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quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

AS AVENTURAS DE PI - LIFE OF PI


NOTA: 10.
- Mamaji me disse que você tem uma história que me faria acreditar em Deus.

O novo filme do diretor Ang Lee exige que você dê um salto de fé e embarque de cabeça na viagem do jovem indiano Pi Patel, o único sobrevivente de um naufrágio que fica em um barco junto com um tigre de bengala chamado Richard Parker. Nessa adaptação de um livro que muitos consideravam que não podia ser adaptado, o oceano nunca me pareceu antes tão furioso e cheio de ironias quanto agora, o que transforma a jornada dos dois num filme tão corajoso cinematograficamente falando, que se a vida deles não tivesse em risco eu desejaria que a viagem não terminasse nunca. 
Depois de um breve prólogo que mostra a família de Pi, que tem um um hotel com um zoológico, a história foca principalmente nos 227 dias que Pi Patel fica à deriva no oceano. O jovem de apenas 17 anos, faz a transição para a vida adulta passando por provações e adaptações para se manter vivo. É uma viagem que acontece muito dentro da cabeça do rapaz, e Lee foi capaz de intensificar seu poder através de efeitos especiais e 3D com originalidade. O 3D não está lá apenas para parecer bonito, ele tem uma função. No oceano, a água parece estar em nossa volta, e quando o tigre ruge parece estar rugindo para nós. Nunca é usado para dar sustos ou coisas do tipo, apenas para imersão do espectador no filme.
O nome do personagem veio de uma visita que seus pais fizeram a uma piscina francesa. Eles ficaram tão impressionados que resolveram colocar o nome do filho de Piscine. Claro que esse tipo de nome o traria problema na maior parte do mundo, o que o faz tentar mudar sua sina adotando o nome de Pi, que em matemática é uma constante que começa com 3,14 e é seguida de tantos outros números que parece não acabar nunca. Se Pi não parece ter limites, talvez seja o nome apropriado para um rapaz que não quer aceitar os seus próprios limites.
Há duas cenas do prólogo que merecem atenção. Uma é o garoto escrevendo TODOS os números de Pi no quadro (na verdade, ele usa uns 4 ou 5 quadros diferentes), mostrando sua obstinação. A segunda é seu encontro com Richard Parker ainda no zoológico, que mostra que este é de fato um animal e que de fato está preso aos seus instintos naturais. Nem a plateia nem ninguém do filme pode pensar que se trata de um tigre versão Disney.
E é esse detalhe do tigre que faz toda a diferença no decorrer do filme. Em nenhum momento o filme fica maçante pelo fatos de estarem dentro de um barco. Animais selvagens são imprevisíveis, as rações para sobreviverem em alto mar não irá durar pra sempre e somente os fortes sobrevivem. Essa é a lei entre os animais, seja na selva ou dentro de um barco.
Há uma parte do filme que se passa em uma ilha e que pode levar o espectador a se perguntar a veracidade da história contada. Minha sugestão: não façam essa pergunta. Abracem o filme como ele é. Cada cena, cada fotograma, é real. Como foi dito uma vez, um frame é uma verdade. Cinema é 24 verdades por segundo. E a verdade de Ange Lee nos rende uma obra prima e um dos melhores filmes do ano.

segunda-feira, 1 de março de 2010

ACONTECEU EM WOODSTOCK (TAKING WOODSTOCK)


NOTA: 6.
"Todos com sua pequena perspectiva. Perspectivas fecham o universo, deixam o amor de fora." Carol

