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domingo, 2 de outubro de 2011

AMIZADE COLORIDA - FRIENDS WITH BENEFITS


NOTA: 8.
- Já falamos sobre isso, não gosto de você desse jeito.
- Eu também não gosto de você desse jeito, por isso vai ser perfeito.

Não há nada de muito original nesse filme. Ele recorre a todas as fórmulas do gênero como qualquer filme que parece estar sendo dirigido no piloto automático. A única diferença deste para a maioria dos filmes é que são dois amigos, aparentemente não atraídos um pelo outro, que estabelecem uma relação apenas de sexo, sem se apaixonarem um pelo outro. Será que isso é possível? Eu acho que sim, mas talvez a resposta seja não se o casal for Mila Kunis e Justin Timberlake.
Ela é Jamie, uma mulher contratada por empresas para conseguir novos executivos. Ele é Dylan, um diretor de arte promissor que trabalha em um blog em Los Angeles que uma grande revista está interessada em contratar. Para quem trabalha em um blog, esse é um emprego dos sonhos, mas ainda assim fica receoso. Ele aceita o convite de ir para Nova York e ela decide que a melhor maneira de convencê-lo é vender a cidade, não o emprego. A estratégia funciona e ele aceita o emprego, e eles acabam ficando amigos.
Um jantar leva a outro e a intimidade dos dois cresce. Não é preciso ser um gênio para descobrir o que vem em seguida. Uma noite, um confidencia ao outro como eles tem azar em relacionamentos e como estão cansados de procurar uma nova pessoa. Por isso resolvem criar uma relação puramente baseada em sexo. Um não pode se apaixonar pelo outro.
Essa parte do filme é muito divertida, especialmente com o casal protagonista mostrando que tem muita competência para se manterem em evidência. Afinal, ambos mostraram que podem realizar bons trabalhos em dramas e voltam agora para a comédia com grande naturalidade.
O problema é que o filme parece exigir que os dois se apaixonem. Provavelmente o público reclamaria se isso não acontecesse. E é essa busca forçada que faz com que o filme perca um pouco de ritmo em sua segunda parte. Por sorte, ele conta com bons coadjuvantes que levantam o filme quando ele parece que vai terminar mal. Em especial dois veteranos: Patricia Clarkson como a mãe dela, uma ex-hippie cujos efeitos das drogas não parecem ter a abandonado, e Richard Jenkins como o pai dele que sofre de Alzheimer. Não aquele horrível, mas o tipo mais divertido típico dos filmes que ainda permite lucidez nos momentos necessários do filme. Para completar o elenco, temos bons nomes como Woody Harrelson como o editor de esportes que é gay e a irmã de Dylan interpretada por Jenna Elfman.
Uma das grandes sacadas do filme, é brincar com os clichês do gênero enquanto os usa. Eles assistem a um filme romãntico e ficam brincando com as situações que aparecem. A cena pós crédito do filme é uma das melhores em muito tempo. Se não ajuda a desenvolver melhor o filme, com certeza faz com que tenhamos uma grande diversão.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

VICKY CRISTINA BARCELONA


NOTA: 4.
- Nós fomos feitos um pro outro e não fomos feitos um pro outro. É uma contradição.

