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quinta-feira, 8 de novembro de 2012

MAGIC MIKE


NOTA: 7.
- Senhoritas, a lei diz que não podem tocar. Mas eu posso ver daqui que temos várias mulheres que violarão as leis, certo?

Nunca imaginei essa profissão como um "emprego dos sonhos" de qualquer pessoa. Sejam homens ou mulheres, ganhar dinheiro enquanto colocam notas em seu fio-dental não deve ser considerado a melhor coisa do mundo. Ao mesmo tempo, deve ser mais fácil para homens, já que quando dançam a maior parte das fãs devem estar procurando mais por diversão do que sexo, enquanto os homens que observam as mulheres devem estar pensando mais que tem chance de dormir com elas.
Claro que isso tudo é mera suposição. Na minha cabeça, vender a diversas pessoas o direito de tocarem em suas partes íntimas por notas de 2 dólares (como um personagem diz, é melhor não contar o que precisam fazer por uma nota de 20) não deve fazer muito bem à alma. E é isso que o novo filme de Steven Soderbergh conta com humor, romance e drama com muitas coreografias de homens bonitos e sarados tirando a roupa. Acredito que esse filme irá atrair mais as mulheres do que homens.
Os corpos na tela são claramente corpos de pessoas narcisistas. Até onde eu sei, quanto mais tempo se gasta na academia para deixar seus corpos esculturais, mais limitadas essas pessoas são para conversas. A menos que se queira ouvir sobre academia e malhação. Digo isso porque de certa forma o filme me lembra esse aspecto: quanto mais "malha" para parecer bem construído, menos profundidade eu consigo ver nele.
O filme mostra como o jovem e ingênuo Adam (Alex Pettyfer) conhece Magic Mike (Channing Tatum)  durante a reforma do telhado de uma casa. Mike simpatiza com o rapaz e o acaba levando para o local de seu segundo trabalho: Xquisite, onde dança como stripper 3 vezes por semana. Adam não tem intenção de ir para os palcos, mas acaba sendo jogado lá e dança envergonhado. Talvez por acharem que é parte do show, ele acaba fazendo sucesso com as mulheres e é rapidamente convencido por Dallas (Mathew McConaughey) a se manter nessa nova profissão.
Seguindo a fórmula desse tipo de filme, acompanhamos a vida noturna de Mike e Adam, enquanto o filme vai descendo pro lado negro da profissão e Adam vai se perdendo entre bebidas e drogas. Enquanto isso, uma subtrama mostra a relação entre Mike e a irmã de Adam. Ele prometeu para ela que tomaria conta de seu irmão, mas por mais que suas intenções fossem boas, ele nada pode fazer para evitar a derrocada.
Os figurinos e coreografias valorizam a profissão deles. Na verdade, pelo jeito que o negócio é tocado fica um pouco difícil de acreditar que eles consigam uma produção tão feita quanto realizam. O filme começa leve e divertido e aos poucos vai seguindo para um lado mais dramático. Lembra um pouco Magnólia, mas sem a mesma qualidade. 

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

A TODA PROVA - HAYWIRE


NOTA: 8,5.
- Você não deve pensar nela como um ser humano. Isso seria um erro.

As mulheres ganham cada vez mais espaço nos filmes de ação hoje em dia. Tanto espaço que já não é incomum vê-las como protagonista de grandes filmes do gênero. O que é incomum é ver uma lutadora de MMA (Artes Marciais Mistas) como a protagonista de um filme de Steven Soderbergh. Gina Carano ainda não mostra grandes qualidades como atriz, mas o diretor sabe como disfarçar isso muito bem. Mas aqui ela mostra que suas qualidades são agilidade, força e um verdadeiro talento para a luta.
A verdade é que mencionei as qualidades de Carano como atriz, mas pouco importa neste filme se ela sabe atuar ou não. Ao seu lado temos um elenco afiado, um roteiro com uma história bem interessante e uma direção segura como o diretor costuma entregar. Ela é Mallory Kane, que trabalha para uma estranha firma nos EUA que presta serviço para o governo fazendo o trabalho sujo. Em filmes como Missão Impossível, o governo contrata agentes que parecem não ter ligações governamentais. Aqui, parece que é mais fácil terceirizar o serviço.
Pra piorar as coisas, existem uma série dessas agências que ficam cruzando uma com as outras, e muitas vezes interferindo uma com as outras nos trabalhos. E claro que, num tipo de trabalho como esse, ela descobre que não deve (ou seria pode?) confiar em ninguém, já que os agente parecem trocar de lado e de empregadores tão facilmente quanto aceitam o trabalho. Mas o que permanece como grande enigma por boa parte do filme é porquê está sendo seguida, já que parece tão eficiente em seu trabalho. Difícil imaginar que ela tenha feito alguma coisa errada.
Entre empregadores e perseguidores, fica uma impressão que existe algo de estranho na escalação de Carano como protagonista. Não pelo seu físico, que é totalmente apropriado e muito bem usado no filme durante as cenas de ação, mas sim pela qualidade do elenco secundário que inclui Channing Tatum, Michael Fassbender, Ewan McGregor, Antonio Banderas e Michael Douglas. Minha melhor teoria é que Soderbergh é desses diretores que conseguem quem querem pro papel que querem.
Este é o primeiro filme de ação do diretor Soderbergh focado em cenas de artes marciais, e ele  provavelmente supôs (na minha opinião, acertadamente) que o público não estaria muito interessado em muitas cenas de diálogo. Como em um bom filme B de ação: chega rápido, forte e direto ao ponto. Não parece ter muitas cenas com efeitos especiais, mas com o avanço da tecnologia fica difícil dizer com certeza.
O que eu posso ter certeza, é que depois de ver Carano correndo, atirando, chutando e depois quicando na parede para chutar de novo, o filme não fica devendo em nada para outros similares com marmanjos nos papéis principais. Claro que também causa um estranhamento que alguém queria ficar nessa linha de trabalho considerando a taxa de mortalidade mostrada neste filme, mas o interessante mesmo é ver o tratamento dado por um diretor de primeira linha para um filme desse gênero. E ainda que não seja um filme que entrará para a história, é muito melhor do que a grande maioria das porcarias que são lançadas mensalmente.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

