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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013

O LADO BOM DA VIDA - SILVER LININGS PLAYBOOK


NOTA: 9,5.
- Sabe. Por um tempo eu achei que você era a melhor coisa que aconteceu comigo. Agora estou começando a achar que é a pior. Eu lamento ter te conhecido.

Depois de um tempo afastado da direção de filmes, David O. Russel volta ao trabalho em boa forma. Depois de sua indicação em 2011 por O vencedor, ele é novamente indicado esse ano por este filme. Pessoalmente, não gostei muito do filme anterior, mas aqui ele acerta em praticamente tudo, em especial pra mim por ter personagens principais realmente interessantes e que prendem a atenção do espectador desde o início até o fim.
Acompanhamos principalmente os altos e baixo do personagem interpretado por um (indicado ao Oscar) Bradley Cooper muito inspirado. Talvez não seja o suficiente para lhe render uma estatueta, já que concorre com nomes de peso que também estão muito inspirados, mas ele está bem o suficiente para mostrar que seu sucesso não ocorreu por acaso. Seu personagem é Pat Soletano Jr., que acaba de sair de uma instituição mental depois de um violento incidente envolvendo sua esposa e o amante dela. Decidido a recuperar sua vida, e a ex-esposa, ele entra numa disciplinada rotina de treinamento para perder peso e de leitura.
Apesar de seu esforço, logo de cara dá pra perceber que ele não está bem, se é que um dia ele já esteve bem. Ter a esposa de volta se transforma em uma obsessão, e embora ele insista em dizer aos seus pais que tudo vai terminar bem nada parece indicar que isso realmente vá acontecer. Sua mãe parece ser uma pessoa sã e carinhosa com seu filho, mas o principal é que ela parece acostumada com o seu comportamento porque seu marido, Pat Sênior (Robert De Niro) também tem comportamento violento que o levou a ser banido dos estádios, e agora assiste os jogos do seu time na TV cercado de supertições e TOC com a posição dos (muitos) controles remotos.
Um amigo tem a ideia de o apresentar à Tiffany (Jennifer Lawrence, também indicada e no caminho para se tronar a melhor atriz da sua geração). Por que seu amigo acha que Pat pode se dar bem com ela? A resposta é fácil: ela é tão louca quanto o próprio Pat. Ela é uma jovem viúva que também tem sérios problemas mentais e que só pioraram depois da estúpida morte de seu marido, e somente não foi internada porque o destino não quis. Ainda assim ela é a única no filme que consegue entender este homem, e de alguma forma ele também consegue entendê-la. Mas principalmente, ele sente a necessidade de estar com ela porque ela ainda mantém contato com sua ex-mulher.
Ela, porém, não vai facilitar para ele. Ele quer que ela entregue uma carta e ela diz que pode fazer isso, mas ele deve participar de um concurso de dança que ela se inscreveu. Entre as cenas do relacionamento estranho que os dois desenvolvem, temos ainda um Robert De Niro mais inspirado que o normal (não tanto quanto no começo de sua carreira, mas ainda assim chamando bastante atenção) e um Chris Tucker hilário como sempre e que finalmente resolveu fazer um filme fora da sua franquia de A hora do rush.
Uma das coisas mais interessantes do filme é a relação entre pai e filho que De Niro interpreta com Cooper. Pat júnior não é o único com problemas para resolver, mas de alguma forma os dois, de maneira surpreendente, conseguem estreitar os laços e criar um entendimento através de jogos de futebol americano e o concurso de dança. Claro que em um determinado momento, o filme vai se render às convenções de roteiro, mas isso pouco importa porque é tudo tão bem feito que não pode ser nada além de ótimo filme.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

MÁFIA NO DIVÃ - ANALYZE THIS


NOTA: 8.
- Qual é a minha meta aqui? Te transformar num mafioso feliz e bem ajustado?