Escolhi essa fala do filme porque exemplifica bem uma coisa que me incomoda muito no filme: a necessidade do diretor de explicar o que não precisa ser explicado. Algumas vezes reclamo de filmes que fazem isso de forma diferente, que explicam algum detalhe que não influencia no resultado final do filme. Woody Allen faz diferente, ele faz questão de explicar o que estamos vendo na tela. Como essa fala: se são feitos e não são feitos um pro outro, isso não é uma contradição? Por que o personagem tem que dizer que é uma contradição?
A forma mais usada, porém, para explicar desnecessariamente as situações é um narrador que não é nenhum dos personagens do filme. É um narrador onipresente, que sabe de tudo que todos estão pensando, fazendo e passando. É também muito linguarudo e quer compartilhar seu conhecimento com a platéia. O que acontece é mais ou menos assim: o narrador diz algo do tipo "Então um momento constrangedor aconteceu durante o jantar", aí em seguida vemos o momento constrangedor. Se vamos ver o momento, para quê narrar que ele virá?
Este é um típico filme de Woody Allen. São personagens variados com diferentes tipos de sofisticação. Sempre os problemas entre o certo e o errado e sempre os problemas de amor. Allen tem praticamente a mesma quantidade de filmes e anos de carreira. Filmes que ele mesmo escreve e dirige. Alguém pode dizer que ele deveria ser idolatrado por isso. Eu acho que ele deveria ter perdido mais tempo entre um filme e outro para planejá-los melhor. Assim poderia ter entregue alguns trabalhos inesquecíveis.
Não que me incomode que o diretor insista em falar sobre o mesmo tema toda vez, o que me incomoda é que ele não vá ficando melhor nisso. Parece as mesmas histórias da época que ele filmava em Nova York recauchutadas para se passarem agora em diferentes cidades da Europa. Quando ele fez Match point, parecia que uma nova era começaria para ele, com mais vigor e frescor. Seja lá o que aconteceu, ele decidiu depois que era melhor cair na mesma mediocridade que vinha o acompanhando.
Se eu tivesse que dizer, acho que diria que esse filme é uma comédia. Pelo menos pela estrutura e pela forma que a história é contada. O filme, entretanto, não é engraçado. Com exceção de uma cena ou duas que nunca chegam a ser hilárias. Em geral, já dei mais risadas em alívios cômicos de dramas do que nesse filme.
As atuações do filme contrastam com a qualidade dele. Todos os atores estão bem em seus papéis, apesar de nem todos os personagens serem realmente interessantes. Em especial Rebecca Hall, que entrega o único personagem com real profundidade no filme. Talvez mais pela atuação do que pelo roteiro. De resto, o filme pode agradar quem nunca assistiu um filme (ou talvez muitos filmes, dependendo da tolerância) de Woody Allen. Ou talvez quem queira ver um filme na bela cidade de Barcelona. Pelo menos isso é bem aproveitado.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

À ESPERA DE UM MILAGRE


NOTA: 7.
"Geralmente eles chamam o corredor da morte de "a última milha", mas nós chamávamos de "a milha verde", porque o chão era pintado dessa cor." Paul Edgecomb

Logo depois de fazer um filme perfeito, Um sonho de liberdade, o diretor Frank Darabont adapta outro livro de Stephen King (na verdade, Um sonho... é apenas uma das quatro histórias de um mesmo livro) apostando em uma fórmula que deu certo, mas o resultado não saiu o mesmo.
Paul Edgcomb (Tom Hanks) é o chefe da segurança do corredor da morte em 1935, ano da chegada do condenado John Coffey (Michael Clarke Duncan, parecendo muito maior do que já é graças a truques de câmera). Coffey foi condenado pela morte de duas crianças pequenas. Paul cuida do lugar como se fosse uma ala de hospital, ele criou um equilíbrio onde a ala tem uma ordem.
Três chegadas abalam o equilíbrio: um guarda muito cruel e com conexões importantes chamado Percy Wetmore que tem uma estranha obsessão pela morte, um criminoso problema apelidado de "Wild Bill" e a própria chegada de Coffey. Percy é cruel com todos os prisioneiros, Wild Bill é cruel com todos os guardas e Coffey? Ele tem medo do escuro. Apesar de todo o seu tamanho, Coffey é um sujeito simplório que não parece capaz de ferir uma mosca, apesar de estar lá por um crime cruel. Ele muda a rotina do lugar porque possui um dom: ele pode curar as pessoas.
Basicamente, a história é sobre a relação entre um homem negro e um branco, tal qual o filme anterior. Antes, o negro era um observador. Ele foi a testemunha da obstinação de um homem que não se entregou ao sistema. Aqui, o negro lembra Jesus Cristo. Um homem com um poder incrível que é incompreendido pela sociedade. E pelo lugar que está, condenado a ter o mesmo final.
Darabont é um cineasta que gosta de contar uma história com calma, muita calma. Ele não se apressa para estabelecer o local onde os personagens moram (neste caso, trabalham) ou mesmo o próprio desenvolvimento de cada um que aparece no filme. O que de certa forma é ótimo, por dar papéis sólidos aos seus atores, e de certa forma porque parece combinar com o tempo que as pessoas passam lá. 
Qual o problema? Certa hora percebemos que estamos levando muito tempo vendo o tempo que as pessoas passam lá. O diretor perde muito tempo com subplots que não acrescentam muita coisa interessante para a história. Como o aparecimento do ratinho, por exemplo. Está certo que o rato aparece bem durante o filme, mas a primeira vez é uma longa e desnecessária sequência.
Um dos grandes acertos do primeiro filme, era que Darabont não procurava a emoção, muito menos o choro. Não há um close naquele filme que possa dizer isso. Aqui ele faz o contrário, o que dilui parte da emoção que deveria vir naturalmente.
História interessante, com bom elenco de peso e atmosfera envolvente. Mas de certa forma fica sempre parecendo que o filme poderia ir além. Principalmente, com uma edição que deixasse o filme mais ágil. Infelizmente, Darabont não repetiu seu sucesso de estréia e só recentemente conseguiu se reciclar, adaptando novamente um roteiro de Stephen King e lançando o bom O nevoeiro, mas aqui a intenção ficou pelo caminho.

