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sexta-feira, 27 de abril de 2012

SETE DIAS COM MARILYN - MY WEEK WITH MARILYN

NOTA: 9.
- É uma agonia porque ele é um grande ator que quer ser uma estrela do cinema, e você é uma estrela do cinema que quer ser uma grande atriz. Este filme não vai ajudar nenhum dos dois.

É difícil explicar o fenômeno que era Marilyn Monroe nos anos 1950. Ela não era uma simples estrela do cinema, era um furacão que causava uma revolução por onde passava. Ela imprimia uma ideia na mente das pessoas naquele tempo. Provavelmente em toda a humanidade. Para os homens o maior objeto de desejo, para as mulheres um ideal a ser seguido. Ela conseguia incorporar vulnerabilidade, doçura, medos e esperanças.
E a única forma desse filme funcionar, era achar uma protagonista que conseguisse passar essas qualidades, e eles encontraram em Michelle Williams. Claro que não inteiramente, afinal, dificilmente surgirá outro furacão Marilyn, mas o forte batom vermelho, o cabelo dourado e certos ângulos de câmera nos fazem lembrar um pouco a estrela. Ainda assim, Williams consegue fazer com que tenhamos vontade de abraçá-la e ficar junto dela.
Baseado em uma história real de Colin Clark (Eddie Redmayne), um jovem amante de cinema que conseguiu na marra um emprego na produção de O príncipe encantado, filme rodado na Inglaterra dirigido e estrelado por Laurence Olivier e também estrelado por Marilyn Monroe. Seu marido na época era o roteirista Arthur Miller, e durante uma semana ele se afastou da Inglaterra e a atriz pediu a companhia de Colin durante esse tempo.
Muitos diziam que Marilyn se fazia de pobre coitada para conseguir a simpatia de todos. Seria parte do que a tornou uma grande estrela. No filme, o que vemos é uma mulher insegura de suas capacidades como atriz e como ícone. Ela se sente solitária. Colin é apenas uma boa companhia para alguém que não quer ficar sozinha. Todos a tratam como se fosse a Marilyn Monroe, o jovem a vê como uma mulher. Ele vê a através de tudo isso.
Colin é também diferente dos homens com quem ela costuma sair. Joe DiMaggio (jogador de baseball). Robert Mitchum, John e Bobby Kennedy, todos grandes nomes que não costumavam ficar à sombra de alguém. E para ela, aparentemente também figuras paternas que ela nunca teve. Ela era esperta, mas não tinha confiança nisso. Se cercava de pessoas inteligentes. No cinema, contratava a mulher de Lee Strasberg como se não fosse capaz de fazer um filme sem ela, o que irritava profundamente Olivier por atrasar as filmagens.
Não há exatamente uma história a ser seguida aqui. Baseado no diário que Colin escreveu nessa semana, o que vemos é como ele parece deslocado nesse meio. Ele é cercado de outras pessoas mais interessantes que ele. Temos Olivier (Kenneth Branagh), que mistura fúria pelo comportamento dela misturado com uma paixão impossível. Paula Strasberg (Zoe Wanamaker) que parece ter uma fixação por ela esquecendo tudo à sua volta. E Arthur Miller (Dougray Scott), desconectado do mundo que ela cria ao seu redor.
Para completar o elenco, temos Julia Ormond como Vivien Leigh, a mulher de Olivier que consegue perceber tudo que se passa entre os dois antes mesmo dele. Jude Dench como Sybil Thorndike, que ensina a Olivier que não importa se Monroe sabe interpretar ou não, pois uma vez que ela estivesse em cena ninguém conseguiria olhar para qualquer outra coisa. E Toby Jones, como um assessor de imprensa irrelevante que some de uma hora para outra.
O filme funciona como se fosse um making of das filmagens. É interessante, mas assim como nos filmes de Marilyn o interessante não é a história, e sim ela própria. Nesse caso, o interessante é a performance de Michelle Williams. Ela é capaz de mostrar diferentes Marilyns, a que somente aparecia para as pessoas íntimas, a que interpretava para o público e a que fazia os filmes. Quase ninguém realmente a conhecia, mas esse parece ser um retrato bem fiel. Trabalho brilhante que valeu uma indicação à Williams e Branagh ao Oscar.

terça-feira, 10 de maio de 2011

THOR


NOTA: 7.
- Eu sacrifiquei muita coisa para conseguir a paz. Responsabilidade. Dever. Honra. Estão não são meras virtudes que devemos aspirar. Elas são essenciais para cada soldado, cada rei.

