncer que tem 50% de chances de acabar com ela. Pior ainda se a notícia for dada por um médico sádico que trata o assunto como se fosse a coisa mais trivial do mundo. Ele pode tratar de muitas pessoas com câncer, mas nunca deve ter parado pra analisar como o paciente se sente recebendo uma notícia dessas? Até me pergunto se ele não podia dizer que seu paciente tem 60% de chances de viver. Será que esses 10% não fariam diferença?
É isso que acontece com Adam (Joseph Gordon-Levitt), um jovem que trabalha em uma estação de rádio com seu amigo Kyle (Seth Rogen). Ele se queixa de umas dores nas costas e vai no médico para descobrir qual é o seu problema. O médico vai balbuciando palavras em um gravador onde Adam capta apenas algumas palavras. O suficiente para obter uma resposta de forma seca: ele tem um raro tipo de câncer na coluna e suas chances são de 50%.
O filme tem uma mulher que pode ser o interesse romântico de Adam, mas o filme não é sobre isso. O filme é sobre como os amigos Adam e Kyle lidam com a doença juntos. O roteiro foi escrito por Will Reiser, um produtor que escreveu pela primeira vez um longa. Ele próprio foi diagnosticado com a doença e ajudado por seu amigo Seth Rogen. Foi Rogen quem o incentivou a escrever esse roteiro e talvez por isso o filme pareça tão honesto. Faz diferença quando é escrito com coração.
É com Kyle que Adam pode realmente contar. Ainda mais do que a própria namorada, Rachael (Bryce Dallas Howard), que mora com ele. E pior ainda, ele vai descobrir que ela nunca foi alguém com quem realmente pudesse contar mesmo antes da doença. Ela provavelmente gostaria de dizer que não quer passar por isso com ele, mas o que as pessoas iriam dizer? É provável que ela tenha ficado ao lado dele porque a sociedade diz que é a coisa certa a se fazer, mas essa não é uma situação pela qual alguém gostaria de passar.
É também com sua mãe, Diane (Anjelica Huston), que ele pode contar. Mas ele mesmo, que em certos momentos parece não ter paciência com ela, não parece querer envolvê-la muito nessa questão. Talvez seja porque ela é superprotetora, ou talvez seja porque ela já tenha que cuidar do pai dele que sofre de Alzheimer. O que parece importante é saber que nesses momentos a mãe é uma pessoa com quem você possa sempre contar não importa como a vida dela esteja.
Ainda tem outros dois personagens importantes. Um aparece quando Adam vai às sessões de quimioterapia e conhece outros pacientes, entre eles Alan (Philip Baker Hall). Alan dá a Adam verdades sobre a doença deles. Sem florear nada. Ele já aceita sua situação e sabe que deve morrer em breve. A outra é a (muito) jovem Katherine (Ann Kendrick), a terapeuta que tenta ajudá-lo, mas pouco sabe sobre a vida ou mesmo como lidar com a doença.
Talvez por sua experiência em seriados de TV, Reiser escreve o filme como se fosse um. Mas a grande vantagem dele é que não termina como se fosse. Ao invés de manter o tom de comédia até o fim do filme, Reiser assume a tragédia do que pode acontecer. Já conhecemos bem os personagens e estamos preparados para acompanhar o desfecho, mas ainda assim ele não vem de forma fácil. Como disse antes, é um filme feito com coração de quem já passou por uma situação como essa. Talvez fosse melhor que nos cinemas as coisas acontecessem de forma menos trágica, mas esse não é um filme como os outros.
Se esse filme caísse em outras mãos, eu poderia dizer que o personagem interpretado por Joseph Gordon-Levitt seria um tipo intragável. Mas conforme o tom de comédia vai diminuindo e o filme vai ficando mais emotivo, é Levitt quem nos impulsiona a continuar assistindo o filme. Ele é talvez o mais natural e menos afetado ator da sua geração, e num filme como esse, isso faz muita diferença. No final, o que temos é um ótimo filme feito com coração e honestidade.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

A ORIGEM


NOTA: 10.
"Sonhos parecem reais enquanto estamos nele. É só quando acordamos que nos damos conta que algo estava estranho." Cobb

