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segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

JEFF E AS ARMAÇÕES DO DESTINO - JEFF WHO LIVES AT HOME


NOTA: 8.
- Todos e tudo está conectado nesse universo. Mantenha-se puro em seu coração e você verá os sinais. Siga os sinais e você vai desvendar seu destino.

Há um tema que está ficando cada vez mais comum no cinema moderno: a incapacidade de certos homens em conseguirem agir como se fossem adultos. Geralmente são retratados como caucasianos, aparentemente heterossexuais e da classe média (em alguns casos, milionários). As variações de imaturidade desses homens parecem infinitas, mas geralmente eles cativam porque tem bom coração, são gentis, adoráveis e carregam uma inocência que não conseguimos mais ter.
Aqui é um pouco melhor, porque essa inocência é personalizado por Jason Segel, que consegue dar uma dimensão diferente a esse tipo de personagem. Jeff é um homem na casa dos trinta anos, solteiro, desempregado e que vive no porão da casa de sua mãe, onde assiste o filme Sinais diversas vezes crente que o filme possui a chave pra entender o universo ou coisa do gênero. E ele ainda acredita que, basicamente, o universo é cheio de pequenas coincidências que liga todas as pessoas e todos os atos que fazemos, e que basta ficar prestando atenção para descobrir seu destino. É o tipo de raciocínio que parece lógico se considerarmos que vem de uma mente que passa trancada no porão fumando maconha.
Pelo seu tamanho, ele é chamado por seu irmão de Sasquatch (para quem não conhece, é como se fosse uma espécie de Pé-Grande). Pat (Ed Helms) provavelmente o chama assim por causa da diferença entre os dois. Bem menor e muito mais agitado, Pat vive numa relação fadada ao fracasso com Linda (Judy Greer). Algum dia eles parecem ter se amado, mas agora não parecem sequer conseguem se comunicar. Ela quer juntar dinheiro para comprar uma casa, e Pat aparece com um Porsche que acabou de comprar sem a consultar. Talvez mulheres sejam difíceis de entender, mas ele realmente não parece fazer qualquer esforço e ainda consegue se ver como se tivesse uma vida de sucesso.
Ambos são filhos de Sharon (Susan Sarandon), uma mulher entediada com o trabalho e a própria vida que espera que alguma coisa diferente aconteça. De seu trabalho, ela liga para Jeff para lembrá-lo de UMA única tarefa que deu a ele: sair do porão, ir comprar uma cola numa loja para poder consertar a porta de um armário da cozinha. Para quem deseja entender o universo através de sinais, essa deve ser uma tarefa que ele deveria poder executar sem problemas.
O filme é dirigido pelos irmãos que dirigiram Cyrus, filme que também mostra um homem com problemas em agir como se fosse um adulto e que também vive com a mãe. O resultado com o novo filme é bem mais interessante e com uma história bem mais perto de parecer realidade ainda que não pareça totalmente plausível. 
A atenção do filme é dividida entre todos os personagens, então fica claro que algum momento suas vidas vão se cruzar, e é o que acontece nos instantes finais do filme. E acontece numa coincidência que somente Jeff parece ser capaz de entender. Mas não dá para culpar ninguém, apenas temos um final feliz para personagens que acompanhamos e nos importamos. É o final feliz que todos esperam. Talvez os diretores queiram fazer com que acreditamos em algo, ou talvez só esteja nos enganando.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A VIAGEM - CLOUD ATLAS


NOTA: 9.
- Ontem, eu acredito que não teria feito as coisas que fiz hoje. Eu sinto como se alguma coisa importante tivesse acontecido comigo. Isso é possível?

