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quinta-feira, 1 de março de 2012

JOVENS ADULTOS - YOUNG ADULT


NOTA: 8.
- Eu sou casado.
- Nós podemos superar isso.

É muito comum filmes que mostram as tais "rainhas do baile" dos colégio americanos. Elas geralmente são metidas, tratam todo mundo com desprezo e aprontam as piores coisas com os alunos que não são populares. Este filme se vinga contra essa "classe". Aqui, a antiga rainha do colégio é uma mulher se aproximando dos 40 anos que tem uma vida muito mais miserável que todas as outras pessoas que eram do seu colégio.
Ela é Mavis (Charlize Theron, uma das melhores atrizes em atividade no cinema americano), uma personagem que começamos não gostando e terminamos com uma sensação muito pior sobre ela. Uma mulher linda que se mudou de uma pequena cidade para a grande cidade onde se transformou em uma escritora que a deixou mais ou menos famosa. Isso porque ela escreve para uma grande série de livros sobre vampiros que faz sucesso, mas não foi ela a criadora da série. Mesmo assim, todos que a conheciam acham que ela é uma espécie de celebridade. É claro que ninguém a vê em anos.
Infelizmente, eles vão revê-la. Cansada de ficar sozinha em seu apartamento apesar de encontros que não parecem servir para nada, que parece um chiqueiro, ela resolve voltar para sua cidade. Isso, porque ela recebeu uma mensagem de de Buddy (Patrick Wilson), seu antigo namorado de colégio, dizendo que sua filha nasceu. Em algum lugar da doentia cabeça de Mavis, ela deve ir reencontrar Buddy e terminar com o casamento dele para que eles fiquem juntos.
Jason Reitman repete a parceria que fez sucesso em Juno com a roteirista Diablo Cody. De lá para cá ele fez o bom Amor sem escalas, já Cody escreveu o ruim Garota infernal. Em Juno, os dois fizeram sucesso centrando o filme em uma adorável menina. Aqui eles usam como protagonista uma mulher que parece amedrontar qualquer pessoa que se aproxime. Além de passar a maior parte do tempo bebendo, ela gasta o resto do tempo dizendo as piores coisas pra pessoas.
Quando um filme tem uma personagem que seja detestável assim, também precisa de um personagem que possa "amaciar" a situação. Esse personagem é Matt (Patton Oswalt), que no colégio sentava ao seu lado mas que ela só lembra dele por sua deficiência e fofocas que diziam sobre ele. Eles não tem nada a ver um com o outro. Ele sabe o que ela está aprontando e sabe que está indo em direção ao fracasso. Matt é o personagem chave do filme. Charlize está ótima como a megera e Wilson como o cara legal, mas é o personagem de Oswalt que faz com que a platéia tenha alguém com quem se identificar.
Mavis é o "elefante na sala" de qualquer lugar que vá. Provavelmente, parte disso deve vir de seu alcoolismo. Mas é interessante observar seu comportamento destrutivo e seu comportamento inapropriado. Talvez essa mulher seja até mesmo insana. É um estudo de personagem. Não é um personagem que vá atrair grandes emoções, mas pode ser divertida de acompanhar.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

AMOR SEM ESCALAS (UP IN THE AIR)


NOTA: 9,5
"Pode parar de ser condescendente por um segundo ou isso é parte da sua filosofia de merda?" Natalie Keener

O personagem de George Clooney, Ryan Binghan, tem o emprego dos tempos atuais. Seu trabalho consiste em viajar pelos EUA demitindo pessoas de seus trabalhos. Geralmente o patrão não tem coragem de fazer isso ele mesmo e paga a firma onde Binghan trabalha. Nesses tempos de crise, você pode imaginar quanto trabalho ele está tendo.
Claro que despedir pessoas está longe de ser o melhor emprego do mundo, mas ele está longe de estar insatisfeito com sua vida. A vida dele é essa rotina de trabalho. Aeroportos e hotéis o fazem se sentir em casa muito mais do que quando ele está em sua própria casa. Ele não tem casa, na verdade. Ele tem um endereço para correspondência. Assim como não tem escritório, tem um endereço onde seu chefe tem um escritório. A vida de Binghan, pessoal e profissional, está no céu. Entre um vôo e outro.
Além disso, ele aproveita a chance de poder viajar bastante para acumular milhas. Existe um número mágico que ele pretende alcançar (se ele demora a revelar, não sou eu que vou estragar a surpresa), o que o faria se tornar a sétima pessoa a conseguir. "Mais pessoas pisaram na lua.", ele diz.
Seu estilo de vida é ameaçado com a chegada de Natalie Keener na empresa. Ela tem um planejamento de cortar as viagens dos agentes. Ao invés de viajarem, eles fariam a demissão através de uma webcam, cortando os custos de viagem e hospedagem. Claro que Binghan se opõe. Não apenas pela iminência de mudar sua vida, mas também pelo tratamento que as pessoas vão receber. Ele tem uma "arte" no que faz, serviço que não pode ser reproduzido pela câmera. Mas não apenas o serviço será implementado como ele terá que levar a novata para aprender mais sobre o trabalho.
Clooney está perfeito em seu papel. Ele é aquele cara que você encontra, conhece, gosta e depois nunca mais o vê na vida. Talvez não vá nem lembrar de seu nome. Ele é agradável em seus estilo "descartável", coisa que faz questão de ser. Ele próprio dá palestras de como andar com a mochila mais leve. Isso, claro, simbolizando que a pessoa deve ter uma vida sem compromissos. Mesmo sua amante (Vera Farmiga) também tem seu estilo de viajar sempre. Eles se encontram quando suas agendas de viagem batem. Oposto a eles está Natalie, uma recém formada cheia de vida que acha que pode conquistar o mundo. Quem nunca pensou assim?
Jason Reitman (diretor) está ainda em seu terceiro filme, depois dos ótimos Obrigado por fumar e Juno, mas sua evolução é clara. É provavelmente o melhor diretor que está surgindo e se continuar nesse ritmo promete muita coisa ainda. Provavelmente não ganhará um Oscar por esse filme, mas não demorará muito pra que isso aconteça. É só continuar com seu ótimo trabalho.
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