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sexta-feira, 6 de julho de 2012

O PREÇO DO AMANHÃ - IN TIME


NOTA: 7.
- Para que alguns sejam imortais, muitos devem morrer.

De uma forma ou de outra, estamos todos preocupados com o tempo, e não digo isso apenas em termos de "hora pra chegar no trabalho" ou coisas do gênero. Eu digo da forma como as pessoas tentam barganhar o tempo de vida que tem, quando como param de fumar e se alimentam melhor para conseguir viver mais alguns anos. De certa forma, é uma barganha que os seres humanos tendem a fazer para viver um pouco mais.
O diretor Andrew Niccol levou essa ideia ao extremo. Anteriormente, em Gatacca, ele criou um mundo onde as pessoas estavam presos à genética, as crianças tinham seus genes selecionados para serem superiores e qualquer criança nascida do método "tradicional" era praticamente excluída. Aqui, a separação acontece entre as pessoas com muito tempo e as que não tem pouco. Tempo é uma moeda de troca, é com ele que as pessoas compram qualquer coisa que precisem.
As pessoas vivem normalmente até seus 25 anos, que é quando o anomarcado em contadores nos antebraços começa a contar. A partir de então, o mercado se expande para qualquer coisa, enquanto contam o tempo que lhes resta, e pior ainda, o tempo não é gasto apenas comprando coisas, a ida pro trabalho também gasta tempo normalmente de cada segundo que se passa. A vantagem é que ninguém envelhece fisicamente depois dos 25 anos, o que faz todos no filme parecerem ter a mesma ideia.
É nesse mundo que se passa em um futuro em que não podemos determinar quando será, que vive Will Salas (Justin Timberlake), um operário que salva a vida de um homem com muito tempo para gastar. Aparentemente, este homem está cansado de viver. Apesar de aparentar 25 anos, ele já viveu muito mais do que isso, por isso ele dá a Salas todo o tempo que tem. Cerca de um século. Isso ocasiona em um problema para ele, já que aparentemente tempo é uma coisa que não possa ir para as mãos de qualquer pessoa. Por isso apenas uma elite pode viver para sempre enquanto os pobres vão morrendo quando seus tempos se esgotam no meio da rua.
Salas se muda para junto da elite, onde conhece Sylvia Weis (Amanda Seyfried), a filha do homem mais rico do mundo. Se a imortalidade pode ser alcançada, esse homem é a personificação disso. Salas joga poker com ele em uma cena muito interessante do filme. Quando eles apostam, eles apostam tempo de suas vidas. Perder o jogo não leva à falência, leva à morte. É entrando nesse novo mundo que ele vai tentar mudar um pouco a ordem das coisas.
Timberlake continua provando que é um ator de verdade com presença nas telas e futuro na indústria. Mas ele é apenas uma das peças do filme. Todo herói deve ter um vilão, e ele é educado, elegante e um tanto quanto cruel, interpretado muito bem por Cillian Murphy. A fotografia é ótima e dá um tom noir muito interessante.
Há alguns bons elementos bem interessantes para se apreciar neste filme. Uma pena que os diálogos não são tão inspirados quanto as cenas onde o diretor conta sua história apenas através de imagens, mas ainda assim o filme funciona até certo ponto.

domingo, 9 de outubro de 2011

EU QUERIA TER A SUA VIDA - THE CHANGE-UP


NOTA: 3.
- Quando estávamos crescendo, Dave e eu tínhamos planos. Ele queria ser astronauta. E eu queria vender golfinhos no mercado negro.