Li um crítico usando uma descrição de Churchill sobre a Rússia bem adequada à este filme, e na falta de capacidade de descrever de forma melhor, repito as palavras: "É uma charada, embrulhada em um mistério e dentro de um enigma". Assisti a este filme e neste momento em que escrevo já tenho vontade de assistir novamente, mas duvido que ao fazê-lo, serei capaz de solucionar algum mistério que não vi antes. O filme fascina a cada momento, e a cada salto na história.
Desde Matrix, os irmãos Wachowski procuram realizar filmes cada vez mais ambiciosos. Dessa vez eles se juntaram a Tom Tykwer (Corra Lola corra) e realizaram seu mais ambicioso projeto, e provavelmente um dos filmes mais ambiciosos de todos os tempos.
Em 1849, um advogado viaja em um barco combatendo uma estranha doença que lhe assola e abriga um escravo em seu quarto. Em 1936, um jovem compositor começa a trabalhar com uma lenda viva da música. Nos anos 1970, uma jornalista arrisca a vida para investigar problemas em uma usina nuclear. Nos dias atuais, um editor de livros se vê aprisionado em um asilo. Em um futuro distante, uma clone desenvolvida para trabalhar em rede de fast food se apaixona e acaba sendo arrastada para uma rebelião e num futuro ainda mais distante e pós-apocalíptico um homem tenta manter sua família viva em meio a uma guerra entre tribos.
Além disso, o filme é sempre interpretado, pelo menos em sua maioria, pelos mesmos atores (Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Susan Sarandon, Ben Whishaw, Hugh Grant e alguns outros), mas isso não ajudará muito quando assistir o filme. Conhecimento não vai te ajudar. Muitos tentarão explicá-lo, e talvez nomes de grandes filósofos e psicanalistas vão surgir nas conversas, mas não acredito que nada disso vá acrescentar muita coisa ao que assistir.
Será que se trata de almas que migram pra lugares e tempos diferentes? Será que as marcas idênticas que as pessoas exibem em diferentes tempos se trata de uma conexão entre as tais almas? Depois de pensar sobre o filme, eu cheguei a uma conclusão, que é que nenhuma dessas perguntas ou quaisquer respostas que me apresentem vão me fazer apreciar melhor ou pior este filme. A minha resposta nesse momento, e que realmente me interessa, é que nada disso é realmente importante.
Para mim, o importante é se desvencilhar de qualquer tentativa de tentar entender as conexões entre as histórias. O que me fascinou aqui, é como minha mente pôde percorrer solta pela imaginação, extremamente fértil, de seus realizadores. Eu acho, que tentar compreender o filme como um todo, é um exercício que, talvez, não valha a pena, porque nenhuma resposta vai ser completa ou plenamente aceita.
O filme mistura ainda vários filmes dentro dele. É a chance de assistir diferentes histórias com o preço de um único ingresso. Temos farsa, pastiche, melodrama, ficção científica e suspense, além de histórias que podem levar sua mente a divagar sobre diferentes assuntos sem conseguir chegar à conclusão nenhuma.
Para os atores é uma chance única de interpretar uma série de papéis com complexidade, profundidade e totalmente diferentes uns dos outros. Para os diretores, uma liberdade criativa e da própria narrativa cinematográfica. Para nós, espectadores, uma demonstração esplendorosa de quão mágico um filme pode ser.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A NEGOCIAÇÃO - ARBITRAGE


NOTA: 9.
- Você não é minha sócia, você trabalha para mim. Todos trabalham para mim.