terça-feira, 1 de junho de 2010

ILHA DO MEDO


NOTA: 6.
"Eu fico perguntando que é pior: viver como um monstro ou morrer como um homem bom?" Teddy Daniels

Sempre que um novo filme de Scorcese está para ser lançado, uma grande expectativa se lança em cima do projeto. Certamente ele é uma lenda do cinema e um dos poucos profissionais da sua época que continuam filmando com qualidade. A única outra exceção que me vem à cabeça é Eastwood, mas esse na verdade hoje filma com qualidade superior. Infelizmente, mesmo os grandes cineastas não estão livres de decepcionar a platéia. E foi assim que me senti ao final de Shutter island, sua quarta parceria com DiCaprio. Não que o filme seja ruim, é só que seu nome gera as tais expectativas de tinha falado antes.
A ilha do título, é uma espécie de Alcatraz da psiquiatria. Os criminosos considerados insanos vão para lá, de onde parece ser impossível fugir. É lá que chegam Teddy Daniels (DiCaprio) e Chuck Aule (Mark Ruffalo), dois agentes federais para investigar a fuga de uma paciente. A chegada na ilha chega a ser sinistra, como a equipe de filmagem que chega na ilha de King Kong. Antes que esqueça, vale ressaltar que a época é logo após a segunda guerra mundial e plena época da guerra fria.
Aos poucos o diretor vai trocando o tom do filme. O que começou com um policial noir vai dando espaço a um drama psicológico. Parece haver algo errado com aquela instituição dirigida por Ben Kingsley e Max Von Sydow. O drama policial vai dando espaço para o psicológico e a própria sanidade dos personagens começa a ser questionada. Até mesmo uma conspiração de experimentação psicológica que pode estar acontecendo na clínica surge. O que será verdade e o que não é?
Aqui é que o filme perde sua força. Scorcese tenta realizar um filme com toques de Hitchcock, mas mesmo com sua enorme habilidade isso é uma tarefa isso se mostra ingrata. O mestre do suspense se valia se um único MacGuffin (um truque no filme, para enganar a platéia) em seus filmes. Scorcese faz uso de tantos que o filme parece estranho demais e fica a impressão que algo está muito errado.
O resultado faz com que o filme fique confuso em demasia e perca seu ritmo. Acho que a única coisa que impede o filme de ficar sonolento é a participação de ótimos atores como Emily Mortimer, Patricia Clarckson e Jackie Earle Haley. O final acaba sendo fraco demais para um filme desse porte. Claro que alguns dirão que há um detalhe no final que grita a genialidade do diretor. Eu não concordo. Facilmente se percebe que nenhuma cena no final se compara com as do meio do filme, quando ele ainda tinha um ritmo (em especial as cenas de sonho, que são maravilhosas). O final faz, na verdade, o resto do filme parecer desnecessário. Um desperdício de talento.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

