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quinta-feira, 4 de outubro de 2012

SELVAGENS - SAVAGES


NOTA: 8,5.
- O fato de eu estar contando essa história não significa que eu estarei viva ao final dela.

Meu ódio será sua herança, mostrava bandidos americanos quase aposentados que se misturavam com uma nova era de bandidos muito mais cruéis que eles. Assim como no filme de Peckinpah, Oliver Stone nos mostra uma história que lida mais ou menos sobre o mesmo assunto. Ainda que seja um pouco estranho o fato da maldade estar sempre do lado mexicano, é interessante vermos a evolução da maldade no velho oeste e num tempo mais próximo de nós.
Os americanos são Ben (Aaron Johnson) e Chon (Taylor Kitsch), dois produtores e distribuidores de maconha que atuam no mercado da Califórnia. Os dois vivem num triângulo amoroso com O, abreviatura de Ophelia (Blake Lively). É ela quem começa narrando o filme e diz a frase de abertura da resenha. A história do filme é tão distorcida, que acredito que possa dizer que é possível que ela esteja viva e morta ao final do filme. Apesar de parecer um conceito estranho, quem assistir entenderá.
Eu poderia dizer que o que teremos será uma batalha entre o bem e o mal, exceto que não há ninguém neste filme que esteja do lado do bem. O que temos é o lado americano que lida com os negócios de maneira tranquila usando a violência apenas quando necessário, e os mexicanos liderados por Elena (Salma Hayek) que usam de violência para conseguirem tudo o que querem e pior ainda, um tipo extremo de violência que conta com decapitações e corpos queimados.
Ben e Cho recebem um vídeo com várias cabeças no chão no que pode ser um trabalho realizado por Lado (Benicio del Toro), o braço direito de Elena. A mensagem é clara, eles devem negociar uma divisão de negócios ou se arrepender. Eles planejam sair de cena e ir para outro continente para evitar uma guerra, mas Elena rapta O e eles devem cooperar até encontrar uma forma de recuperar a mocinha. E antes que alguém pergunte, isso não é um spoiler. Qualquer trailer do filme mostra isso. Contar o que vem depois seria um spoiler.
Nessa trama toda, ainda temos o personagem de John Travolta, Dennis. Ele é um agente do departamento anti-drogas dos EUA que aceita propina de Ben e Cho. Não tenho certeza do quanto ele finge estar dando informações para os dois e o quanto ele está se aproveitando deles para conseguir informações. Ele é um ponto de interrogação na trama, e muito interessante.
O mais interessante de acompanharmos aqui é como Stone lida com as negociações por O. Depois de alguns filmes um pouco decepcionantes do diretor, é bom vê-lo voltar à velha forma num filme que explora o "lado negro" como ele costumava fazer. Além disso, poderá se interessar pela volta ao lado lúdico que ele parecia ter perdido a vontade de contar. Não é seu melhor filme nem um filme com tanto entusiasmo quando começou sua carreira, mas com certeza é tão interessante para nos lembrar deles.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

GATO DE BOTAS - PUSS IN BOOTS


NOTA: 6.
- Tudo que eu preciso, são as botas.

Depois de servir de coadjuvante para Shrek em alguns filmes, agora que o ogro parece ter cansado as plateias chegou a hora do Gato alçar carreira solo. Muitos provavelmente irão dizer que já era hora, e para esses o filme vai ser uma boa surpresa que agrada tanto no visual quanto na parte da ação. E mesmo quando as cenas de ação não chamam tanta atenção, visualmente o filme nunca deixa de ser interessante e filme até mesmo supera os filmes do ogro.
Obviamente, temos a volta de Antonio Banderas dublando o gato mimado com delírios de grandeza, que seguindo o exemplo dos outros filmes que participou, se junta Humpty Dumpty (Zach Galifianakis), Jack (Billy Bob Thorton) e Jill (Amy Sedaris) e a mãe ganso dos ovos de ouro, sem contar a habilidosa ladra Kitty Pata Mansa (Salma Hayek) que perdeu suas garras mas desenvolveu uma incrível habilidade de roubar as pessoas sem que elas percebam. 
Apesar de o filme parecer mais bonito, a verdade é que o personagem do Gato de Botas não é tão memorável quanto Shrek. Ele tem seu charme, mas a verdade é que sequer consegue ser atraente como o Burro. Talvez por isso, a história pareça tão improvisada e não impressione muito. O personagem do Ovo Humpty Dumpty, que começa como amigo do Gato e depois se mostra inimigo, é de longe o personagem mais complexo, e também o mais interessante.
Os dois se conheceram no orfanato e se tornaram melhores amigos. O Ovo já tinha seus planos de conseguir os feijões mágicos que o levariam pra grandes riquezas quando crescessem e o levasse para roubar os ovos de ouro, mas uma traição acontece e eles somente se encontram anos depois para formarem novamente um time.
Diferente dos filmes de Shrek, o Gato de Botas não tem uma personalidade tão clara quanto nos filmes do ogro. Acaba se envolvendo em uma história de vingança e perdão que não ressoa como deveria. Ainda que agrade pelo apuro visual, o filme carece da malícia com que o roteiro de Shrek tinha. Gato de Botas é direcionado para um público mais jovem, com certeza, e isso não é desmérito algum. Só faltou um pouco para ser um melhor filme.
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