Diversas vezes eu escrevi sobre a importância de um personagem em um filme. Sobre o quanto ter um bom personagem pode salvar um filme assim como ter um personagem ruim pode matar completamente uma produção. Isso é porque tendemos a nos identificar com quem estamos acompanhando na tela, mesmo que quem acompanhamos seja um canalha sem coração. E é nessa categoria que cai Robert Miller, interpretado com maestria por Richard Gere.
Robert é um milionário empresário que está envolvido em uma fraude multi-milionária. Além disso, ele trai a mulher com uma amante bem mais nova que ele, com quem decide sair pra viajar. Na viagem ele bate com o carro e causa a morte da mulher, e para não se envolver em um escândalo foge do local deixando o corpo dela sozinha dentro do carro. Nós vemos isso tudo acontecendo, e mesmo assim fica a tensão de acompanhá-lo fazendo isso e ainda escapar impune de tudo.
Ele é um homem muito acostumado a ouvir "sim" na vida dele, pois vive em um mundo acessível apenas para poucos (quase todos com jatos particulares) e assina cheques com sete dígitos para suas instituições de caridade favoritas. Essa parte é muito bem retratada desde o começo do filme, onde o vemos em uma entrevista sorrindo e falando de forma convincente. Ele sai da entrevista e pega um jato, e depois o vemos em casa comemorando seu aniversário ao lado da Mulher, Ellen (Susan Sarandon) e a filha, Brooke (Brit Marling). Esse é o mundo onde ele vive e ele parece muito acostumado com isso tudo.
É a filha dele que nos revela o homem que está atrás de todo aquele sorriso e charme. Primeiro ela pergunta pro pai porque ele está disposto a vender a empresa, depois ela descobre a fraude com uma cifra de 400 milhões de dólares sem sequer desconfiar que seu próprio pai é quem está por trás de toda a trama. Ela chega a despedir um funcionário o tomando por culpado e acredito que ela nunca desconfiaria que Robert fosse capaz de fazer algo parecido com isso, enquanto ele provavelmente a entregaria se isso significasse se manter fora da cadeia.
Em relação ao crime, temos ainda dois envolvidos. Um é Grant, o filho de um ex-motorista de Robert pra quem ele fez alguns favores. Como Grant viu o estado de Robert, ainda que não tenha participado do crime, vira cúmplice. O outro é o policial cínico Bryer (Tim Roth), que até mesmo é capaz de criar evidências para conseguir enquadrar o homem rico que ele odeia sem motivo. Começa a batalha pra vermos se o homem rico consegue se safar até mesmo de uma acusação de assassinato. E se Robert parece ser capaz de entregar a filha, que chance terá Grant?
Um dos grandes motivos pra ver o filme, é a presença de Richard Gere no papel principal. Parte de sua beleza pode ter sumido com o tempo, mas seus talentos agora se encontram no auge. Apesar de sabermos tudo de errado que está sendo feito, Gere nos faz acreditar que é obra de um ser humano normal (ou tão dentro dessa definição quanto ele pode ser), e não algum tipo de sociopata. Atuação que já levou uma indicação ao Globo de Ouro e não será nenhuma surpresa se valer uma indicação ao Oscar.

segunda-feira, 22 de março de 2010

UM OLHAR DO PARAÍSO (THE LOVELY BONES)


NOTA: 6.
"Eu tinha 14 anos quando fui assassinada em 6 de dezembro de 1973. Eu não me fui, eu estava viva em meu próprio mundo perfeito, mas no meu coração eu sabia que não era perfeito. Meu assassino ainda me atormentava. Meu pai tinha as peças mas não conseguia encaixá-las. Eu esperei por justiça, mas ela não veio." Susie Salmon

