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terça-feira, 5 de julho de 2011

DESCONHECIDO - UNKNOWN



NOTA: 5.
- Você sabe como é sentir que está ficando louco? É uma guerra entre ouvir quem você é e saber quem você é. Qual lado você acha que vence?


Liam Neeson deve ter gostado da experiência de ser um astro de filmes de ação, como fez anteriormente em Busca implacável. Só isso para explicar a sua presença neste filme que faz o anterior parecer um clássico. Ele cria uma carreira respeitada como ator sério para acabar fazendo um filme sem pé nem cabeça que pode fazer a platéia duvidar da sua capacidade de escolher um bom filme. A coisa piora se lembrarmos que entre seus filmes mais recentes também Esquadrão classe A e Fúria de titãs.
Aqui ele interpreta o Dr. Martin Harris que está no avião viajando com sua esposa, Elizabeth (January Jones), indo para uma conferência de biotecnologia em Berlim. No desembarque, ele deixa o taxista colocar a bagagem dentro do carro e uma maleta acaba ficando no aeroporto. Ele pega um outro táxi de volta para recuperá-la mas acaba se envolvendo em um acidente que o deixa no hospital por alguns dias. Quando consegue sair do hospital, sua esposa está com outro homem que está se passando por ele e ela ainda diz que nunca o viu antes.
A maleta é tão importante que ele não podia cogitar não ir buscar imediatamente. A urgência é tanta que ele sequer avisa a esposa que está voltando para buscar, simplesmente parte, enquanto ela está fazendo o check in, desesperado. Se você tem uma maleta muito importante, que contém o que deve ser a realização mais importante da sua vida, qual é a probabilidade de você deixar a responsabilidade sobre ela para uma outra pessoa que não sabe sua importância No caso um taxista)? Zero. E ainda mais, qual a probabilidade de fazer o caminho de volta para o aeroporto em Berlim e não ter sinal? Talvez menor ainda. Mas ainda assim isso tudo acontece com ele.
Ele conta apenas com a ajuda da taxista, uma imigrante ilegal conhecida apenas como Gina (Diane Kruger), e um detetive alemão interpretado por Bruno Ganz (a melhor coisa do filme) para poder acabar com essa conspiração ou seja lá o que for que estão armando contra ele. Nessa parte a cabeça começa a pensar em milhares de possibilidades, a melhor seria aquela que você menos esperava ou que de repente sequer pensou. Neste caso, eu sequer pensei na possibilidade, mas acho que isso aconteceu porque jamais podia imaginar que o resultado poderia ser tão ruim. Que a explicação pudesse ser tão banal.
Talvez eu esteja implicando muito com filme. Não desgostei tanto assim dele. Chegou até a me entreter por algum tempo (talvez uma hora) antes que começasse a dar explicações demais, o que já é ruim, e depois explicações que sequer tampam os furos na história, o que é pior ainda. E ainda fica uma grande impressão que é tudo uma mera desculpa (esfarrapada) para terminar com cenas de perseguição, tiroteio e lutas. E nada disso justifica a presença de Neeson no filme. Alguém pode até falar que a presença dele serve para dar mais veracidade ao filme. A minha pergunta é: esse filme merece isso?

domingo, 15 de novembro de 2009

A ORFÃ


NOTA: 4.
"Acho que as pessoa deveriam sempre pegar as coisas que aconteceram de errado na vida dela e transformar em algo bom. Não acha?" Esther

Ao longo de seus 123 minutos (e realmente ele parece longo) fica a nítida impressão de que o filme poderia ser bem melhor. E dessa vez nem posso dizer que ficou no quase. O diretor se esforça bastante para qualquer pessoa que estiver assistindo sair da sala. É como se ele nos punisse por estar vendo. Só não consegue 100% de abandonamento por causa da ótima atuação de seus atores. E aqueles que conseguem ficar até o final são agraciados pela melhor (e infelizmente mal aproveitada) virada da trama em muitos anos.
Acompanhamos um casal que está pensando em adotar uma criança. Eles já têm dois filhos, mas como sofreram um aborto no terceiro, eles querem transferir esse amor para uma outra criança. Ao visitar o orfanato eles decidem adotar Esther. Ela parece adorável, inteligente e tem um grande talento para pintura.
Porém, como o postêr mesmo diz, há algo de errado com Esther. Ela não tem aquela inocência que as crianças costumam ter. Ela parece muito mais madura do que deveria ser pra sua idade. Mesmo para uma criança que ficou prematuramente madura. Ela sabe das coisas. Há uma dose de sabedoria nas coisas que ela fala. E quando ela senta no piano, mesmo tendo feito sua nova "mãe" pensar que não sabia tocar, ela não comete um único erro em uma música complicada de Tchaikovsky.
Por esses e outros motivos, desde sua chegada, ela e Kate (sua nova mãe) não se dão bem. Talvez porque seja fácil demais para Esther implicar com Kate, uma mulher que devido a algumas péssimas escolhas teve vários problemas em sua vida pessoal. A isso junta-se o comportamento condescendente de John, o marido, que justamente por causa dos problemas de sua esposa, prefere acreditar que não há algo errado com Esther.
O que deveria ser o grande gancho do filme é saber o que há com ela, por isso é estranha a decisão do diretor de explicitar (até mesmo no trailer) as maldades da menina. Não há um suspense em saber se ela realmente é uma criança perversa ou se é uma impressão equivocada da mãe com problemas psicológicos.
Outro erro do diretor (do horroroso A Casa de cera) é que ele faz questão de usar todos os clichês do gênero de forma tão banal que beira o patético. A cena do espelho que não assusta mais ninguém desde os anos 80? Está lá. Ele não traz nada de novo ao gênero. Na verdade ele estraga tudo que há de bom nele. Por isso que quando a virada finalmente chega, pode ser, terrivelmente, tarde demais. Talvez na mão de um diretor mais talentoso pudesse ser um bom filme. Aqui se torna apenas uma história que poderia ser melhor aproveitada.
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