CONTÁGIO - CONTAGION



NOTA: 8.
- Hoje é um péssimo dia para ser um macaco Rhesus.

Este é um drama realista e nem um pouco voltado para o lado do espetáculo, cinematograficamente falando, sobre uma epidemia global. Seria uma simulação do que aconteceria se um novo vírus que se espalha pelo ar surgisse e se alastrasse de forma muito rápida por todo o globo. Logo que imediatamente, ficamos alerta aos perigos de um contágio: tela negra e uma tosse é ouvida. Quando vemos um garçom pegando as moedas de um cliente já sabemos que algo está em movimento.
De certa forma, a história já é familiar. Início do contágio, mapas alarmistas do vírus se espalhando pelo mundo inteiro, a corrida para a produção de uma vacina e a distribuição para a população. O problema é que o vírus aqui desafia toda a lógica que os médicos conhecem sobre doenças: ele se espalha mesmo após isolamento dos doentes e parece também resistir às vacinas produzidas. A habilidade deste filme está em mostrar a vida de alguns personagens chaves dos filmes e a interação entre outras pessoas. 
Há a família Emhoff, que rapidamente parece começar a se desintegrar. A tosse que começa o filme é de Beth (Gwyneth Paltrow), que está voltando de Hong Kong. Logo após a sua volta, seu filho morre, e não demora muito para que ela siga pelo mesmo caminho. Apenas seu marido, Mitch (Matt Damon) sobrevive na casa, por ser imune a esse vírus. No final do filme, vemos uma breve explicação de onde tudo pode ter começado, mas o mais importante é observar que pode atravessar continentes em um único dia.
Os dias vão se passando rapidamente e novos personagens vão surgindo num piscar de olhos. O chefe do CDC (Centro de Controle de Doenças) é Cheever (Laurence Fishburne), que designa Mears (Kate Winslet) para tentar controlar a doença e descobrir onde ela pode ter se originado. De outra organização em Geneva, temos Orantes (Marion Cotillard) que é uma investigadora, e em um laboratório há a Hextall (Jeniffer Ehle) que está se sentindo frustrada pela demora que está se dando para aperfeiçoar a vacina para que seja testada em humanos. Para encerrar a galeria de astros que o filme possui, temos Jude Law como um blogueiro que se preocupa em espalhar o pânico para seus leitores desde que isso aumente a quantidade de visitas ao seu blog. Infelizmente, seu personagem parece um pouco desnecessário à história, enquanto talvez tivesse melhor efeito se soubéssemos um pouco melhor como o vírus funciona.
O filme é muito bem filmado e habilmente dirigido. A presença de grandes astros ajuda muito para a dramaticidade, pois não temos muito tempo para conhecermos e nos importarmos com eles. O filme mantém também um ritmo interessante: começa a mil por hora e não procura diminuir o ritmo em momento nenhum. É um relato íntimo e que parece ser preciso no que sobre seria se uma nova epidemia se espalhasse, e é o melhor filme que já assisti sobre este tema.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

O DESINFORMANTE! (THE INFORMANT!)


