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segunda-feira, 10 de setembro de 2012

O LEGADO BOURNE - THE BOURNE LEGACY


NOTA: 6.
- Jason Bourne foi apenas a ponta do Iceberg.

A história de Jason Bourne era a de um homem em busca do seu passado. Ao final do terceiro filme ele descobre mais do que gostaria e encerra seu ciclo. Agora, sem poder contar com a presença de Matt Damon, a solução era mostrar que Bourne não era o único a participar dos experimentos, o que todos que assistiram os filmes anteriores já sabiam. Afinal, Bourne foi caçado por um bom número deles em sua jornada.
O que acompanhamos agora é Aaron Cross, interpretado por Jeremy Renner. Aaron não tem amnésia nem está com peso na consciência ou coisa do gênero, a busca dele é para conseguir drogas. Não do tipo  ilegal e que dá onda, é uma droga muito melhor que faz com que ele mergulhe nu em lagos congelados no Alaska, atravesse montanhas sem qualquer equipamento e até lute contra uma matilha de lobos durante a noite.
Assim como Bourne, Cross é um agente do tal programa da CIA que recruta combatentes. Só que descobrimos agora que o treinamento é muito mais que especial, ele envolve também alteração do genoma humano fazendo com que desenvolvam grande agilidade física e uma inteligência acima do normal. 
O filme começa de forma muito confusa. Durante um bom tempo, acompanhamos Cross na montanha. O que ele fazia lá eu não sei dizer. De alguma forma, faz parte do treinamento. Eu confesso que passei pelo menos 30 minutos do filme sem entender qualquer coisa que esteja acontecendo no filme. Mas o que mais me incomodou é que demora muito tempo sem que ninguém o chame pelo nome. Será que Renner interpreta o mesmo personagem que Matt Damon interpretou? Somente quando um poster com a foto de Damon dizendo que Bourne é procurado é visto na TV eu consigo ter certeza de que se trata de um personagem diferente.
Depois disso, o filme gasta uma grande parte do tempo em uma sala de comando da Inteligência, mais especificamente: uma sala de comando do tal do Programa com uma grande tela, muitos computadores e equipamentos de comunicação que fazem com que tenham acesso a qualquer câmera de vigilância de qualquer parte do mundo. É nessa sala que vemos os grandes figurões do projeto, que incluem veteranos interpretados por Scott Glenn e Albert Finney e que neste filme está sendo chefiado por Edward Norton. É nessa sala que decidem terminar o programa dando uma pílula amarela para os participantes que faz com que todos caiam mortos. 
Por sorte, Cross não toma a pílula. A estratégia para eliminá-lo é um míssil que ele consegue ludibriar e, depois de lutar com mais lobos (ele acredita que sejam os mesmos), chega até Marta Shearing (Rachel Weisz), que faz parte da pesquisa de alteração do genoma. Eles unem forças para ir até Manila, nas Filipinas, onde os remédios são produzidos. 
Provavelmente porque o filme pertence a franquia Bourne, é necessário incluir cenas de ação, mas infelizmente elas não acontecem de forma orgânica como acontecia nos filmes anteriores. E pior ainda, as três grandes cenas de ação são cópias de cenas que aconteceram antes na franquia, incluindo uma perseguição de carros, de motos e pelos telhados da cidade. Qualquer semelhança não é mera coincidência. A última sequência, da moto, parece durar duas vezes mais do que deveria, e sua edição é falha, o que somente faz com que pareça mais confusa do que já é.
Na verdade, a cena final parece ser uma metáfora do próprio filme: dura mais tempo do que deveria, é confusa e termina de forma insatisfatória. Claro que o final do filme já abre espaço para continuações. Se o nome Bourne continuará aparecendo eu não sei. Afinal, como acompanhamos durante todo este filme, ele ainda está a solta. Só podemos esperar que o próximo seja melhor, com ou sem Matt Damon.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SUCKER PUNCH - MUNDO SURREAL


NOTA: 2.
- Se vocês não se unirem por alguma coisa, vocês vão se partir por qualquer coisa.

