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terça-feira, 5 de março de 2013

OS CANDIDATOS - THE CAMPAIGN


NOTA: 8.
- Eu estou aqui pra fazer você não parecer péssimo.

Existem muitos filmes que falam de campanhas políticas nos EUA, mas não consigo me lembrar agora de algum que tenha tido a coragem de ser uma comédia tão escrachada quanto essa. Pelo menos não voluntariamente (se algum leitor lembrar, por favor poste aqui). Depois de assistir tantos filmes sérios sobre o assunto (alguns mais do que deveriam ser), é bom poder rir um pouco também.
O que temos aqui é a disputa pro congresso entre Cam Brady (Will Ferrel), que é sempre eleito porque nunca tem nenhum candidato se opondo a ele e que continua se candidatando porque gosta do status que o cargo proporciona; e Marty Huggins (Zach Galifianakis) que é provavelmente o sujeito mais imbecil da cidade e que só está no páreo porque é apoiado por uma dupla de bilionários que quer trazer uma fábrica da China pros EUA para faturarem ainda mais dinheiro.
Ao contrário do que acontece com a maioria dos filmes americanos que tem essa temática, aqui não temos uma divisão entre Republicanos ou Democratas. Não se trata de um partido que possamos identificar. E mesmo os bilionários, interpretados por John Lithgow e Dan Aykroyd, não se interessam por qualquer outra coisa que não seja lucro.
E quanto aos candidatos, como nenhum deles parece sequer saber o que deve fazer, resta o ataque direto à vida pessoal um do outro. Seja para mostrar que um pode ser um pésimo pai, ou até mesmo chegando ao ponto de seduzir a esposa do outro e filmar no celular para poder postar na internet. Em nenhum momento eles tentam mostrar o quanto podem ser bons, mas sim o quanto o outro pode ser pior.
Brady ainda parece ser um melhor candidato porque pelo menos consegue se parecer com um político. Huggins é tão ingênuo que um gerente de campanha, Tim Wattley (Dylan McDermott), é contratado para dar uma repaginada. E quando digo repaginada, eu quero dizer cabelo, roupa, jeito de falar, de agir, decoração da casa e, no cúmulo do exagero, tem até seus cachorros trocados por um raça que possa causar maior empatia com os eleitores.
O filme é dirigido por Jay Roach, que tem em sua cinematografia filmes como Austin Powers e Entrando numa fria. Ele dirige este filme com bastante humor e apresentando dois atores que parecem estar fugindo do que costumam fazer normalmente. Fugindo de suas personas. Os dois são são atores muito engraçados, mas, aqui neste filme, é mais divertido vê-los mostrando uma versatilidade ainda maior do que estamos acostumados.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

DRAGNET - DESAFIANDO O PERIGO


NOTA: 7.
- Você tem muitos sentimentos reprimidos, não é? Deve ser isso que mantém seu cabelo de pé.

Dragnet era uma clássica série policial que passava na TV nos anos 1960. Em L.A. cidade proibida, havia uma homenagem a série e seu bordão: "Somente os fatos". O filme pega alguns dos ingredientes básicos da série, mas utiliza um caso bem bizarro a ser resolvido pelos policiais. É sobre um grupo quase terrorista chamado P.A.G.A.N., que realizam assassinatos, ritos satânicos, sequestram animais e tentam sacrificar uma virgem utilizando uma cobra gigante.
O filme é estrelado por Dan Akroyd como Joe Friday, sobrinho do personagem original da série. Um policial totalmente correto e que segue todas as normas do livro, e ainda obriga todo o resto a seguir também. Seu companheiro é um Streetbek, interpretado por um Tom Hanks que ainda estava em ascensão na carreira mas já era um rosto bastante conhecido do público por uma série de filmes que já havia estrelado. Seguindo os conceitos básicos de filmes, Streetbek é o oposto de Friday que vai se chocar com o modo certinho demais dele.
Os dois são designados a cuidar do caso, o primeiro deles juntos. Se juntam a eles depois, quando a salvam do sacríficio, a virgem Connie Swail. E eu escrevo assim, porque ela é chamada com esse adjetivo na frente de seu nome por quase todo o filme. É ela, doce e pura, que acaba conquistando o coração de Friday, ainda que ele não saiba exatamente o que é esse sentimento que está começando a ter. Como ele diz, quase se sentiu assim, porque já teve um gato.
Apesar de Akroyd estar presente quase que exclusivamente como coadjuvante hoje em dia, sua interpretação e personagem são a principal força do filme. Ele fala de uma maneira extremamente rápida e ainda assim fluente, o que é um dos grandes prazeres do filme. Ou ele deve ter levado horas pra aperfeiçoar sua fala, ou realmente nasceu pra viver esse personagem. Mas é claro que não dá pra deixar de ressaltar a química entre ele e Hanks, que apesar de um pouco ofuscado é eficiente como sempre.
Não é um desses filme que te fazem rir do começo ao fim, mas ele apresenta algumas boas cenas que são muito engraçadas. Envelheceu um pouco com o passar dos anos, mas ainda mantém a maior parte da sua comédia intacta. E pra mim, isso rendeu umas boas risadas.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MEU PRIMEIRO AMOR - MY GIRL


