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quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

CINCO ANOS DE NOIVADO - THE FIVE-YEAR ENGAGEMENT


NOTA: 8.
- Este é o seu casamento. Você só tem alguns desses.

O filme começa com um pedido de casamento. Ele propõe e ela aceita, logo o segundo passo é casar, certo? E se esse casamento não sai durante cinco anos? Como fica o relacionamento entre os dois? Amor é uma bagunça e cria reviravoltas em nossas vidas. O filme mostra como um casal, mesmo bem intencionado e realmente apaixonado, pode ter a vida virada de cabeça de baixo quando os planos não acontecem conforme esperado. Eles tem seus momentos, pelo menos bons o suficiente para nos manter torcendo por eles durante todo o filme.
Grande parte dessa torcida que temos, é por causa da escolha mais que acertada do casal protagonista. O elenco é o coração do filme. Ele é Tom (Jason Segel), um sous chef de um restaurante em São Francisco. Ela é Violet (Emily Blunt), uma estudante de psicologia que analisa suas opções para o futuro, pois está terminando a sua faculdade.
Violet consegue uma bolsa de doutorado onde vai participar de uma pesquisa liderada por um charmoso (de certa forma) Prof. Childs (Rhys Ifans). Seus planos de casamento vão então sendo adiados uma vez após a outra. Seja pela mudança da cidade, um outro casamento que deve ser realizado com mais urgência e alguns funerais que vão acontecendo pelo filme. Além disso, eles se mudam pra Michigan, com Tom abandonando sua promissora carreira culinária para bancar o noivo da proeminente estudante que a apoia.
O filme tem muita coisa para entreter as plateias. Estudando com Violet, temos todo um grupo diversificado e muito divertido. Roubando a cena quando aparece, temos ainda Alison Brie como a irmã de Violet. São personagens que podem parecer estranhos mas que conquistam fácil por garantirem boas risadas. Talvez parte do crédito deva ir para o produtor Judd Apatow que está acostumado a criar esse personagens tão adoráveis.
Fora da parte divertida, acompanhamos como eles podem tentar acompanhar suas ambições profissionais e amorosas, sendo que as ambições amorosas de ambos aqui realmente não parecem ser compatíveis. Você pode torcer para um ou para outro (especialmente se for feminista), mas realmente o que parece impossível é não torcer para os dois. Isso porque é quase impossível não simpatizar por ambos, seja individualmente ou em conjunto.
O filme segue o padrão que Apatow está imprimindo nos cinemas de fazer um cinema de comédia agradável e sem apelações. Não há apelação nas cenas, no uso de palavrões, de nudez desnecessária ou de violência. A única cena com luta é realizada em ruas congeladas e acaba sendo hilária. Os protagonistas já tinham aparecido antes em As aventuras de Gulliver, mas finalmente fazem um filme que valha a pena mencionar. Sem querer estragar uma surpresa do filme, mas o que temos aqui é um resultado bem divertido.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O ESPETACULAR HOMEM-ARANHA - THE AMAZING SPIDER-MAN


NOTA: 7,5.
- Todos temos segredos. Aqueles que guardamos, e aqueles que são guardados de nós.

