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terça-feira, 19 de junho de 2012

O GAROTO DE LIVERPOOL - NOWHERE BOY


NOTA: 8.
- Não faz sentido odiar alguém que você ama.

Este filme conta a adolescência de John Lennon (Aaron Johnson). Nessa época conturbada em que ele decidiu começar a sua carreira como músico e formar a banda que viria a ser conhecida como The Beatles, ainda que esse nome não seja mencionado em nenhuma parte do filme. Ele cresce sob os cuidados de sua tia Mimi (Kristin Scott Thomas). Escrito também pela meia-irmã dele, o filme parece preencher alguns pedaços da vida do astro que eram até então desconhecidos.
Lennon reencontra sua verdadeira mãe no enterro de seu tio, e ele acaba se interessando pelo jeito apaixonado que ela lhe mostra. Muito diferente do modo que sua tia o criou, que apesar de o amar sempre se mostra um tanto quanto fria e distante. Lennon aprende no filme que sua mãe era incapaz de o criar e por isso foi morar com sua tia, mas o que ele não sabia é que sua mãe mora no mesmo bairro que ele, apenas alguns minutos longe dele.
Pela proximidade, é possível que ela tenha o visto algumas vezes pela rua enquanto ele crescia, tanto que quando ele vê aquela mulher o encarando no enterro do seu tio ele sabe quem ela é. Talvez ela tenha se mantido afastada por respeito à irmã, mas quando ele bate em sua porta ela está pronta para se mostrar bem diferente do que ele esperava. Eles são parentes diretos, mas ainda assim estranhos um ao outro. 
Não esperem o surgimento de um dos maiores fenômenos de todos os tempos. A fama global e "maiores que Jesus" não parecem estar sequer perto de aparecer neste filme. Este não é um filme sobre isso. O filme deliberadamente foca em contar a história da adolescência de um rapaz crescendo na cidade de Liverpool, como era a sua relação com seus tios, mãe e amigos. Um rapaz um pouco arrogante e ao mesmo tempo vulnerável.
Claro que eventualmente vemos a banda se formando ainda que não seja o foco. Lennon monta a sua banda e a ele se junta Paul, que o apresenta a George, e Ringo obviamente não tem como aparecer num filme que conta apenas o início da trajetória da banda. É apenas para assistirmos como uma banda icônica realmente começou, sem sonhos de grande sucesso ou promessas de dinheiro. Somente rapazes que se juntam para se expressarem através da música, que pode ser a única forma que eles conhecem como fazer.
Um dos motivos para assistir o filme é a presença de Aaron Johnson (de Kick-Assno papel principal, que consegue passar ao seu personagem uma certa raiva e sensibilidade ao mesmo tempo. Lennon não parece saber seu lugar no mundo, porque tanto lhe foi escondido que ele sequer sabe. É somente quando ele entra neste papel de astro do rock meio bad boy que parece descobrir seu lugar. E Johnson consegue captar essa nuance e nos fazer acreditar que realmente conhecemos John Lennon.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

MISSÃO IMPOSSÍVEL - MISSION IMPOSSIBLE





NOTA: 7.
- Como o pegamos? Botamos um oficial no aeroporto? Quantas identidades você acha que Hunt tem? Esses caras foram treinados para serem fantasmas. Nós os treinamos para serem assim.

