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segunda-feira, 26 de novembro de 2012

HISTERIA - HYSTERIA

NOTA: 8.
- Senhor. Me daria um prazer imenso ocupar qualquer posição que me permita oferecer alívio aos meus pacientes com poucas chances de matá-los.

É assim que Mortimer Granville consegue seu emprego no consultório do Dr. Robert Dalrymple. Bem, o próprio juramento que os médicos fazem diz que não devem machucar ninguém, então não há nada de errado em relação a isso. O que Granville não fazia ideia é que a prática adotada por Dalrymple não oferece chance alguma de machucar suas pacientes. Nesse sentido, os dois tinham um histórico bem impressionante.
Claro que ambos não sabiam mais do que qualquer outro médico daquela época sabia. O trabalho consistia em tratar uma doença feminina que não existia: a histeria. É tão divertido observar que o tratamento consistia em nada menos que dar orgasmos nas mulheres "histéricas" de Londres. Por mais estranho que pareça, seu consultório se encontrava sempre lotado de mulheres insatisfeitas sexualmente, mas que sequer sabiam disso.
Com mais pacientes do que consegue dar conta, Dalrymple (Jonathan Pryce) se vê obrigado a contratar o ambicioso Granville (Hugh Dancy) como seu assistente. Granville acabara de se ver desempregado depois de discutir com seu superior sobre os métodos médico ortodoxos da época. Isso faz também que ele conhece as filhas de Dalrymple: a feminista e única mulher do filme realmente perto da histeria, Charlotte (Maggie Gyllenhaal); e sua irmã que procura seguir todos os costumes da época, Emily (Felicity Jones). Charlotte desacredita inteiramente a prática do pai mas usa seu dinheiro para ajudar a sustentar seu trabalho com a população pobre de Londres. Já Granville deveria se casar com uma das filhas mas acaba se apaixonando pela outra.
Para o azar dele, porém, o esforço de curar (ou será que nesse ponto já posso usar o termo satisfazer?) suas pacientes faz com que ele fique com uma lesão que o impede de continuar trabalhando. Junto de seu amigo, o estranho Edmund St. John-Smythe (Rupert Everett) que está trabalhando em um espanador de pó elétrico, ele pensa o que fazer da vida. Quando testa o espanador de pó na mão machucada, os dois chegam à conclusão que podem usar a invenção para "curar" as mulheres. E assim, o vibrador foi inventado.
Um dos grandes prazeres de assistir a esse divertido filme, é como a diretora Tanya Wexler encaixa tudo perfeitamente dentro do período. Figurinos, sets de filmagem e as locações escolhidas fazem conjunto com os atores e roteiro para reconstruir tudo como se estivéssemos naquela época. Baseado em fatos, a diretora consegue contar uma história que entretém e ainda por cima educa em certos sentidos. Em poucas palavras e com perdão do trocadilho: é um filme com boas vibrações.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

CORAÇÃO LOUCO


NOTA: 9,5.
"Filho, eu já toquei bêbado, doente, divorciado e correndo. Bad Blake nunca perdeu um show em toda sua vida." Bad Blake

Depois de muitos anos de carreira, parece difícil de acreditar que Jeff Bridges nunca tenha recebido um Oscar até estrelar esse filme. Desde sua primeira grande aparição em A última sessão de cinema, Bridges sempre entregou personagens críveis e que agradam a platéia. Seja em blockbusters como King Kong e Tron (cuja continuação estreará esse ano) ou mesmo personagens inesquecíveis como Lebowski.
Aqui, Bridges é Bad Blake, um cantor de country que muitos (ênfase no muitos) anos atrás foi um dos grandes astros da música. Agora, depois de um longo tempo ingerindo quantidades abusivas de álcool e sem escrever nenhuma música nova, ele ganha seus meros trocados cantando em pequenos bares e até mesmo pistas de boliche. Basicamente, ele toca em lugares onde pessoas saudosas de antigas músicas possam curtir um outrora grande músico.
Em uma dessas pequenas cidades por onde passa, ele é entrevistado por Jean (Maggie Gyllenhaal) com que acaba tendo um caso. Claro que a relação dos dois não pode ser perfeita. Além da grande diferença de idade (25 anos), ela é mãe de uma criança e não pode se dar ao luxo de passar tanto tempo com um alcoólatra que nunca procurou o próprio filho. Ela sabe disso, mas ele é tão boa companhia que acaba vendo onde vai dar.
Para tentar voltar a ter algum sucesso, ele conta com a ajuda de Tommy Sweet (Colin Farrell). Essa é uma parte bem interessante do filme, ao invés de ser Blake que procura Sweet que pode desprezá-lo ou algo do gênero, a situação é totalmente inversa. Sweet aprendeu tudo o que sabe com Blake e diz para quem quiser ouvir. É ele quem procura Blake para shows e sempre reverencia seu antigo mestre. Blake é quem se mostra desconfotável com a situação.
Se a academia estava esperando um filme como esse para premiá-lo, não dá para dizer que foi injusto, mas ainda acho que foi realmente injustiçado por O grande Lebowski, que em minha humilde opinião é seu melhor papel. Ele mesmo deve ter gostado tanto que quase o repetiu em Os homens que encaravam as cabras. De qualquer forma, essa é mais uma atuação brilhante de Bridges aliada a uma boa história. Parabéns a ele. Se um Oscar era tudo que lhe faltava, agora não falta mais nada.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

DISTANTE NÓS VAMOS



NOTA: 6.