Há alguma coisa de interessante sobre crianças em filmes. Especialmente quando estas se encontram em algum tipo de perigo. Há algo nessa tentativa de romper a inocência de uma criança que fascina a platéia. No caso desse filme, a criança passa a maior parte do filme morta. Antes que alguém reclame que estraguei o final do filme, é bom avisar que a frase acima é a frase que abre o filme. Desde o início sabemos que a menina está morta.
Susie Salmon é uma menina como outra qualquer. Mora com sua família em uma bela casa no subúrbio. Até que ela é estuprada e morta por um homem de sua rua. Com sua morte, o filme se divide em dois núcleos: o dela que se recusa a deixar de acompanhar a vida das pessoas que continuam vivas e a da família, com a mãe não aceitando a morte da filha e o pai tentando resolver o caso por conta própria.
Apesar do tema, o filme não é triste como deveria ser. Há cenas de tristeza, sim, mas a maior parte do filme passa de uma maneira muito serena. O filme vai se desenvolvendo de forma a parecer que tudo está bem, a família tem que aceitar aquilo e que o assassino escapará impunemente. Afinal, não há qualquer tipo de comunicação da garota com seus familiares, apenas, de forma estranha, com uma menina do colégio que sequer era sua amiga.
Susie passa a maior parte do tempo "entre os mundos". Esse "entre os mundos" é uma espécie de paraíso particular dela onde brinca com outras meninas. (O diretor) Peter Jackson (Trilogia Senhor dos anéis, King Kong) capricha nos efeitos especiais desse mundo para que ele fique o mais maravilhoso possível. O resultado final impressiona visualmente mas enfraquece a história do filme. Susie depois de ser morta se encontra melhor e mais feliz do que estava quando viva. Parece que seu assassino deveria ganhar uma medalha ao invés de ser punido.
Se não funciona como filme dramático, a história policial não ajuda muito. Não vejo muita graça quando o assassino é informado logo de cara. Não há um pingo de mistério a ser revelado. A tentativa (frustrada) é mostrar o inconformismo da menina diante de sua morte. Ela mesmo diz que quer uma justiça que nunca vem. Claro que apesar da narração dizer isso, é difícil de levar a sério saindo de uma menina que está brincando com outra no paraíso.
Saoirse Ronan faz um belo trabalho como Susie. Se falta algo ao filme a culpa não é dela assim como também não é de seus "pais" (Mark Whalberg e Rachel Weisz), que convencem bastante. Apesar de não ser novidade a narração de um morto, sua voz é reconfortante e boa de escutar. Mas realmente Jackson ainda está devendo algo que se equipare ao filmes que ganharam tantos prêmios.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

SPEED RACER



NOTA: 6,5.
Você acha que vai pilotar um carro e mudar o mundo? Não funciona dessa maneira.

Speed Racer é um filme apenas ok e se acrescenta à lista de filmes dos irmão diretores que não consegue ao menos se equiparar ao grande sucesso da dupla. Talvez o problema é que o sucesso de Matrix veio cedo demais.
Atraídas pelo desejo foi um in[icio promissor. O filme é um bom suspense policial com um visual elegante e esteticamente bonito. Seu segundo filme já seria o primeiro Matrix, que revolucionou a história do cinema. E talvez esse seja o problema. O primeiro filme da trilogia é uma jóia rara, e nem mesmo voltar ao tema funcionou para eles, e os dois filmes seguintes foram experiências fracassadas.

Pelo menos essa é uma teoria. A outra teoria, é que muito dinheiro gera continuações ruins. É fácil as pessoas dizerem que as continuações são inferiores aos produtos originais, especialmente em filmes de ação. Os filmes originais com menos dinheiro, tendem a ser criativos, e com mais atenção à história, enquanto as continuações não atentam a esses detalhes e visam mais as bilheterias que qualquer outra coisa. Além de Matrix, poderia citar: A Múmia, Piratas do caribe, a nova trilogia de Star Wars e nem mesmo Spielberg escapou com seu parque jurássico.

O roteiro nem é o grande problema de Speed Racer, já que a história chegar a ser um pouco interessante. Os problemas são seus grandes atrativos. Primeiro o visual do filme. Se em Matrix, a dupla acertou com seus tons sóbrios e preto predominante, aqui tudo brilha em mil cores e logo na primeira corrida, eu já estava enjoando de todo esse visual fantástico. Parece que usar as milhões de opções de cores do photoshop não é tão atraente assim para mim.
As corridas são apenas ok. As pistas são bem desenvolvidas, oferecem alguns obstáculos interessantes e poderiam ser boas. Se os carros corressem nela. Ao invés disso, eles pulam de um lado para o outro e giram mais do que correm, e na segunda corrida uma pergunta veio à minha cabeça: "pra quê carros?". As rodas dos carros nesse filme, são itens dispensáveis.

Por isso meu balanço é ok. Um pouco acima da média comparando com os demais filmes do gênero, mas está longe de ser excepcional. Será que Matrix foi um acidente?
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