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quinta-feira, 11 de agosto de 2011

OS FILHOS DE KATIE ELDER - THE SONS OF KATIE ELDER


NOTA: 8.
- Eu quero ir com você. Podemos ser famosos como os irmãos Dalton.
- Eles são famosos, mas estão mortos.

Este é o filme do retorno de John Wayne aos cinemas. O ator tinha parado por um curto período para se tratar de um câncer. Tanto que para mostrar para seus fãs que a doença não o tinha afetado fisicamente, ele fez questão de realizar todas as suas cenas sem o uso de dublês. Que bom para ele e para os espectadores que seu retorno é um faroeste que apesar de despretensioso, é muito divertido com boas cenas de ação sob o comando de Henry Hathaway, diretor de Bravura indômita.
John Wayne é John Elder, um dos quatro filhos de Katie Elder, que já no início do filme aparece apenas sendo enterrada. Na história dos faroestes, existiu uma famosa Kate Elder conhecida como "Big Nose" (Nariguda) que era a amante do famoso pistoleiro John "Doc" Hollyday, como pode ser visto em Tombstone ou Wyatt Earp. A Katie do filme, entretanto, em nada deveria lembrar a Kate real, já que todos no filme dizem apenas as melhores coisas sobre ela, como se fosse a melhor mulher que já conheceram.
O mesmo não se pode dizer de seus filhos. Todos na cidade tem apenas as piores coisas a dizer sobre os Elder, que são vistos quase como uma quadrilha. Em especial John, cujas histórias podem ser ouvidas "a cada 10 metros". E, por conta do falecimento da mãe, eles estão unidos novamente, mas não é nenhum golpe que eles estão planejando, eles querem é saber as causas da morte do pai e porque Katie perdeu as terras para um rico homem da cidade.
Logo de cara sabemos que há algo de errado com os Hastings. Talvez seja porque pai e filho são interpretados por atores tão bons como James Gregory e Dennis Hopper, respectivamente. Nós sabemos, o xerife e grande parte da cidade também sabe, com exceção de seu ajudante que é muito novo e pensa apenas em prender os Elder. Mas o melhor é que sabemos que podemos deixar tudo para John Wayne descobrir com ajuda de Dean Martin. Nossa diversão é apenas assistir.
Há algo de diferente em Wayne em relação aos seus outros personagens de faroeste anteriores a este. Uma diferença mais evidenciada em Bravura indômita. Não que Wayne fosse ruim antes, mas aqui ele mostra algumas nuances que não demonstrava antes. Mudança para melhor que acabou lhe rendendo o Oscar no filme citado. Quando um de seus irmãos morre, e o outro está gravemente ferido, ele fica ainda mais comprometido com a vingança. E nós mais entretidos.
Não é o melhor exemplo, mas para quem gosta do gênero pode ser uma excelente pedida. Boas cenas de ação, outras boas cenas cômicas (a discussão dos irmão sobre lápides é ótima) e um elenco de grandes estrelas. E o principal: Wayne, o maior pistoleiro que o oeste já viu.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

BRAVURA INDÔMITA - TRUE GRIT (1969)


NOTA: 9,5.
- Bill Waters é o melhor rastreador. Rooster Cogburn é o mais cruel. Sem piedade, durão e sem nenhum pensamento de medo. Eu teria que dizer que L. T. Quinn é o mais certinho, que traz os prisioneiros vivos.
- Onde eu encontro Rooster Cogburn?

Muitos conhecem a história por conta da refilmagem que foi feita ano passado escrita e dirigida pelos irmãos Coen e estrelada por Jeff Bridges. Ambos são, na verdade, baseados no livro de Charles Portis e cada qual tem suas características distintas. A principal característica deste filme é que em nenhum momento ele deixa de ser um filme de John Wayne. Terão os que considerem o fato como bom ou ruim, como fã do ator eu digo que cada filme é bom ao seu modo.
O início do filme mostra a família Ross, com o chefe da família saindo para fazer negócios junto com seu ajudante Tom Chaney enquanto a pequena Mattie Ross (Kim Darby), já amadurecida para a sua idade, fica tocando os negócios da família. Quando Frank Ross tenta ajudar Chaney a não se meter em uma briga, este o assassina covardemente e rouba o dinheiro deixando o corpo para trás. Em seguida, Chaney foge para uma área dominada por índios onde somente federais tem jurisdição, e nenhum parece muito interessado nele.
A pequena Mattie Ross, com 14 anos segundo o filme, resolve procurar Rooster Cogburn (John Wayne), um federal com atitudes suspeitas e fama de ser bem cruel com as pessoas que está caçando. Ela usa seu tino para os negócios para fechar acordos e garantir dinheiro para a caça do assassino. A única coisa que ela quer, é seguir junto na caçada. Se junta a eles La Boeuf (que ele diz se pronunciar La Beef), um outro federal que está atrás de Chaney por outros motivos.
O filme é dirigido por Henry Hathaway, que dirigiu diversos tipos de filmes mas acabou ficando mais conhecido pelos seus filmes de faroeste (Os filhos de Katie Elder e principalmente este filme). Ele já tinha 72 anos quando dirigiu este e somente fez alguns poucos trabalhos depois disso. Não se deixem enganar pela sua idade, este é o trabalho mais maduro. Isso, em conjunto com a fotografia sensacional de Lucien Ballard fazem desse um dos grandes filmes de faroeste da época.
O que o impede de se tornar um filme excelente é o seu elenco. E olha que tem coadjuvantes como Robert Duvall e Dennis Hopper. Glen Campbell, que interpreta La Boeuf é muito fraco para o papel que tem e apresenta enorme dificuldade de tornar os diálogos convincentes. Para piorar, Kim Darby também não convence como Mattie Ross. Seja por parecer que tem muito mais de 14 anos (ela tinha 22 na época), seja por não conseguir se passar por uma garota amadurecida que tem tino para negócios. Quem realmente se destaca é John Wayne. Sei que disse que sou fã dele, mas mesmo para quem não gosta fica óbvio que é a sua presença que salva o filme em todas as cenas.
Para mim foi um dos grandes filmes do ano. O único outro faroeste que se destacou naquele ano foi Butch Cassidy e Sundance Kid. Um pouco criticado na época de seu lançamento, foi indicado apenas para música e deu a Wayne seu único Oscar, vencendo Jon Voight e Dustin Hoffman (Perdidos na noite), o que muitos consideram injusto. Talvez tenha tido atuações melhores naquele ano, mas esta foi a coroação de 40 anos de carreira de Wayne que teve aqui sua melhor performance.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PROMESSAS DE UM CARA DE PAU


