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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

VALENTE - BRAVE


NOTA: 8.
- Se você tivesse a chance de mudar seu destino, você o faria?

Desenhos animados costumam levar muitas crianças para os cinemas e também seus pais, que os acompanham. Como se trata de um filme da Pixar, geralmente ambos ficam satisfeitos, mas infelizmente esse não é o caso aqui. Apesar de ser um bom desenho animado, está longe de ser uma unanimidade como Procurando Nemo, Toy Story ou Wall-e. A boa notícia é que em termos de animação está melhor do que nunca, e o ruivo cabelo encaracolado de nossa jovem heroína está aí para provar.
Eu mencionei o cabelo, porque poucas vezes se vê como ele pode representar tão bem a personalidade de uma personagem. Rapunzel tinha um cabelo muito interessante, mas era um penteado certinho assim como ela era extremamente submissa. Aqui, Merida é dona de uma vasta cabeleira esvoaçante. Ao contrário da outra heroína citada, Merida é livre e ativa. Ela faz acontecer ao invés de esperar que algum príncipe encantado venha em seu resgate. E isso já a faz ser diferente de qualquer outra princesa que a Disney já teve, e a primeira protagonista feminina da Pixar.
Assim como a Katniss, de Jogos vorazes, Merida é perita em arco e flecha, sendo que ela pratica por esporte e não pra se alimentar. Ela anda feliz pela floresta com seu cavalo para o desgosto da rainha, sua mãe, que iria gostar mais se ela se comportasse como a princesa que é. "Uma princesa não coloca sua ara na mesa", ela diz. Quando finalmente atinge a idade de se casar, a rainha arruma tudo para que o marido de Merida seja escolhido entre os pretendente, que são os demais herdeiros dos outros clãs da Escócia.
Furiosa por não ter nenhuma escolha no assunto que vai definir seu futuro, Merida consegue a ajuda de uma bruxa que vive na floresta. A velha, que finge vender apenas artigos de madeira que ela mesmo entalhou, lhe dá uma poção que poderia deixar a menina livre, mas em consequência sua mãe acaba ficando em perigo. Percebendo que pode perder sua mãe para sempre, Merida parte em seu resgate para tentar reparar seu erro, e durante a jornada mãe e filha finalmente se conhecem de verdade e começam a tentar entender melhor uma à outra.
As cavalgadas que Merida dá servem para duas coisas: 1. Para apreciarmos o mundo em que ele vive. Vemos o que ela gosta e percebemos o que ela tem a perder se casar; e 2. Nos fazendo apreciar o mundo da princesa, a Pixar nos delicia com uma Escócia espetacular, colorida e com detalhes tão realistas que são de tirar o fôlego. Não sei dizer se a realidade é tão bonita assim, mas realmente é muito bonito de se ver mesmo aqui no desenho.
Merida está longe de ser uma princesa tradicional dos contos de fada. Pra mim, é interessante vê-la como uma feminista que luta para mudar seu destino. Ainda que isso aconteça com um pouco de mágica, é seu esforço que altera "a ordem natural das coisas". É a Pixar entrando no "mercado das meninas", mas entrando de forma totalmente diferente do que já tínhamos visto até agora. Ainda que não seja uma obra-prima como ficamos acostumados de ver, é um desenho muito interessante.

