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quinta-feira, 5 de julho de 2012

OS MUPPETS - THE MUPPETS


NOTA: 8.
- Você sempre acreditou em outras pessoas, mas isso é fácil. Cedo ou tarde, você deve acreditar em você mesmo também, porque isso é amadurecimento. É se transformar no que você quer ser. Você deve tentar.

Durante boa parte da minha infância eu assisti os Muppets na TV, mas infelizmente em algum momento os personagens sumiram das telinhas. Como fazer para "ressuscitar" esses personagens que desapareceram antes mesmo de boa parte de sua audiência atual ter nascido? Acho que a ideia dos produtores era torcer para que seus personagens se mantivessem irresistíveis ao longo dos anos. Que eles continuassem irresistíveis para a nova Geração X.
Claro que os produtores não apostaram apenas na força dos personagens, fizeram também uma ótima campanha de marketing que incluía diversos trailers falsos que parodiavam filmes (Os homens que não amavam as mulheresOs vingadores, entre outros) que estavam para estrear. Mas o mais importante é que chegou às telas um filme bobo, terno e muito divertido. E ainda melhor, feito da maneira certa. Poderia ser fácil se render à novas tecnologias e fazer uns Muppets digitais, mas os velhos fantoches estão de volta do jeito que eram.
O último filme dos Muppets foi lançado em 1999 e não teve muito sucesso, o que fez com que não houvesse um clamor para mais um filme. E o próprio filme toma proveito da situação deles, de estarem esquecidos pelo público. Todos estão separados e os shows deles são coisa do passado. É um novo Muppet, que vive com um humano, que sente falta deles, e numa visita aos antigos estúdios ele descobre que estes serão destruídos por Tex Richman (Chris Cooper) a menos que consigam juntar 10 milhões. É este novo Muppet, Walter, que une o velho grupo novamente para levantar o dinheiro.
A tarefa não vai ser fácil, como uma executiva de TV os diz numa sinceridade absurda: "Eu sou fã de vocês. Assistia quando era criança, mas vocês não são mais famosos". Uma feliz coincidência faz com que eles consigam um espaço na programação para se apresentarem novamente. 
Walter é um personagem deslocado até encontrar os Muppets. Seu melhor amigo é Gary (Jason Segel), e os dois cresceram juntos e agora moram na mesma coisa. Gary namora Mary (Amy Adams), mas apesar da diferença entre os amigos eles continuam juntos. É óbvio, porém, que ele vá se sentir deslocado, ele é um Muppet vivendo entre humanos.
O filme não chega a provocar grandes gargalhadas, mas é muito divertido na maior parte do tempo, mas ainda há uma coisa que não mudou no passar dos anos: os Muppets tem personalidades distintas e grande presença nas telas (claro que isso é subjetivo). Hoje em dia, personagens digitais são capazes de realizar qualquer façanha, mas ainda é difícil criar personagens tão afetuosos quando esses fantoches.

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

GRANDES EXPECTATIVAS – GREAT EXPECTATIONS


NOTA: 8.
- Eu não vou contar a história do jeito que ela aconteceu. Eu vou contar do jeito que eu me lembro.

O (bom) diretor Alfonso Cuarón (Filhos da esperança) estava começando a aparecer em Hollywood quando resolveu atualizar a clássica história de Charles Dickens. A atualização acontece de forma tão radical, e corajosa, que o filme tinha tudo para não funcionar, mas funciona. Funciona principalmente porque se torna algo como uma "livre adaptação" do livro. A história vai ser contada como ele lembra, como diz. Seja do que lembra das suas memórias ou mesmo do livro.
Mesmo os personagens adotam diferentes nomes aqui, por isso Pip vira Finn (Ethan Hawke), um pobre garoto que cresce com duas mulheres que são um perigo para ele, principalmente considerando seu grau de ingenuidade. Uma é Dinsmoor (Anne Bancroft), que ficou louca depois que seu noivo a largou e só pensa em se vingar dos homens. De todos eles. Para isso, ela criou a sobrinha Estella (Gwyneth Paltrow), mas ainda que tenha sido avisado, ele não pode evitar de se apaixonar por ela.
Os dois não apenas são diferentes, mas também vem de mundos diferentes. Ela é a rica criada pela, digamos, excêntrica tia que lhe dá uma única, e estranha, missão de partir os corações dos homens. As duas moram numa mansão enorme, mas que está cada vez mais decadente. Finn é inocente demais para perceber como eles se opõe. Ele é pobre e criado pelo namorado da irmã depois que essa os abandona. Apesar de tudo isso, ele acha que pode "reescrever" sua história de forma que possa ficar com ela.
Ainda que Finn fique anos sem encontrar seu amor e deixe de lado seus interesses românticos, uma oportunidade surge para reavivar a chama. Um advogado aparece representando uma cliente que quer tornar seus sonhos em realidade: torná-lo um pintor famoso e expor suas obras em uma galeria em NY. Mesmo tendo parado de pintar, ele quer aproveitar a chance de se reinventar. De melhorar para ficar à altura dela, do seu grande amor. E eles voltam a se encontrar, mas desta vez ela está com outra "vítima".
Se imaginarmos que o filme funciona como dois blocos (um com Finn criança até sua separação de Estella com quem esteve quase toda sua vida, e outro com sua fase adulta tentando se mostrar digno de tê-la ao seu lado), o problema evidenciado é que a primeira parte é muito superior à segunda, ainda que seja bem mais curta. Falando de maneira mais simples, ele começa sendo um ótimo filme, mas termina "apenas" como um bom filme.
Apesar de não ser uma adaptação fiel à história do livro, ele surpreende por ser muito fiel à sua essência. A fotografia deixa o filme com um visual arrebatador. Apesar de ser uma história de fantasia, os personagens todos tem uma uma profundidade que dão uma nova dimensão ao filme. Mesmo Estella, a destruidora, mostra que tem muito mais do que ela deixa transparecer. Terminasse tão bem quanto começou, seria um filme excepcional.

