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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

O HOMEM DOS OLHOS FRIOS - THE TIN STAR


NOTA: 7,5.
- Um homem decente não deve querer matar, mas se você vai atirar, atire pra matar.

Certos personagens são característicos em determinados gêneros. No caso do faroeste, se encontravam dois tipos muito comuns. Um deles é o herói relutante. É o sujeito que mesmo que não queira ser herói, eventualmente não consegue fugir da sua sina. O outro é o convicto. Aquele que sabe que deve realizar suas obrigações mesmo que isso lhe custe a vida. Neste filme temos os dois exemplos, representados pelos personagens de Hickman e Owens.
Hickman (Henry Fonda) é um caçador de recompensas que chega numa cidade para coletar o prêmio por um criminoso que matou. O xerife da cidade é Owens (Anthony Perkins, antes de se eternizar nos cinemas como Bates), que está no cargo de forma provisória depois da morte do xerife anterior. Somente uma outra pessoa na cidade queria o emprego: Bogardus, homem de personalidade duvidosa e que também é primo do homem morto trazido por Hickman.
Hickman costumava ser um xerife em uma cidade, mas quando precisou de ajuda todos lhe viraram as costas. Por isso leva agora uma vida mais cínica, somente caçando bandidos que possam lhe dar algum lucro. O contrário de Owens, que mesmo com a insistência da noiva para abandonar a função vai se manter no cargo por quanto tempo tiver que ficar. Ele acredita que pode fazer a diferença na vida das pessoas e ser respeitado por isso. Melhor ainda se contar com os ensinamentos de Hickman para se manter vivo por mais tempo.
Como todos na cidade parecem desprezar a profissão de Hickman, ele depende da boa vontade de uma viúva que mora com seu filho. Ela própria não é muito bem vista na cidade por ter sido casada com um índio. De cara, fica claro que ninguém gosta de índios pelo modo como tratam seu filho, agora vamos descobrir que o próprio Hickman também não gosta. Ele achava que o garoto tinha pai mexicano, quando descobre a descendência do garoto sua expressão muda totalmente.
Claro que os filmes naquela época não guardavam muitas surpresas. É óbvio que Hickman vai criar grande afeição pela família que está lhe dando abrigo, quanto seu modo de vida cínico vai por água abaixo com a convivência com o jovem xerife. Assim como o xerife terá seu teste de fogo contra Bogardus, o único que parece ameaçar a paz daquele lugar.
Mesmo na época, a história já era um tanto quanto batida, mas ainda assim consegue prender bem a atenção. Junto a isso, o filme tem interpretações bem precisas de Fonda (a melhor coisa do filme), e Perkins me surpreende no papel do jovem aprendiz. Não é difícil de perceber porque foi escolhido como o vilão de Psicose, ele é realmente um ator de talento capaz de fazer mais do que apenas um psicopata.
Não é um dos melhores filmes do diretor Anthny Mann (El Cid), mas é um bom faroeste.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

PSICOSE (1960)


NOTA: 100
"Ela só fica meio zangada ás vezes. Todos ficamos um pouco zangados de vez em quando, não ficamos?" Norman Bates

Essa é a frase que Bates usa para justificar a fúria com que a mãe fala para ele, mas eu me pergunto se não há algo além disso. Será que não se trata de Hitchcock falando para a platéia? Todos ficamos meio zangados de vez em quando, então será que não somos todos passíveis de comermos um crime?
Não vou discorrer muito sobre a história do filme, pois ela é conhecida de todos. Mesmo quem nunca assistiu o filme sobre sua história e principalmente sobre suas surpresas. Quantos filmes você conhece que tenham esse poder?
Hitchcock já era um diretor muito bem sucedido, por isso causou espanto quando decidiu fazer um filme de baixo orçamento. No caso, foram 800 mil dólares, baixo mesmo para a época e principalmente para um diretor de seu calibre. A idéia de Hitchcock era fazer um filme em preto e branco para que a platéia não se espantasse com a quantidade de sangue. Um orçamento tão baixo gerou mais de 40 milhões de bilheteria, um número assustador na época e ainda valeu ao diretor umas das suas cinco indicações ao Oscar.
Ele monta o filme com um tom de voyerismo. A câmera mostra a cidade para entrar pela janela. Não será a única vez que seremos convidados a acompanhar aquela mulher. Marion Crane está de soutien branco deitada em uma cama de um hotel com seu amante. Eles não podem ficar juntos porque ele tem dívidas. Então surge um homem arrogante e inconveniente com 40 mil dólares no lugar onde ela trabalha e ela pega o dinheiro e foge para a cidade de seu amante. Quem pode culpá-la? Ela quer apenas viver com o homem que ama, então sob essa ótica seu crime não chega a ser nada grave.Por isso ela parece tão angelical com sua lingerie branca.
Uma das minha cenas favoritas é uma pouco celebrada. Marion está dirigindo o carro quando começa a chover muito forte. Uma tempestade. A música tema, conhecida de todos, começa a tocar e a cena intercala seu rosto e a pista debaixo de uma forte chuva, apenas isso. Um diálogo em off mostra um possível diálogo de seu chefe com o dono do dinheiro que Marion roubou. Isso é tudo que ele precisou para construir uma cena tensa que não apenas prende o espectador como dá ciência à platéia do que está para acontecer  com ela pelo crime que ela cometeu. Um diálogo que não teria como ela ouvir.
Essa chuva a faz com que pare um um hotel na beira da estrada. O hotel Bates. Ela tem uma longa conversa com Norman e os dois se conectam. Não amorosamente ou mesmo sexualmente. Há uma cumplicidade na culpa que os dois carregam. Isso o assusta e por isso ele deve matá-la. E assim, Hitchcock mata a heroína faltando mais da metade do filme e troca a protagonista por Bates. Um dos mais ousados truques que ele usou em sua extensa carreira. E logo quando a moça repensou no que estava fazendo e se mostrava arrependida. De qualquer forma, ninguém em um filme dele cometeu um crime e escapou impune.
O que nos leva à famosa cena do chuveiro. A cena impressiona tanto e não é tão violenta quanto parece. A música dita o ritmo das facadas e o sangue jorra pelo corpo da mulher, mas apesar disso a faca nunca penetra em seu corpo. Nunca é mostrado seu corpo com qualquer ferimento. A cena termina com um close do olho imóvel dela e a música vai diminuindo o volume, como se fosse seu batimento cardíaco. Quando a música termina, a mulher está morta.
O filme se tornou imortal na história do cinema. Ele nos conecta com nosso medos. Se não o medo de cometer um crime, pelo menos o medo de sermos vítimas de um. Seja qual for. Nenhum filme de Hicthcock, nem antes nem depois, causou tamanho impacto. O cartaz dizia para não contar as surpresas para ninguém. Em sua entrevista para Truffaut, ele diria que não era por grandes atuações nem por uma mensagem que passe para o público, a platéia ficou apenas surpresa por um filme, no sentido puro da palavra.
Só não é perfeito pela longa explicação de um psquiatra sobre o comportamento de Norman. Uma mania do diretor de deixar tudo explicado para a platéia, mas ainda assim um suspense memorável. Um dos maiores que somente ele poderia criar. E é "apenas" um filme. No sentido realmente puro da palavra.
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