Mostrando postagens com marcador D. W. Griffith. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador D. W. Griffith. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de abril de 2013

INTOLERÂNCIA - INTOLERANCE: LOVES STRUGGLE THROUGHOUT THE AGES


NOTA: 100.

Depois do lançamento de O nascimento de uma nação, o diretor D. W. Griffith provavelmente se deparou com dois desafios. O primeiro seria apagar a fama de racista recém adquirida tão logo o filme foi lançado. O segundo, é como ele poderia fazer um filme que fosse ainda mais grandioso. A resposta para ambos os desafios é este filme, que mostra a intolerância que as pessoas podem ter umas com as outras (assim como tiveram com ele), contadas em quatro histórias diferente e em tempos diferentes, o que faz o filme ter cenários espetaculares. É uma obra de arte que nenhum espectador tinha visto anteriormente.
Para a produção, especula-se que Griffith gastou mais de dois milhões de dólares com construções de cenários gigantescos (conta-se que um deles permaneceu montado por muitos anos durante a época de ouro de Hollywood, como uma espécie de monumento) e muitos (e muitos) figurantes que participam do filme. A produção foi tão suntuosa pra época, que Griffith mandou decorar todos os cinemas que exibiam o filme. O resultado é que o diretor se viu sem dinheiro pra sequer desmontar o cenário depois que o filme foi lançado. E mesmo depois, a produção não conseguiu se pagar.
Querendo mostrar os perigos que a intolerância pode causar, ele usa como base de seu filme a história de um casal pobre que tem um filho. Numa série de circunstâncias infelizes, o marido vai preso por conta de um crime que não cometeu. Quando é novamente condenado, mesmo sendo inocente de novo, sua sentença é a morte. Que culmina numa cena entrecortada com a mulher tentando salvar seu marido enquanto ele caminhava para a forca. Suspense que somente ele conseguia realizar.
Para "ligar" as cenas, temos Lilian Gish como uma mulher que somente balança um berço o tempo inteiro. E embora esta história do casal seja a mais interessante do filme, a história era modesta demais para servir aos propósitos do diretor. Depois de lançar um épico, ele provavelmente achou que não podia lançar nada que fosse menor. Então, para complementar, temos ainda uma parte bíblica com Jesus Cristo, uma parte persa, uma babilônica e uma francesa da idade média.
O filme não conta as histórias em ordem cronológica, mas sim vai indo e vindo entre uma e outra de forma bem interessante. O problema é que mesmo hoje, esse tipo de filme não é completamente compreendido pelas plateias. O exemplo mais recente que posso citar é A viagem, que conta muitas histórias paralelas em tempos e mundos diferentes. E hoje, as pessoas já estão acostumadas a assistirem filmes assim (graças a Eisenstein, MTV e outros). Imaginem o impacto que Griffith causou ao fazer isso quase cem anos atrás? O filme não foi entendido por muitas pessoas. Isso pode explicar parte de seu fracasso, mas também pode ser porque quis contar uma história que pregava paz a e tolerância num mundo que estava prestes a entrar na sua Primeira Guerra Mundial.
Seja como for, hoje o filme é um épico que marcou a história do cinema. É um reflexo de um diretor que mostrava uma genialidade fora de série, não importando a história que contasse. E mais interessante ainda, é uma obra que mostra o quanto eles estava a frente de seu tempo. Ainda que tenha suas falhas, mostra que Griffith estava, pelo menos, décadas a frente de qualquer outro diretor. Não por acaso, o que temos aqui é uma obra de arte que é o maior espetáculo da era muda.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO - THE BIRTH OF A NATION


NOTA: 10.