NOTA: 7.
Molly: “Você não pode. Está sob juramento.” Bud: “Foi no meio da noite. Isso não pode valer.”
Muitos já devem ter ouvido a frase “Um homem, um voto.” Esse filme leva a frase ao limite. Um homem, um voto. E o voto de Bud é que vai decidir o futuro presidente dos EUA.
Vamos a história.
Bud é um malandrão. Não quer nada com trabalho, está sempre bêbado e tem sua vida “controlada” por sua filha. Num daqueles muitos casos em que a criança é mais madura que o adulto. Ela inscreve Bud para votar para a eleição. Por um problema, seu voto não é computado. Com a contagem de votos, computa-se um empate entre os dois candidatos, e é o voto de Bud que vai decidir a eleição.
Bud não se incomoda de ser um motivo de piadas para os conhecidos. Há apenas uma pessoa que interessa para ele. Sua filha de 12 anos, Molly. Por sorte dele, Molly é o oposto dele. Altamente consciente do papel dos cidadãos para o país. Quando Bud percebe que sua vida causa embaraço para sua filha, ele percebe que está na hora de mudar.
Todos sabem que os candidatos ajustam suas campanhas de forma que eles acham que vão conseguir mais votos. Se a maioria acha que questões ecológicas contam, eles não vão mencionar. Fácil assim. Então o que acontece quando eles devem convencer apenas um homem? “Dizem que você nunca perdeu uma eleição. Que venderia sua mãe para ganhar.”, diz Molly ao acessor de um candidato. “Se você a conhecesse entenderia porquê.” é a resposta que ela recebe.
Toda a situação dos candidatos querendo receber o voto de Bud rendem situações hilárias. Cheio de promessas que todos sabem que não podem ser cumpridas. Claro que no final todos aprendem uma lição. Claro que Bud deve aprender a ser mais responsável. Que os “futuros-presidentes” devem manter sua integridade. Mas isso tudo faz parte do pacote.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FATAL


NOTA: 6.
“Mulheres bonitas são invisíveis. Somos bloqueados pela barreira da beleza. Ficamos tão encantados com a beleza exterior, que nunca chegamos ao interior.” David Kepesh
Ben Kingsley é um ator versátil capaz de interpretar qualquer papel. Ele consegue transitar de papéis como o pacifista Ghandi, em filme homônimo, até o sádico Don Logan de Sexy Beast. Então nenhuma surpresa ao vê-lo nesse filme como um professor de literatura intelectual que tem a vida mudada por Penélope Cruz. A surpresa é falta de empatia do personagem.
Ele interpreta David Kepesh. Ele não é apenas um intelectual, é uma celebridade com entrevistas na TV e programa de rádio. No final do semestre, ele dá uma festa que mais parece uma desculpa para seduzir as alunas de sua aula, já que durante o período de aula a faculdade proíbe. A premiada da vez é Consuela (Cruz), americana com raízes cubanas. A aventura que ele tem com ela é narrada com uma conversa com seu amigo, George (Dennis Hopper).
Aparentemente, o que deveria ser a graça do filme é ver Kepesh agir como um adolescente idiota com sua primeira namorada. Sua relação com Consuela é totalmente baseado na insegurança dele por estar com uma mulher mais nova e bonita.
Apesar de parecer que ele faz isso em todas as suas aulas, até mesmo porque depois de Consuela ele já aparece olhando para outra mulher em sua aula, ele age de forma tão imbecil que torna seu personagem mais irritante do que interessante. Ele chega a ir atrás de festas para procurá-la. “Estava visitando um amigo na vizinhança.” Ridículo.
Com esse comportamento destrutivo, a única que parece conseguir aturá-lo é Carolyn (Patricia Clarckson, ótima). Isso porque Carolyn não está interessada numa relação amorosa, ela quer apenas sexo. Nem seu filho parece gostar dele, e Kepesh só o procura para pedir um favor. Até há uma virada dramática que torna Kepesh, e consequentemente o filme, mais interessante, mas aí a maior parte do filme já se foi pra recuperar interesse do filme.
Não posso dizer que o filme seja bom. É daqueles que você sente que falta algo, sabe? Falta interesse pelo personagem principal. Falta interesse pela relação entre os dois. Pra mim o filme ficou no quase.
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