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segunda-feira, 5 de março de 2012

GIGANTES DE AÇO - REAL STEEL


NOTA: 7.
- Eu só quero que lute por mim. É tudo que eu quis.

Esse filme imagina um futuro próximo onde o boxe não é mais praticado por humanos. Talvez pela reclamação de muita gente que diz que é brutal demais para ser considerado um esporte (mera suposição minha), as lutas agora são travadas entre robôs enormes e cheios de recursos contralados por humanos. Eles também são ricos em cor e design, glamorosos de uma forma futurista e retrô ao mesmo tempo. São robôs capazes de parecer que tem muita história para contar.
A história, porém, nada tem de futurista, mas sim lembra alguns filmes do (nosso) passado. Ela lembra muito uma mistura de Rocky com Falcão, o campeão dos campeões (ambos com Sylvester Stallone nos papéis títulos), mas que também não são estranhas a muitos outros filmes. Filmes onde pais que não conhecem seus filhos são obrigados a passar um tempo com eles por algum motivo e acabam criando laços profundos de amizade entre eles.
Não é Stallone que estrela aqui, e sim Hugh Jackman como Charlie Kenton, um boxeador aposentado que agora tenta sobreviver controlando robôs em lutas do circuito alternativo, mas nem para isso seu robô serve, perdendo até mesmo para um touro (não um mecânico). Com isso, ele tenta desesperadamente conseguir robôs melhores enquanto vai se afundando cada vez mais em dívidas com cada vez mais pessoas diferentes.
As lutas são bem coreografadas, fato que já percebemos desde as primeiras cenas do filme. Diferente de Transformers, onde os robôs batem uns nos outros e ninguém sabe o que realmente está acontecendo. De forma inteligente, o filme não segue a linha confusa com cortes rápidos que tentam dissimular a falta de continuidade. Apesar de deixar várias perguntas sem resposta, as lutas pelo menos ocorrem que uma forma possível de acontecer.
Claro que o filme não se trata apenas de lutas de robôs. Seria um filme bem irritante se fosse e até mesmo deixaríamos de nos importar com qualquer coisa. O drama entra na vida de Charlie quando sua ex-mulher morre e ele deve passar um tempo com seu filho Max que não vê há anos. Temos o pai ausente e a criança que parece ter nascido para irritá-lo, mas que se interessa bastante por robôs para ficar ao lado do seu pai (não são todos assim).
Por pior que eles sejam um com o outro, é o garoto que consegue encontrar um robô que possa lutar, apesar do pai achar que ele não vai servir para nada porque era apenas um robô-sparring (eu acho engraçado que um robô precisa de sparring, mas...). Apesar de tudo, Max e Charlie ensinam o robô alguns novos truques e descobrem uma função "espelho" que faz com que ele imite os movimentos de quem o estiver controlando.
Claro que tudo vai levar o filme para a previsível luta final contra um robô indestrutível de nome Zeus que nunca perdeu uma luta. Na verdade, que nunca chegou a ir para o segundo assalto de uma. E para a minha surpresa, a luta final acaba sendo bem interessante. Isso porque os donos de Zeus são pessoas insuportáveis além do fato de Adam (o robô-sparring) ter uma aparência mais agradável aos olhos que todos os outros robôs mais modernos.
Ao contrário do que se possa pensar, este é um filme com bons personagens. E personagens reais. Apesar da luta ser entre robôs, nos importamos com os humanos e com que eles fazem. A trama é batida, mas prende a atenção. É o tipo de filme que pretendia ver quando assisti a Transformers. Algumas vezes eu acho que o filme não vai entregar nada demais, e ele me surpreende da forma que esse filme fez.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

UMA NOITE FORA DE SÉRIE


NOTA: 7.
"Você pode, pelo amor de Deus, colocar uma porra de uma camisa?" Phil Foster

Para alguns, Tina Fey e Steve Carell podem não ser rostos muito conhecidos por aqui, mas eles são protagonistas de duas das melhores série de comédia americanas da atualidade. Fey criou e atua em 30 Rock, que também conta com Alec Baldwin em seu elenco e já conquistou alguns Globos de Ouro. Concorrendo com ela em outra série está Carell, que se destacou na versão americana da série The Office e também conquistou um Globo por sua atuação. E pela primeira vez eles atuam lado a lado em um longa metragem.
Eles interpretam os Foster, um casal com filhos pequenos e uma casa em Nova Jersey. Uma vida bem normal do subúrbio. Sua vida rotineira vai bem até que eles descobrem que um casal de amigos deles está se separando (um deles interpretado por um mal aproveitado Mark Ruffalo). Eles declaram que se tornaram os melhores colegas de quarto que já tiveram, apenas não são mais um casal apaixonado.
Dispostos a não deixar o mesmo acontecer com eles, eles partem para uma noite na cidade para jantar no mais badalado restaurante de NY. Eles querem reacender o romance que se perdeu com o passar dos anos. Como não fizeram reserva, eles só conseguem uma mesa se aproveitando da ausência do casal Triplehorn. Durante o jantar, dois homens os convidam a se retirar do restaurante, é quando eles descobrem que o casal Triplehorn são pessoas procuradas e que foram confundidos com eles.
Eles começam uma fuga desesperada pela cidade para escapar daquela situação e contam com uma ajuda de um agente de segurança interpretado por um hilário Mark Whalberg que nunca veste uma camisa por todo o filme, e uma policial que acredita que eles são boas pessoas com problemas.
O filme é engraçado, mas nem tanto assim. Na verdade ele só funciona por causa da dupla de atores, que pra começar, estão totalmente críveis em seus papéis. Os Foster são um casal em que podemos acreditar que realmente existam. Não são muito bonitos nem charmosos, são pessoas normais que se encontram em uma situação extraordinária. Nós queremos que eles se divirtam e torcemos por eles. E diferente da maioria dos filmes, não vão descobrir que tem talentos especiais que vão servir como uma luva em uma situação como essa. Nada disso. Eles terão que se virar como pessoas normais tentariam se virar.
E eles são muito engraçados mesmo. Grande parte dessa força cômica é porque eles não agem como se fossem comediantes. Eles dão veracidade as situações que passam. A graça do filme não vem porque eles tentam ser engraçados. O que é ótimo, porque senão o público não conseguiria se identificar com o filme o que poria tudo a perder.
O fato é que muita coisa podia por o filme a perder. Troque qualquer um dos dois e o filme não teria o mesmo efeito. Troque os dois por Hugh grant e Sarah Jessica Parker  e poderia ter uma bomba em potencial nas mãos, como já foi visto.
Uma pena que o filme não tira total proveito deles. Eles brilham, mas o filme não chega a decolar em momento algum. Shawn Levy não consegue fazer uma grande comédia, como não conseguiu fazer nenhumas das outras vezes que tentou (Uma noite no museu, 12 é demais). No final, fica a impressão que os seriados que eles protagonizam são melhores que esse filme.
Acabei de me perguntando porquê demoraram tanto para juntar esses dois se eles funcionam tão bem. E já que conseguiram juntar, por que não aproveitaram para fazer um filme melhor. Ficou um filme que faz rir mas que poderia ter ido mais longe, mas fica a dica pra boas risadas.
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