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quarta-feira, 30 de junho de 2010

HOMEM DE FERRO 2


NOTA: 7.
"Se fizer Deus sangrar, as pessoas vão deixar de acreditar nele." Ivan Vanko

Claro que um filme que faz a bilheteria que o primeiro Homem de ferro fez vai ter uma continuação. Se cogitaram até mesmo continuações de filmes como O sexto sentido e Gladiador, com um personagem de história em quadrinhos não seria diferente. Assim, resolveram seguir também a fórmula das continuações: mantém o básico do primeiro com mais coisas pra chamar atenção da platéia. Ênfase no mais, claro: mais explosões, mais efeitos especiais e por aí vai.
Então basicamente fica a história do primeiro, o que, infelizmente, não deixa espaço para surpresas para a platéia e transforma o filme em mais do mesmo. O que pode parecer uma forma acertada de fazer o filme mas que o faz perder se o compararmos com outras segundas partes de franquias de quadrinhos, como O homem aranha, Batman e X-men, que superaram seus antecessores. Só se supera mesmo no humor, em grande parte por causa de seu roteirista (Justin Theroux, de Trovão tropical).
Como manda a cartilha, todo herói precisa de uma falha para ser explorada. Aqui, o material que fornece energia àquela placa no peito de Stark e o mantém vivo o está envenenando também, o que o levará a morte a menos que ele encontre uma alternativa. Ao mesmo tempo ele tem que combater um senador que quer a tecnologia da sua armadura e um concorrente na indústria armamentista, Justin Hammer (Sam Rockwell), mas seu problema real é Ivan Vanko (Rourke), filho de um cientista que proclama que o pai de Stark roubou tecnologia do pai dele.
Mudanças: Don Cheadle substitui Terrence Howard como Rhodey e o acréscimo de Scarlett Johansson como Viúva Negra. A substituição eu não entendi, já que Howard é também muito competente, então não foi grande a alteração, e o acréscimo serve mais para beleza que por outro motivo. A personagem de Johansson é meio desnecessária e só serve para dar golpes que giram pra um lado e pro outro sem fazer muito sentido.
Então resta falar do que o filme tem a mais que seu anterior. Primeiro devo destacar o elenco. Claro que um filme desse não precisa de muito talento, mas quando tem ele melhora um pouco. Downey dá seu show particular assim como a boa presença de Rockwell, mas quem surpreende aqui é Rourke, impressionando desde sua "ressurreição" e roubando a cena de cada filme que atua. As cenas de ação tentam ser melhores, pelo menos vemos que foi gasto muito dinheiro, mas não impressionam tanto e parecem desnecessárias. Pra se ter uma idéia, a melhor cena é uma das mais simples, quando Vanko destrói o carro que Stark está correndo. Mas desnecessária mesmo é uma cena onde Stark e Rhodey protagonizam um combate de armaduras.
Basicamente, (o diretor) Favreau dá um passo atrás em relação ao primeiro filme. Em parte, talvez, seja pela tentativa da Marvel de querer fazer logo um filme dos Vingadores e ele tenha que colocar subtramas e personagens para que isso aconteça (talvez também tenham exigido a tal batalha das armaduras). Não é um filme tão independente quanto o primeiro. Não que o filme seja ruim, só não consegui me empolgar com ele.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

CORAÇÃO SATÂNICO


NOTA: 9.
“Quão terrível é a sabedoria quando ela não traz nada de bom para o conhecedor dela, Johnny?” Louis Cyphre
Ao final do filme, eu fiquei me perguntando se ele se tratava de uma história policial ou de um filme de terror. Acho que o mais correto seria dizer que se trata de um filme policial com requintes de terror, mas não consigo ter muita certeza.
Acompanhamos Harry Angel (Rourke), um detetive pé de chinelo que cuida apenas de pequenos casos. Na maioria das vezes, casos conjugais. Até ser contratado por Louis Cyphre (De Niro), um estranho homem que deseja procurar um soldado desaparecido e ex-roqueiro chamado Johnny Favorite.
Não é o tipo de caso a que ele está acostumado, mas Cyphre insiste e lhe oferece um bom dinheiro. O problema é que a busca por Favorite o leva pelo submundo dos EUA, incluindo uma trilha de cadáveres frescos que parecem o perseguir, fazendo que sua situação só piore e não possa largar facilmente o caso.
Falando assim, pode parecer apenas mais um filme policial como existem aos montes. De certa forma, até chega a ser. Então o que torna esse filme mais interessante? O sobrenatural. O diretor e roteirista entrega um filme onde as coisas não são o que parecem ser. O submundo do filme esconde muita sujeira e magia negra.
Por isso, o filme é levado até o limite tanto em sua forma visual quanto na atuação dos próprios atores. De Niro aparece com um longo cabelo negro, uma barba estranha mas cuidadosamente cuidada e unhas que lembram as do Zé do Caixão. Ele entrega um personagem enigmático com uma atuação inspirada, mesmo que tenha pouco tempo em cena. Quando o vir descascando um ovo, entenderá do que estou falando.
Ele conta ainda com Mickey Rourke, aqui, no seu auge. Ele entrega uma ótima interpretação de um homem que aos poucos vai perdendo sua razão por conta da situação. Incrível como um ator pode fazer sucesso apresentando personagens tão relaxados.
O filme é de 1987 e dirigido por Alan Parker, que já havia entregue a pérola O Expresso da Meia Noite, além de outros filmes como o musical infantil Quando as Metralhadoras Cospem e o Pink Floyd The Wall. Aqui, ele entrega um filme tão inspirado quanto seus antecessores.
No final do filme vem a revelação do mistério. Por mais estranho que pareça a revelação com seus toques sobrenaturais, ela faz sentido. Ainda que de forma distorcida. Mas somos perfeitamente capazes de aceitar. Porque o diretor nos prepara para ela com extrema habilidade. Pena que ele tenha diminuído consideravelmente seu ritmo de trabalho.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