É o filme que definiu a "gramática cinematográfica" que ainda é usada. Simples assim. D. W. Griffith fez o que nenhum outro cineasta fez antes dele. Olhar para esse filme é quase como observar o nascimento de uma obra de arte. De uma forma de arte. Que hoje a música é feita de diversas formas e facilmente é uma coisa, mas não é mais impressionante quem inventou os primeiros acordes? Os primeiros acordes do cinema estão presentes neste filme.
Tendo dito isso, vocês podem me perguntar porque este filme não recebeu nota 100, como alguns outros poucos conseguiram, e a resposta é simples. Ao mesmo tempo, o filme é um capítulo vergonhoso da história do cinema. Clássico ou não, não se pode ignorar que se trata de uma história com conteúdo altamente racista e tão ofensivo que foi duramente criticado mesmo em uma época onde as pessoas podiam se declarar racistas abertamente.
Com quase cem anos desde seu lançamento, este filme é um desafio para as plateias atuais. Plateias desacostumadas com filmes mudos, mas que não podem esquecer a história do cinema. Ainda que tenha seu conteúdo controverso, é um filme que influenciou milhares de cineastas ao longo dos anos e um dos filmes históricos que temos. Na primeira metade do filme, o que temos são cenas de batalhas que impressionam pela forma com que foram filmadas. Griffith mostrou a todo o mundo o que um filme era, e tudo o que ele podia ser. Por isso, independente do que possamos dizer sobre sua história, o diretor jamais perderá seu lugar de destaque.
Devemos ainda pensar que Griffith realizou este filme em 1915. Não acredito que o diretor era abertamente racista ou mesmo membro da KKK, o que eu realmente acredito era que o seu principal interesse era contar uma história através de um filme, independente do que estivesse mostrando nas telas. Para seu azar, o filme mostrou o quão racista um homem branco naquela época podia ser sem sequer se dar conta de que era realmente racista. Ele mesmo só deve ter percebido isso depois.
Ou talvez eu esteja errado. Durante o filme, temos que todos os personagens negros importantes são brancos com a cara pintada. O efeito aparece ainda mais estranho, quando temos esses homens de cara pintadas no primeiro plano enquanto homens realmente negros estão fazendo figuração ao fundo. Ele tinha acesso a negros para realizar seus filmes, mas por algum motivo não os usava para nada além de figuração.
Agora gostaria de discutir sobre o que viram as pessoas na época do lançamento do filme e o que assistimos agora. Naquela época, as pessoas viram um filme escrever a "gramática cinematográfica" pela primeira vez durante três horas enquanto estavam acostumadas apenas a assistir filmes curtos. Hoje olhamos o filme e tudo parece natural para nós, porque estamos tão acostumados com essa gramática que parece que ela sempre existiu. E justamente o que enxergamos agora é o racismo nas telas, o que provavelmente deve ter passado despercebido pela maioria das pessoas que assistiram em seu lançamento.
Na primeira metade do filme, os negros são relegados a um segundo plano. O mais interessante nesta parte é a guerra entre o sul e o norte, e os homens que vão para a batalha em lados opostos e morrem. Ne segunda parte, vemos o sul que deve aceitar os negros mas claramente não conseguem, e o que o filme nos mostra são "as pobres mulheres brancas" que começam a virar alvos de negros. O terceiro ato é o mais ofensivo de todos, e culmina no "resgate dos brancos ameaçados" que serão salvos pela Ku Klux Klan, retratada como a última esperança branca.
Não sei dizer se ele era realmente racista ou se simplesmente era um "produto da época". Seja como for, Griffith passou muito tempo depois do lançamento deste filme tentando se eximir da culpa. Seja lançando uma nova versão editada onde cortava todas as cenas com a KKK, ou seja lançando um novo filme, Intolerância, que mostrava uma visão contrária deste. O que realmente importa para nós, cineastas, estudantes ou amantes do cinema, é que o filme tem seu lugar merecido na história do cinema. Ainda que a história incomode, a gramática permanece até hoje. 

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

POSTAGEM DE UM ANO!

No dia 13 de Novembro de 2009, fiz as primeiras postagens com os filmes Apenas Uma Vez, Speed Racer e O Amor Não Tem Regras. Um ano depois e em mais de 100 postagens desde então, o blog foi crescendo e tomando a forma que tem agora. Mudanças tanto nos textos quanto nas próprias postagens.
Então para comemorar, vamos falar um pouco da evolução do cinema. Um pequeno resumo do início, claro.
É de conhecimento de muitos (praticamente todos que gostam de cinema) que o cinema foi "inventado" pelos irmãos Lumière, na França. Bem. Na verdade eles foram os primeiros a realizar uma exibição de cinema no mundo. O cinema iria existir mesmo sem eles. Relatos mostram que Edison já havia feito um aparelho semelhante, só não o lançou porque não conseguia sincronizar o som com a imagem. Assim como em outros lugares do mundo também já tinham desenvolvimentos semelhantes.
A primeira exibição se deu em 28 de dezembro de 1895 com a exibição de 10 filmes curtos. Entre os filmes estava A Chegada do Trem na Estação de Ciotat, que, consta uma "lenda", fez com que várias pessoas saissem correndo com medo de serem atropeladas.