O mundo hoje se move numa velocidade assustadora, e aparentemente isso se reflete nos cinemas. Só assim consigo imaginar porque já temos um reboot do personagem aracnídeo mais famoso da Marvel. Afinal, fazem apenas cinco anos desde a última vez que o vimos nos cinemas interpretado por Tobey Maguire, e dez desde que o primeiro chegou aos cinemas. Está certo que a terceira parte estava muito aquém do que deveríamos esperar, mas ainda assim faz pouco tempo.
Então, em teoria, o que temos é uma refilmagem do longa de 2002 dirigido por Sam Raimi, exceto que não é exatamente uma refilmagem. Explicando: como a imensa maioria assistiu o primeiro filme, pra justificar um novo começo de franquia foi necessário contar uma origem totalmente diferente da contada anteriormente. A verdade é que não precisávamos ter essa história contada novamente, mas pelo menos em alguns detalhes ela é feita de forma a justificar melhor a transformação dele em um super-herói.
Peter Parker agora passa a ser interpretado por Andrew Garfield. Um dos problemas que foram ressaltados por produtores, é que Maguire estava muito velho para o papel. Então temos agora o jovem Garfield que tem 28 anos e realmente parece velho demais para estar na escola, mas isso é um problema que acontece com quase todos os filmes que mostram escolas, então não deve ser nada demais. Pelo menos, ele tem um jeito mais nerd que Maguire. Já Dunst não chega a ser substituída, porque Emma Stone interpreta Gwen Stacy, a primeira namorada de Parker nos quadrinhos.
Um dos problemas deste filme, é que qualquer pessoa com mais de dez anos vai assistir e achar que já conhece a história, e isso é porque provavelmente já assistiu realmente. Ainda que seja admirável a preocupação de contar com detalhes e com calma, sem apressar a aparição do herói, parece meio "redundante" ter que assistir, de novo, como ele se transforma de nerd que sofre de bullying à herói. De novo. E por mais de duas horas de duração.
Um dos acertos de Marc Webb ((500) dias com ela), é não depender de um Homem-Aranha completamente digitalizado. Claro que hoje parece impossível realizar um filme sem recorrer ao já famoso CGI, mas pelo menos há inúmeras cenas realizadas por dublês, o que dá "peso" aos movimentos dos personagens. E melhor ainda, o filme funciona porque está todo apoiado em cima dos pesonagens de Garfield e Stone, e não nos efeitos.
O melhor filme do personagem pra mim, e acredito que todos vão concordar, é Homem-Aranha 2, mas este consegue ser melhor que o primeiro filme do herói, mas realmente me incomodou o fato de que em nenhum momento eu consegui parar de pensar que se tratava de uma refilmagem desnecessária. Nem o diretor pareceu se mostrar bem escolhido para mostrar um Aranha para novos tempos, em um mundo mais cruel ou coisa do gênero, como os realizadores (incluindo roteiristas e etc) não tiveram a coragem (ou mesmo foram impedidos) de contar uma história realmente nova. É a tentativa de ressuscitar a franquia fazendo a mesma coisa que foi feita antes. É interessante e divertida, mas realmente parece desnecessária.

terça-feira, 10 de abril de 2012

ANÔNIMO - ANONYMOUS


NOTA: 9.
- Embora nossa história esteja chegando ao fim, o poeta não está. Pois seu monumento é eterno. Não de pedra, mas em verso.

O diretor Roland Emerich é mais conhecido por filmes catástrofes, como 2012 e O dia depois de amanhã, e talvez por querer fazer algo diferente que ele tenha financiado inteiramente o filme de seu próprio bolso. Filme que teve um roteiro escrito em 1998, mas que não foi para frente pois nesse ano Shakespeare apaixonado começava a fazer grande sucesso nos cinemas.
Mais um filme sobre Shakespeare, mas diferente de todos os demais. O autor é um dos mais documentados da sua época, talvez por isso pareça que não havia motivos para se duvidar que ele não tenha escrito as peças que foram montadas em seu nome. Talvez se fosse um escritor mediano ou mesmo medíocre, não haveria qualquer controvérsia. Mas acontece que ele é simplesmente o maior escritor de todos os tempos, um dos poucos artistas supremos que a humanidade conheceu.
Poucos não se incomodariam com a fama que o autor teve em sua época, se formos considerar sua árvore genealógica. Além de ser filho de um pobre e analfabeto, era um ator itinerante em um tempo que a profissão era muito mal visto por todos. Talvez seja por isso que tenham dificuldade de acreditar que este homem tenha escrito obras-primas, e por isso surgiram inúmeras teorias de que as peças teriam sido escritas por outra pessoa. Alguns nomes são sugeridos, o filme fala "em nome" de Edward de Vere.
Talvez você não saiba muita coisa sobre William Shakespeare e saiba menos ainda sobre Edward de Vere, mas isso não deve ser um empecilho para assistir a esse filme. Mesmo se este for o caso, você pode assistir a esse filme com um roteiro intrigante, uma direção precisa e ótimos atores ingleses sem saber nada, e ainda assim se entreter e acreditar que Shakespeare é realmente um personagem interessante.
E se for o caso de ser um fã de Shakespeare, aviso que este filme pega pesado com ele. Ele é retratado quase como um idiota. Sem qualquer tipo de brilhantismo, seja como ator ou qualquer outra coisa. Realmente um homem incapaz de poder ter escrito qualquer peça brilhante. Eu sou um fã de Shakespeare, mas para mim se trata de um autor e como tal ele é brilhante nesse filme também. Seja lá por qual nome atenda aqui.
Já Edward de Vere (Rhys Ifans) parece realmente um gênio. Seu modo de vestir, de falar e agir, tudo faz parte de uma pessoa tão impressionante que acreditamos facilmente que ele pertence à realeza. O filme ainda especula que ele possa ter tido um caso com Elizabeth I, com quem teria tido um filho. Isso e muitas outras tramas contra a coroa e diversas conspirações. Apesar de ter tido a maior parte filmada na Alemanha, o filme consegue com propriedade reviver a antiga Londres. Sejam nos bastidores da realeza ou mesmo no teatro construído para o filme. 
Há muitas coisas que tornam este filme uma experiência, mas devo insistir que de Vere não escreveu as peças. Talvez seja pelo fato de ser um fã de Shakespeare, ou talvez por achar a história inacreditável demais. Inclusive, li uma reportagem que indica que pelo menos 10 peças ou mais teriam sido escritas depois da morte de de Vere. A minha teoria é que não acredito em nada desse filme, mas ainda assim é possível assistir e se interessar muito por ele.
Infelizmente, muitos parecem não dar uma chance ao filme, que fracassou nas bilheterias. Tal fracasso fez com que sua estreia fosse constantemente cancelada aqui no Brasil, para nosso azar. Mas em breve, ele finalmente chega às locadoras.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

