Mostrando postagens com marcador David Keith. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador David Keith. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

A VIAGEM - CLOUD ATLAS


NOTA: 9.
- Ontem, eu acredito que não teria feito as coisas que fiz hoje. Eu sinto como se alguma coisa importante tivesse acontecido comigo. Isso é possível?

Li um crítico usando uma descrição de Churchill sobre a Rússia bem adequada à este filme, e na falta de capacidade de descrever de forma melhor, repito as palavras: "É uma charada, embrulhada em um mistério e dentro de um enigma". Assisti a este filme e neste momento em que escrevo já tenho vontade de assistir novamente, mas duvido que ao fazê-lo, serei capaz de solucionar algum mistério que não vi antes. O filme fascina a cada momento, e a cada salto na história.
Desde Matrix, os irmãos Wachowski procuram realizar filmes cada vez mais ambiciosos. Dessa vez eles se juntaram a Tom Tykwer (Corra Lola corra) e realizaram seu mais ambicioso projeto, e provavelmente um dos filmes mais ambiciosos de todos os tempos.
Em 1849, um advogado viaja em um barco combatendo uma estranha doença que lhe assola e abriga um escravo em seu quarto. Em 1936, um jovem compositor começa a trabalhar com uma lenda viva da música. Nos anos 1970, uma jornalista arrisca a vida para investigar problemas em uma usina nuclear. Nos dias atuais, um editor de livros se vê aprisionado em um asilo. Em um futuro distante, uma clone desenvolvida para trabalhar em rede de fast food se apaixona e acaba sendo arrastada para uma rebelião e num futuro ainda mais distante e pós-apocalíptico um homem tenta manter sua família viva em meio a uma guerra entre tribos.
Além disso, o filme é sempre interpretado, pelo menos em sua maioria, pelos mesmos atores (Tom Hanks, Halle Berry, Jim Broadbent, Hugo Weaving, Jim Sturgess, Doona Bae, Susan Sarandon, Ben Whishaw, Hugh Grant e alguns outros), mas isso não ajudará muito quando assistir o filme. Conhecimento não vai te ajudar. Muitos tentarão explicá-lo, e talvez nomes de grandes filósofos e psicanalistas vão surgir nas conversas, mas não acredito que nada disso vá acrescentar muita coisa ao que assistir.
Será que se trata de almas que migram pra lugares e tempos diferentes? Será que as marcas idênticas que as pessoas exibem em diferentes tempos se trata de uma conexão entre as tais almas? Depois de pensar sobre o filme, eu cheguei a uma conclusão, que é que nenhuma dessas perguntas ou quaisquer respostas que me apresentem vão me fazer apreciar melhor ou pior este filme. A minha resposta nesse momento, e que realmente me interessa, é que nada disso é realmente importante.
Para mim, o importante é se desvencilhar de qualquer tentativa de tentar entender as conexões entre as histórias. O que me fascinou aqui, é como minha mente pôde percorrer solta pela imaginação, extremamente fértil, de seus realizadores. Eu acho, que tentar compreender o filme como um todo, é um exercício que, talvez, não valha a pena, porque nenhuma resposta vai ser completa ou plenamente aceita.
O filme mistura ainda vários filmes dentro dele. É a chance de assistir diferentes histórias com o preço de um único ingresso. Temos farsa, pastiche, melodrama, ficção científica e suspense, além de histórias que podem levar sua mente a divagar sobre diferentes assuntos sem conseguir chegar à conclusão nenhuma.
Para os atores é uma chance única de interpretar uma série de papéis com complexidade, profundidade e totalmente diferentes uns dos outros. Para os diretores, uma liberdade criativa e da própria narrativa cinematográfica. Para nós, espectadores, uma demonstração esplendorosa de quão mágico um filme pode ser.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

A FORÇA DO DESTINO


NOTA: 10.
- Quer saber de uma coisa? Você não é especial. Não tem boas maneiras e trata mulheres como como prostitutas. Se me perguntar, não tem chance de virar oficial.

Don Simpson, o falecido produtor, não queria que Debra Winger fizesse o papel da mocinha, segundo ele, deveria ser uma mulher que desse vontade de transar, e ela não era esse tipo. Além disso, queria cortar a música tema, Up where we belong por não considerar um hit. Debra Winger foi indicada ao Oscar por esse papel, perdeu para Meryl Streep (A escolha de Sofia). A música não somente venceu o prêmio como até hoje é ouvida nas rádios. Se existe quem não tenha visto o filme, já ouviu a música.
A história centra em Zack Mayo (Richard Gere), um malandro filho de um soldado da marinha que se inscreve para se tornar oficial da marinha. A cada 13 semanas, há uma nova turma de novatos que vão para a base ver se conseguem passar pelo treinamento, que inclui humilhações físicas e psicológicas. Quem passar, estará habilitado a ir para a escola de voo.
Sempre perto da academia, estão mulheres dispostas a casar com esses futuros oficiais, nem que tenham que ter um filho para segurá-los. Para elas é a chance de conseguirem sair daquele cidadezinha e até mesmo viajar conhecendo o mundo.
É nesse contexto que Mayo e Paula (Winger) se conhecem. Nós sabemos mais sobre a vida de cada um do que eles sabem sobre a vida um do outro. Ele é um perdedor e é solitário. Ela é uma filha de um oficial que abandonou sua mãe. Ele não quer se casar e ela se recusa a fazer como as outras mulheres da cidade e engravidar para ficar com ele. Apesar da situação, eles se apaixonam um pelo outro, quer ele queira admitir ou não. Os dois querem mais da vida do que a vida os ofereceu até agora. Talvez seja isso que os aproximem. Mesmo sem saber, eles tem mais em comum do que pensam.
O romance, porém, não é a história central. O treinamento é a história central. E eles são treinados pelo impiedoso (que depois descobrimos não ser tão impiedoso assim) Sargento Foley (Louis Gossett Jr., que venceu um Oscar por essa atuação). Sequer a mulher da turma escapa da sua língua ferina. Apesar de tudo, ele se preocupa com sua classe. Apenas quer que eles se tornem pessoas melhores. Ou que pelo menos se encaixem em seus padrões.
Tudo é cuidadosamente trabalhado. Não há pressa para contar uma história ou outra. Até mesmo há tempo para contar a história de outro aspirante amigo de Mayo, Worley (David Keith), filho de um oficial militar que carrega o peso da pressão de seus familiares para seguir seus passos. Worley se envolve com uma amiga de Paula e não importa o que aconteça, ele quer apenas fazer a coisa certa.
O que o torna um filme bom, é que não é apenas sobre o amor. Não é apenas sobre o treinamento militar. É sobre o crescimento de seu personagem. Como ele começa o filme de uma forma, e termina como um homem diferente. Nós acompanhamos esse crescimento e por isso começamos a nos importar com suas decisões. E como ele precisa aceitar outra pessoa em sua vida para terminar esse processo de crescimento. Então, talvez somente aí ele possa ser capaz de se formar. E realmente amar.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...