Uma vez escrevi que as melhores comédias costumam ser politicamente incorretas. Não consigo me lembrar agora de uma boa comédia que não fosse ao menos um pouco transgressora. O problema, porém, é que há uma diferença entre o politicamente incorreto engraçado para qualquer coisa incorreta feita para ser engraçada. Claro que esse conceito é extremamente subjetivo e varia de pessoa para pessoa. Para mim ver dois bebês quase se cortando com facas e depois serem punidos em uma pia levando um banho de leite não é engraçado. É gratuito. Tendo dito isso, digo também que este não é um filme engraçado. É gratuito.
Alguns filmes são acusados de serem extremamente machistas e pintarem uma péssima imagem das mulheres. Aqui, o filme tem uma péssima imagem dos homens e uma pior ainda das mulheres. Por isso não se pode sequer ser acusado de sexista, apenas de ser um filme que não sabe retratar qualquer ser humano decente durante todo sua duração. Tanto é que transgrede todas as regras de civilidade e boa conduta. Não me entendam mal, não sou puritano. Assisti Se beber não case e adorei o filme. Mas este não é o mesmo tipo de filme ou mesmo tem o mesmo tipo de humor.
O tema do filme é um dos mais batidos que o cinema pode gerar: a troca de corpos entre dois personagens. Por algum passe de mágica, dois personagens acordam no corpo de outra pessoa. Aqui a saída é muito original... NOT. Dois amigos de infância estão mijando em uma fonte quando dizem ao mesmo tempo "Eu queria ter a sua vida". E logo depois de estarem no corpo novo eles descobrem o motivo da troca. Claro que eles acreditam nisso, é uma coisa que acontece sempre com qualquer pessoa.
Assim como deveria considerar muito engraçado homens levando um jato de cocô no meio da cara, mijando em público no meio de um shopping em frente de crianças, tatuadores se aglomerando na frente de uma vagina para "observar" uma tatuagem que acabou de ser feita, uma mulher grávida em busca de sexo e outra mulher tendo uma crise de diarreia.
Pra piorar, temos dois personagens principais pela qual eu não podia me importar menos. Um é um ator maconheiro que não faz nada o dia inteiro e o outro um obcecado pelo trabalho. O trabalhador, Dave (Jason Bateman) aparece no início tendo que levantar de madrugada para cuidar das crianças que estão chorando. De Dave (Ryan Reinolds), não vemos praticamente nada sobre sua vida. E logo no início, antes que possa me interessar por qualquer personagem, a troca acontece.
E pior ainda, ambos são tão estúpidos e ridículos, que somos obrigados constantemente a ficar nos lembrando quem é quem. Não há nada na troca que indique quem é quem. São péssimos seres humanos sem nenhum respeito ou decência. Existe pouquíssima coisa pra se acompanhar no filme. Nem personagens, nem história e nem graça. Para quem gosta de escatologia e piadas de péssimo gosto pode ser um prato cheio.

domingo, 11 de setembro de 2011

COWBOYS & ALIENS


NOTA: 7,5.
- Você terminar no céu ou inferno, não é parte dos planos de Deus. São seus planos. Lembre-se disso.

Este filme tem uma das histórias mais inusitadas em muito tempo. Temos cowboys, xerifes, cavalos, assaltos a diligências, índios e alienígenas que abduzem as pessoas. Isso mesmo, no meio do velho oeste dos anos de 1870, naves espaciais cruzam os céus de uma pequena cidade deixando um rastro de destruição e pessoas desaparecidas. 
Na verdade, o filme se vale em grande parte dos muitos clichés do gênero para tentar algo diferente: a criança que busca uma figura paterna em um estranho, o trabalhador (Sam Rockwell) que quer prosperar em meio aos "durões" que não o respeitam, o rico que manda mais que a lei e seu filho (Paul Dano) que se aproveita disso para parecer mais do que realmente é, e pra completar o pastor que guia seu rebanho. 
Daniel Craig convence bem como um herói de faroeste de nome Jake Lonergan. Ele acorda no meio do deserto com poucas roupas, sem memória e com um estranho bracelete em seu braço que não consegue retirar. Após conseguir roupas, um cavalo e armas, ele chega numa pequena cidade onde descobre seu nome e também que está sendo procurado por uma série de crimes. Quando vai ser transferido os ataques começam e as pessoas na cidade tem maiores preocupações do que seus crimes anteriores. Pelo contrário, é graças ao estranho objeto em seu braço que eles podem ter uma chance de resgatar as pessoas de volta.
Por isso que ele se junta ao ricaço (e dono) da cidade, Dolarhyde (Harrison Ford) que teve o filho também abduzido para que possam cumprir a missão junto com um punhado de pessoas que também tem conhecidos ou parentes desaparecidos. Em seu pequeno grupo, estão incluídos uma criança, e uma mulher chamada Ella (Olivia Wilde) cuja origem é ainda mais estranha que a do herói.
Toda essa parte do faroeste, é até bem interessante e bem construída (até mesmo porque o diretor dá bastante tempo para os personagens se desenvolverem), infelizmente o filme não vive apenas disso. Os alienígenas que invadem a Terra, são visualmente pouco interessante. Me lembram muito o Alien do filme de Ridley Scott, o que mostra uma certa falta de originalidade (assim como quando Craig diz que não quer problemas, quem nunca ouviu isso num filme?). E pior ainda, são burros. São capazes de construir naves que cruzam o universo, armas que podem praticamente desintegrar os humanos, e mesmo assim, quando chega a hora da batalha, eles largam tudo de lado para partirem pra cima no braço, que nesse caso tem garras. Bem, os humanos tem unhas, mas pelo menos não abandonam suas armas de fogo para enfrentarem os monstros. Então no final, a batalha está até mesmo equilibrada. Pra nossa sorte.
Dito isso, é bom deixar claro que não se trata de um filme com deméritos apenas. É um filme ambicioso, com boas atuações e tecnicamente muito bem feito. Assim como é bem divertido também. Ou seja, em geral é bom, só poderia ser melhor.
E parte disso, é que na verdade me deixou um estranho gosto de "quero menos". Gostaria de ver esse filme e seus personagens sem grande efeitos especiais, sem naves espaciais e aliens caçando os humanos. Sem isso, poderíamos ter tido um interessante filme de faroeste à moda antiga (em certos momentos me lembrou Butch Cassidy, onde o personagem é vilão mas consegue conquistar a platéia com seu charme e olhos azuis, apesar da verdadeira inspiração do diretor parecer ser os filmes de Sergio Leoni). Mas claro que isso interessaria menos aos adolescentes que enchem as salas. Afinal, filmes como Bravura indômita e Os indomáveis são bons exemplares de faroestes modernos, mas não fazem tanto sucesso de bilheteria quanto um filme desse porte.
E talvez por isso muitos considerem o gênero extinto. O que é uma pena.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

