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quinta-feira, 16 de junho de 2011

UMA SECRETÁRIA DE FUTURO


NOTA: 9.
- Eu estou tentando melhorar a minha vida. Não vou passar o resto da minha vida ralando pra chegar em lugar nenhum porque eu segui regras que não criei, tá bom?

A caminhada para o sucesso é uma estrada árdua, principalmente se você não tem as mesmas vantagens que outras pessoas tiveram. Tess McGill (Melanie Griffith) teve que trabalhar como secretária durante o dia para poder estudar durante a noite, que chances ela pode ter contra pessoas que tiveram estudos em grandes universidades? Claro que não muitos, já que as pessoas primeiro se preocupam pela qualidade do currículo. Então o que ela realmente precisa é uma brecha para mostrar o que ela realmente pode fazer, mas como conseguir essa brecha?
Passamos a primeira meia hora entendendo o universo em que Tess vive: uma casa humilde no subúrbio, uma amiga (Joan Cusack) que realmente gosta e que se preocupa com ela (mesma que a preocupação não venha em forma de incentivo) e um namorado machista que não lhe dá um único presente que ela possa usar fora de casa e que agradam mais a ele. Seu chefe lhe arranja uma entrevista em que o empregador não tem uma vaga de verdade, só quer dormir com ela.
Até que ela acha que encontrou sua brecha, o que na verdade é seu erro. Ela conhece sua nova chefe, Katherine Parker (Sigourney Weaver), uma mulher que tem sua idade mas que é totalmente diferente na maneira de se vestir, de cortar o cabelo, postura e até mesmo na forma de falar. Essa é uma mulher em quem Tess tem que se espelhar se quiser ter sucesso e ela confia em Parker a ponto de lhe oferecer uma ideia para um grande negócio.
Parker sai para esquiar mas acaba quebrando a perna e não poderá voltar em menos de algumas semanas, cabe a Tess cuidar da sua casa. E é assim que Tess descobre que Parker roubou sua ideia e pretende usar como se fosse sua. É aí que Tess decide usar os contatos de Parker antes que esta se recupere. Esta pode ser sua brecha real, e para isso ela se junta a Jack Trainer (Harrison Ford) para conseguir fechar o negócio.
Assim como A primeira noite de um homem (outro filme do diretor Mike Nichols) era de Dustin Hoffman, este filme é de Griffith. Ela cai muito bem no papel da secretária que quer se tornar uma mulher de negócios. Ela consegue misturar esperteza e sensualidade, e ainda começar com sua voz de boneca de um jeito e passar para outro mais maduro. O filme funciona porque ela funciona. Talvez esse seja o ponto alto da carreira da atriz, que foi indicada pelo papel principal. O filme ainda teve Weaver e Cusack indicadas pelos papéis secundários. Detalhe é que Weaver ainda foi indicada pelo papel principal em outro filme.
É um delicioso conto de fadas moderno que não precisa de um príncipe encantado. Tem o clima de conto de fadas. Ela até mesmo usa as roupas da sua chefe e acabamos ignorando que as duas não tem o mesmo tamanho. Até há um interesse romântico entre Trainer e Tess, mas o filme não é sobre isso. É sobre essa mulher tentando vencer os desafios para atingir os objetivos. 

segunda-feira, 11 de abril de 2011

FEITIÇO DA LUA


NOTA: 10.
- Chega um dia em que um homem descobre que sua vida é vazia. Esse é um péssimo dia.
- Sua vida não é vazia. "Ti amo".

Alguns filmes devem ser vistos antes que você leia alguma coisa sobre eles. Este é um deles. Se eu escrever que é uma comédia étnica, pode passar uma idéia errada sobre o filme. Não que ele deixe de discursar sobre ítalo-americanos, é só que ele é muito mais que uma comédia étnica. Há uma magia nele que não encontro maneira de descrever em um texto. Pouco filmes tem essa qualidade de serem tão mágicos.
Loretta Castorini (Cher) é uma viúva de seus 30 e poucos anos que parece muito mais velha do que realmente é. Sua expressão e seus cabelos grisalhos podem fazer com que ela parece assim. Johnny Cammareri (Danny Aiello) a pede em casamento e ela aceita. Não aceita porque o ama (na verdade ela não o ama), ela aceita porque é conveniente.
Ele vai viajar para a Itália para visitar a mãe que está morrendo. É o tempo de ir, esperar ela morrer e voltar para se casarem. Ele só pede uma coisa: há muitos anos ele está brigado com seu irmão e ele quer que ela vá até ele e o convença a ir no casamento.
É assim que ela conhece Ronny Cammareri (Nicolas Cage). Uma alma atormentada que amaldiçoa o irmão. O problema? Johnny o fez olhar para o lugar errado na hora errada, e por isso ele teve um acidente que arrancou fora sua mão. O que não se podia esperar é que Ronny e Loretta se apaixonassem um pelo outro.
O filme é bom não apenas porque conta a história desse casal. Ela é boa que porque conta a história deles e de vários outros personagens que são tão interessantes quanto eles. Como os pais de Loretta, um casal de amigos e até mesmo um professor que se especializou em levar copos d'água na cara no mesmo restaurante de mulheres diferentes. É de um desses personagens que descobrimos que a lua estava especial, mágica (desculpem a repetição), quando se apaixonaram. E quando Ronny e Loretta se conhecem, a mesma lua volta a aparecer nos céus.
E todas as histórias tem suas complicações. Cher está noiva de um e apaixonada por outro. A mãe acha que está sendo traída, e realmente está, e acaba jantando com o tal professor, que vê nela uma sexualidade que seu próprio marido há muito não vê. E Cher no centro de tudo comandando o show com atuação inspirada ao lado de um também inspirado Cage (longe do que faz nos "filmes" que lança atualmente. O filme é tão delicioso, que rendeu a Cher seu único Oscar, assim como Olympia Dukakis venceu de atriz coadjuvante como a mãe. O filme também venceu por roteiro, mas Norman Jewison (que também tinha sido indicado por No calor da noite) perdeu pela direção e filme para Bernardo Bertolucci e seu O último imperador.
O tempo não fez diminuir a delícia de assistir a esse filme. Ainda bem.
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