FATAL


NOTA: 6.
“Mulheres bonitas são invisíveis. Somos bloqueados pela barreira da beleza. Ficamos tão encantados com a beleza exterior, que nunca chegamos ao interior.” David Kepesh
Ben Kingsley é um ator versátil capaz de interpretar qualquer papel. Ele consegue transitar de papéis como o pacifista Ghandi, em filme homônimo, até o sádico Don Logan de Sexy Beast. Então nenhuma surpresa ao vê-lo nesse filme como um professor de literatura intelectual que tem a vida mudada por Penélope Cruz. A surpresa é falta de empatia do personagem.
Ele interpreta David Kepesh. Ele não é apenas um intelectual, é uma celebridade com entrevistas na TV e programa de rádio. No final do semestre, ele dá uma festa que mais parece uma desculpa para seduzir as alunas de sua aula, já que durante o período de aula a faculdade proíbe. A premiada da vez é Consuela (Cruz), americana com raízes cubanas. A aventura que ele tem com ela é narrada com uma conversa com seu amigo, George (Dennis Hopper).
Aparentemente, o que deveria ser a graça do filme é ver Kepesh agir como um adolescente idiota com sua primeira namorada. Sua relação com Consuela é totalmente baseado na insegurança dele por estar com uma mulher mais nova e bonita.
Apesar de parecer que ele faz isso em todas as suas aulas, até mesmo porque depois de Consuela ele já aparece olhando para outra mulher em sua aula, ele age de forma tão imbecil que torna seu personagem mais irritante do que interessante. Ele chega a ir atrás de festas para procurá-la. “Estava visitando um amigo na vizinhança.” Ridículo.
Com esse comportamento destrutivo, a única que parece conseguir aturá-lo é Carolyn (Patricia Clarckson, ótima). Isso porque Carolyn não está interessada numa relação amorosa, ela quer apenas sexo. Nem seu filho parece gostar dele, e Kepesh só o procura para pedir um favor. Até há uma virada dramática que torna Kepesh, e consequentemente o filme, mais interessante, mas aí a maior parte do filme já se foi pra recuperar interesse do filme.
Não posso dizer que o filme seja bom. É daqueles que você sente que falta algo, sabe? Falta interesse pelo personagem principal. Falta interesse pela relação entre os dois. Pra mim o filme ficou no quase.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

A GAROTA IDEAL – LARS AND THE REAL GIRL



NOTA 8

Infelizmente, essa dica só vale pra algumas cidades que estão exibindo. São Paulo é uma cidade que está exibindo esse filme. Um bom filme com premissa e jeitão de filme independente. O filme traça um ponto de partida a partir da incapacidade de comunicação do personagem que, sem um rito de passagem da infância para a fase adulta, se encontra deslocado do resto do mundo. O personagem de Lars, não suporta ao menos ser tocado (para ele, o toque causa dor física).

Lars é um homem que vive numa cidade dessas de interior onde todos se conhecem. Após a morte do pai, seu irmão se muda para casa principal enquanto Lars vive num quarto do lado da garagem. Lars vive lá por opção. Sua já citada incapacidade de se relacionar com as pessoas, faz com que ele evite o contato até com a família. Mesmo sua cunhada que tanto insiste pela sua companhia, assim como no trabalho (mesmo com quem divide o mesmo cubículo).

É quando Lars arranja uma “namorada” pela internet, Bianca. Sua namorada é uma boneca de silicone usada com objetivos sexuais, por assim dizer. Até mesmo para tirar a boneca da caixa, ele obedece todo um ritual. Ele toma banho e se arruma para conhecer Bianca, que ele diz que por um acidente usa cadeira de rodas. O irmão sob o pretexto de se preocupar com a saúde da boneca, os leva ao hospital, onde a médica é também psicóloga. A médica convence a todos na cidade a lidar com Bianca como se fosse uma pessoa de verdade.

É graças a esse namoro, que Lars consegue se aproximar de ter uma virda normal, em contato com as outras pessoas. Ele começa a jantar coma família. Frequentar festas e até mesmo interagir com as pessoas do escritório. Bianca traz um novo mundo de convivência para Lars, fazendo com que ele descubra as pessoas que realmente gostam dele. Com boas atuações (em especial de Gosling, que faz o personagem mudar de forma imperceptível diante de nossos olhos) e um roteiro que explora bem a confusão mental de Lars e sua evolução, a única que coisa a se lamentar é que o filme esteja relegado a um público tão seleto.
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