Diz-se que (o diretor e roteirista) Christopher Nolan passou 8 anos escrevendo o roteiro deste filme. A história não parece improvável se analisarmos a carreira que ele construiu. Nolan estourou quando lançou Amnésia, depois lançou Insônia antes de assumir a franquia de Batman. Ele ainda intercala cada filme da franquia com outro. Primeiro com O grande truque agora com A origem. Cada filme lançado mais ambicioso que seu antecessor, como se ele estivesse se preparando para este momento.
Alguns podem reclamar que é um filme ambicioso demais, mas eu discordo. Nem todo filme precisa ser despretencioso, ainda mais quando se trata de um diretor que tem algo a dizer. E se tem alguém hoje que tem algo a dizer é ele. E ele se preparou para chegar a esse ponto, o ponto de poder contar com dois vencedores de Oscar (Michael Caine e Marion Cotillard) e cinco indicados (Leonardo DiCaprio, Tom Berenger, Pete Postlethwaite, Ken Watanabe e Ellen Paige) para compor seu elenco.
DiCaprio vive Cobb, um especialista em entrar nos sonhos alheios para roubar informações. Ele se envolve em um trabalho para roubar informações de Saito (Watanabe), mas não se dá bem e acaba mais encrencado do que já estava, afinal ele já tem um problema que o impede de voltar aos EUA. Saito lhe propõe um "último trabalho". Ele pede que Cobb insira uma idéia na mente de seu concorrente, Fischer (Cillian Murphy), em troca todos as acusações serão retiradas. Apesar de todos dizerem que é impossível, Cobb diz que pode fazer.
Assim ele começa a juntar sua equipe: seu parceiro de sempre Arthur (Joseph Gordon-Levitt, ótimo), Eames (Tom Hardy), que personifica pessoas em sonhos, Yusuf (Dileep Rao), um químico e Ariadne (Page), que deve construir o lugar onde o sonho se passará, a arquiteta. Não por acaso, Ariadne é também o nome da personagem mitológica que ajudou Teseu a sair do labirinto do minotauro. Eles devem ajudar Cobb a plantar a idéia, o que por si só já é complicado por não saberem o que encontrarão na cabeça dele, além disso há a presença de Mal (Cotillard), que invade sonhos também e sempre atrapalha Cobb.
Mais que isso não vou dizer sobre o filme, para não estragar o prazer de assistí-lo. Parece complicado, mas é muito mais fácil assistir do que explicar o filme, tal qual um sonho, quando faz sentido quando você está presente. Por isso, até mesmo acredito que seja difícil de estragar o prazer de assistir o filme. Mesmo que contasse o final, ainda assim ele não perderia sua graça. Ele parece blindado contra isso. Em parte, talvez, por parecer tão original quanto não se via um filme em muitos e muitos anos.
De qualquer forma, se quer um entretenimento inteligente, esse é o seu filme. E cuidado para não perder um segundo do filme, há detalhes vitais que não vai querer perder. Uma jóia rara que Nolan esculpiu que vai além de todos os seus trabalhos anteriores. Ainda melhor porque ele não sucumbiu aos efeitos 3D. Está ótimo do jeito que está. Lembro que em Amnésia ficava me perguntando como alguém que sofre de perda de memória recente sabe que tem esse problema. Porque não esquecia no minuto seguinte que lhe contavam isso. Aqui, não fiquei me perguntando nada. São duas horas e meia de ótimo entretenimento que passam antes que possa perceber.

PS: Dizem que a construção do sonho lembra a estrutura de fazer filmes. Saito seria o estúdio, que encomenda o produto e que supervisiona tudo. Arthur seria o produtor, responsável para que o resultado saia como o esperado. Cobb é o diretor, que comanda como será que o sonho se desenrolará. Ariadne é a contratada pelo roteiro enquanto Eames seria o ator e Yusulf o técnico de efeitos especiais. Numa parte mais exagerada, Fischer seria o público, que sente a experiência.

domingo, 8 de novembro de 2009

(500) DIAS COM ELA


NOTA: 9.

"O que se passa a seguir é uma obra de ficção. Qualquer semelhança com pessoas vivas ou mortas é mera coincidência. Especialmente você, Jenny Beckman. Sua vadia." Nota do autor.