“Todas essas coisas boas você tem dentro de você. O amor, a sabedoria, a paciência. A paciência ás 3h da manhã quando quando todos estão acordados porquê Ibrahim está doente e como não achou o banheiro acabou vomitando na cama Kakti. E quando você pisca, são 5h30 e você sabe que vai ficar cansado o dia inteiro. A semana inteira. Toda a vida.” Tom Garnett

Distante Nós vamos é um daqueles filmes bonitinhos de se ver. Filmes como esse geralmente apresentam personagens estranhos em situações um tanto quanto bizarras. Não que o casal pareça completamente normal, mas é que eles são cercados de tanta gente mais estranha que uma comparação chega a ser covardia.
Burt (John Krasinski, que fez O Amor Não Tem Regras e é um dos atores de The Office) e Verona (Maya Rudolph, mais conhecida por suas participações em Saturday Night Live) descobrem que vão ter um filho. Eles moram em um quarto meio apertado e sem aquecimento não por falta de dinheiro, mas pra poder ficar perto dos pais dele. Porém, os pais dele vão morar fora do país antes do nascimento do bebê. Sem motivos para continuar no casebre, eles fazem uma viagem para possíveis lugares onde podem ir morar.
Eles são personagens difíceis de serem vistos no cinema. Ambos trabalham por conta própria são realmente apaixonados e nunca sequer brigam. Então eles rumam para o Norte dos EUA, onde encontram uma ex-chefe quase alcoólatra que destrata os próprios filhos e o marido. Depois uma velha amiga de Burt que virou uma espécie de hippie que tem problemas com carrinhos de bebês. Então ex-amigos de faculdade que tentam disfarçar a tristeza fingindo serem felizes (eles nem sequer mostram o final de A Noviça Rebelde, pulando a parte dos nazistas) e terminando a jornada com o casamento arruinado do irmão de Burt.
Com opções como essas, como podem escolher o melhor lugar para morar? Talvez possa se dizer que eles se consideram superiores demais, mas são eles que vão montar a nova família. Quem melhor para decidir o que é melhor?
Krasinski e Rudolph interpretam otimamente seus papéis. Eles conseguem ser gentis não apenas um com o outro, mas com as pessoas ao seu redor. É o tipo de casal de amigos que qualquer pessoa poderia gostar de ter. Chega a ser incrível como a relação deles consegue sobreviver mesmo em meio o caos que os cercam.
É a direção de Sam Mendes (Foi Apenas um Sonho) que não está exata. O filme e o roteiro são fora do convencional. Já a direção dele não. Apesar de tentar, ele não consegue abandonar as formalidades que apresentou em seus filmes anteriores. É um filme bonitinho que pode se gostar de ver, mas se fosse mais informal poderia ser melhor.

Away We Go. Ano: 2009. Duração: 98 minutos. Com: John Krasinski, Maya Rudolph, Jeff Daniels e Maggie Gyllenhaal. Direção: Sam Mendes; Roteiro: Dave Eggers e Vendela Vida; Música: Alexi Murdoch; Fotografia: Ellen kuras; Edição: Sarah Flack.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

O CAVALEIRO DAS TREVAS – THE DARK NIGHT


NOTA: 10.
Quando assisti no cinema pensei que era um dos melhores filmes do ano.
Agora que revi, confirmei minha opinião.

O filme é um deleite pra qualquer espectador.
Tem um dos melhores e mais perturbadores personagens do cinema, magnificamente interpretado por Ledger. É um triller policial de fazer se segurar na poltrona. Tem um bom roteiro. Cenas de ação espetaculares. Elenco impecável. Humor. Não falta nada no filme.

Acompanhamos a cruzada de Batman, ainda tentando livrar a cidade de Gothan do crime e corrupção. Desta vez ele conta com um aliado que pode fazer com que ele possa finalmente se aposentar: Harvey Dent. Ao contrário de Batman, ele seria o cavaleiro branco de Ghotan. O herói da cidade que não precisa usar máscara.

O problema no caminho dos dois é o psicótico Coringa. Atualmente, está virando modismo pessoas normais que fazem atos cruéis Só porque podem. Nolan volta aos tempos em que vilões eram psicóticos e o Coringa é o pior de todos. Ele não quer dinheiro ou fama. Ele quer caos. Só isso.

O elenco de apoio não é menos fabuloso. Eckhart brilha com seu Dent, que faz qualquer um esquecer o personagem de Lee Jones (assim como Ledger consegue apagar até a memória do monstro Nicholson). Ao seu lado estão um elenco de primeira linha, com coadjuvantes como Michael Caine, Gary Oldman e Morgan Freeman. Isso é outro acerto de Nolan. Cada peça do filme é fundamental, e sendo assim, ele se cerca dos melhores atores disponíveis.

Nolan tem um quê Hitchcockiano. Ele mostra controle absoluto do filme. Do roteiro á trilha sonora, tudo funciona muito bem. O roteiro então é outro caso à parte. É excelente. E mesmo sendo violento, passa uma idéia boa, que ainda há bondade no coração das pessoas. Em tempos de filmes onde só há violência sem sentido, O Cavaleiro das Trevas é um alento no cinema.
Se for indicado aos oscars de melhor filme, diretor e ator coadjuvante (ou mesmo de principal) para Ledger, não seria nenhuma surpresa.

Imperdível.
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