Quando eu penso em um mafioso, não o imagino chorando sentado na frente de uma televisão por causa de um comercial sentimental. Por isso que Paul Vitti (Robert De Niro), um chefe de uma família de Nova York, se encontra em uma posição muito complicada em sua vida. Seus rivais, e talvez até mesmo seus aliados, não podem saber que ele está vulnerável. Se alguém descobrir, ele provavelmente vai se transformar num homem morto.
É por isso que Vitti bate à porta de Ben Sobel (Billy Crystal), um psiquiatra que basicamente só cuida de casos conjugais. "Você me conhece?", pergunta Vitti. "Sim", diz Sobel. "Não, não me conhece", responde Vitti. Este primeiro encontro define a relação entre os dois pela maior parte do filme. Sobel não pretende ajudar Vitti, já que se trata de um bandido, mas se não fizer pode ser apenas mais um na lista das pessoas que ele matou. E Vitti geralmente consegue o que quer. Conforme ele diz, só costuma ouvir "não" quando alguém lhe implora para não morrer.
Uma história cômica com esse teor, depende muito do seu elenco, e aqui os dois funcionam perfeitamente. De Niro brinca com habilidade da sua imagem de anos construída fazendo mafiosos em filme de Copolla, Scorcese entre outros, para fazer Vitti, um homem cujo elogios não se podem ser negados (com perdão do trocadilho) pelo psiquiatra de Crystal, que não parece ser muito competente mas que eventualmente vai acabar dizendo a coisa certa. 
O mais importante é a riqueza que os dois trazem a seus papéis. Fossem atores normais, talvez não fôssemos dar muita atençao à eles, mas o que acontece é que tomam dimensões além do que esperamos, e acabamos nos importando com eles. Talvez não muito, mas o suficiente para o filme se tornar mais interessante. Considerando que se trata de uma comédia e não um drama, talvez nos importemos tanto quanto devemos nos importar e continuar rindo.
Tratar Vitti não é uma tarefa das mais fáceis. Ele tem que ter cuidado porque se Vitti sentir que está ficando efeminado mandará matá-lo, é sequestrado no meio da noite quando está tentando se casar e até mesmo é atirado num tanque com tubarões quando diz a coisa errada. Para manter sua integridade física (a moral parece ter se perdido antes mesmo de ter conhecido Vitti), ele deve tentar curar o mafioso em horários estranhos e esperar que seu capanga Jelly o sequestre em qualquer momento de qualquer lugar para resolver uma emergência.
A grande graça do filme é a subversão dos filmes sobre a máfia. Eu nunca esperaria o "poderoso chefão" indo se consultar porque está com stress ou deprimido. Talvez o filme pudesse se perder por fazer tudo muito exagerado, mas ele mantém sua comédia na estranha relação entre os dois homens de mundo opostos. É uma boa comédia que nos apresenta mais do que possamos esperar. E um ótimo trabalho de um elenco bem escolhido.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

OS ESPECIALISTAS - KILLER ELITE



NOTA: 8.
- A guerra não acaba até que ambos os lados digam que ela acabou.

Falar que este é um filme de ação pode ser um pouco perigoso se considerarmos que um dos protagonistas do filme é o ator Jason Statham, o qual estamos mais acostumados a ver em filmes como Adrenalina e Carga explosiva. O problema é que esses filmes estão mais inclinados a terem constantes cenas de ação e pouca história. E este não é o caso aqui. Estamos diante de um filme que preza a construção de seus personagens com calma, deixando cenas de testosterona para o segundo plano.
Statham é Danny, um ex-SAS (a força especial britânica) que ganha a vida como assassino ao lado de Hunter (Robert De Niro) até que decide sair daquela linha de trabalho. Ele não quer mais ganhar a vida matando pessoas. O tempo passa e um dia ele recebe uma carta com Hunter preso em cativeiro. Um sheik quer vingança pela morte de seus filhos, e Danny deve realizar esses trabalhos para ter seu amigo e mentor de volta.
Logo no primeiro trabalho, eles já chamam atenção de outro grupo de ex-SAS, personificados principalmente por Spike (Clive Owen), que começa a caçar Danny e seu grupo por estarem eliminando colegas seus. O filme engenhosamente começa a mostrar como esses dois grupos que não se conhecem e nem tem muitos motivos para se odiarem começam a se caçar mortalmente. Eles poderiam simplesmente não dar a mínima para os acontecidos. Mas o que está em jogo é o profissionalismo deles.
Mais interessante ainda é que, pelo menos aparentemente, esta é uma história real. O filme é baseado em um livro escrito por Ranulph Fiennes e que ele diz ter se inspirado em experiências que ele mesmo teve, apesar de nunca ter tido uma confirmação oficial. Inclusive, o autor é também um dos personagens do filme. Se esses fatos são verdades ou não eu não posso afirmar, o que posso dizer é que várias vezes na vida nos deparamos com histórias e dizemos que aquilo só aconteceria em filmes. Para nós espectadores, não faz diferença alguma.
Apesar de não ser um filme no estilo que Statham está acostumado a fazer, seu papel segue a mesma linha dos outros filmes. Machão, carrancudo e de poucas palavras. Do outro lado temos um Owen que pela cara normalmente tendemos a vê-lo como mocinho, mas que mostra que pode ser um homem de sangue-frio também. Para completar o trio, De Niro continua se entregando a personagens pouco inspirados (e olhe que esse é o melhor em um bom tempo). Ele ainda é o mesmo ator que fez papéis memoráveis e com certeza ainda tem seus "poderes"guardados. Esse é o tipo de coisa que não se perde. Mas ele não parece muito confortável em usá-los. Só nos resta torcer para que ele o faça antes de se aposentar.
Gary McKendry faz uma boa estreia nos cinemas mostrando que tem tino para contar uma boa história. Ele sabe que ação que não é baseada em bons personagens e em um plot, está fadada a ser mais um filme esquecível ou até mesmo desnecessário. Por isso ele trabalha bem esses dois pontos. Esse é um filme que antes de tudo conta uma história. E eu gostei dela.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