Tem uma coisa que sempre vejo acontecer quando alguém conta uma história, que é ver a pessoa voltar pra algum evento anterior do que está contando na hora. Algum detalhe que estava faltando e que se não for contado, vai acabar com a compreensão de tudo. Isso faz com que a história nem sempre seja contada na ordem correta dela.
Ao meu ver, a culpa é nossa. Não que tenhamos uma péssima memória ou porque a história esteja sendo esquecida. Acredito que seja por conta das coisas que lembramos. Nem sempre lembramos das coisas como elas são, e muitas vezes não na ordem cronologicamente certa, mas sim pelo que mais nos impactou. É mais ou menos assim com esse filme, onde logo no início, sabemos como vai terminar. Resta descobrirmos o "porquê".
Ele não começa com o casal se conhecendo e se apaixonando. Ele começa com o casal sentado num banco em uma praça. Para Tom esse talvez seja o evento mais importante que ele lembra. Só ao final do filme vamos saber o contexto dos dois. Até temos cartelas que indicam qual o dia que vamos ver a seguir, mas acredito que isso seja desnecessário. Um mero capricho para o espectador.
Tom (Joseph Gordon-Levitt) trabalha em uma firma de cartões. Sua carreira de arquiteto nunca decolou, e ele se satisfez com o emprego que paga suas contas. Um dia ele conhece Summer (Zooey Deschanel, e o motivo pro nome original do filme: (500) Days of Summer), a nova assistente de seu chefe. Ele se apaixona por ela instantaneamente. A contagem começa no momento em que ela a conhece.
Tom é totalmente previsível. Logo de cara fica claro que ela é mais do que ele pode ter. Já Summer é um total mistério. Até mesmo porque talvez o filme seja contado pelo ponto de vista dele. Só o que é facilmente visto de seu ponto de vista, é que ela é totalmente honesta com ele. Sempre. Tom é que insiste no relacionamento. E insiste em mais do que a moça oferece. Desde o início se percebe que é Tom que tenta lutar contra a realidade.
Tudo no filme funciona maravilhosamente bem: ele é leve e divertido de assistir, em várias partes é engraçado, o casal protagonista funciona bem e a trilha sonora é ótima (talvez por conta do diretor Marc Webb que estréia nesse filme em longa e vinha de uma carreira em videoclips). E ao mesmo tempo que é romântico, mantém um pé na realidade. Como o próprio Tom anuncia logo no início do filme, essa não é uma típica história de amor. Por isso que pode ser tão bom assistí-lo.

(500) Days of Summer. Ano: 2009. Duração: 95 minutos. Com: Joseph Gordon-Levitt, Zooey Deschanel e Geoffrey Arend. Direção: Marc Webb; Roteiro: Scott Neustadter e Michale H. Weber; Música: Mychael Danna e Rob Simonsen; Fotografia: Eric Steelberg; Edição: Alan Edward Bell.

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

G. I. JOE: A ORIGEM DE COBRA – G. I. JOE: THE RISE OF COBRA




NOTA: 5,5.

Tecnicamente não existimos. Não respondemos a ninguém. Quando tudo mais falha, nós não falhamos.”
General Hawk


G. I. Joe é um filme com cerca de duas horas com muita ação e testosterona e, proporcionalmente, pouco cérebro. Inspirado em uma série de bonecos de mesmo nome nos EUA e conhecidos no Brasil como Comandos em Ação, o filme é mais um dos saudosistas produtos que ganham versão atualizada para o novo século.


Acompanhamos uma superforça contra o terrorismo conhecida como Joes. Eles têm equipamento de altíssima tecnologia e os melhores agentes de todas as partes do mundo (ao contrário do desenho que era uma equipe exclusivamente americana). Eles lutam contra os Cobras, facção terrorista que pretende criar uma nova ordem mundial que são igualmente evoluídos tecnologicamente, mas sem o senso moral dos mocinhos (o que os torna mais perigosos).

O começo da peleja entre os dois, gira em torno de uma nova “nanoarma”, que destrói metal facilmente e vai avançando de forma acelerada até que seja desativada por quem a lançou. Criada secretamente pelos Cobras, eles entregam para a OTAN para que possam roubá-las de volta sem que levem a culpa pelo sumiço delas, já que foi a Organização que financiou a nova arma. Em posse das armas, o plano é lançá-las contra as principais capitais: Pequim, Washington, Paris e Moscou e criar pânico no mundo inteiro, para que eles se voltem a pessoa com mais poder no mundo para estabelecer a tal nova ordem mundial.

A história é contada com explosões a cada cinco minutos e cenas de ação de tirar o fôlego. O que contribui para que não se pense muito nos problemas da história, como: 1) Quem financia os Joes (eles tem uma superbase debaixo da areia no deserto do Egito, tecnologia de bilhões de dólares e recursos ilimitados)?; 2) Por que tem um ninja japonês em cada equipe senão para lutarem entre si?; 3) O mesmo posso perguntar sobre o fato de ter apenas uma mulher em cada equipe; 4) Pra uma unidade que não responde a ninguém, por que eles são banidos da França? Eles não deveriam estar prevenidos contra isso (você não veria um MIB sendo preso)?; 5) Se o gelo do meu copo d’água bóia, por que no Ártico (base dos Cobras) ele afunda?; 7) Como um jato que voa a Mach 6 alcança um míssel que vai em direção a Moscou e ainda consegue alcançar outro em Washington sendo que os mísseis vão a velocidade Mach 5; entre outras perguntas mal respondidas.

Como eu disse: muita diversão e pouco cérebro. Não pode-se esperar muito de um filme desse tipo ou mesmo de um filme de Stephen Sommerts, cujo melhor filme é ainda A Múmia, o que não diz muita coisa, mas pelo menos ele conduz as cenas de ação com maestria. Ignore as leis da física e a lógica e pode curtir bastante esse filme. Principalmente os marmanjos.
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