terça-feira, 29 de junho de 2010

TOY STORY 3


NOTA: 9,5.
(Enquanto olha para seus brinquedos) "Obrigado, pessoal!" Andy

As "terceiras partes" de franquias costumam ser terríveis e acabam afundando o que costumava gerar bons filmes. Temos como exemplo O poderoso chefão, Homem aranha, X-men e Rocky como exemplos. E claro que muitos outros que nem valem a pena serem mencionados. Que alívio então é ver que o terceiro da franquia dos brinquedos escapa dessa maldição e mostra um filme no mínimo tão bom quanto seus antecessores. Os brinquedos estão de volta com tudo.
Não todos. Andy agora está a caminho da faculdade. Ele já não brinca mais com seus brinquedos e guarda somente os seus preferidos (e provavelmente os seus também). Eles até montam uma operação para serem brincados uma última vez, mas não adianta. Andy deve decidir se os brinquedos vão para o lixo, doados a um orfanato ou guardados no sótão. Por uma série de acidentes eles acabam no orfanato. Todos decidem ficar lá para serem brincados. É Woody quem foge sozinho. Ele é o único que ainda se importa com os deveres que eles tem com Andy.
Ele acaba parando na casa de uma menina e é lá que descobre que o orfanato é dominado cruelmente pelo urso Lotso (os outros descobrem da pior maneira) e parte para resgatá-los. Basicamente ele deve resgatar seus amigos e voltar para casa antes que Andy vá para a faculdade. O que se torna pior ainda para brinquedos com suas pernas curtas e os problemas que tem de transporte.
Os dois primeiros filmes focavam na relação dos brinquedos com Andy. Aqui, os problemas estão focados nas relações entre eles mesmos. Se isso pode dar a impressão de ser uma bola fora (quem se importa com brinquedos?), lembre-se que estamos falando de um filme da Pixar, a antítese dos filmes de Bruckheimer. Sim, é possível se importar com brinquedos e melhor ainda, é possível fazer um filme que agrade pessoas de 8 a 80 anos. E de qualidade. Aprenda, Bruckheimer.
Poderia falar dos efeitos em 3D, mas isso não é tão importante no filme. Eles usam os efeitos com parcimônia e de forma agradável. Acredito que ninguém vá reclamar de dor de cabeça saindo do cinema. O que pode sair é com a barriga doendo de tanto rir. Especialmente com a transformação de Buzz numa versão falando em espanhol e dançando Flamenco e a introdução de Ken (da Barbie, dublado por Michael Keaton). Simplesmente hilário.

domingo, 4 de outubro de 2009

UP - ALTAS AVENTURAS



NOTA: 9,5.
“Sabe, Carl? As pessoas vem aqui e todas têm ótimas histórias. Um sobrevivente fazendo um mapa. Uma botânica catalogando plantas. Um velho levando sua casa para as Cachoeiras do Paraíso. Esta é a melhor até agora. Mal posso esperar pra saber como termina.” Charles Muntz

Eu achava impossível o que a Pixar vinha fazendo. A cada novo filme, eles entregavam um produto melhor que seu antecessor. A trajetória veio seguindo até chegar a Wall-e, um dos melhores desenhos que já vi na minha vida. Se não o melhor. Quem disse que ele não podia ser superado estava certo.
Não que Up seja um filme ruim. Pelo contrário, é maravilhoso.
Up é um daqueles filmes maravilhosos de se assistir. Apesar da sua história fantástica, é difícil não acreditar no que estamos vendo. Boa parte por conta dos personagens que são tão reais quanto em qualquer outro filme que você possa assistir. Com seus problemas e temperamentos.
Por isso que quando Carl amarra os balões na sua casa e sai voando, não achamos que haja qualquer coisa de muito anormal ali. Porque acreditamos no personagem.
Carl começa no filme como um garoto. Seu ídolo é Charles Muntz, um explorador. Ele conhece e se aproxima de Ellie, que também deseja explorar. Ellie tem o sonho de ir para Venezuela: O Paraíso das Cachoeiras. E Carl promete a levar lá algum dia. Eles se casam e montam sua vida juntos. Nunca esquecendo da Venezuela. Mas o destino sempre prega uma peça e eles acabam nunca conseguindo realizar a viagem. Até que Ellie parte. Isso contado num prelúdio quase todo mudo e maravilhosamente feito.
Carl então vive sozinho. Recluso. Sua casa é a única que falta para realizarem uma grande construção. Um dia, ele perde a cabeça e agride um funcionário da empresa. Considerado uma ameaça, ele deve ir para um asilo. Coisa que não deseja. Por isso amarra os balões para levar a casa para o Paraíso das Cachoeiras, como Ellie queria. Junto com o intruso Russel, que deve ajudar um idoso em alguma coisa para poder ser promovido nos escoteiros.
O que acontece na jornada dos dois, você terá que descobrir vendo o filme. Tem um toque que lembra um pouco um filme de Indiana Jones, com mistérios na floresta e tudo o mais.
Ainda que não tenha o toque especial de Wall-e, nem sua mensagem política, a Pixar novamente emenda um novo sucesso para crianças tanto quanto para adultos. Eles nunca esquecem o principal que é contar uma boa história.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

BOLT


NOTA: 8,5.