GRANDES EXPECTATIVAS – GREAT EXPECTATIONS


NOTA: 8.
- Eu não vou contar a história do jeito que ela aconteceu. Eu vou contar do jeito que eu me lembro.

O (bom) diretor Alfonso Cuarón (Filhos da esperança) estava começando a aparecer em Hollywood quando resolveu atualizar a clássica história de Charles Dickens. A atualização acontece de forma tão radical, e corajosa, que o filme tinha tudo para não funcionar, mas funciona. Funciona principalmente porque se torna algo como uma "livre adaptação" do livro. A história vai ser contada como ele lembra, como diz. Seja do que lembra das suas memórias ou mesmo do livro.
Mesmo os personagens adotam diferentes nomes aqui, por isso Pip vira Finn (Ethan Hawke), um pobre garoto que cresce com duas mulheres que são um perigo para ele, principalmente considerando seu grau de ingenuidade. Uma é Dinsmoor (Anne Bancroft), que ficou louca depois que seu noivo a largou e só pensa em se vingar dos homens. De todos eles. Para isso, ela criou a sobrinha Estella (Gwyneth Paltrow), mas ainda que tenha sido avisado, ele não pode evitar de se apaixonar por ela.
Os dois não apenas são diferentes, mas também vem de mundos diferentes. Ela é a rica criada pela, digamos, excêntrica tia que lhe dá uma única, e estranha, missão de partir os corações dos homens. As duas moram numa mansão enorme, mas que está cada vez mais decadente. Finn é inocente demais para perceber como eles se opõe. Ele é pobre e criado pelo namorado da irmã depois que essa os abandona. Apesar de tudo isso, ele acha que pode "reescrever" sua história de forma que possa ficar com ela.
Ainda que Finn fique anos sem encontrar seu amor e deixe de lado seus interesses românticos, uma oportunidade surge para reavivar a chama. Um advogado aparece representando uma cliente que quer tornar seus sonhos em realidade: torná-lo um pintor famoso e expor suas obras em uma galeria em NY. Mesmo tendo parado de pintar, ele quer aproveitar a chance de se reinventar. De melhorar para ficar à altura dela, do seu grande amor. E eles voltam a se encontrar, mas desta vez ela está com outra "vítima".
Se imaginarmos que o filme funciona como dois blocos (um com Finn criança até sua separação de Estella com quem esteve quase toda sua vida, e outro com sua fase adulta tentando se mostrar digno de tê-la ao seu lado), o problema evidenciado é que a primeira parte é muito superior à segunda, ainda que seja bem mais curta. Falando de maneira mais simples, ele começa sendo um ótimo filme, mas termina "apenas" como um bom filme.
Apesar de não ser uma adaptação fiel à história do livro, ele surpreende por ser muito fiel à sua essência. A fotografia deixa o filme com um visual arrebatador. Apesar de ser uma história de fantasia, os personagens todos tem uma uma profundidade que dão uma nova dimensão ao filme. Mesmo Estella, a destruidora, mostra que tem muito mais do que ela deixa transparecer. Terminasse tão bem quanto começou, seria um filme excepcional.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

ENTRANDO NUMA FRIA MAIOR AINDA COM A FAMÍLIA - LITTLE FOCKERS


NOTA: 1.
- Eu vou prestar atenção em você.
- Eu tenho meus olhos também. Então eu vou prestar atenção em você... prestando atenção em mim.