TRON - O LEGADO


NOTA: 6.5.
- A fronteira digital. Eu sempre me perguntei como seria. Eu imaginava as formas que poderia ter. Então eu passei por ela.

Em 1982, estreou nos cinemas Tron - uma odisséia eletrônica. O projeto não era bem visto na época por causa do grande uso de efeitos especiais. Nenhum filme até então havia usado a tecnologia em tão larga escala. O filme foi um enorme sucesso. Grande parte por causa das inovações. Hoje é praticamente impossível assistir a este filme de tão datado que ele ficou.
Então passamos para 2010. Hoje em dia, quase todos os blockbusters que fazem sucesso são repletos de efeitos especiais e quase nada hoje em dia parece realmente impressionar as platéias do cinema. E quando impressionam, a história decepciona como no caso de Transformers. Então, Tron é que deveria ser o novo divisor de águas, certo? Não é. Divisor da nova tecnologia 3D? Avatar já havia feito isso. Mas ainda assim, este filme pode ser divertido.
Isso, claro, se o espectador estiver disposto a passar por cima de qualquer senso lógico.
Começamos de onde o outro filme parou. Kevin Flynn (um Jeff Bridges rejuvenescido digitalmente), conta sua história do primeiro filme para seu filho, Sam (Garrett Hedlund). Depois ele parte em sua moto e nunca mais volta para casa. Assim, Sam cresce milionário e órfão. Ao invés de assumir a empresa de seu pai, ele faz estratagemas para prejudicar os negócios. Por que ele não assume a empresa ao invés de fazer uma brincadeira? Para o filme poder começar com uma cena de ação, provavelmente.
É depois disso que ele descobre que seu pai mandou uma mensagem depois de duas décadas de desaparecimento. E pelo que se fala no filme, apesar de se passarem 28 anos entre os dois filmes, eles contam que somente 20 anos se passou do desaparecimento de Kevin. Por quê? Um personagem de 20 anos é atrativo melhor que um de 30. Enfim. Assim Sam vai se juntar ao mundo virtual de Tron e jogar freesbees cibernéticos.
Depois disso entramos no mundo virtual, e as coisas que faziam pouco sentido, começam a fazer menos sentido ainda. Aí entram os dois trunfos fortíssimos do filme. O primeiro é o próprio mundo virtual, que chega a impressionar pela modernidade ao mesmo tempo em que tenta se manter fiel ao original. Nem tão fiel que  o faça parecer tosco como o primeiro parece hoje, mas a ponto de ser reconhecível. Um trabalho fantástico. E o melhor de tudo no filme, uma trilha sonora sensacional que toma conta do filme. Em poucos casos a trilha se incorpora com tanta propriedade quanto aqui.
Poderia dizer também do trunfo de ter Bridges, mas isso chega a ser covardia. Poucos atores conseguem o que ele consegue. O número que chegou na idade dele fazendo isso se torna menor ainda. Isso tudo, apesar de sua versão digital que fala sempre com uma boca esquisita. Espero que essa forma digital não seja a próxima geração do cinema. A técnica somente mostra o quanto é essencial a presença de atores reais, apesar da tecnologia impressionar consideravelmente. Por isso, vale destacar que Hedlund faz um trabalho competente ao lado de Olivia Wilde.
Apesar de tudo, Tron está fazendo bonito nas bilheterias. E é isso que importa aos produtores. Se eles quisessem alguma coisa além disso, teriam contratado um diretor e roteirista melhores para caprichar mais na história, que é uma confusão só. O que importa é ação, som e o 3D. E isso eles entregam satisfatoriamente.
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