terça-feira, 12 de julho de 2011

ATRAÇÃO PERIGOSA - THE TOWN


NOTA: 9.
- Não importa o quanto você mude, você ainda tem que pagar o preço pelas coisas que fez. Então eu tenho uma longa estrada. Mas eu sei que vou ver você de novo. Neste lado ou no outro.

Ben Affleck foi frequentemente criticado por suas atuações em seus filmes. Talvez isso o tenha impulsionado a ir para trás das câmeras e tentar dirigir um filme. Um grupo mais maldoso chegou a fazer uma campanha na internet para que ele não atuasse novamente, apenas dirigisse. Com a estréia de Medo da verdade, ele provou que podia ser um bom diretor. Com este filme, ele confirma a tese mostrando que é capaz de ter mais do que apenas um filme de sucesso.Não é que ele esteja reinventando o cinema, mas com certeza faz seus filmes com uma capacidade que impressiona.
O próprio Affleck interpreta o líder de uma gangue, Doug, que assalta bancos. Eles são a nova geração de assaltantes de uma parte de Boston que vem de famílias de assaltantes. Segundo vamos descobrir, aquele pedaço da cidade tem mais assaltantes que todo o resto do país. Um dos membros é Jem (Jeremy Renner). Eles sempre planejam seus roubos de forma a não deixarem rastros, mas Jem é um pouco mais descuidado e faz o que não deveriam fazer: ele leva uma refém, Claire (Rebecca Hall).
Eles soltam Claire ilesa, mas acontece que ele mora na vizinhança. Jem fica um pouco paranoico e decide que a melhor coisa é eliminar a ameaça, mas Doug promete cuidar do caso. Ele a segue e eles acabam se conhecendo e posteriormente tendo uma relação. O filme cresce bastante nessa parte, com a relação dos dois e as consequências dos atos do assalto. Até há a ótima participação de Chris Cooper como o pai de Doug. Infelizmente o filme perde um pouco de força e volta para mais crimes, incluindo uma força da polícia comandada por Jon Hamm que pretende prendê-los.
Affleck dessa vez está nos dois lados das câmeras (ele não atuou no primeiro), e não tem uma atuação que vá gerar reclamações. A surpresa está, além de Cooper (o que não chega a ser uma surpresa), em Renner, fazendo um papel totalmente diferente de Guerra ao terror, que lhe deu a fama. Ele é confuso, violento e imprevisível. E com certeza capaz de nos brindar com papéis ótimos por um bom tempo ainda. Não que o resto do elenco seja ruim (estão todos muito bem), é só que ele realmente merece um destaque.
Tem uma cena que exemplifica o que acabei de falar. Doug está num restaurante comendo com Claire quando Jem aparece. Os três se sentam e conversam. Ela quer saber mais do passado de Doug que é muito fechado. Ele quer saber como foi que os dois ficaram tão próximos já que ela representa perigo para eles (mesmo que ele não saiba que ela viu sua tatuagem). Sabemos o que pode acontecer, mas não sabemos o que Jem pode fazer, o que causa uma grande tensão na cena. Bem, se um filme atinge esse ponto de tensão é porque está fazendo alguma coisa certa.
Assim como no primeiro filme, Affleck mostra que tem o domínio do filme. Ele tira grandes atuações de seus atores, mantém um suspense e um ótimo clima. Só queria ter visto mais um pouco da tensão entre os personagens e menos tiroteios.

quarta-feira, 31 de março de 2010

ONDE VIVEM OS MONSTROS (WHERE THE WILD THINGS ARE)


NOTA: 6.
- Esse seria o tipo de lugar que somente as coisas que queremos que aconteçam, acontecem.