Essa é a adaptação do livro escrito sobre as memórias de Elliot Tiber, o personagem principal do filme. O diretor Ang Lee repete a estratégia que executou em Cavalgada com o diabo, filme com Tobey Maguire, que é pegar um grande evento e contar uma pequena história dentro daquele contexto. No caso citado, o contexto era a guerra civil americana, aqui é o que é considerado o maior espetáculo de rock de todos os tempos.
Elliot volta de NY para ajudar no negócio familiar, um hotel de nenhuma estrela, onde até mesmo as toalhas são cobradas, caindo aos pedaços em uma pequena cidade. Ele consegue uma permissão para fazer um festival como já havia feito anteriormente. Claro que anteriormente era apenas algumas pessoas sentadas na grama escutando discos. "Uma vez tivemos um quarteto ao vivo", ele diz.
Para não perder o hotel, Elliot deve juntar dinheiro rapidamente, por isso quando ele descobre que a permissão de um certo concerto foi negada em uma cidade próxima, ele liga para a produção para poderem usar a sua permissão para realizarem o show na cidade dele. Claro que Elliot devia estar mais preocupado em pagar suas contas, não em fazer história com um evento que atraiu mais de meio milhão de pessoas para os tais "Três dias de música, paz e amor.".
Assim como o citado Cavalgada com o diabo, esse filme sofre da falta de paixão que Lee costuma dar aos seus filmes. Os personagens do filme são caricatos e pouco interessantes. Até mesmo Liev Schreiber, sempre ótimo, tem que se esforçar muito para fazer com que seu personagem, um segurança travesti de peruca loura, não pareça tão ridículo. O resto do filme é apenas uma bagunça generalizada, e não uma bagunça boa como foi o concerto. O núcleo familiar lembra mais uma sitcom que outra coisa.
Filmes que mostram essas pequenas histórias, funcionam para pequenas coisas. Como funcionaria uma mulher que tentasse conhecer Hendrix por exemplo. Elliot estava no centro de tudo. Aquilo tudo aconteceu por causa dele, e ele é apático demais para ser o personagem central daquilo tudo. Michael Lang, que parece ser o maior cabeça da empreitada, mostra um personagem tão mais interessante que me faz perguntar porque ele não foi o protagonista do filme. E um filme sobre o responsável por Woodstock, merecia um pouco mais de show, mesmo que fosse de trilha sonora ao invés de uma música de fundo em um único momento.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

DESEJO E PERIGO



NOTA: 8.
"Se trabalha para um traidor, deveria esperar que isso acontecesse com você." Kuang

O filme de Ang Lee é daqueles que exige um pouco de paciência num primeiro momento, mas depois de um tempo você percebe que sua paciência foi altamente recompensada. Além de ser cinematograficamente belo em todas as tomadas, ele entrega exatamente o que deveria entregar: é um filme que aborda o sexo, e Ang Lee entrega justamente isso com muita coragem, em cenas que beiram o erotismo e que lhe valeu uma classificação de 18 anos.
De certa forma, lembra o suspense alemão A Espiã, onde uma mulher usa o sexo para se aproximar de grandes líderes na Segunda Guerra Mundial. Aqui a época continua, mas ao invés de Alemanha o filme se passa na China. Um grupo de teatro decide de montar por conta própria uma resistência contra a ocupação japonesa. Pra isso eles infiltram Wang na casa de Sr. Yee, um colaborador japonês. Mas eles são amadores, apesar de seu plano quase funcionar, a guerra estraga tudo.
Anos depois, ela encontra a resistência novamente. Dessa vez a oficial e altamente organizada. Disposta a tentar novamente seu plano contra Yee, ela se junta a eles se tornando sua amante, até que surja a possibilidade de eles conseguirem se aproximar o suficiente para conseguirem matá-lo. Porém, até que Wang consiga que Yee se abra o suficiente para se expor, ela ficará a mercê dele.
Yee não tem interesse em “fazer amor” com ela. Ele a subjuga de forma violenta. As cenas beiram o sado masoquismo, sem chegar ao explícito propriamente dito, claro. Na primeira vez, ele chega a atar as mãos dela com um cinto e em momento nenhum a deixa olhar para ele. Nas outras cenas, ele mostra que não precisa aparecer torturando alguém para se mostrar assustador. Ela sabe o quão perigoso ele é. Depois de um tempo, a relação vai avançando para além do sexo. De ambas as partes.
Filme após filme Lee vai mostrando que é um dos maiores diretores do mundo na atualidade. A única semelhança entre esse filme e seus anteriores, é o conflito interno que seus personagens têm. De resto, ele se mostra mais maduro do que em filmes como Brokeback Montain.
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