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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

ABUTRES - CARANCHO


NOTA: 8,5.
- Era algo simples. Tinha que dar certo, mas deu errado.

A Argentina continua produzindo filmes muito interessantes, e pra variar com filmes estrelados por Ricardo Dárin. Ele tem uma capacidade especial de interpretar personagens meio "podres". Não sei se essa seria a palavra correta, mas a questão é que não importa o personagem, ele consegue passar um ar de nobreza a eles. O que é muito importante, porque não importa o que ele faça, acabamos sempre torcendo para ele. 
Aqui ele é um advogado, Sosa, que perdeu sua licença. Enquanto não consegue recuperar o direito para trabalhar novamente na profissão, ele serve como abutre para uma firma corrupta. O abutre, no caso, fica correndo em hospitais e atrás de ambulâncias pessoas acidentadas que possam processar alguém e render dinheiro de indenizações para a firma. Nesse processo ele acaba se envolvendo com uma médica chamada Luján. Os dois tragados nessa cidade campeã de acidentes.
Poucos personagens são tão adequados um para o outro quanto esses dois. Ela pode ter mais ética que Sosa, ela também não é isenta de ter seus defeitos. Querendo terminar rapidamente as horas que deve alcançar até que possa ser efetivada no cargo de médica, ela se mantém em seus plantões à base de remédios que a deixam acordada mas não totalmente alerta. Isso faz com que cometa erros que quase acabam por matar alguns de seus pacientes.
É a relação dos dois que mantém o filme em seu eixo. Especialmente para o personagem de Sosa. É quando ele finalmente consegue se envolver emocionalmente, que ele realmente percebe que sua vida não está como deveria ser. É por causa dela que ele resolve que deve fazer alguns reparos para acertar sua vida. Não é apenas uma licença para trabalhar que vai mudar isso. Mas ela também sabe que deve ajudá-lo nessa nova jornada.
O filme anterior de Dárin a aparecer por aqui, foi o maravilhoso O segredo de seus olhos, mas não devemos comparar os dois. Esse filme não é tão bom quanto o anterior. Na verdade, poucos conseguem essa proeza. Não por acaso, não conseguiu chegar a ser indicado ao Oscar. Ainda que mostre um submundo interessante, ele peca por não ter uma história coesa o suficiente. 
Para a sorte do filme, e para a nossa também, Dárin está acostumado a interpretar personagens que devem acertar as contas com o seu passado. Ele nos segura por entre ambulâncias, salas de emergência e muita violência. E ainda por cima ele se encontra em ótima companhia. Se não vale totalmente a pena pela história, com certeza esse filme merece ser visto pelas atuações.

sábado, 23 de abril de 2011

O FILHO DA NOIVA



NOTA: 8,5
- Eu não assisto filmes argentinos. Trabalho o dia inteiro. Você sabe como é.
- Eu não assisto realidade argentina.