NOTA: 8.
"Nós somos a 44ª empresa entre as 500 mais ricas. Você vai querer dizer pro meu pai como deixou a empresa cair de 44ª para 45ª? Vai, Mark?" Mick Andreas

Não é a primeira incursão do diretor Steve Soderbergh em fazer filmes baseados em histórias reais. Em 2000 ele filmou Erin Brockovich, onde pegou a então maior estrela de Hollywood, Julia Roberts, e fez um filme em que ela finalmente conseguiu seu reconhecimento como atriz (o papel lhe valeu um Oscar). O diretor foi indicado para direção, mas acabou perdendo para ele mesmo em Traffic. Agora o astro da vez é Matt Damon e sim, ele também consegue apagar sua aura estrelar e incorporar de forma brilhante o personagem, também real, Mark Whitacre, no que é provavelmente sua melhor atuação.
Seu personagem teve uma ascensão meteórica na empresa ADM, subindo de bioquímico até um executivo de alto escalão na empresa. Durante um crise com um vírus na produção da empresa, ele vai ao seu superior e diz que um empresário de uma empresa japonesa afirma que há um espião entre eles, e que por 10 milhões ele dirá quem é. Ao invés de aceitarem a extorsão, a empresa resolve chamar o FBI para investigar. O envolvimento dos federais faz com que Whitacre fique com medo, e ele acaba se tornando um informante do FBI sobre um esquema de fixação de preços entre empresas do mundo todo. Inculindo a ADM, claro.
Essa parte do filme, funciona como uma versão mais leve de O informante, filme de Michael Mann com Russel Crowe no papel principal. O FBI se impressiona com a prestabilidade do informante. Chegam a andar com uma foto dele para lembrá-los que é um homem comum. Um herói. O problema, porém, é que quanto mais se aprofundam na história, mas a história apresenta problemas, e que Whitacre é na verdade uma péssima fonte de informações. Mais fundo ainda, se descobre que é autor de crimes ainda piores que os da empresa. Não à toa, sua pena é três vezes maior que os envolvidos no escândalo.
Soderbergh conduz o filme de forma leve e divertida. Não é uma daquelas comédias de fazer morrer de rir, mas é bem divertida. Mais importante ainda, ele faz com que o filme em momento nenhum entedie a platéia. Boa parte pela atuação de Damon, claro. Sem contar que este conta ainda com outros ótimos atores. Especialmente Melanie Lynskey (a perseguidora de Charlie em Two and a half men) como sua esposa, e também Scott Bakula como o agente do FBI Shepard, que cuida do caso de Whitacre. Apesar das situações tão absurdas que são difíceis de dizer que são reais, o trio torna o filme totalmente fácil de ser acreditado.
Atualmente o Whitacre real foi libertado da cadeia e está trabalhando em uma empresa de alta tecnologia na Califórnia, onde ainda vive com sua esposa.

domingo, 27 de setembro de 2009

IRRESISTÍVEL PAIXÃO


NOTA: 8.
“É como ver uma pessoa pela primeira vez e há um tipo de identificação. Como se os dois soubessem de algo. No momento seguinte a pessoa se foi e é muito tarde pra fazer algo. Aí você se pergunta: ‘E se eu tivesse parado?’.” Jack Foley
Esse é um daqueles “pequenos” bons filmes que acabam te surpreendendo. Talvez seja pro causa do foco que o filme tem. Esse é um filme de crime onde o que menos interessa é o próprio crime. É mais sobre os personagens e seus trejeitos.
Os principais são Jack Foley (George Clooney) e Karen Sisco (Jennifer Lopez, numa das únicas vezes que não estraga o filme). Ele é um ladrão de banco que acaba de escapar da prisão onde foi preso depois de roubar um banco. A melhor parte é saber que em nenhum dos casos ele usou uma arma. Ela é uma Agente Federal que se apaixona por ele na mala de um carro depois que tenta acabar com a fuga dele. Depois, ela é responsável por tentar capturá-lo.
Claro que não há somente os dois no filme. Há vários outros personagens interessantes no filme como o parceiro de Foley, Buddy Bragg, o atrapalhado e pateta Glenn e o ex-boxeador Snoopy Miller. Esses são os envolvidos no esquema para assaltar a casa de um banqueiro que também cumpriu pena chamado Ripley.
Mas é no meio de todos que acompanhamos o flerte entre Foley e Sisco, apesar de estarem em lados opostos da lei. Sisco leva seu trabalho muito a sério e Foley não sabe fazer nada além de ser um criminoso. Como pode dar certo? O principal é muito charme. Não sou fã de Lopez, mas aqui, ela faz o par ideal com Clooney. Me lembra um pouco dos filmes de antigamente onde interessava mais o casal de atores que o próprio filme em si.
Não me entenda mal. O filme não é veículo para os atores. Há uma grande história brilhantemente escrita. É só que eles se encaixam perfeitamente no papel. A cena de sedução é ótima. Os vemos conversando na mesa numa cena cortada com a ação dos dois no quarto. Os diálogos não batem com o que está acontecendo. A cena toda parece errada e ainda assim tão certa.
Soderbergh surpreende em um filme simples que beira o brilhantismo, para fazer esquecer as besteiras dos “Segredos”, também com Clooney. Diálogos brilhantes, ótimos personagens, boa história e tudo otimamente filmado. Um dos melhores do diretor.
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