Foi em 1996 que Tom Cruise decidiu ser o produtor de seus próprios filmes. Um dos maiores astros do cinema atual, decidiu que seu primeiro filme seria uma adaptação para os cinemas da série de sucesso de mesmo nome. Ainda que o filme tenha envelhecido um pouco, ainda é a referência que seus sucessores seguem. A cena mais famosa onde Hunt desce por uma corda dentro de um cofre é tão boa que foi adaptada para todos os outros três filmes. Gostando do filme ou não, ninguém pode deixar de admitir que ele é um sucesso.
Cruise é Ethan Hunt, um agente de uma força tarefa chamada IMF (Impossible Mission Force). Seu líder é Jim Phelps (Jon Voight) e a missão do grupo é impedir o roubo de uma lista que eles chamam de NOC (Non Official Covers, os agente não oficiais do governo). Não basta apenas impedir, eles devem filmar o roubo e seguir o meliante para descobrir a quem ele vai passar a lista. A missão dá errado, todos os membros da sua equipe morrem e ele é considerado um traidor.
O filme é dirigido por Brian De Palma, um mestre de filmes de suspense que é, provavelmente, o mais próximo que tínhamos de um Hitchcock moderno. Talvez por isso ele tenha aceitado fazer esse filme que pouco tem de suspense, mas conta a história do homem inocente que foge e tenta provar sua inocência por conta própria. Qualquer semelhança com muitos dos filmes de Hitchcock não deve ser mera coincidência.
Existem muitas voltas e reviravoltas na trama, e tudo acontece tão rapidamente que começamos a aceitar que nada do que aparece é real. Nenhum fato, nenhum pensamento ou mesmo um rosto, já que falsas máscaras de látex podem fazer com que qualquer pessoa se transforme em outra. Há tantas questões que podiam ser levantadas sobre o filme, que o melhor é não pensar em nenhuma delas. É um filme pra ser visto naquele instante e curtido naquele instante apenas.
De Palma gosta de realizar longas cenas sem falas ou onde as falas não interessam em nada ao que está acontecendo. Aqui ele tem a chance de brincar com três cenas assim: a perseguição final em um trem bala, uma recepção diplomática onde o roubo da lista vai acontecer e a famosa cena onde ele fica suspenso pela corda sem poder fazer barulho ou tocar o chão pois isso acionaria o alarme (apesar de o limite de ruído ser tolerante o suficiente para que ele possa inserir e retirar um disco).
Nada disso importa. O que importa é que Cruise parece "cool" e é realmente um astro que nos segura durante um filme inteiro. Mesmo que esteja fazendo coisas que não entendemos muito bem em uma trama confusa e um pouco complicada de se acompanhar. É a esperteza de De Palma que faz um filme num ritmo frenético para que realmente não possamos acompanhar nada com clareza. Para o diretor, o que importa aqui é o estilo do filme, não sua história. E isso ele faz muito bem.

sábado, 15 de agosto de 2009

HÁ TANTO TEMPO QUE TE AMO – IL Y A LONGTEMPS QUE JE T’AIME



NOTA: 9,5.
Kristin Scott Thomas é Juliette, mulher que vai morar com a irmã (e seu marido, sogro e duas filhas adotadas do Vietnã) depois de estarem 15 anos afastadas. A demora do reencontro se dá por causa da condenação de Juliette por assassinato. Por conta de seu histórico, Juliette não é bem recebida pelo seu cunhado, o único da casa que conhece seu passado. E nem ela mesma se sente bem vinda com a vida fora da prisão.
Depois de tanto tempo aprisionada, ela precisa aprender a levar sua nova vida. Mesmo em uma mesa de jantar com várias pessoas, ela está sempre distante do resto, apenas escutando sem participar. Somente duas pessoas no filme a deixam confortáveis: Papy Paul, o sogro de sua irmã, e o policial que cuida da sua condicional. Papy porque foi vítima de um derrame e perdeu a capacidade de fala e o policial por saber o que ela passou pelos últimos 15 anos. Talvez seja o único do filme que saiba.
O filme explora o problema de comunicação dessas pessoas. De Julliete, que não se abre com ninguém; de Léa que ora parece aceitar e ora parece perdida com o que deve sentir em relação a irmã e o marido que se incomoda com o crime que a cunhada cometeu. Ninguém no filme a pergunta exatamente o que quer saber. Falam “daquele lugar” ao invés de simplesmente dizer prisão. O único que faz perguntas diretas não tem a resposta com uma sinceridade total. A sinceridade é disfarçada como se fosse brincadeira.
O filme todo gira em torno de Juliette, por isso tantos elogios para Kristin Scott Thomas. Ela, com extrema maestria, faz com que Juliette aprenda seu novo lugar no mundo. Se abrir novamente para as pessoas e deixá-las fazerem parte do seu mundo, como há muito tempo não fazia. Até seu chefe no novo trabalho a pede isso. Por mais que seu delito tenha sido grave, por mais que suas emoções tenham sido enterradas em seu mais profundo ser. O filme dá uma escorregada no final com uma reviravolta desnecessária, mas nem de longe o torna menos emocionante.
Curiosidade: O título do filme se refere a uma música popularmente conhecida na frança, La Claire Fountaine.
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