A franquia parece ter se tornado um caça níquel rentável para os produtores e os atores do filme. Só assim para explicar a presença não apenas da dupla de protagonistas, mas também pela lista de coadjuvantes que vai aumentando a cada nova sequência. O mais estranho para mim é que uma franquia tão fraca como essa tenha conseguido chegar a tantas continuações. Não que os filmes anteriores sejam ruins, mas não achei nenhum engraçado o suficiente para esperar por mais um.
O primeiro tinha certa graça por apresentar o duelo de estilos entre um enfermeiro e um ex-operativo secreto da CIA que diz que é um florista aposentado. O segundo se superou um pouco ao introduzir os pais do enfermeiro interpretados por Barbra Streisand e Dustin Hoffman como um casal hippie mais diferentes ainda do ex-agente. Como fazer para superar as atuações inspiradas da dupla? A resposta dos realizadores é: nada. Por isso eles sequer tentam.
O filme começa com o genro preferido de Jack Byrnes (Robert De Niro) se divorciando da mulher. Acontece que esse genro era a esperança de ter um homem capaz que possa liderar sua família quando ele se for. Quando tem um infarto, ele acredita que deve tornar Focker (Ben Stiller) nesse tipo de homem. Por isso, a vida íntima de Focker fica de novo sob o microscópico olhar de Byrnes, que analisa sua relação com Andi Garcia (Jessica Alba), a obra de sua casa feita por Randy Weir (Harvey Keitel) e a festa de aniversário dos seus netos gêmeos.
Tenta-se tirar alguma graça com o nome do personagem de Alba (Andy/Andi Garcia), com Hoffman aprendendo a dançar flamenco e o programa de Streisand na TV onde ela fala de sexo (em especial sobre Focker). Não achou graça? Pois isso é o que o filme tem de melhor para oferecer. A paixão de Kevin (Owen Wilson) pela mulher de Focker gera uma tatuagem dela em seu corpo. Já para De Niro, resta uma piada sobre ereção e para Stiller ser chamado de "The Godfocker" (referência ao nome original de O poderoso chefão, The godfather) e ficar agindo como se fosse um mafioso com seu filho. Falhar em ter uma boa história é uma coisa, mas uma comédia sem um boa piada sequer?
Talvez esperava-se que o diretor Paul Weitz mostrasse sensibilidade o suficiente para equilibrar a comédia com o romance, e olha que existem pelo menos três casais para isso, mas ele falha miseravelmente. A história é confusa e tem muitas subtramas que atrapalham mais do que qualquer outra coisa. De Niro deve estar mais preocupado em contar seus milhões e não em ler roteiros, por isso já emenda uma sequência desagradável de filmes. E nem a comédia de Stiller serve para alguma coisa aqui.

sexta-feira, 25 de março de 2011

SEM LIMITES


NOTA: 4.
- Sabe como dizem que só conseguimos acessar 20% do nosso cérebro? Se você pudesse ter total acesso a ele, o que você faria?