O diretor Zack Snyder está se tornando um mestre de filmes com visual exuberante mas sem conteúdo algum. Mesmo quando tinha um ótimo conteúdo, em Watchmen, ele preferiu abandonar a história para ficar com a forma. Sem se preocupar com a adoração dos muitos fãs dos quadrinhos com o material original, ele simplesmente ignora a necessidade de um plot para realizar seu último filme antes de revitalizar a franquia do homem de aço (sabe-se lá o que vai sair disso).
A imaginação do diretor com certeza é bem agitada com muitas explosões e lutas, é apenas de se lamentar que ela não seja muito fértil. Geralmente, seu estilo visual é suficiente para disfarçar a falta de uma boa história, como em 300 e A madrugada dos mortos, mas num filme onde a maior parte da história é contado com extensivo uso de CGI (os efeitos especiais) a coisa não funciona exatamente desse jeito. Por isso, provavelmente não é coincidência o fato desse ser seu pior filme e o primeiro a não ter base em um material preexistente.
Com personagens de mangá, acompanhamos uma abertura onde Baby Doll (Emily Browning) e sua irmã recebem a notícia da morte da mãe delas, o que deixa as duas sob os cuidados do terrível padrasto. A tragédia que se sucede é contada da maneira mais pop possível, o que dilui toda sua força dramática. O fato é que Baby Doll acaba internada num hospício onde, graças a um maligno acordo com o responsável pelo lugar, ela será lobotomizada em cinco dias.
A mente da menina começa a tentar fugir da realidade. Ela entra em uma fantasia onde o hospício é um bordel e as internas são obrigadas a dançar para clientes. Baby Doll se mostra um dançarina excepcional, tão boa que nunca a vemos dançando mas que todos ficam hipnotizados. Tão hipnotizados que abre espaço para que armem um plano para escapar. Todas as vezes que ela dança, um objeto que pode ajudar na fuga é roubado. E cada vez que ela começa a dançar, sua mente que está fugindo da realidade foge da fantasia para uma outra fantasia onde ela é uma guerreira que luta contra guerreiros samurais, vilões da primeira guerra transformados em zumbis e até mesmo dragões.
Talvez o filme pudesse ser mais interessante se as cenas de ação realmente tivessem o poder de segurar a platéia, o que infelizmente não acontece. As cenas, que quase em sua totalidade parecem intermináveis, até são bem coreografadas, mas esquecem de oferecer o principal: tensão. Acompanhada de Sweet Pea (Abbie Cornish), Blondie (Vanessa Hudgens), Amber (Jamie Chung) e Rocket (Jena Malone), Baby Doll atira, pula e esgrima como se fosse um personagem de vide game. E como tal, parece que se algo acontecer com ela é suficiente usar "outra vida". Em nenhum momento parece que algo vai realmente acontecer com elas, mesmo quando alguma coisa realmente acontece.
Pior ainda é a insistência de Snyder de levantar questões polêmicas e ficar suavizando a história inteira. Até mesmo em Hollywwod, nenhuma punição é cruel em demasia quando se trata de crimes hediondos, que é o caso das coisas que acontecem com essas meninas. Mesmo assim, ele vai contra a corrente do bom senso e decepciona em solucionar as questões que ele levanta.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

SECRETARIAT - UMA HISTÓRIA IMPOSSÍVEL


NOTA: 9.
- Isso não é sobre voltar. Isso é sobre a vida estar na sua frente e você correr para alcançá-la. Porque você não sabe quão longe pode ir a menos que comece a correr.

Apesar de termos Diane Lane à frente do elenco, a verdadeira estrela do filme é o cavalo, ou os quatro ou cinco já que depende da cena. A única razão por ter humanos no elenco, é a necessidade da platéia de ouvir diálogos. De qualquer forma, o filme é um entretenimento de primeiro e bem emocionante,
Lane é Penny Chenery, uma dona de casa aparentemente feliz e mãe de três filhos. Aparentemente, porque depois do falecimento da sua mãe e com seu pai (interpretado por um Scottt Glenn quase sem falas) ficando cada vez mais doente, cabe a ela cuidar da fazenda da família. Fazenda que um dia valeu muito dinheiro e que no momento corre o risco cada vez maior de ir à falência.
Ela não se interessa por quanto dinheiro a propriedade pode lhe render, o que realmente lhe interessa é que aquilo é o legado que seu família lhe deixou, e que ela pretende fazer a mesma coisa deixando para a sua. Para isso, ela planeja cruzar sua melhor égua com outro de um antigo amigo de seu pai para ter um cavalo vencedor que possa elevar o valor da fazenda. Sua cartada final, é vender parte dos direitos sobre as crias apostando que Secretariat pode vencer a tríplice coroa, fato que não acontece há muitos anos.
A pegadinha é que a última corrida é muito mais longa que as anteriores. Geralmente, os cavalos que vencem as primeiras são os mais rápidos, e os mais rápidos não conseguem correr grandes distâncias com a mesma destreza. Para Penny, ou Secretariat vence, ou é o fim de tudo. A aposta é tão alta que ela deixa sua família quase de lado. Mas tem algo mais por trás disso: quando ela se tornou dona de casa, ela deixou tudo para trás. Fazer isso é sua chance de realizar algo da sua vida novamente. O único que fica sempre a seu lado, sem nenhum interesse romântico, é Lucien Laurin (John Malkovich), um treinador de cavalos que acumula mais fracassos do que gostaria.
O diretor do filme é Randall Wallace, conhecido pelo bom trabalho de roteiro em Coração valente (dirigido por Mel Gibson), pelo péssimo trabalho de roteiro em Pearl Harbor (dirigido por Michael Bay) até finalmente chegar ao cargo de direção, com trabalhos pífios como O homem da máscara de ferro e Fomos heróis. Parece que finalmente ele encontra o tom certo para fazer um bom filme, começando pelo fato de deixar de lado toda sua falta de sutileza que imprimiu em seus filmes anteriores.
Esse tipo de filme é o prato preferido pelos executivos de Hollywood: uma história comovente, que trata sobre a redenção de várias pessoas e melhor ainda: é uma história real. Pelo menos  não cai no lugar comum que os filmes desse tipo costumam ficar. É sim uma história emocionante. Mesmo sabendo que ele vai vencer a corrida final (não é óbvio em filmes desse tipo?), fica difícil não torcer por ele, e por todas as pessoas responsáveis pela sua trajetória. Me surpreendeu bastante.