NOTTING HILL


NOTA: 8,5.

Richard Curtis é um cara romântico. Só pode ser. Seu primeiro roteiro de sucesso foi Quatro Casamentos e um Funeral com Hugh Grant, depois veio Grant novamente com esse Notting Hill e por último Simplesmente Amor (sei que vai ficar repetitivo, mas...) novamente com Hugh Grant.

Grant é Wiliam Thaker, o mal sucedido dono de uma pequena livraria que vende apenas livros de viagem. Até que um dia, Anna Scott (Julia Roberts), uma grande estrela de Hollywood, entra em sua loja para comprar um livro. Quando esbarra nela, derrama em ambos suco de laranja e a confusão faz com que eles tenham um caso, que dura até o namorado dela aparecer para visitá-la.

De todos os filmes que citei, é aqui que Grant se encaixa melhor. Compondo quase sempre personagens atrapalhados, ele transforma Thaker num sujeito que não se ajusta ao estilo de vida de Scott. Difícil não torcer para cara de bobalhão que ele faz. Já a escolha de Roberts é a mais acertada possível. Ela faz o papel da estrela de cinema mais bem paga de Hollywood. Isso é até covardia: é Roberts “interpretando” ela mesma.

A história é linda e comovente e oferece tudo que a platéia pode querer. Tem romance pra dar e vender. Não só com a história do casal principal, mas também com os amigos, em especial do homem casado com a mulher de cadeira de rodas. Tocante. Porém, o romance não vem fácil. A imprensa atrapalha, boatos atrapalham, mas é impossível não se apaixonar com a seqüência final, quando ele corre atrás dela com a ajuda dos amigos (e novamente, o marido não deixa a mulher na cadeira de rodas para trás). Destaque especial para um plano seqüência no meio do filme, onde Grant anda pela rua e as estações vão passando durante a caminhada. Tomada maravilhosa.

Para ver e rever sem enjoar. Pelo menos eu não enjôo. Perfeito para qualquer hora. Se é que alguém ainda não viu esse filme...

OBS1: Disfarçado de repórter, Thaker entrevista todo o elenco do filme que Anna Scott está divulgando, incluindo uma menina de 12 anos que é interpretada por Mischa Barton, a Marissa da série The OC.
OBS2: Os amigos de Thaker apresentam mulheres para saírem com ele. Uma delas, que nos créditos aparece como “Perfect Girl”, é Emily Mortimer (Cinturão Vermelho), numa ponta de dois minutos.
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