
NOTA: 9
Terence McDonagh: Atira nele de novo.
Anão: Para quê?
Terence McDonagh: A alma dele ainda está dançando.
Nicolas Cage não deve ser uma pessoa muito exigente para atuar em um filme. Vendo sua filmografia que vão de blockbusters insípidos, como A lenda do tesouro perdido, até horrorosos como O vidente. Mas uma vez a cada alguns anos, ele faz um filme bom onde pode apresentar um personagem interessante, como Adaptação, Despedida em Las Vegas e agora esse Vício frenético. São raras exceções numa carreira como a dele (cerca de 60 filmes), mas provavelmente o que ainda o faz continuar tendo um público que continua esperando ver esses personagens nos cinemas. Já os fãs do Cage Canastrão podem não gostar desse filme, mas não se pode agradar gregos e troianos.
Aqui ele é um dos piores policiais que você pode encontrar no cinema. Existe a possibilidade de não achá-lo tão ruim porque há a presença de um policial que é ainda pior (Val Kilmer, também ótimo), mas ainda há de concordar que é corrupto até quase o extremo. Depois de um acidente, ele é obrigado a tomar Vicodin pelo resto da vida. Do remédio ele passa rapidamente para cocaína, heroína, crack e maconha. Ser policial ajuda a arrumar drogas, inclusive roubando do estoque de evidências confiscadas do porão da polícia. Além disso tem uma namorada que é uma prostituta, aposta em jogos e se envolve sexualmente com quase qualquer mulher que mostre interesse.
Não deixe a descrição do personagem te afastar. Werner Herzog (diretor) não é bobo. Seu filme se passa naquela mística Nova Orleans onde tudo parece poder acontecer (principalmente por ser logo após o furacão Katrina). O diálogo acima é dito em um dos momentos de alucinação de Terence e ninguém discute. Não parece ser tão anormal naquele mundo onde ele também vê iguanas que não existem. Na verdade, parece que Cage e Herzog nasceram para trabalhar juntos. Um complementando o misticismo do outro, o que eleva o filme de bom a ótimo. E olha que não precisa de uma grande história pra isso. Não é um policial convencional onde as dicas vão pingando. Você acaba se desinteressando pelo crime, e acompanha como o personagem vai resolver tudo. E isso é sensacional.