NOTA: 9.
- Pai, não quero te preocupar, mas meu seio esquerdo está crescendo significantemente mais rápido que o direito. Isso só pode significar uma coisa: câncer. Eu estou morrendo.
- Okay, querida, me passe a maionese.

Vejo poucos filmes de qualidade que retratam a infância. Por isso foi um prazer rever, depois de tantos anos, este filme. Ainda melhor relembrar que Macaulay Culkin podia fazer mais do que filmes bobos como Esqueceram de mim e outra besteiras do gênero. Quando fez este filme, já tinha trabalhado no já citado filme além de Quem vê cara não vê coração (com John Candy, de John Hughes) e outros filmes, além, de um clipe com Michael Jackson. Já era o menino queridinho dos filmes americanos. 
Ainda assim esse filme não é dele, é de Anna Chlumsky que interpreta Vada. Ela mora numa casa onde o pai (Dan Aykroyd) oferece serviços funerários. Sua mãe morreu dois dias depois do seu nascimento, então são apenas ele, ela e a avó que sofre de Alzheimer e fica reclusa em silêncio. Apesar de estar sempre cercada da morte, ela não está habituada a isso. Ela é apenas uma criança e o pai não lhe dá tanta atenção assim. Por isso, as maiores noções filosóficas sobre a vida, ela tira das conversas que tem com seu único amigo, Thomas J. (Culkin).
Não é de se admirar muito que ela seja hipocondríaca e vá ao médico por qualquer falta de ar que sinta, e que depois "descubra" que está morrendo de câncer de próstata. Ela poderia ter mais noção das coisas da vida, mas seu pai está mais preocupado com os mortos do que com ela. A situação só muda um pouco quando ele contrata uma maquiadora que gosta dela, mas que vira uma ameaça quando percebe que seu pai também começa a gostar dela.
Como toda criança, nada é simples para Vada. Apesar de estar sempre com seu melhor amigo, sua atração é pelo professor do colégio bem mais velho do que ela, tem certeza que tem uma doença que o médico não consegue encontrar nunca nas suas muitas visitas, e seu pai, que apesar de passar muito tempo com ela dificilmente responde o que ela está lhe perguntando, começa a dividir o tempo dela com a maquiadora Shelly (Jamie Lee Curtis).
Como qualquer pessoa em sua idade, ela vai aprender as coisas da vida. As "realidades" pelo qual todos nós passamos, mesmo que seu pai queira mantê-la afastada do sofrimento. Há uma coisa que ele não pode evitar, que é a vivência. Ele pode não explicar para ela, mas ela vai passar por todos esses momentos de uma forma ou de outra. Assim como uma tragédia acontece no filme e ela não sabe como agir. Ainda assim ela vai aprender como todos nós aprendemos.
O filme não ameniza a dor que a menina sente quando a tragédia acontece (que muitos devem saber qual é), e Chlumsky consegue demonstrar isso muito bem. Ela realmente foi uma escolha feliz para o filme. Assim como ele acerta a mostrar os adultos como pessoas normais. E com todos os personagens muito bem construídos. Apesar de ter algumas cenas obrigatórias, tem algumas surpresas, mas o principal é que se trata de um filme tocante. Muito bonito de ver ou rever.
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