Spyke Jonze, diretor de Quero ser John Malkovich e Adaptação, realiza seu primeiro trabalho de direção de um longa metragem sem estar apoiado em um roteiro de Charlie Kaufman (roteirista dos filmes citados). Então não deve ser coincidência que este seja seu filme mais fraco. Não que seja um filme ruim, apenas não apresenta a essência que havia nos seus filmes anteriores, o que não deixa ficar difícil dizer quem era o cérebro da dupla.
Max é um garoto de 9 anos que mora com sua mãe e sua irmã. Talvez pela falta de um pulso firme para educá-lo, Max fica extremamente violento quando contrariado. Na primeira vez, quando um amigo de sua irmã destrói seu iglu, ele molha a cama da irmã e seu quarto em represália, pelo simples fato de ela não ter feito nada para defendê-lo. Depois que a raiva passa ele até se arrepende, mas mantém seu primeiro instinto.
Na segunda vez, tentando atrapalhar o encontro da sua mãe e seu namorado (Mark Ruffalo), ele acaba dando uma mordida no ombro da mãe e a machuca. Quando ela briga com ele, Max foge de casa (no livro ele apenas se tranca dentro de seu quarto). Depois de pegar um barco e parar numa ilha habitada por monstros, Max se transforma em rei do lugar. Claro que tudo não passa de fruto da sua imaginação, então tanto faz se seria um quarto ou uma ilha.
O livro original original tem apenas 10 sentenças. Pouco mais de 300 palavras no livro inteiro, que conta a história através de belíssimos desenhos ilustrados pelo autor do livro. No filme não temos as belíssimas imagens, então o diretor alonga a história para poder caber no formato de longa. O resultado não fica muito bom e o filme fica sempre parecendo mais longo do que realmente deveria ser.
Os monstros são o maior problema do filme. Primeiro que eles não convencem como monstros que podem arrancar a cabeça de alguém. Eles parecem mais aqueles mascotes de times de futebol que ficam animando a torcida. Sempre parece que é alguém desengonçado que está vestindo uma roupa inapropriada. Além disso, Jonze os transforma em cópias de seres humanos altamente problemáticos que deveriam ir a um psicólogo.
Talvez agrade mais a adultos que a crianças. Os adultos talvez lembrem de suas experiências quando crianças. Mais provável mesmo que não agrade a ninguém.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

ADAPTAÇÃO – ADAPTATION


NOTA: 8,5.
É um roteiro baseado num livro que não é uma adaptação do livro.
Deu pra entender? Não?
Bem. Vamos lá.

O filme conta a história do próprio roteirista que é contratado para adaptar o livro “The Orchild Thief”, de Susan Orlean. Kauffman nem ao menos usa um pseudônimo, usa seu próprio nome, porém, cria para seu “personagem”, um irmão gêmeo. O roteirista encontra muitas dificuldades em adaptar o livro para cinema, e suas indas e vindas nas idéias de como estruturar o roteiro estão sempre presentes no filme.

Nicolas Cage se despe de seu jeito canastrão habitual para compor dois personagens interessantes. Enquanto Charlie é introvertido e inteligente, seu irmão é mais extrovertido e menos inteligente. Brilhantemente, Kauffman coloca seu irmão estudando para ser um roteirista também, e ele escreve um roteiro de um filme policial onde o policial é o assasino. Um caso de dupla personalidade assim como o próprio roteirista. Interessante, não?

Entre as indas e vindas você acompanha a história do livro, que é muito curta e pouco interessante pra compor um filme por si só. Um filme sobre flores? Realmente parace muito do chato. Escrevendo o roteiro como escreveu, o filme fica muito mais emocionante ao mesmo tempo que se mantém fiel a história do livro. Na verdade, ele vai além e amplia a história do livro tornando o final muito melhor. Brilhante.

Kauffman realmente é um roteirista não convencional. E ele fez mais um belo trabalho aqui. Nos EUA, estreou um filme com sua marca também na direção. Mesmo que não se torne um ótimo diretor, sabemos que pelo menos o roteiro vai ser mais uma pérola.
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