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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

PONYO


NOTA: 9.
"Ponyo ama Susuke. Eu vou ser humana também." Ponyo

Muitos não devem reconhecer o nome de Hayao Miyazaki, mas ele é o animador japonês mais famoso do mundo e autor de A viagem de Chihiro, que há alguns anos atrás venceu o Oscar de melhor animação, infelizmente o único de seus desenhos que lembro ter sido lançado decentemente nos cinemas por aqui. Os mais desavisados podem pensar que de lá pra cá ele não fez não mais nada, mas isso não é verdade. Este senhor de 68 anos realizou outros 7 desenhos até chegar em Ponyo, e claro que nenhum desses, assim como este próprio não chegaram às telas de cinema. Diferente de seu lançamento nos EUA, onde o lançamento do desenho foi supervisionado por John Lasseter (um dos fundadores da Pixar e diretor dos dois Toy story) e contou com vozes dubladas por Liam Neeson, Matt Damon, Cate Blanchett, Tina Fey, um irmão Jonas e a irmã mais nova de Miley Cyrus. Que diferença.
Miyazaki disse que todos seus desenhos envolvem terra, água e ar. Talvez isso seja por sua imensa capacidade de conseguir criar mundos tão fantásticos com esses elementos. E todos feitos à mão ainda, da mesma forma que Branca de Neve e todos aqueles desenhos de antigamente. Aqui, ele conta a história de um pequeno peixe que sai para descobrir o mundo. Conforme descobrimos depois, ela (o peixe) é filha de um humano, Fujimoto, que vive debaixo d'água. Na superfície, ela é encontrada por Sosuke, que cuida dela, mas eles são separados pelo pai que recupera a filha. Ponyo, porém, é voluntariosa e deseja ficar com o garoto. Ela o ama. Ela quer ser humana.
A história é simples mas apresenta uma profundidade enorme. Envolve até mesmo mudanças climáticas por conta dos atos de Ponyo. Ela não faz por mal. Claro que não. Que criança toma alguma atitude pensando nas consequências de seus atos? Ela apenas quer ser feliz e é isso que o desenho representa. Na verdade, é bom ver um desenho como esse que trata da felicidade. A maioria dos desenhos de hoje, sejam bons ou ruins, costumam vir agora com um certo tom melancólico. Há sempre alguma coisa que deixa uma certa tristeza no ar em algum momento. Não aqui. Não há mortes nem mesmo pessoas doentes. É um desenho dos mais felizes que assisti nos últimos tempos. Para público infantil sim, mas maravilhoso.
Infelizmente o desenho só está disponível em DVD importado, o que significa que apenas algumas locadoras o terão para aluguel. Mas se houver a possibilidade, sugiro que alugue. Este desenho é ótimo para crianças de qualquer idade. E quando digo qualquer idade, quero dizer que não importa qual seja a sua idade.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

BOLT


NOTA: 8,5.

Finalmente a Disney volta a lançar um (realmente) bom filme. Antes do começo da era PIXAR, a Disney vinha de enormes sucessos: “A Bela e a Fera” (1991) foi indicado ao Oscar de melhor filme (não existia a categoria de melhor animação), “Aladin” contou com a voz de Robin Williams para estourar as bilheterias mundiais e “O Rei Leão” coroou em grande estilo a ótima fase da produtora. Enquanto a PIXAR entrou em ação ascendente, a Disney foi na direção contrária. Ainda entre o primeiro “Toy Story” e “Vida de inseto” conseguiu alguns sucessos como “O Corcunda de Notre Dame” e “Hércules”, mas depois foram consecutivos filmes medianos e preguiçosos como: “Tarzan”, “Mulan”, “Dinossauro”, “A Nova Onda do Imperador”, “Atlantis”, “Lilo & Stitch”, “Planeta do Tesouro”, “Irmão Urso”, “Nem que a Vaca Tussa” e “Galinho Chiken Little”. Não que sejam ruins (alguns até são), mas são filmes que poderiam ter sido feito por qualquer estúdio. Com o crescimento da animação da DREAMWORKS e até da FOX, convenhamos que a Disney estava devendo e muito.

Eis que surgiu John Lasseter, presidente da PIXAR que virou também presidente da Disney e fez as coisas entrarem nos eixos. BOLT é o primeiro fruto da Disney sobre sua presidência. Seja lá o que ele fez para a PIXAR ser o monstro que é, ele começa a fazer aqui também. BOLT é o filme que Disney precisava para se reerguer e apesar de estar ainda um patamar abaixo da PIXAR, é um ótimo filme. E para ficar ainda melhor: 3D. Mas não se engane achando que o filme é refém da tecnologia, ele tem um ótimo roteiro e animação de primeira linha. O 3D é só um luxo a mais.

Bolt é um cão, astro de uma série juvenil de ação. Para que ele interprete melhor, todos agem como se fosse tudo real e o cachorro realmente acredita que é um supercão. Como ao final de todo capítulo ele salva a mocinha, a platéia do seriado é apenas para crianças. Com intuito de aumentar a faixa etária, eles resolvem criar ameaças mais perigosas e a mocinha é raptada. Desesparado, ele tenta salvá-la a qualquer custo e acaba parando no outro lado do país. Para indicar o caminho de volta, ele pega uma gata de rua (que no seriado são maus) e, acompanhados de um hamster, eles cruzam o país para reencontrar a menina. E nessa viagem ele descobre que não é super ao mesmo tempo que cria um laço de amizade com a gata, que o ensina a ser um cão de verdade.

O seriado permite que o filme tenha cenas de ação ótimas. Isso junto com um roteiro esperto e muito engraçado. Para melhorar, o hamster é simplesmente hilário. E no final, a gente descobre que ele não precisa ser super para ser herói. Diversão de primeira linha recomendada para os grandes e pequenos. Principalmente se for num cinema 3D.
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