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terça-feira, 17 de maio de 2011

TOOTSIE


NOTA: 9.
- Você é um psicopata.
- Não, eu sou um contratado.

Na década de 1940 esse tipo de filmes não eram tão incomuns e eram bem aceitos pelo público. Misturavam uma certa seriedade na trama misturada com situações absurdas para fazer uma boa comédia. Em 1959, Billy Wilder repetiu o feito e manteve seu filme em preto e branco para que a aparência dos atores não causasse estranheza no público. Neste filme, de 1982, o gênero aparece novamente mas dessa vez em cores mas ainda assim como uma boa comédia. Ao contrário as péssimas produções atuais como As branquelas e outros lixos do gênero.
Dustin Hoffman interpreta Michael Dorsey, um personagem que deve ter sido inspirado no próprio ator antes de fazer sucesso. Dorsey é um ator muito talentoso mas também muito intempestuoso, por isso criou para si uma péssima reputação de encrenqueiro. Quando vai falar com seu empresário George Fields (o também diretor Sydney Pollack), este lhe avisa que ninguém em Nova York ou até mesmo em Hollywood irá contratá-lo. Ninguém quer trabalhar com ele.
Um dia, Dorsey acompanha uma amiga sua em um teste para um papel em uma novela, mas ela não consegue o papel. Dorsey volta para casa e resolve ele mesmo se travestir para tentar o papel e acaba o conseguindo depois de mostrar que pode ser uma "mulher forte" como eles querem. Michael Dorsey pode não conseguir ser contratado, mas Dorothy Michaels tem um trabalho fixo na TV agora.
Talvez muitos possam pensar que este também deveria ter sido filmado em preto e branco para que Hoffman parecesse mais natural. Para mim ele funciona de uma certa maneira peculiar. Disfarça a voz através de um sotaque que criou para o personagem. A roupa é muito exagerada, assim como a peruca e seus óculos, mas tudo faz parte do conjunto. Quem nunca viu nas ruas uma mulher exagerada que parecia uma drag queen? Ele é um homem vestido como uma mulher que parece uma drag. Por isso acredito que funciona.
Assim como acredito que funciona tão bem porque é também uma grande comédia. Mesmo que as maquilagens e as roupas não funcionassem em algum nível, ainda assim restaria um filme com ótimas cenas e muitas risadas. Especialmente nas cenas entre Hoffman e Bill Murray, que interpreta seu amigo Jeff. Mais impressionante ainda que todas as falas de Murray foram improvisadas por ele.
Dorsey começa a ter que conviver com um ator da novela que parece se apaixonar por ele, uma "namorada" que acredita que ele está tendo um caso com Dorothy (apesar dele afirmar ser impossível) enquanto ele mesmo começa a se apaixonar por uma das atrizes da novela interpretada por Jessica Lange e que vê um Dorothy uma ótima amiga.
O melhor de tudo é que o filme não é tão superficial como parece ser. Dorothy começa a tomar vida própria por conta da sua popularidade. E se torna mais um problema que ele deve enfrentar. Situação que até mesmo dificulta sua saída da novela. Além disso, é um filme que se torna muito tocante, especialmente no final. E surpreende que um comédia tenha tanta delicadeza.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

PEIXE GRANDE E SUAS HISTÓRIAS MARAVILHOSAS

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NOTA: 7.
- Um homem conta suas histórias tantas vezes que acaba se tornando suas histórias. E elas continuam depois que o homem morre. Dessa forma, ele se torna imortal.

Há um conflito entre pai e filho aqui. O filho cresceu escutando histórias que seu pai conta sobre seu passado e que são fantásticas demais para serem levadas á sério. Quando era criança eram divertidas, depois de um tempo perderam a graça. Ele agora quer saber a verdade sobre o passado de seu pai, mas a tarefa não é fácil quando se está lidando com um mitômano.
O filho é Will (Billy Crudup), e ele recebe uma ligação dizendo que seu pai está doente, o que o faz voltar para sua antiga casa. Lá ele tenta descobrir a verdade por trás das histórias, seja ela qual for. O filme então se divide entre o velho Edward (Albert Finney) contando as histórias com sua esposa, Sandra (Jessica Lange) e os flashbacks onde o casal é interpretado por Ewan McGregor e Alison Lohman. 
Realmente as histórias contadas são inacreditáveis demais. Elas envolvem um lobisomem, um gigante de quatro metros de altura, duas gêmeas siamesas que dividem o mesmo par de pernas e uma cidade que beira a perfeição e todos andam sem sapatos. E no meio de todas essas histórias, há também histórias sobre o porquê dele ter perdido o nascimento de Will e como conheceu o amor da sua vida, Sandra. Apesar dessas duas histórias parecerem mais simples, são tão fantásticas quanto todo o resto.
O filme é dirigido por Tim Burton, que criou para si um estilo pessoal de fazer filmes que é facilmente identificável. No aspecto da direção, o filme também se divide em duas partes: a parte do presente que se apresenta de forma corriqueira e os flashbacks que são mostrados no tal estilo "burtoniano". Aqui se apresentam dois problemas. Um, é que o resultado soa irregular entre os dois tipos de filmagem e fica um pouco estranho em suas transições. O segundo problema é que Burton parece ansioso demais para contar a história do jovem Edward, que é mais fantástica, mas quanto mais ele conta as histórias mais elas vão perdendo seu efeito. Em certo momento começam a ficar cansativas. Quando o final chega, nem parece tão impressionante assim. Além disso, deixa de lado o casal Finney e Lange que é a melhor coisa do filme. Eles não mereciam serem deixados de meros coadjuvantes.
No filme, as pessoas se dividem entre os que acham Edward adorável e os que se cansaram de ouvir suas histórias. Acredito que com as pessoas que assistem o filme pode acontecer a mesma coisa. Muitos podem achar o filme maravilhoso e querer me criticar, mas eu sou do time que acha que essas histórias deveriam ser contadas com mais parcimônia.
Eu sou como Will. As histórias fantásticas podem ser interessantes, mas o que há por trás delas também pode ser interessante. Seria bom poder conhecer os dois lados. O filme acaba ficando com aquela sensação de ouvir uma piada que já ouviu antes. Até pode ser melhor contada da última vez que ouviu, mas não tem a mesma graça de quando a ouve pela primeira vez. E não achem que não gosto do diretor, eu o adoro, mas ele já fez e é capaz de fazer coisas melhores.

PS: Este é o primeiro filme americano de Marion Cotillard e também a estréia de Miley Cyrus nos cinemas.
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