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quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

CAVALO DE GUERRA - WAR HORSE


NOTA: 9.
- Você não pode fazer isso. Ele é meu cavalo.

Existe algo além da história que está sendo contada nas telas. Baseado tanto em um livro infantil quanto em uma peça de teatro, o filme faz mais que contar a história do cavalo. É uma obra com imagens tão carregadas de beleza e textura que não se pode explicar em palavras, é preciso ver para saber do que estou falando. Tudo é tão bonito e tão impressionante, que Spielberg quase nos faz esquecer que o filme se passa durante uma guerra onde milhões de pessoas estão morrendo.
A história começa com uma pequena família que vive numa pequena vila inglesa. São apenas pai, mãe e filho que cultivam numa fazenda que alugam de Lyons (Davids Thewlis), que está sempre os cobrando pelos atrasos no aluguel. O filho, Albert (Jeremy Irvine) ajuda como pode o pai que está quase sempre bêbado e sua mãe que é muito trabalhadora.
Até que acontece um leilão na vila, e o pai bate os olhos num cavalo que parece ser especial. Ele disputa com Lyons pelo cavalo até sair vencedor, mesmo que tenha pago muito mais do que deveria pelo animal. Especialmente se isso significa que ele gastou o dinheiro do aluguel para isso. Quando volta para casa, a mãe fica aterrorizada pelo preço pago no animal, afinal, ela apenas queria um robusto cavalo para arar o campo. Mas Albert cria uma forte conexão com o animal e consegue com que ele realize tudo que precisam. Infelizmente, seu pai acaba tendo que vender o cavalo para um militar quando estoura a primeira guerra mundial. Albert promete que eles vão se encontrar de novo.
O cavalo, Joey (que segundo li, também personificou Seabiscuit) passa por uma série problemas. Do oficial inglês ele vai parar nas mãos de alemães. Dos alemães ele vai ser cuidado por uma menina em um moinho na França. Da França ele vai acabar parando no meio da guerra numa batalha com muito arame farpado, lama e corpos espalhados.
Joey, porém, realmente parece ser um cavalo especial. Tão especial que passa por vários donos e todos o tratam com muito cuidado. Com carinho. Mesmo um oficial que diz que os cavalos são armas de guerra e que devem ser usados até que morram, contrasta com o subalterno que apesar de obedecer as ordens tenta fazer o que pode pelo animal. Joey passa pelos dois lados da guerra, mas é sempre admirado e bem cuidado por todas as pessoas.
Tudo isso é filmado com muita beleza, mas não dá uma coesão perfeita ao filme. O protagonista é um mero espectador das coisas que acontecem ao seu redor, e cada parte do filme parece ser um pouco desconectada das demais.
Spielberg, consegue passar uma nobreza ao animal e o dá um final feliz. Alguns podem reclamar da pieguice, mas depois de passar por tanta coisa e depois de muita gente morrer, o final feliz é apenas um alívio para a plateia. Seria muito triste se terminasse de outra maneira. E ao final do filme, o cavalo correndo pelo pôr-do-sol dá uma bela visão que só um mestre como o diretor sabe fazer. Quase como se fosse uma homenagem à John Ford que tanto fazia cenas assim em seus faroestes. Assim como o final que nos inspira, como a Hollywood fazia naquela época. Spielberg nos lembra que cinema é também espetáculo, e nessa matéria ele é mestre.

domingo, 17 de julho de 2011

HARRY POTTER E AS RELÍQUIAS DA MORTE PARTE 2 - HARRY POTTER AND THE DEATHLY HALLOWS PART 2


NOTA: 9.
- Vamos lá, Tom. Vamos terminar do jeito que começamos... Juntos.