Um dia eu li que apenas usamos uma pequena percentagem dos nosso cérebros. Muitos podem especular os benefícios de poder usar uma percentagem maior do cérebro. É o que faz o diretor Neil Burger neste filme interpretado por Bradley Cooper e com Robert De Niro.
Cooper interpreta Eddie Morra, um escritor de livros fracassado, desleixado e com poucas habilidades sociais, além de exagerar um pouco na bebida. Apesar de sua inaptidão, ele consegue um contrato para escrever um livro. A única coisa que não consegue fazer é realmente escrever o livro.
Até que ele cruza com o irmão de sua ex-mulher que lhe oferece uma coisa. Uma pílula que permite que ele use todo o seu cérebro. Ele fica inteligente o suficiente para saber que tem que limpar seu apartamento. Além disso, ele começa e termina de escrever seu livro, vence as partidas de poquer, fascina todas as pessoas que encontra e ainda por cima vira uma espécie de guru da nova era da bolsa de valores. Basicamente, de um fracassado ele passa a ser praticamente um rei.
Sua ascensão o leva até Carl Van Loon (Robert De Niro), um empreendedor e provavelmente um dos homens mais ricos do mundo. Ou pelo menos do filme. As coisas complicam um pouco por causa do problema do estoque das drogas estar acabando justo quando ele está para fechar um acordo com Van Loon. Além disso, ele deu um comprimido para um perigoso agiota que gostou de ficar inteligente e agora fica fazendo chantagem para conseguir mais comprimidos. Como seu fornecedor não tem condições de fornecer mais, ele tem que dar do seu próprio estoque.
O filme foca muito no fato de abrir novas áreas do cérebro fazendo que a pessoa, na verdade, lembre de tudo que viu, ouviu ou leu em sua vida. Desde sua infância. Não é sobre inteligência, é sobre memória. O que me confunde um pouco. Ele faz muito dinheiro na bolsa de valores, e se tudo que ele leu na bolsa estivesse errado? Ou ultrapassado? E se até mesmo fosse uma mentira? Ainda assim ele conseguiria ganhar dinheiro? E se for tudo sobre informação, uma pessoa tendo um acesso a um dos maiores banco de dados do mundo, o Google, não conseguiria o mesmo efeito?
Eddie fica viciado nos comprimidos. Ele até conta com a ajuda da namorada que o dispensou quando ele era um fracassado e que volta a ele agora que é um homem de sucesso. Ela deve ter seus motivos, mas fica um pouco estranho. Então basicamente fica focado nos vícios do personagem, coisa que já vimos milhares de vezes antes e esse não traz nada de novo. Se pelo menos focasse nas consequências na sociedade ao invés de apenas nele, talvez tivéssemos algo novo.
Ele também fica confuso por causa dos comprimidos, mas é tudo muito estranho no filme. Não sinto que ele fica realmente confuso, tudo que vejo na tela é uma sucessão de belos jogos de câmera e muitos efeitos especiais. Pra piorar, De Niro é extremamente mal aproveitado e a virada do seu personagem vem tarde demais para ter qualquer proveito. Acaba que o verdadeiro destaque é realmente Cooper, que consegue interpretar bem as duas fases do seu personagem.
Eu sou como Eddie Morra. Eu sei muita coisa sobre tudo, só esqueci a maior parte. O filme é como nosso cérebro, apenas aproveita uma percentagem muito pequena do seu potencial. Há até mesmo um subplot sobre assassinato que não leva o filme a lugar nenhum e que não tem sequer conclusão. Talvez um dia, o tema seja melhor aproveitado.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

FOGO CONTRA FOGO


NOTA: 9.
- Eu nem sei mais o que estou fazendo. Todo o tempo que temos é uma sorte. Quer partir? Pode partir à vontade. Por conta própria. Ou por conta própria decida me acompanhar. E tudo o que eu sei é que não me importa ir para qualquer lugar sem você.

