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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

A NEGOCIAÇÃO - ARBITRAGE


NOTA: 9.
- Você não é minha sócia, você trabalha para mim. Todos trabalham para mim.

Diversas vezes eu escrevi sobre a importância de um personagem em um filme. Sobre o quanto ter um bom personagem pode salvar um filme assim como ter um personagem ruim pode matar completamente uma produção. Isso é porque tendemos a nos identificar com quem estamos acompanhando na tela, mesmo que quem acompanhamos seja um canalha sem coração. E é nessa categoria que cai Robert Miller, interpretado com maestria por Richard Gere.
Robert é um milionário empresário que está envolvido em uma fraude multi-milionária. Além disso, ele trai a mulher com uma amante bem mais nova que ele, com quem decide sair pra viajar. Na viagem ele bate com o carro e causa a morte da mulher, e para não se envolver em um escândalo foge do local deixando o corpo dela sozinha dentro do carro. Nós vemos isso tudo acontecendo, e mesmo assim fica a tensão de acompanhá-lo fazendo isso e ainda escapar impune de tudo.
Ele é um homem muito acostumado a ouvir "sim" na vida dele, pois vive em um mundo acessível apenas para poucos (quase todos com jatos particulares) e assina cheques com sete dígitos para suas instituições de caridade favoritas. Essa parte é muito bem retratada desde o começo do filme, onde o vemos em uma entrevista sorrindo e falando de forma convincente. Ele sai da entrevista e pega um jato, e depois o vemos em casa comemorando seu aniversário ao lado da Mulher, Ellen (Susan Sarandon) e a filha, Brooke (Brit Marling). Esse é o mundo onde ele vive e ele parece muito acostumado com isso tudo.
É a filha dele que nos revela o homem que está atrás de todo aquele sorriso e charme. Primeiro ela pergunta pro pai porque ele está disposto a vender a empresa, depois ela descobre a fraude com uma cifra de 400 milhões de dólares sem sequer desconfiar que seu próprio pai é quem está por trás de toda a trama. Ela chega a despedir um funcionário o tomando por culpado e acredito que ela nunca desconfiaria que Robert fosse capaz de fazer algo parecido com isso, enquanto ele provavelmente a entregaria se isso significasse se manter fora da cadeia.
Em relação ao crime, temos ainda dois envolvidos. Um é Grant, o filho de um ex-motorista de Robert pra quem ele fez alguns favores. Como Grant viu o estado de Robert, ainda que não tenha participado do crime, vira cúmplice. O outro é o policial cínico Bryer (Tim Roth), que até mesmo é capaz de criar evidências para conseguir enquadrar o homem rico que ele odeia sem motivo. Começa a batalha pra vermos se o homem rico consegue se safar até mesmo de uma acusação de assassinato. E se Robert parece ser capaz de entregar a filha, que chance terá Grant?
Um dos grandes motivos pra ver o filme, é a presença de Richard Gere no papel principal. Parte de sua beleza pode ter sumido com o tempo, mas seus talentos agora se encontram no auge. Apesar de sabermos tudo de errado que está sendo feito, Gere nos faz acreditar que é obra de um ser humano normal (ou tão dentro dessa definição quanto ele pode ser), e não algum tipo de sociopata. Atuação que já levou uma indicação ao Globo de Ouro e não será nenhuma surpresa se valer uma indicação ao Oscar.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A FORÇA DO DESTINO


NOTA: 10.
- Quer saber de uma coisa? Você não é especial. Não tem boas maneiras e trata mulheres como como prostitutas. Se me perguntar, não tem chance de virar oficial.

Don Simpson, o falecido produtor, não queria que Debra Winger fizesse o papel da mocinha, segundo ele, deveria ser uma mulher que desse vontade de transar, e ela não era esse tipo. Além disso, queria cortar a música tema, Up where we belong por não considerar um hit. Debra Winger foi indicada ao Oscar por esse papel, perdeu para Meryl Streep (A escolha de Sofia). A música não somente venceu o prêmio como até hoje é ouvida nas rádios. Se existe quem não tenha visto o filme, já ouviu a música.
A história centra em Zack Mayo (Richard Gere), um malandro filho de um soldado da marinha que se inscreve para se tornar oficial da marinha. A cada 13 semanas, há uma nova turma de novatos que vão para a base ver se conseguem passar pelo treinamento, que inclui humilhações físicas e psicológicas. Quem passar, estará habilitado a ir para a escola de voo.
Sempre perto da academia, estão mulheres dispostas a casar com esses futuros oficiais, nem que tenham que ter um filho para segurá-los. Para elas é a chance de conseguirem sair daquele cidadezinha e até mesmo viajar conhecendo o mundo.
É nesse contexto que Mayo e Paula (Winger) se conhecem. Nós sabemos mais sobre a vida de cada um do que eles sabem sobre a vida um do outro. Ele é um perdedor e é solitário. Ela é uma filha de um oficial que abandonou sua mãe. Ele não quer se casar e ela se recusa a fazer como as outras mulheres da cidade e engravidar para ficar com ele. Apesar da situação, eles se apaixonam um pelo outro, quer ele queira admitir ou não. Os dois querem mais da vida do que a vida os ofereceu até agora. Talvez seja isso que os aproximem. Mesmo sem saber, eles tem mais em comum do que pensam.
O romance, porém, não é a história central. O treinamento é a história central. E eles são treinados pelo impiedoso (que depois descobrimos não ser tão impiedoso assim) Sargento Foley (Louis Gossett Jr., que venceu um Oscar por essa atuação). Sequer a mulher da turma escapa da sua língua ferina. Apesar de tudo, ele se preocupa com sua classe. Apenas quer que eles se tornem pessoas melhores. Ou que pelo menos se encaixem em seus padrões.
Tudo é cuidadosamente trabalhado. Não há pressa para contar uma história ou outra. Até mesmo há tempo para contar a história de outro aspirante amigo de Mayo, Worley (David Keith), filho de um oficial militar que carrega o peso da pressão de seus familiares para seguir seus passos. Worley se envolve com uma amiga de Paula e não importa o que aconteça, ele quer apenas fazer a coisa certa.
O que o torna um filme bom, é que não é apenas sobre o amor. Não é apenas sobre o treinamento militar. É sobre o crescimento de seu personagem. Como ele começa o filme de uma forma, e termina como um homem diferente. Nós acompanhamos esse crescimento e por isso começamos a nos importar com suas decisões. E como ele precisa aceitar outra pessoa em sua vida para terminar esse processo de crescimento. Então, talvez somente aí ele possa ser capaz de se formar. E realmente amar.
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