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segunda-feira, 3 de outubro de 2011

HITCHCOCK TRUFFAUT 22: A ESTALAGEM MALDITA - JAMAICA INN (1939)

Para ler o que já saiu de Hitchcock Truffaut, clique aqui.


NOTA: 5.
- Esse lugar, Jamaica Inn, tem uma péssima reputação. Tem coisas estranhas acontecendo por lá.

Talvez Hitchcock estivesse com a cabeça em Hollywood e seus próximos trabalhos na terra do Tio Sam quando realizou sua despedida inglesa, que foi produzida pela produtora do ator Charles Laughton. Talvez por isso esse filme tenha sido apenas um passatempo até começar sua nova fase. Um filme muito aquém do que o diretor vinha fazendo. Tanto é que o diretor se arrependeu de tê-lo feito, apesar do sucesso comercial inesperado.
O filme conta a história de uma órfã, interpretada por Maureen O'Hara, que vai morar com a tia cujo marido tem uma estalagem perto do porto. Trata-se de uma estalagem em que ocorrem todo o tipo de horrores, sendo o maior negócios deles fazerem que navios batam nas rochas para que eles possam saqueá-los. Nada acontece contra ele porque por trás de toda a organização está o juiz de paz da cidade.
Fosse outro diretor, o filme poderia não parecer tão discrepante. Mas como se trata do mestre, seus filmes devem ser julgados pelos padrões que ele próprio estabeleceu. Apesar de conter alguns elementos hitchcocktianos de suspense, esse filme não é lembrado (pelo menos por mim) como um filme com a marca característica do diretor. Pela primeira vez, o diretor se depara com um nome (Laughton) tão grande, ou maior, que o seu. E infelizmente sai perdendo.
Como Hitchcock bem observa: "Por isso que esse filme era uma empreitada insensata; normalmente, o juiz de paz só deveria aparecer no fim da aventura... era absurdo fazer esse filme com Charles Laughton no papel do juiz...".
Nessa parte, truffaut faz uma observação muito interessante, ainda que seja um pouco exagerada. Ele observa que toda essa fase inglesa do diretor, é como se fosse uma preparação para trabalhar nos EUA, e oferece uma explicação. Diz que "cinema" e "Inglaterra" são duas palavras que parecem não combinar uma com a outra. As pessoas são muito educadas e calmas para os filmes de Hitchcock. por isso os filmes de maior expressão do diretor são todos posteriores a esse. Por isso destaca que apenas dois diretores até àquela época tinham obras que resistiam ao tempo: Charlie Chaplin e Alfred Hitchcock. Apesar de hoje termos muitos filmes interessantes de diretores ingleses, não deixa de ser verdade ainda que são os dois diretores que mais continuam se destacando hoje e realmente resistindo ao tempo. Por isso são tão geniais.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

COMO ERA VERDE MEU VALE - HOW GREEN WAS MY VALLEY



NOTA: 8.
- Memória. Estranho como a mente pode esquecer o que se passou há pouco, e ainda assim guardar claramente na memória o que aconteceu anos atrás.

O ano de 1941 foi o do lançamento de Cidadão Kane, a obra-prima de Orson Welles que contava a história do milionário Kane claramente inspirado no barão dos jornais William Randolph Hearst, que ainda muito poderoso fez enorme pressão para que o filme não fosse lançado e depois que não fosse premiado. O filme escolhido para "abafar" Kane, foi este filme do mestre John Ford produzido pelo lendário Darryl F. Zanuck, ambos muito talentosos para fazer filmes mas que neste em particular ficaram muito aquém dos feitos que o filme de Welles conseguiu.
Uma coisa devo dizer a favor do filme, poucas vezes uma obra tão bonita que retrata a alma de uma pequena cidade cujo o povo é honesto e simples teve tanto espaço nas telas. Caráter e dignidade são características cada vez menos requisitadas nos filmes, mas aqui é tudo que precisamos para ficarmos vidrados com a história filmado num visual que, mesmo em preto e branco, é arrebatador.
A família que acompanhamos no filme são os Morgans, um clã de mineradores. Os acompanhamos através dos olhos de Huw, o caçula, o único jovem o suficiente para trabalhar mas que acompanha toda a saga da família. Também é ele quem narra o filme já adulto, lembrando com carinho dos tempos de sua infância até se tornar um homem. Dos seus bravos irmãos, sua mãe que amava a todos com todo o seu coração e de sua irmã que trocou uma vida rica por amor ao pastor da cidade que também servia de mentor intelectual de Huw.
Mesmo sendo um filme memorável e bonito, não é perfeito. Mesmo para época. Talvez fosse melhor terem escolhido O falcão maltês para melhor filme. Não consigo me identificar plenamente com as pessoas da cidade. Apesar de sempre acompanharmos o cotidiano deles, sempre fica um certo afastamento, uma distância. Mesmo momentos que poderiam evocar uma maior proximidade, e maior emoção, passam pela tela sem causar muito efeito. Como a cena em que Huw salva a mãe depois de caírem em um rio congelado, e mesmo o desabamento da mina parece mais uma forma de terminar o filme do que realmente ter uma cena de real dramaticidade e emoção.
Sua premiação pode ter a ver também com o tema, que sempre agradou a academia. É justo também dizer que esse não é o pior filme que já foi agraciado pela academia, apesar de não ter nada de especial ou memorável durante sua projeção. Ficou um pouco datado com o passar dos anos, mas ainda pode ser visto pelos saudosistas que estão sempre olhando para trás lembrando de como os bons e velhos tempos eram bons mesmo, mas será que eram realmente bons? Olhando para aquela época, fica a impressão de um filme que "roubou" pelo menos 5 Oscars de Cidadão Kane (este acabou levando somente por roteiro).
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