Lá pela metade do filme, temos Robert De Niro e Al Pacino se encarando em um restaurante. Somente os dois na mesa. Olhos nos olhos. Eles já tinham dividido a tela antes em O poderoso chefão parte II, mas nunca apareceram em uma mesma cena. Pacino estava no presente e De Niro no passado. Agora aqui estão os dois frente a frente pela primeira (e por enquanto a única que vale a pena) vez no cinema. Dividindo a cena.
De Niro interpreta Neil McCauley, um ladrão profissional e dos bons. Ele já foi preso uma vez e não pretende ir para a cadeia novamente. Pacino faz o policial Vincent  Hanna, um policial tão obcecado com seu trabalho que já arruinou 2 casamentos e está na fase final do seu terceiro. Seus casamentos duram tanto quanto a paciência de suas esposas em ficarem em segundo plano.
Hanna vira para McCauley e diz: "Não sei fazer nada além disso.", ao que ele responde: "Eu também não.". Esses homens são os melhores em sua áreas. São os contrapontos que precisam existir para o outro ter o motivo da sua própria existência. Eles precisam um do outro e não vão sobreviver um ao outro. Pelo menos um deles.
Um grande acerto do diretor Michael Mann é dar ao filme uma dimensão muito maior que seus personagens principais. Não lembro de ter visto em outro filme, uma atenção tão grande dada às mulheres dos bandidos ou dos policiais. A mulher de Hanna é um poço de amargura. Ela não quer se separar, ela quer machucar o policial. A mulher do associado de McCauley, Chris (Val Kilmer), é interpretada por Ashley Judd. Ela não parece ter problema com o fato de o marido ser um assaltante, o que realmente a incomoda é que ele perca o dinheiro deles com jogo. Se ela largá-lo, será por causa do vício, não da profissão.
McCauley acaba se apaixonando ao ver o que os outros tem e ele não. Ele infringe sua regra de não se apegar a nada que não possa largar em menos de 30 segundos. Essa é a regra que o tem mantido fora da cadeia. Em seu apartamento não há nada. Ele sequer mobiliou o lugar. Na cozinha, a única coisa na bancada é uma cafeteira. Não há nada lá que indique que justifique um segundo pensamento. E ele não pode largar Eady em menos de 30 segundos. Ou pode?
O que faz a diferença no filme é o roteiro e a direção de Mann. Este não é apenas um filme de ação, e cada diálogo há mais profundidade que o gênero exige. É a atenção de Mann aos detalhes que faz a diferença.
Mas não se engane. Este filme é sobre De Niro e Pacino. E quando eles estiverem frente a frente de novo ao final do filme, você vai ter certeza disso. O que importa é o encontro dos dois. Todo o resto é resto. E nada é mais justificável que esse encontro.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

MACHETE


NOTA: 3.
- Machete improvisa.

Os filmes de ação nunca primaram muito pelo talento de seus protagonistas. O sucesso do governador do futuro e de Sly são os maiores exemplos disso. Por isso não chega a ser uma grande surpresa ver Danny Trejo, aos 66 anos de idade, chegar a esse posto. Principalmente se levarmos em conta que se trata de filme tosqueira de Robert Rodriguez.
Alguns defensores do cineasta podem até mesmo reclamar do uso da palavra tosqueira associado ao seu nome, mas a sua filmografia é incontestável. Machete é apenas uma última afirmação junto com Planeta terror de exacerbar sua veia tosca.
Machete (Trejo) é um Federale mexicano que tenta prender um perigoso bandido chamado Torrez  (Steven Seagal) que tem toda a polícia mexicana e um senador (Robert De Niro) na sua folha de pagamento. Ele é deixado quase morto e abandona a polícia, fazendo bicos na fronteira dos EUA junto com tantos outros Mexicanos.
Até que um empresário, Booth (Jeff Fahey), o contrata para matar o senador. Acontece que tudo se trata de uma armação para elevar a popularidade do senador, e Machete acaba baleado e tentando descobrir a trama toda por trás disso. Isso com a ajuda de uma policial da imigração, Sartana (Jessica Alba) e uma mulher chamada Luz (Michelle Rodriguez, que não tem parentesco com o diretor) que ajuda os imigrantes.
Tentando fazer o filme ficar mais interessante, ele põe em xeque toda a questão da imigração ilegal e uma rede de ajuda aos imigrantes com um nome muito original: "A Rede". E por falar em original, a líder desse movimento é conhecida She, e pelo jeito que as pessoas pronunciam no filme é uma homenagem (ruim) á Che Guevara. Tudo recheado de muitas (e muitas) mortes, decapitações e multilações e daí por diante.
Se você se pergunta porque Trejo demorou tanto para se tornar protagonista, a resposta é rapidamente obtida. A falta de talento e de carisma chegam a assustar. Quando ele abre a boca a situação só piora. Ele parece uma versão mexicana ruim do Hulk, que balbucia palavras monossilábicas tentando formar frases como "Machete don't text" e Machete improvise". Um dos piores heróis que já vi no cinema.
E nem é a pior coisa do filme. Steven Seagal é ruim como protagonista de seus filmes, mas como vilão a coisa chega ao limite máximo da canastrice. Sua cena final é algo tão ruim que merece um prêmio. O único papel acertado é de Lindsay Lohan num papel quase auto biográfico. Ela faz a filha de Booth, uma adolescente mimada, rica, viciada que apenas se preocupa com ela.
Agora há os que dizem que o importante é ação, certo? Então isso não falta aqui. O filme é um festival de sangue que rapidamente fica cansativo. Já se perguntou por que no desenho dos Simpsons, a série que eles assistem de gato e rato dura apenas 30 segundos? Porque o excesso torna tudo muito cansativo de assistir.
E o problema não é só esse. As cenas de ação são das piores da carreira de Rodriguez. Elas são mal filmadas, sem dinamismo e sem imaginação. Na verdade, a palavra chave do filme é sem imaginação. Tão absurdo, que ele chega a praticamente copiar uma cena de A balada do pistoleiro
A história não ajuda o filme. Rodriguez mostra porque nunca foi um cineasta de primeiro escalão. Ele mal consegue amarrar uma história de forma satisfatória. Em uma parte, para poder seguir adiante com a trama, descobrimos que o irmão de Machete é um padre que filma as confissões que Booth faz em sua igreja. Triste.
 O final só complementa os problemas do filme. Tudo termina numa batalha confusa e pouco emocionante entre americanos, mexicanos, enfermeiras safadas e uma freira. Fica uma mistura estranha de comédia pastelão e filme de ação. E se espera que as mulheres gostosas façam o filme valer a pena, também vai se arrepender. As cenas com elas são tão mal filmadas quanto as de ação, e ao invés de sensuais ficam toscas.
O único alívio do filme é a interpretação de De Niro, que está impagável e faz milagres com a falta de um roteiro decente. 
Pra quem gosta de muito sangue e tosqueira é um prato cheio. Quem quiser qualquer coisa além disso vai se decepcionar.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

