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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

LES MISÉRABLES


NOTA: 8,5.
- Eu tive um sonho que minha vida seria diferente desse inferno que estou vivendo.

Este filme é um musical no sentido puro da palavra. O que eu quero dizer com isso, é que se trata de um filme praticamente destituído de diálogos. Os atores não conversam entre si, eles cantam. Sobre essa parte, cabe cada espectador saber se gosta ou não. Eu gosto, e o que vi foi um dos melhores musicais que o cinema produziu nos últimos anos. 
E na figura principal do filme, temos um Hugh Jackman no que pode ser seu melhor papel no cinema. Ele é alma da história e carrega o filme nas costas. História essa enorme escrita por Victor Hugo, em que ele interpreta Jean Valjean, um homem condenado a trabalho escravo por quase duas décadas por ter roubado um pedaço de pão para salvar sua sobrinha de morrer de fome. Finalmente liberto, ele adota outra identidade para fugir de seu passado, e com a ajuda de um bispo que lhe dá prata de sua própria igreja, ele consegue reescrever seu destino adotando um novo nome, já que seu nome verdadeiro é condenado por toda a sociedade.
Para seu azar, Javert (Russel Crowe), autoridade que servia como uma espécie de diretor de onde Valjean cumpria seu trabalho escravo, chega na cidade e reconhece o antigo prisioneiro, que agora é procurado por ter fugido de sua condicional. Por uma série de eventos que se seguem, Valjean deve novamente fugir enquanto é caçado pelo implacável Javert, mas dessa vez ele foge com Cosette (Isabelle Allen), filha de uma mulher a quem fez uma promessa.
A mulher é Fantine (Anne Hathaway), que trabalhava na sua fábrica e foi mandada embora injustamente por intriga de outras trabalhadoras. Cosette está sendo (mal) cuidada pelos Thénardier (Sacha Baron Cohen e Helena Bonham Carter, rendendo os melhores momentos cômicos do filme), que mentem dizendo que ela está sempre doente para que Fantine mande mais dinheiro. O desespero atinge a mulher que vende seu cabelo, alguns de seus dentes e começa a se prostituir para poder ter dinheiro para mandar para a filha. O sacrifício é tanto que ela não resiste aos maus tratos e morre, mas não antes de entregar a melhor cena do filme. Se Susan Boyle impressionou o mundo cantando "I dreamed a dream", ela vai ser rapidamente esquecida (se é que não foi ainda) depois da performance impressionante de Hathaway, que por si só já é motivo suficiente para valer a entrada do cinema.
E isso por causa de um grande acerto do diretor de não dublar nenhuma música como se costuma fazer em filmes musicais. Todos os atores catam enquanto interpretam, e cada cena ganha em carga dramática. Hathaway em close cantando em uma tomada única, é de simplesmente cortar o coração.
Não é, porém, um filme perfeito. Ainda que Jackman e Hathaway estejam muito bem em seus papéis, nem todo o resto do elenco acompanha. Crowe começa o filme tímida demais, e o dueto que faz com Jackman, que deveria ser uma espécie de duelo, só confirma que ele é coadjuvante no filme. Depois, Cosette é interpretada por Amanda Seyfried, que pouco acrescenta ao filme. 
Outro problema, é que o filme perde muito de seu impacto no segundo ato. Nesse ponto, Crowe até cresce um pouco em seu papel, mas sua interminável perseguição à Valjean já perdeu interesse e fica cansativa. E o amor de Cosette por Marius (Eddie Redmayne) desperta pouco interesse, principalmente porque Seyfried é ofuscada por Samantha Barks, que interpreta uma Eponine também apaixonada pelo rapaz idealista.
Depois de passar o filme inteiro em closes nos rostos dos personagens, o diretor finalmente afasta sua câmera e começamos a ver cenários durante a revolta do povo contra o governo. Se você não conhece a história, não irá saber do que se trata aqui, porque em nenhum momento o filme nos situa do porquê exato da revolta e o que está em jogo no caso de uma derrota, e a montagem do conflito ainda destoa do resto do filme, e atrapalha um pouco do andamento do filme.
Problemas que não atrapalham tanto o filme. Apesar de tudo isso, o filme é uma experiência cinematográfica única e merece ser visto mesmo por quem não goste de musicais. Assim como pelos que conhecem a história, pelos que conhecem o musical ou mesmo os que não tenham a menor ideia sobre o que o filme trata.

sexta-feira, 6 de julho de 2012

O PREÇO DO AMANHÃ - IN TIME


NOTA: 7.
- Para que alguns sejam imortais, muitos devem morrer.