Se é verdade ou não não tem como ter certeza. De qualquer forma, o invento do cinematógrafo, como era chamado, despertou o interesse de muita gente. Incluindo Georges Méliès. Outra história conta que Méliès tentou comprar um cinematógrafo e os Lumière se recusaram. "É uma invenção sem futuro" eles teriam dito. Por mais que a frase tenha se tornado célebre, é difícil de acreditar nela. Os irmãos viajavam pela Europa divulgando o invento e como bons negociantes, era mais fácil pensarem no lucro do produto que negar sua venda. Prefiro acreditar que eles tinham algo em mente além disso.
De qualquer forma, os irmãos se limitavam a rodar mini documentários. Eram na verdade registros do cotidiano. A tendência se espalhou e o próprio Edison lançou alguns de seus filmes. Alguns feitos anteriormente a exibição de dezembro, incluindo o primeiro beijo do cinema.


Méliès conseguiu sua câmera e foi além. O máximo de dramaturgia que existia no cinema, era a filmagem de peças de teatro. Claro que não funcionavam já que não havia diálogos. Porém, ele começou a desenvolver histórias que eram próprias para o cinema. Foi quem inventou o cinema de ficção. E ficção mesmo. Graças a uma falha da câmera, ele conseguiu fazer as primeiras trucagens do cinema, sobrepondo uma filmagem a outra. Além disso, seus efeitos especiais também contavam com cenários elaborados e animações. Seu filme mais célebre foi A Viagem Para a Lua.


Apesar de haver evolução, essa ainda era tímida. Vendo o filme, se observa que não havia uma edição propriamente dita. A câmera ficava parada enquanto a cena se desenrolava. Um plano aberto que começa e termina a cena da mesma forma. Mas além dos efeitos, continha elementos interessantes. Os cientistas estavam mais para magos que outra coisa e a nave era uma bala a ser disparada em direção a lua. Os efeitos que faziam os alienígenas sumirem são impressionantes. E um dos primeiros erros de continuidade: a "nave" é disparada em direção a lua e logo depois a vemos já na lua, e somente depois vemos o pouso da mesma.
Infelizmente, ele morreu pobre e grande parte seus filmes se perderam. As películas da época continham prata, e quem as adquiria, queimava os filmes para obter o metal. Por sorte, uma parte continua intacta e disponível para quem quiser assistir. Boa parte se encontra no Youtube.
A próxima evolução aconteceu com Edwin S. Porter. Alguns anos depois de Méliès, ele evolui um pouco o cinema que o francês usava. Porter começa a usar a movimentação de câmera e o posicionamento dela. Ao invés da câmera frontal, ele começa a usar outros ângulos, dando mais dinâmica. Na fuga dos bandidos em O Grande Roubo do Trem por exemplo, a câmera se move para acompanhar a fuga. Inovações ainda discretas, mas que já começam a melhorar a forma de fazer filmes.


Quem realmente deu a cara do cinema foi o também norte americano D. W. Griffith. Não foi ele que inventou grandes maneiras de se fazer filme, mas ele foi o primeiro que entendeu o que o cinema podia realmente se tornar. Entendendo isso, ele juntou todas as criações que haviam e as incorporou nos filmes de maneira única. Alguns dizem que ele criou algumas coisas mas é tudo muito controverso. O que é certo é que ele foi o primeiro a utilizar a montagem paralela (dois eventos simultaneamente em dois lugares distintos) de modo a criar suspense na cena. Graças a ele também foram incorporados o plano detalhe para destacar algum elemento, o ponto de vista de um personagem, regras de continuidade entre outras coisas. Seu maior feito, foi o O Nascimento de Uma Nação. Depois de assistir um filme de longa duração, ele resolveu realizar o seu próprio, considerado por muitos como o primeiro longa (considerando que foi o primeiro a ser feito com as regras cinematográficas conhecidas até hoje, ao contrário de seus antecessores). Chega a ser irônico pensar que Griffith pulou de uma duração de pouco mais de 10 minutos para um longa de 3 horas, mas tudo bem. Chaplin o definiu como "Pai de todos nós".


Muitos vão dizer que Griffith era racista e que isso transparecia em seus filmes, mas não estou analisando caráter e sim sua importância cinematográfica. A acusação de racismo o perseguiu por toda a vida, tanto que mesmo realizando bons filmes, nunca mais conseguiu sucesso de público. Mesmo após sua morte ele ainda sofreu com isso. O prêmio do sindicato de diretores da américa substituiu o nome D. W. Griffith Award, dado pela excelência de um diretor para DGA Lifetime Achievement Award por causa disso. Uma curiosidade: uma parte de O Nascimento de uma Nação é usada no filme Forrest Gump. Quando Forrest conta sobre um antepassado seu, aparece uma cena da Ku Klux Kan, essa parte foi retirada do filme de Griffith e anexada digitalmente ao longa com Tom Hanks.

Espero que tenham apreciado o pequeno resumo dos primórdios do cinema. Quem sabe não posto mais numa próxima "Postagem Especial"?
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...