O LUTADOR – THE WRESTLER


NOTA: 9,5.
Mickey Rourke apareceu de forma meteórica nos anos 80. Apesar de um papel pequeno em “1941” (1979), de Steven Spielberg, sua verdadeira chance apareceu com “Corpos Ardentes” (Body Heat, 1981), onde contracenava com ninguém menos do que William Hurt. Numa única cena, Rourke praticamente engole, o já veterano, Hurt em cena e aperece como uma promessa para o cinema. Alguns anos depois, Rourke já aparecia como protoganista em “O Ano do Dragão” (The Year of the Dragon, 1985) e consolidava seu nome no ano seguinte com “Nove e Meia Semanas de Amor” (9 ½ Weeks, 1986). Rourke, ficou arrogante apoiado pelo rótulo de astro tendo somente um filme realmente digno de nota (“Coração Satânico” – Angel Heart, 1987), e, assim como subiu, caiu.
Após uma série de péssimas escolhas, incluindo a de se profissionalizar como lutador de boxe (o que deformou seu rosto), Rourke foi ao fundo do poço. Literalmente. Chegando a viver de mesada dada por amigos remanescentes da sua época de glória. Até finalmente resolver voltar a sua carreira de ator, foram pontas que nada acrescentavam a sua carreira (O Homem que Fazia Chover – The Rainmaker, Chamas da Vingança – Man on Fire…) ou mesmo participações esdrúxulas (A Colônia – Double Team). Seu retorno, parecia, ia ocorrer com “Sin City”, mas a desnecessária (e esquecível) adaptação dos quadrinhos de mesmo nome não foi o retorno do maravilhoso ator que tinha sido outrora. Essa ressurreição acontece com esse “O Lutador”. É impossível não associar o filme a Rorke e imaginar qualquer outra pessoa interpretando o personagem principal.
O filme conta a história de Randy “O Carneiro” Robinson, um lutador de Luta Livre que, quando mais novo, foi o maior lutador de todos. Com eventos televisionados que paravam o país e tudo o mais. O tempo, porém, não foi bom para Randy. Não conseguindo ganhar o suficiente com suas performances e tendo que intercalar o trabalho num mercado com suas lutas (ganhando poucos trocados de ambos os lados). Até que numa das lutas, que acaba virando um banho de sangue, Randy tem um ataque cardíaco e tem que colocar um marcapasso, pondo um aparente ponto final em sua carreira decadente. Sua luta passa a ser contra o passado. Resolvido a catar os pedaços do que restou da sua vida, ele tenta reatar relações com sua filha e se envolve com uma striper enquanto trabalha apenas no mercado. Mas quando tudo o mais falha na sua vida, como prosseguir senão lutando?
O diretor, Darren Aronofsky (dono de uma filmografia de respeito, que inclui “Pi”, “Réquiem para um Sonho” - Requien for a Dream, 2006) e “A Fonte da Vida” - The Fountain, 2008), conta uma história triste que emociona sem ser piegas. A caminhada de Randy não é de glórias, é o final da linha de um personagem que em muito lembra a própria vida de Rourke, exceto que a queda de Randy, é a ressurreição do ator (que já está filmando Homem de Ferro 2 (Ironman 2) e tem outros filmes programados para o futuro. Não sei como Aronofsky fez para domesticar o temperamento de Rourke (que, segundo eu li, chegou a implorar para não fazer uma determinada cena e não foi atendido), mas Rourke é o coração do filme. E que coração. Amparado de forma brilhante por Marisa Tomei e Evan Rachel Wood. Se “Quem Quer Ser Milionário” foi o lado festivo e alegre do Oscar, “O Lutador” é sua contraparte melancólica. Imperdível e obrigatório.
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