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sexta-feira, 17 de setembro de 2010

ESPECIAL GODARD: WEEKEND - 200ª POSTAGEM


NOTA: 100.
Corinne - Você não ouviu o que ele disse? Marx disse que somos todos irmãos.
Roland - Marx não disse isso. Foi outro comunista quem disse. Jesus disse isso.
Chegamos a postagem de número 200 e a última resenha do especial sobre Godard. Desde sua estréia em Acossado até este filme, em 1968, Godard sempre procurou formas de surpreender a platéia. Aqui não foi diferente, basta dar uma olhada na foto escolhida para ter uma idéia. Esta é uma das imagens surpreendentes que o diretor colocou que vai surpreender, e em alguns casos chocar, a platéia. Os fãs de David Lynch devem assistir a esse filme antes de chamá-lo de inovador.
Basicamente o filme conta a história de um casal. Eles planejaram um acidente de carro para que o pai da moça morra e eles fiquem com a herança. Pouco a pouco, o diretor vai colocando cenas para preparar o terreno para o que está por vir. Um acidente de carro acaba com o espancamento de um homem, depois, o próprio herói do filme, Roland, tenta fugir de um acidente que cometeu, a cena segue com ele jogando tinta em uma mulher enquanto esta lança bolas de tênis contra ele usando uma raquete.
Se o filme já parece estranho, depois só piora (ou melhora, dependendo do ponto de vista), e as cenas vão ficando cada vez mais desconexas. Os personagens tem plena consciência de que estão em um filme. Um chega a afirmar que é um filme ruim onde só tem gente estranha. Em uma outra cena, Roland toca fogo em uma personagem que parece ter saído de uma viagem lisérgica de Lewis Caroll. "Ela é só um personagem" ele responde quando a mulher diz que são pessoas terríveis.
Até que chegamos em uma das cenas mais emblemáticas da carreira de Godard: os dois estão presos em um engarrafamento enorme. A câmera acompanha em um travelling enquanto o casal vai avançando na contra mão para fugir do engarrafamento. A câmera deve acompanhar o carro por cerca de um quilômetro ou mais enquanto o carro deles passam pelas pessoas e até mesmo um carro de zoológico. Depois disso eles abandonam o carro e seguem sua jornada a pé, onde encontram até mesmo um bando canibal.
Falar mais sobre o filme pode estragar a surpresa. Ou até mesmo cair no erro de tentar explicar o que não pode ser explicado. Este pode ser um dos melhores filmes do diretor e com certeza o mais inventivo, deixando para trás até mesmo O demônio das 11 horas. Ele nos envolve num cenário de loucuras que começa a parecer totalmente normal nesse maravilhoso mundo que ele criou. E tal qual os personagens agem perante a desgraça dentro do filme, tudo que fazemos é assistir.
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