Depois de 10 anos desde sua estréia, a saga do bruxo Harry Potter chega ao fim (ou pelo menos ao fim das adaptações dos livros sobre ele). Ele chega ao final dando uma vontade que quase nenhum de seus antecessores conseguiu antes: fazer com que tivéssemos a vontade de reassistir a todos os filmes anteriores. As crianças cresceram, e os filmes também. O filme não tem início e praticamente não tem meio. São mais de duas horas do final não somente do último livro, mas de toda a saga. Um belo e emocionante final.
Como tinha escrito na resenha do filme anterior, eu tinha uma desconfiança que quase todas as partes emocionantes do livro deveriam ter ficado para a segunda parte do filme, e não estava errado. Se a tática de dividir o filme em dois foi puramente para angariar mais dinheiro, não é do meu pecúlio. O fato é que a divisão permitiu que este filme pudesse guardar mais emoções nesse capítulo que em todo o resto da saga. Depois da série ter seus altos baixos, é bom saber que ela termina por cima.
O elenco merece ser (novamente) destacado. Quem diria que o menino que começou inocente dez anos atrás conseguiria se tornar um ator capaz de realizar todas as nuances que seu personagem necessita neste último épico? Seus protagonistas cresceram para se tornarem bons atores. Chegou o momento de Harry Potter enfrentar cara a cara Voldemort, e são as atuações que definem essa parte do filme. E as atuações são ótimas, tanto de veteranos quanto de novatos. São tantos ótimos atores neste filme e até mesmo durante a saga, que qualquer um que tenha ficado de fora vai provavelmente se arrepender no futuro. Claro que os grandes nomes como Michael Gambon, Maggie Smith e John Hurt (entre muitos outros) roubam a cena pelo simples fato de estarem nela, mas nessa última parte quem realmente se destaca é Ralph Fiennes. Talvez realmente seja melhor interpretar um vilão do que o herói.
Tecnicamente o filme também não deixa a desejar em nada. O diretor David Yates, responsável pelos últimos filmes do bruxo, conduz o final com maestria. É uma montanha russa emocional pelo qual ele nos leva para diferentes sentimentos, mistérios e até mesmo guerra. Tudo isso apoiado por duas coisas que me chamaram bastante atenção: uma fotografia primorosa de Eduardo Serra e efeitos que em nenhum momento desviam a atenção do filme, servem apenas para contar uma história. Tudo na medida certa.
Nada vou dizer do filme para não estragar nenhuma surpresa. Quem não sabe o que vai acontecer na história, terá muitas surpresas. Quem leu o livro ficará na expectativa de que tudo corra como leram e imaginaram que seria. Harry Potter é tudo que os blockbusters deveriam ser com um grau de excelência que alguns raros filmes atingem. São todas essas coisas e um ótimo final que farão, pelo que eu acredito, fazer com que a saga viva ainda por muitos anos. E com merecimento, pois acabou ficando melhor do que esperava que fosse se tornar.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

O MENINO DO PIJAMA LISTRADO – THE BOY IN THE STRIPED PYJAMAS


NOTA: 9.
- Por que vocês usam pijamas todos os dias?
- Os soldados tiraram nossas roupas.
- Meu pai é um soldado, mas não do tipo que tira roupas das pessoas.

Filmes sobre o holocausto são complicados, pois, como tratam de um tema muito delicado, acabam gerando filmes que se transformam em pérolas, ou que acabam odiados e esquecidos (esses, infelizmente, são maioria). Sobre ele, temos os inesquecíveis: A Lista de Schindler, O Pianista e O Grande Ditador. Então qual o grande atrativo desse filme? O ponto de vista de uma criança inocente. É a inocência que permeia o enredo do filme e se torna a sua maior arma.
Bruno mora no que considera a casa perfeita, vai à escola, tem amigos e tudo que pode pedir. Seu pai é um oficial da SS que é promovido, e com isso, a família deve se mudar, o que não estava nos planejamentos do garoto que pretende ser explorador. O lugar não tem nada para fazer. A única coisa que ele vê é uma “fazenda” pela janela de seu quarto. Bruno pergunta à mãe sobre as pessoas estranhas da fazenda, que andam sempre de “pijamas listrados” e é proibido de ir lá, mas seu instinto explorador fala mais alto e o garoto “descobre” um caminho. E lá ele conhece Shmuel e forma uma improvável amizade com o menino judeu.
Bruno não sabe o porquê do garoto estar lá. Durante o filme, ele começa a aprender sobre a ameaça que os judeus “representam”. Como são destruidores e um mal para a nação. Até assiste um vídeo sobre quão bela é a vida dos judeus nos campos de concentração e se confunde com a situação. Ele sabe que deve se manter longe do menino judeu, mas seu tutor diz que se encontrar um judeu bom, o menino seria o melhor explorador do mundo, o que só incentiva Bruno.
Cada conversa entre os dois meninos é de apertar o coração. A diferença entre eles e a forma como o judeu é maltratado incomodam na alma. Mas este não é um filme de choro fácil. O diretor acerta em cheio e não entrega um filme melodramático que busca o choro. Este, quando vem, vem de forma natural, o que torna tudo mais doloroso.
Vera Farmiga (Os Infiltrados) tem um destaque especial como a mãe. Sua personagem é a melhor do filme e a atriz entrega uma personagem memorável que luta para educar os filhos longe do pensamento nazista e cruel. E os elementos dos filmes que mostram os nazistas estão lá. O soldado cruel existe, mas são todos humanos e sempre sob a ótica de Bruno, que nunca consegue entender a magnitude da situação que está vivendo. Até o pai amoroso permanece impassível durante um espancamento de um judeu em frente de toda a família (afinal, como ele mesmo diz, “Judeus não são pessoas de verdade”). Apesar de toda a crueldade, o menino se torna fiel ao seu único amigo, o que leva o filme a um final dramático, que poderia ser mais choroso se não fosse anti-climático. Mas como disse, esse filme não é um filme para se derramar em lágrimas.
Um filme que incomoda e fica gravado na memória...
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