A Marvel lança seu mais recente lançamento baseado nos quadrinhos do herói nórdico também conhecido como o Deus do Trovão. Misturando os quadrinhos clássicos com uma pitada do universo Ultimate ( que está modernizando os personagens da Marvel para os novos tempos) e um pouco de Henquique V, de Shakespeare, o diretor Kenneth Branagh consegue contar uma boa história sobre o personagem Thor.
Começamos acompanhando uma equipe de pesquisa acompanhando fenômenos cósmicos durante a noite. Jane (Natalie Portman), Erik (Stellan Skarsgard) e Darcy (Kat Dennings) acabam atropelando no meio do deserto Thor (Chris Hemsworth). Aí o filme corta para um (longo) interlúdio que explica como ele foi parar no deserto, contando com uma batalha contra gigantes de gelos até seu banimento por Odin (Anthony Hopkins) e perda de seus poderes (e sua camisa).
A história então passa a contar como o herói se vira na terra do século XXI, um lugar bem diferente de sua terra natal e com costumes mais adversos ainda, enquanto tenta recuperar seu martelo mágico e sua divindade. No meio do caminho ele aprende sobre a humildade que seu pai tanto prega e, claro, se envolve romaticamente com Jane.
Então, temos aqui todos os requisitos de um filme de super-heróis: o herói, um vilão (Loki, interpretado por Tom Hiddleston), romance e boas cenas de ação entrecortadas por cenas cômicas. Nada dá muito errado nesta produção. Em poucos anos como produtora de filmes, a Marvel já dá sinais que descobriu sua "fórmula" de produção que pretende atrair o público para suas próximas produções, que vão culminar em um filme dos heróis reunidos chamado Os vingadores, sem apostar em nada que possa dar errado.
Esse é um dos principais fatores que me incomodaram no filme. Ele é certinho demais e se arrisca muito pouco. Se por um lado é uma aposta certa, por outra deixa uma margem muito pequena para chegar mais perto de filmes do gênero com mais alma (e muito superiores também) como Homem-Aranha 2 e O cavaleiros das trevas. É a vitória do cálculo do sucesso mercadológico sobre a criatividade e a ousadia. E mesmo a presença de um diretor como Branagh não conseguiu fazer a balança pesar mais para a arte do que para o tal cálculo. Muita preocupação com o futuro de suas franquias. Do contrário, quem pode explicar a presença de Jeremy Renner no filme? Sua única função é aparecer em um filme antes de Os vingadores, já que não terá seu próprio filme.
Interessante é ver que, mesmo com um elenco com dois vencedores de Oscar (Hopkins e Portman), dois "novatos" conseguem chamar muito mais atenção nos filmes que os "veteranos". Hemsworth era mais conhecido como o "pai de Kirk" no novo Star Trek. Aqui, ele caracteriza Thor de forma a não somente acharmos a escolha adequada, mas também a considerar uma missão difícil achar um ator melhor para o papel. Seu único real rival no filme é também o antagonista do filme. Hiddleston, que intepreta Loki, rouba a cena cada vez que aparece e se torna uma ótima surpresa.
É um filme que se encontra na faixa entre o mediano e o divertido, o que acaba saindo um pouco decepcionante. No final, fica a sensação que o personagem é interessante mas que não foi feito o suficiente para aproveitá-lo. Em breve, Capitão América: O primeiro vingador chegará aos cinemas e possivelmente no mesmo estilo.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

OPERAÇÃO VALQUÍRIA – VALKYRIE


NOTA: 8.

Ao falar o nome do diretor Bryan Singer, é fácil associá-lo a filmes para adolescentes, meio em que ficou por cerca de 10 anos contando com dois X-men e o retorno do homem de aço aos cinemas. Para quebrar esse período de filmes de ação, dirigiu alguns dos episódios de House M.D., série que é produtor. Mas não se deixe enganar. Muito antes de agradar aos fãs de quadrinhos, Singer era diretor (muito competente) de filmes de suspense. São deles os ótimos Os Suspeitos e O Pupilo. O primeiro com o roteiro de Christopher McQuarrie, o mesmo desse Valkyrie, e mostra que não perdeu a forma.

Para ajudar, o filme conta com Tom Cruise, que vem tentando reconstruir sua carreira como ator capaz de chefiar filmes sérios e não como o maluco que pula em sofás. E ele não lidera um elenco qualquer, ao seu lado estão Tom Wilkinson, Terence Stamp (que ironicamente já tentou matar o próprio Superman), Kenneth Branagh e Bill Nighy. Um elenco de peso com uma atenção especial para Branagh. Apesar do tempo afastado da mídia desde a câmera de segredos de Harry Potter ele entrega o melhor personagem do longa. Um homem apaixonado pelo país que odeia ver o caminho que está tomando.

Esse afinal, é o grande desafio de todos os envolvidos pela operação do título. Todos são homens apaixonados pela Alemanha e não gostam do rumo que Hitler toma para o país. Stauffenberg (Cruise) se une a um grupo já formado que planeja tomar o poder das mãos do tirano ditador. Porém, para ele, não é suficiente. É preciso matar o próprio. É quando ele tem a idéia de usar uma operação de Hitler contra ele e acabar com a guerra por eles mesmos, recuperando assim a dignidade daquele povo. Ou como eles mesmos dizem, se falharem, pelo menos o mundo saberá que nem todos apoiavam o nazismo.

Desnecessário dizer que o golpe deles não funciona, já que a história nos ensinou isso, mas não pense que isso dilui o suspense do filme. É apreensivo ver a reação de cada um quando o golpe é efetivamente posto em prática. Parece que eles não esperavam que Stauffenberg fosse realmente colocar a bomba para matar Hitler. E quando esta explode, começa a luta contra o tempo para dominar os distritos chegando até Berlim, que significaria a vitória dos traidores. Tudo sempre aparado pelo medo de cada um deles, já que a falha significa a morte por alta traição.

Engraçado pensar que Hollywood que por muitos anos colocou os nazistas em muitos (e muitos mesmo) filmes como vilões agora mostrem um lado mais humanos deles. Como me disseram, os EUA estão desfazendo a fama do povo alemão como o mais odiado do mundo: primeiro elegendo Bush por dois mandados seguidos, agora fazendo filmes (no plural, Um Homem Bom, com Viggo Mortensen também estreou esse ano) que mostram que nem todos eram maus e a favor do nazismo. Será que virão mais por aí?

Singer entrega um suspense de primeira, mas The Man os Steel já está anunciado para 2011.
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