NOTA: 4.
"Eu não estou reclamando. Como posso reclamar? Quando foi que reclamei da sua prática de violino às 3 da manhã? Ou sua bagunça? Ou sua falta de higiene? Ou que você pega minhas roupas?" Watson
Se não fosse tão dramático, eu diria que Sherlock Holmes está morto. O personagem é um dos que mais foram interpretados no cinema e por mais de uma dezena de atores diferentes. Claro que como em qualquer adaptação o personagem se adequa à época que está sendo feito, mas sempre mantinha suas principais qualidades intactas. Mantinha. Holmes era um pensador de primeira e de elegância impecável, mas aqui ele encontra seu pior inimigo: o diretor Guy Ritchie.
Claro que não foi uma escolha feliz. Em toda a sua filmografia não há um personagem inteligente. Não é isso que interessa o diretor. O que o interessa é ter personagens cools. Desconfio que ele sequer saberia o que fazer com um personagem inteligente. Assim, Holmes é rebaixado a um sujeito relaxado, sujo e grosseiro que resolve seus casos com os punhos e não com o cérebro. Entre um caso e outro, nos livros, ele entra num período de estudo, no filme ele atira em paredes.
Uma tentativa frustrada de mostrá-lo como um pensador é usar seus conhecimentos nas inúmeras lutas. Primeiro a cena passa em câmera lenta com a descrição de como ele nocauteará o vilão, depois a cena se repete com a execução. Não parece interessante escrito aqui e o resultado é ainda pior nas telas. Se posso fazer algum comentário positivo sobre o diretor é sobre a escolha do visual do filme, que fica muito interessante, e uma certa melhora no resultado final que não fica tão cortado como ele costuma fazer normalmente. E só.
O filme já começa com lutas que resultam na prisão de Blackwood e posteriormente em seu enforcamento. Alguns dias depois, Blackwood parece se levantar dos mortos, e Holmes deve novamente solucionar o caso, que consiste em uma conspiração diabólica tão pouco interessante que no máximo serve de pano de fundo para as cenas de lutas (sei que parece repetitivo, mas é que são muitas lutas mesmo) que usam e abusam de efeitos especiais.
O que há de bom no filme, é a escolha dos atores. Jude Law como Watson é o par perfeito para o Holmes de Robert Downey Jr. Os dois, apesar de descaracterizarem seus respectivos personagens, estão ótimos em seus papéis. Só não fica perfeito pelo acréscimo de Rachel McAdams no papel de Irene Adler. Não que ela esteja ruim em seu papel, é só que seu personagem foi claramente posto na trama para ter um interesse romântico para Holmes. O resultado parece forçado demais.
Apesar de tudo, o filme estreou nas férias escolares e chegou a bater recorde de bilheteria em estréia. Com o resultado, financeiro obviamente, Ritchie já planeja o segundo prego no caixão do detetive com estréia prevista para 2011. Provavelmente para o terror de Sir Arthur Conan Doyle.