Finalmente a Disney volta a lançar um (realmente) bom filme. Antes do começo da era PIXAR, a Disney vinha de enormes sucessos: “A Bela e a Fera” (1991) foi indicado ao Oscar de melhor filme (não existia a categoria de melhor animação), “Aladin” contou com a voz de Robin Williams para estourar as bilheterias mundiais e “O Rei Leão” coroou em grande estilo a ótima fase da produtora. Enquanto a PIXAR entrou em ação ascendente, a Disney foi na direção contrária. Ainda entre o primeiro “Toy Story” e “Vida de inseto” conseguiu alguns sucessos como “O Corcunda de Notre Dame” e “Hércules”, mas depois foram consecutivos filmes medianos e preguiçosos como: “Tarzan”, “Mulan”, “Dinossauro”, “A Nova Onda do Imperador”, “Atlantis”, “Lilo & Stitch”, “Planeta do Tesouro”, “Irmão Urso”, “Nem que a Vaca Tussa” e “Galinho Chiken Little”. Não que sejam ruins (alguns até são), mas são filmes que poderiam ter sido feito por qualquer estúdio. Com o crescimento da animação da DREAMWORKS e até da FOX, convenhamos que a Disney estava devendo e muito.

Eis que surgiu John Lasseter, presidente da PIXAR que virou também presidente da Disney e fez as coisas entrarem nos eixos. BOLT é o primeiro fruto da Disney sobre sua presidência. Seja lá o que ele fez para a PIXAR ser o monstro que é, ele começa a fazer aqui também. BOLT é o filme que Disney precisava para se reerguer e apesar de estar ainda um patamar abaixo da PIXAR, é um ótimo filme. E para ficar ainda melhor: 3D. Mas não se engane achando que o filme é refém da tecnologia, ele tem um ótimo roteiro e animação de primeira linha. O 3D é só um luxo a mais.

Bolt é um cão, astro de uma série juvenil de ação. Para que ele interprete melhor, todos agem como se fosse tudo real e o cachorro realmente acredita que é um supercão. Como ao final de todo capítulo ele salva a mocinha, a platéia do seriado é apenas para crianças. Com intuito de aumentar a faixa etária, eles resolvem criar ameaças mais perigosas e a mocinha é raptada. Desesparado, ele tenta salvá-la a qualquer custo e acaba parando no outro lado do país. Para indicar o caminho de volta, ele pega uma gata de rua (que no seriado são maus) e, acompanhados de um hamster, eles cruzam o país para reencontrar a menina. E nessa viagem ele descobre que não é super ao mesmo tempo que cria um laço de amizade com a gata, que o ensina a ser um cão de verdade.

O seriado permite que o filme tenha cenas de ação ótimas. Isso junto com um roteiro esperto e muito engraçado. Para melhorar, o hamster é simplesmente hilário. E no final, a gente descobre que ele não precisa ser super para ser herói. Diversão de primeira linha recomendada para os grandes e pequenos. Principalmente se for num cinema 3D.

sábado, 15 de novembro de 2008

WALL.E


NOTA: 10
O melhor desenho animado desse ano.
Na verdade de muitos outros anos.

Ao contrário dos filmes, que foram grandes prejudicados com a greve de roteiristas, os desenhos se saíram melhor esse ano (já que levam anos pra serem concluídos). E Wall.e é maravilhoso tanto visualmente quanto pela história emocionante. E não precisa de diálogos pra isso, o que o torna uma pérola ainda mais rara.

Talvez os pequenos possam não gostar pelos momentos de silêncio, mas acho difícil não se interessarem pelo visual fantástico ou não se emocionarem com a história do pequeno robô. O início sem diálogos (com exceção de um filme que ele gosta de assistir, Alô, Dolly), vemos a rotina de Wall.e, cuja missão é melhorar o planeta terra que foi deixado pra trás por ter se tornado inóspito. E vemos que todos os modelos da linha dele que possuem a mesma missão, estão quebrados... Wall.e é o último da sua espécie.

É um triste planeta de se ver, mas é ótimo ver nosso herói vagando por ele (que me parece ainda mais agradável por parecer o E.T. do filme do Spielberg). Até que tudo muda. Uma nave pousa e um robô fica na terra procurando vida. Então Wall.e se apaixona. Você pode se perguntar: "mas um robô se apaixonando?". Pois saiba que Wall.e vai atrás de seu amor e passa por muitos humanos. E nenhum deles é tão humano quanto o intrépido robozinho. E por falar dos humanos, estes assustam. Se nosso futuro for esse, temos muito o que temer. Ninguém anda nem se comunica, todos ficam com a cara enfiada em máquinas.

Um dos filmes mais bonitos do ano. Impossível não se apaixonar pelo robozinho ou pela sua jornada, o que o torna recomendado para adultos e crianças. Se fosse na época do cinema sem som, poderia muito bem ser uma animação muda (será que a pixar iniciou uma nova era de desenhos feito para adultos?). Emociona, tem uma ótima história e um ótimo alerta pras crianças. Dá uma pena quando acaba...
Mais um acerto de enormes proporções na carreira muito bem sucedida da Pixar.
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