No ano de 2002, a academia premiava o insosso Uma mente brilhante como melhor filme do ano, que apenas confirmava seu (fraco) favoritismo. Na parte de filmes estrangeiros, a briga era muito mais interessante. O premiado acabou sendo Terra de ninguém, mas estavam também na briga os ótimos O fabuloso destino de Amélie Poulain e este O filho da noiva.
Aqui, acompanhamos a relação entre homens e mulheres de diferentes épocas. O filme se passa em apenas uma época, apenas que dizer que os homens nasceram em épocas diferentes. O filho da noiva é Rafael Belvedere (Ricardo Darín), pai divorciado que tenta tocar o restaurante familiar em plena crise econômica. Por conta da crise, o trabalho de manter o restaurante se tornou quase impossível e consome o tempo e a vida de Rafael.
De outra época é seu pai, Nino Belvedere (Héctor Alterio). Sua esposa, mãe de Rafael, tem alzheimer e está internada num asilo já que requer tratamento especial, mas isso não impede Nino de visitar sua esposa todos os dias, com uma paixão tão impressionante mesmo depois de tantos anos que emociona, mas que ainda assim não consegue inspirar Rafael e fazer a mesma coisa. Apesar de tão bom exemplo, Rafael é incapaz de ficar realmente íntimo com sua namorada, Naty.
Nem um infarto faz com que Rafael mude sua atitude. É somente depois de um segundo susto que ele percebe que sua vida deve realmente tomar novos rumos. Ele passa a visitar mais sua mãe, vende o restaurante e tenta passar um tempo mais tranquilo com sua filha. Mais importante, tenta atender um pedido de seu pai. Apesar de seu pai estar junto de sua mãe por 44 anos, eles não se casaram. Foi a única coisa que não deu para ela, e é o presente que deseja dar agora.
Rafael estava brigado com sua mãe. Eles tiveram um desentendimento alguns tempo antes por conta de ela achar um erro ele ter largado a faculdade de direito. Ela achava um erro pro futuro dele. Talvez por isso ele tenha aceitado o desafio de reerguer o restaurante da família. E justamente quando consegue colocar o restaurante e a sua vida nos eixos, vem essa doença maldita e faz com que seu esforço nunca seja apreciado pela mãe. Talvez por isso ajudar com esse casamento seja uma forma de deixar sua mãe feliz de algum jeito, mesmo que seja por um curto intervalo de tempo. Porque talvez isso faça parte do rumo que ela queria pra vida dele.
Darín está muito bem no papel do homem enfrentando a crise de meia idade. Além disso está muito bem acompanhado por um elenco afiado e muito competente. Mas o destaque vai para esta deusa chamada Norma Aleandro no papel da mãe de Rafael. Em todas as visitas de Nino, ela está com uma cara impassiva, perdida. Mas consegue fazer seu rosto e olhos brilharem a cada vez que vê seu companheiro. É impresssionante como pode se dizer tanto sem falar nada. Ela consegue nos dizer que ama aquele homem só com um olhar.
Um filme muito bonito e com performances primorosas. Uma história que pode ser vista e revista, com seus momentos engraçados e com muitos momentos emocionantes. Um belo trabalho do diretor Juan José Campanella, que depois nos brindarias com os também ótimos Clube da lua e O segredo de seus olhos.

sábado, 14 de agosto de 2010

O SEGREDO DE SEUS OLHOS


NOTA: 10.
"Como você vive uma vida cheia de nada?" Ricardo Morales

Se no futebol nós temos mais motivos de orgulho, no cinema ainda ficamos muito atrás dos nossos hermanos. Com grande frequência, chegam aos cinemas um filme argentino que surpreende até mesmo ao mais crédulo do espectadores. E a bola da vez é este filme, merecidamente laureado com um Oscar de melhor filme em língua estrangeira. E também novamente um filme do diretor Campanella estrelado por Ricardo Darín.
Darín vive Benjamin Esposito, um investigador criminal aposentado. Ele vai encontrar Irene que atualmente é juíza. Quando ele estava na ativa e ela era apenas assistente, eles foram responsáveis pela investigação de um crime bárbaro: um estupro e espancamento seguido de assassinato. Benjamin lhe conta que pretende escrever um livro sobre o caso e assim o filme vai se desenvolvendo em Buenos Aires de 1974, época do crime e o presente que se passa nos anos 2000.
Benjamin e Irene tem um amor pelo outro nunca consolidado. Fica claro desde o primeiro instante essa atração mútua. Em uma das primeiras cenas, ele passa por uma mulher e faz uma brincadeira. Logo depois, quando é apresentado a Irene ele simplesmente não consegue dizer nada. Diante dela, ele fica sem palavras e nem uma brincadeira como a que ele disse antes sai de sua boca. Aquela mulher realmente o fascina. E remexer com aquela história do passado, é remoer todos esses sentimentos novamente.
Como assistente, Benjamin conta com um alcoolátra e amigo, Sandoval. Ele pode parecer muitas vezes incompetente, mas com certeza é de muita ajuda, apesar de dar muito trabalho. Se eles conseguem resolver o caso, grande parte da culpa é de Sandoval. Que ao final do filme também é responsável por uma das cenas mais emocionantes do filme. Não serve apenas de parte cômica, é realmente um personagem essencial.
Juan José Campanella, o diretor / escritor faz um filme competente e emocionante. Os personagens vão crescendo durante a história e nós vamos os acompanhando. As duas histórias, presente e passado, vão se aproximando do clímax juntas até a sua resolução. Os atores estão ótimos. Darín é sempre competente. Soledad, como Irene está ótima, e ambos conseguem representar muito bem as duas fases separadas por grande diferença de tempo. Muitos ficaram surpresos pela vitória deste filme no Oscar, já que A fita branca era a grande favorita, mas é difícil de dizer que tenha sido uma escolha errada. Eu só lamento por não ver filmes brasileiros assim.
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