De uma forma ou de outra, estamos todos preocupados com o tempo, e não digo isso apenas em termos de "hora pra chegar no trabalho" ou coisas do gênero. Eu digo da forma como as pessoas tentam barganhar o tempo de vida que tem, quando como param de fumar e se alimentam melhor para conseguir viver mais alguns anos. De certa forma, é uma barganha que os seres humanos tendem a fazer para viver um pouco mais.
O diretor Andrew Niccol levou essa ideia ao extremo. Anteriormente, em Gatacca, ele criou um mundo onde as pessoas estavam presos à genética, as crianças tinham seus genes selecionados para serem superiores e qualquer criança nascida do método "tradicional" era praticamente excluída. Aqui, a separação acontece entre as pessoas com muito tempo e as que não tem pouco. Tempo é uma moeda de troca, é com ele que as pessoas compram qualquer coisa que precisem.
As pessoas vivem normalmente até seus 25 anos, que é quando o anomarcado em contadores nos antebraços começa a contar. A partir de então, o mercado se expande para qualquer coisa, enquanto contam o tempo que lhes resta, e pior ainda, o tempo não é gasto apenas comprando coisas, a ida pro trabalho também gasta tempo normalmente de cada segundo que se passa. A vantagem é que ninguém envelhece fisicamente depois dos 25 anos, o que faz todos no filme parecerem ter a mesma ideia.
É nesse mundo que se passa em um futuro em que não podemos determinar quando será, que vive Will Salas (Justin Timberlake), um operário que salva a vida de um homem com muito tempo para gastar. Aparentemente, este homem está cansado de viver. Apesar de aparentar 25 anos, ele já viveu muito mais do que isso, por isso ele dá a Salas todo o tempo que tem. Cerca de um século. Isso ocasiona em um problema para ele, já que aparentemente tempo é uma coisa que não possa ir para as mãos de qualquer pessoa. Por isso apenas uma elite pode viver para sempre enquanto os pobres vão morrendo quando seus tempos se esgotam no meio da rua.
Salas se muda para junto da elite, onde conhece Sylvia Weis (Amanda Seyfried), a filha do homem mais rico do mundo. Se a imortalidade pode ser alcançada, esse homem é a personificação disso. Salas joga poker com ele em uma cena muito interessante do filme. Quando eles apostam, eles apostam tempo de suas vidas. Perder o jogo não leva à falência, leva à morte. É entrando nesse novo mundo que ele vai tentar mudar um pouco a ordem das coisas.
Timberlake continua provando que é um ator de verdade com presença nas telas e futuro na indústria. Mas ele é apenas uma das peças do filme. Todo herói deve ter um vilão, e ele é educado, elegante e um tanto quanto cruel, interpretado muito bem por Cillian Murphy. A fotografia é ótima e dá um tom noir muito interessante.
Há alguns bons elementos bem interessantes para se apreciar neste filme. Uma pena que os diálogos não são tão inspirados quanto as cenas onde o diretor conta sua história apenas através de imagens, mas ainda assim o filme funciona até certo ponto.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

MAMMA MIA!




NOTA: 5.

“Típico. Você espera 20 anos por um pai e então aparecem três de uma vez só.” Rosie

É difícil não comparar este filme com Across The Universe, musical realizado com músicas dos The Beatles apenas. Aqui sai a banda inglesa e entra a Sueca Abba, com título também inspirado em um nome de uma música. Mas sai também uma boa história para entrar uma bobagem nem um pouco divertida.
Se pasando em uma ilha grega, acompanhamos Donna (Meryl Streep) que possui um hotel na ilha. Sua filha, Sophie (Seyfried), está prestes a se casar e pretende finalmente descobrir quem é seu pai. Vasculhando as coisas da mãe, ela acha um diário e chega a três possibilidades e usa o casamento como desculpa para saber quem é realmente seu pai. Ela acredita que saberá quando o vir. As possibilidades são Sam (Pierce Brosnan), Bill (Stellan Skarsgard) e Harry (Colin Firth).
Claro que Sophie fez tudo escondido da mãe, mas mesmo assim ela leva um bom tempo pra descobrir o que eles estão fazendo na ilha. Mesmo para um filme, a coincidência é absurda demais para ser levada a sério e o filme se arrasta demais nessa história. Ou a falta dela.
Os problemas são óbvios, e começa pelo fato que Abba não são The Beatles. Não há nem como comparar a qualidade das músicas e nem consigo imaginar como justificaram usar o grupo Sueco para realizar o filme. O único motivo é imaginar que o musical da Broadway tenha atraído milhões de pessoas. Com exceção de duas músicas (Mamma Mia e Dancing Queen), a parte musical do filme nunca engrena. Assim como as coreografias. E tudo piora ainda mais quando não há ninguém cantando ou dançando.
Todo o mérito do filme vai para o elenco afinadíssimo. Não lembro de já ter visto um filme ruim com um casting tão perfeito. A primeira vista, Streep parece uma escolha errada para o papel, mas ela joga tudo abaixo logo na primeira música e deixa claro que ela pode interpretar o papel que quiser. Fácil assim. E fica mais delicioso vê-la em papel desse porte, onde se vê claramente que ela está se divertindo bastante no filme ao contrário de seus papéis sérios.
O resto do elenco não deixa a bola cair, mas apesar do destaque para Brosnan, são Firth e Skarsgard que roubam a cena. Especialmente Skarsgard. Mude o elenco e o filme não serve nem para assistir quando nada mais estiver passando. Como o elenco está presente, é possível que você consiga chegar ao final do filme.

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