CORAÇÃO SATÂNICO


NOTA: 9.
“Quão terrível é a sabedoria quando ela não traz nada de bom para o conhecedor dela, Johnny?” Louis Cyphre
Ao final do filme, eu fiquei me perguntando se ele se tratava de uma história policial ou de um filme de terror. Acho que o mais correto seria dizer que se trata de um filme policial com requintes de terror, mas não consigo ter muita certeza.
Acompanhamos Harry Angel (Rourke), um detetive pé de chinelo que cuida apenas de pequenos casos. Na maioria das vezes, casos conjugais. Até ser contratado por Louis Cyphre (De Niro), um estranho homem que deseja procurar um soldado desaparecido e ex-roqueiro chamado Johnny Favorite.
Não é o tipo de caso a que ele está acostumado, mas Cyphre insiste e lhe oferece um bom dinheiro. O problema é que a busca por Favorite o leva pelo submundo dos EUA, incluindo uma trilha de cadáveres frescos que parecem o perseguir, fazendo que sua situação só piore e não possa largar facilmente o caso.
Falando assim, pode parecer apenas mais um filme policial como existem aos montes. De certa forma, até chega a ser. Então o que torna esse filme mais interessante? O sobrenatural. O diretor e roteirista entrega um filme onde as coisas não são o que parecem ser. O submundo do filme esconde muita sujeira e magia negra.
Por isso, o filme é levado até o limite tanto em sua forma visual quanto na atuação dos próprios atores. De Niro aparece com um longo cabelo negro, uma barba estranha mas cuidadosamente cuidada e unhas que lembram as do Zé do Caixão. Ele entrega um personagem enigmático com uma atuação inspirada, mesmo que tenha pouco tempo em cena. Quando o vir descascando um ovo, entenderá do que estou falando.
Ele conta ainda com Mickey Rourke, aqui, no seu auge. Ele entrega uma ótima interpretação de um homem que aos poucos vai perdendo sua razão por conta da situação. Incrível como um ator pode fazer sucesso apresentando personagens tão relaxados.
O filme é de 1987 e dirigido por Alan Parker, que já havia entregue a pérola O Expresso da Meia Noite, além de outros filmes como o musical infantil Quando as Metralhadoras Cospem e o Pink Floyd The Wall. Aqui, ele entrega um filme tão inspirado quanto seus antecessores.
No final do filme vem a revelação do mistério. Por mais estranho que pareça a revelação com seus toques sobrenaturais, ela faz sentido. Ainda que de forma distorcida. Mas somos perfeitamente capazes de aceitar. Porque o diretor nos prepara para ela com extrema habilidade. Pena que ele tenha diminuído consideravelmente seu ritmo de trabalho.
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