terça-feira, 6 de outubro de 2009

W.


NOTA: 7.
“História? Na história estaremos todos mortos!” Bush
Bush me fez muitas coisas. Me irritou. Me surpreendeu. Me fez ter raiva dele. Me fez até ter pena dele. Mas nunca imaginei que ele faria me divertir com ele. É isso que transforma a biografia de Oliver Stone sobre sua vida bem fascinante.
Isso porque quase posso entendê-lo. Não é culpa dele ter se tornado o presidente dos EUA, a culpa é inteiramente do povo que elegeu um incapaz como ele para o cargo de “Homem mais poderoso do planeta”. E a frase acima proferida por ele, mostra o qual ele é incapaz de responder uma simples pergunta se não tiver sido preparado para ela. A pergunta era bem simples: “Qual você acha que será seu papel na história?” A resposta é o tom do filme.
George Bush vive a sombra do irmão, Jeb. Sempre preterido e altamente criticado pelo pai. Nada do que ele faz é bom o suficiente, ou será que ele nunca realmente se esforçou em algum trabalho que realizou? É nessa área nebulosa que o filme de Stone se encaixa. O espectador deve decidir o que pensar sobre ele.
Stone não procura teorias malucas como em seus filmes mais conhecidos. Apenas fatos que parecem ter acompanhado a vida de Bush. E o filme é inteiramente sobre ele. Que bom então que Josh Brolin desaparece dentro de seu personagem. Acredito que os mais desavisados podem olhar para ele e acreditar se tratar de verdade do ex-presidente.
Se não procura teorias, mostra a verdade nua e crua. Como o do porquê de entrar em guerra contra Saddan Hussein. Todos sabem a verdade, e é melhor quando ouvida vindo do “próprio Bush”. O filme de Stone é um tiro certeiro nesse ponto. Um murro em qualquer um que tenha votado nele. Pior ainda quem votou duas vezes.
Para compor o resto do elenco, só nomes de peso que aumentam o poder do filme. Assim como Brolin, todos desaparecem dentro de seus personagens. A escolha do diretor, foi de que seus atores se parecessem fisicamente com suas contrapartes reais. O que chega a dar um tom documental a seu filme. Mais ou menos como Entreatos, que mostrava a eleição de Lula. Richard Dreyfuss (Dick Cheney) competindo com Brolin pelo melhor papel do filme, Toby Jones (Karl Rove), James Cromwell (Bush Pai), Thandie Newton (Condoleezza Rice) e Jeffrey Wright (Colin Powell). Todos perfeitos e fazendo o filme crescer muito.
Se Se Oliver Stone devia alguma coisa depois de seus últimos filmes, aqui ele paga com a energia que fez seu sucesso. E com juros.
W. Ano: 2008. Duração: 129 minutos. Com: Josh Brolin, Jeffrey Wright, Thandie Newton, Scott Glenn, Richard Dreyfuss, Bruce McGill e James Cromwell. Direção: Oliver Stone; Roteiro: Stanley Weiser; Música: Paul Cantelon; Fotografia: Phedon Papamichael; Edição: Alexis Chavez, Joe Hutshing e Julie Monroe.
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